quarta-feira, 19 de junho de 2013

Parto meu, parto normal de gêmeos - Liliane Teisson

relato parto

Quando as meninas tinham poucos meses de vida, recebi um e-mail de uma grávida de gêmeos que estava na reta final, pronta para receber seus bebês, mas cheia de dúvidas, é claro, e me identifiquei muito com ela. Nasceu aí uma forte amizade virtual que perdura até hoje. A Liliane mora no interior da França com o marido Phil e já era mãe da Cécile quando se descobriu grávida de dois. Não foi tanta surpresa já que a mãe dela era gêmea e ela tinha irmãos gêmeos, mas foi, de fato, uma aventura. A começar pelo parto. Ela topou compartilhar a história dela aqui para quem sabe inspirar outras mães, é fato que na França a cultura hospitalar é muito diferente do Brasil, mas também é bom ter informações sempre. E ela teve um parto pélvico, um relato raro de ser ler por aí.

Eu sinto que conheço essa família tanto, adoro ver as fotos deles todos os dias e conversar com a Lili, que às vezes acho que ela é minha vizinha, mesmo que milhões de quilômetros nos separem. Está aí a maravilha da internet e do mundo moderno. Por isso, fico muito feliz de mostrar o nascimento da Alice e do Arthur, história que eu li em um e-mail há quase um ano atrás e me emocionei muito. Aí vai:

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Estava com 32 semanas de gestação e no dia anterior ao parto estava começando a me sentir estranha, com cólicas, vomitando e muita falta de ar. A enfermeira que vinha toda semana me ver em casa (por causa da hospitalização a domicilio) veio nesse dia pela manhã e me aplicou a primeira injeção pra maturação dos pulmões dos bebes. Por volta das 23 horas comecei a sentir contrações, indolores mas a barriga ficava muito dura. A sensação era estranha demais, nada comparado com o que senti no dia do parto da Cécile. Tomei buscopan, tomei um banho pra ver se passava e nada. Pensei que pudesse ser o efeito da injeção, por isso fiquei com medo, pois a cada contração forte meu colo corria o risco de encurtar cada vez mais.

Às três da manhã, como eu não conseguia dormir já que a barriga não parava de endurecer, Phil ligou pro hospital que mandou uma ambulância me buscar (por causa do repouso absoluto eles não aconselhavam o deslocamento de carro. Phil ficou em casa com Cécile. Me senti super sozinha, mas era necessarío e eu não queria acordar ela no meio da noite assim pra ficar no hospital sem saber o que iria acontecer).

Chegando lá fizeram uma ultra pra medir meu colo que já estava mais curto, menos de 1 cm, mas continuava fechado. Algumas horas depois voltaram para me examinar e voilà, colo aberto e com 3 cm de dilatação! Tomei um medicamento para parar as contrações na veia, mas não adiantou. Quando me disseram eu fiquei super nervosa, chorosa, uma mistura de alívio com medo, não sei descrever o que senti naquela hora, uma mistura louca... provavelmente culpa dos hormônios! Liguei pro Phil que imediatamente ligou pra mãe dele pra ir ficar com Cécile em casa, enquanto ele ia pro hospital.

Então, começou aquele corre-corre entre as enfermeiras, colocaram um monte de medicação no soro sobretudo a segunda dose pra maturação dos pulmões. Um dos remédios até não me fez muito bem, tiraram na mesma hora, mas nada grave. Me aplicaram também a peridural, em caso de gêmeos eles nem perguntam se a pessoa quer ou não anestesia, depois disso fiquei flutuando nas nuvens!  Detalhe que eu não senti dor em nenhum momento antes da aplicação, senti muito mais a picada da agulha que qualquer outra coisa.

Dessa vez Phil não pode assistir ao parto, pois foi feito no bloco (centro cirúrgico), caso fosse preciso tirar o segundo com uma cesariana. Me senti tão sozinhaaaaa, no primeiro parto ele ficou comigo e foi super importante, fez toda a diferença.

Finalmente, me levaram para o bloco, já tinha passado do meio dia. Alice nasceu com minha ajuda, mesmo com anestesia, eu tive toda a sensação do parto tirando a dor, claro. E isso foi super importante pra mim, já que no meu primeiro parto foi preciso ventosa para ajudar a Cécile sair, porque eu não forçava direito, fiquei com um medo terrível de que a força tomasse outras proporções (detalhe que Cécile era bem gigante, 3.6 kg, também então não me culpo tanto rsrs).

Durante o trabalho de parto, as enfermeiras me diziam "Força mesmo, igual pra fazer cocô, nós estamos acostumadas com os acidentes!" Assim que ela nasceu, com os olhos bem abertos, querendo ver tudo, me mostraram bem rapidinho e já correram com ela pros primeiros cuidados. Era a vez do Arthur, mas assim que ela saiu ele virou e sentou. Ele estava numa posição meio termo, tipo atravessado, só que bem mais inclinado pra posição cefálica. Mas na hora, as enfermeiras disseram que ele poderia ficar pélvico e foi o que aconteceu.
Quando isso aconteceu, a médica e as enfermeiras me diziam pra não fazer mais força, e quando olhei só via o corpinho dele pra fora e sentia que a cabeça dele estava dentro. A médica puxava muito, com muita força, é realmente impressionante, mesmo chocante, achei que fosse morrer ali junto com ele, sem exagero, rezei muito. Olhava apavorada pra médica, pergutando se eu podia forçar para ele sair e ela só dizia pra não fazer nada, que ela iria tirá-lo. Finalmente, ele saiu, chorou e eu cheguei a suspirar de alívio! Pra ele sair foi preciso uma episiotomia (mais uma vez, ja tinham feito quando tive a Cécile). Me trouxeram os dois rapidamente novamente pra que eu pudesse dar um beijinho.  Alice pesava 1,9 kg  e Arthur 2,2 kg.

Aqui o parto normal é muito valorizado, eles podiam ter feito cesárea, no meu caso, mas aproveitaram que os bebês estavam super bem e eram grandes o suficiente pra aguentar o trabalho. Dei graças a Deus também, assim no mesmo dia já estava bem pra vê-los na UTI.  Arthur precisou da máscara para ajudar a respirar, Alice respirava super bem sozinha. No dia seguinte, ele já estava respirando bem sozinho.

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Com os pequenos na UTI

Três dias depois do parto voltei pra casa, sem eles, achei que não fosse me importar tanto, mas na hora vem aquela sensação de "braços vazios". Coloquei na cabeça de que era tudo necessarío e logo eles iriam estar em casa e esse tempinho sem eles seria bom para reconquistar o meu lugar de mãe da Cécile que havia sido um pouco "apagado" durante a gravidez pelo repouso.

Depois começou toda aquela loucura das idas diárias ao hospital, aquele medinho de que algo pudesse acontecer com eles tão frágeis, pequenos e sozinhos. Todo dia sentia aquele aperto no coração em deixa-los. Eles ficaram quinze dias sozinhos na UTI e cada dia que passava eles só progrediam, não tiveram complicaçao nenhuma, perderam peso, mas começaram logo a recuperar. Tivemos muita sorte de ter conseguido uma vaga nesse hospital que é referencia em bebes prematuros, isso nos deixava bastante aliviados, eles eram muito bem cuidados, as enfermeiras todas muito fofas e carinhosas.

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Cécile fazendo carinho no irmão

Depois, foi a hora de eu ir pra lá me internar junto com eles. Nesse hospital, eles têm um setor chamado "mãe e filho", onde cada bebê prematuro, que tenha passado muito tempo no hospital depois do nascimento, possa passar um tempo com a mãe antes de voltar pra casa. É verdade que a gente perde um pouco o "fio da meada" quando volta pra casa sem eles. Ali eles aprendem a mamar sozinhos, tiram a sonda e todo aquele vinculo é formado. Pra mim foi muito difícil, fiquei duas semanas lá, mas tinha deixado outra filha em casa, o que foi realmente duro para aceitar. Chorei muito, ali foi meu limite, durante toda a gravidez, as duas semanas que fiquei no hospital de repouso, o tempo que fiquei presa no quarto no segundo andar em casa, sempre fui muito durona, durante toda essa barra que passamos.... acho que eu estava muito cansada com essa história de hospital, estava doida pra voltar pra nossa vida normal. Graças à Deus, Alice e Arthur mamaram no peito super bem, tiraram a sonda e só ganhavam peso.

Durante essas duas semanas, eu passava meus dias com eles sozinha no quarto dando peito, pesando e anotando o peso deles antes e depois de cada mamada pra ver o quanto eles mamavam a cada vez. Aturava conselhos totalmente contraditórios das enfermeiras que mudava constantemente, fiquei surda diante disso e comecei a fazer do meu jeito.
Finalmente, eles foram pra casa depois de um mês e toda uma nova e linda historia começou pra nossa família

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Fotos modernas, antes, depois e sempre

Eu gosto de tirar fotos. Eu adorava (e ainda gosto) de ver meu álbum de bebê quando eu era criança, as fotos antigas das famílias ou os porta-retratos alheios quando chego na casa de alguém. Eu gosto de reparar no cenário, na expressão do rosto, no jeito da pessoa, no momento passado que se foi, mas ficou enquadrado ali naquele pedaço de papel fotográfico ou na tela do computador, tablet ou celular, já que estamos nos tempos modernos. Quando as meninas nasceram eu tirava muitas fotos, muitas mesmo. E eu ainda tinha acabado da ganhar o iPhone, então era da máquina e do celular. Era cada respiração, um clique.

Há uns dois meses, eu descobri que milhares de fotos que eu tirei delas dos primeiros seis meses de vida tinham sido apagadas por um problema no computador. Socorro! Mas, é claro, que eu tinha back-up, gente! No HD externo, oras. E o que aconteceu? O HD externo deu problema também. "Ha-ha-ha" Só que não, né? Entrei em fases de desespero, tristeza e conformismo. Até começar a pensar na quantidade de fotos que eu tirava das meninas, será que aquilo era necessário mesmo? Por que não começar a imprimir e fazer álbuns das duas? Salvar em CDs talvez, mas também começar a ponderar a quantidade exorbitante de fotos, nem tudo precisa de mil cliques. É bom guardar os momentos, mas também é bom vivê-los intensamente sem se preocupar com o melhor ângulo ou a pose. Então, eu relaxei.

Consegui recuperar algumas fotos das meninas com o meu pai e outro dia encontrei um pen-drive perdido com umas relíquias. Fotos de quando elas tinham uns 6 meses, há quase um ano atrás. Então, fomos lá no mesmo lugar para tentar fazer novas fotos de novo para marcar esse momento dos quase 18 meses delas. E pensei em quanta coisa a gente fez até chegar aqui, por isso, a coisa linda de ter fotos: poder lembrar.

IMG_9344 Maria antes
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Maria depois

IMG_9339 Bella antes
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Bella depois

IMG_5329 Maria e eu. Pode não ser minha cara, mas é toda eu com esse sorriso de lado, né?

IMG_5339 Bella, uma menina com a cara e o jeito do pai e louca pelo aconchego da mãe

Eu continuo amando fotos e tiro uma das meninas quase todos os dias, agora com mais moderação, no entato. E passei a imprimir. Fazer mais back-ups, mas também desapegar. E tenho a sorte de ter um blog com tudo registrado, não só as fotos, mas o que eu estava sentindo ali.

Também adoro compartilhar fotos no Instagram, por exemplo, porque me faz sentir menos sozinha. Essa coisa de ficar em casa pode ser solitário, apesar da constante companhia que eu tenho com a Maria e a Bella. É claro que acho que a exposição, às vezes, é ruim, tem uns comentários sem noção, por isso estou  aprendendo a ponderar cada vez mais a exposição. Mas também tem muito amor e amizade pela minha família, e isso sempre vale a pena. Conheci muita gente através do blog e do insta e aprendo muito com os outros também, com outros exemplos, neste mundo de fotos. Também gosto de postar as fotos aqui, porque gosto de ver as fotos em outros blogs, ora bolas. E é legal ver fotos bem feitas e acho que post sem foto é sem graça. Portanto, vamos clicar, guardar, lembrar e não esquecer jamais dos bons momentos que a vida traz.

Para quem quiser seguir a gente no Instagram procure por @familiamoderna!
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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Mulher de fases

É fato que a vida do bebê e, consequentemente, dos pais, é feita de fases. A gente aprende muito e sofre com elas, e cada uma tem suas vantagens e desvantagens. Eu vejo que até os meus dias com as meninas têm suas fases. Em alguns momentos está tudo lindo, elas brincando quietinhas, de repente sai um abraço entre as duas, alguém faz um carinho em mim, elas "conversando" e eu sem entender nada. De vez em quando,eu choro um pouquinho de felicidade, de gratidão por estar vivendo aquilo. Ah, a vida é bela e doce. Melhor ainda, a vida é Bella e Maria. Mas, cinco minutos depois.... alguém rouba o brinquedo de alguém, alguém tentar tirar alguma coisa e não consegue, alguém fica frustrada por um motivo que você não consegue entender. E tem choro e é o caos. Uma verdadeira montanha-russa, assim é a maternidade (aliás, já disse isso aqui).

IMG_5274 Minha visão de hoje. Estava na cozinha fazendo almoço e percebo silêncio, ou seja, nunca um bom sinal. Mas quando entro na sala correndo, cada uma brincando no seu canto. Paz por alguns minutos. Às vezes, elas também precisam de um momento sozinhas

Nesses momentos de glória, no entanto, eu penso nas fases. Primeiro, em como a fase de bebê era fácil e eu não sabia. Mas, peraí, essa fase é fácil também. Mas, por que todas também são tão difíceis, gente? Viu? Não tem sentido. E o que me resta: aproveitar muito aqui e agora. Porque uma coisa é certa: a fase de bebê não volta mais e o que nos resta são as lembranças daqueles dias de loucura. Eu estava querendo que a próxima fase chegasse logo, que elas falassem, começassem a me entender melhor, tirar chupeta, vitamina (aka nosso leite) na hora de acordar e na hora de dormir, ir pra caminha, etc. E eu digo: pra que? Essas fases todas vão chegar e agora também é tão bom.

IMG_5278 Maria brincando de boneca. Cadê, minha bebê?

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O mundo é todo delas, e eu só assisto

Essa fase tá boa demais e daqui a pouco a gente vai mudar, então relaxei. Vou aproveitar que elas estão na fase de acordar e ficar de preguiça no berço, que é uma delícia. Acordam umas 8h, vou lá dou "bom dia", troco todo mundo, dou a vitamina de banana, coloco uns brinquedos no berço e elas ficam lá até umas 9h. Enquanto isso, eu vou no banheiro, adianto almoço e tomo meu café com calma. Soneca é sagrado pra elas e, por isso, a gente não consegue sair muito na hora do almoço, por exemplo, e se elas dormem fora de casa é todo um processo. Então, pra que ficar lutando contra isso? É só uma fase. À noite, dá 19h e parece que dispara um relógio. Elas começam a se aninhar, reclamam, às vezes deitam no chão, chega ao ponto da gente falar: "vamos dormir?" e corre todo mundo pro quarto. Pode? Fase boa, gente!

IMG_5299IMG_5300 Bella em dois atos, mesmo minuto 

Acho que é importante insistir nas coisas, cada fase tem suas funções, e é preciso colocar limites e métodos em prática, mas sentar e apreciar também vale a pena. Todos os dias eu acordo e penso: "que aventura me aguarda hoje com as meninas?". Todos os dias eu olho pras duas e penso: "como eu posso ser tão sortuda?" e um tanto de amor me invade que eu nem sei explicar. E que venham mais, os desafios e as delícias.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Receitinha - Especial Dia dos Namorados

Amanhã, Dia dos Namorados, e você não sabe onde incluir romance na sua lista de afazeres de mãe, seja você trabalhadora ou dona de casa? Pensa em sair de casa, mas não quer enfrentar filas nos restaurantes ou ter que arrumar aquele esquemão com sua mãe/sogra para ficar com as crianças em plena quarta-feira? Muito menos quer fazer algum prato elaborado que vai sujar metade da louça em casa enquanto o marido assiste televisão? Seus problemas acabaram, mulher moderna! Aí vai uma receita fácil, maravilhosa, gourmet, "parece de restaurante mais você que fez" e afrodisíaca (sim, você leu afrodisíaca!) para fazer em casa sem stress. Portanto, peça para o marido passar no supermercado antes de voltar pra casa do trabalho para comprar os pouquíssimos ingredientes da receita, um bom vinho, um delicioso chocolate, coloca os bebês para dormirem e se joga no romance!

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Eu encontrei essa receita há um tempo atrás no livro de receitas Afrodite, da minha escritora favorita, Isabel Allende (inclusive inspirou o nome de quem? De quem? Da minha caçula só que em versão italiana, é claro). Fiz umas adaptações, mas nada que mudasse a essência do prato. Nas deliciosas páginas do livro, ela incentiva o leitor a se entregar aos prazeres da vida e, é claro, inclui receitas. E o que faz justamente um prato afrodisíaco, não são apenas os temperos, mas as intenções e o amor de quem o prepara. Por isso, esqueça um pouco os problemas, as contas, os afazeres e tire essa noite para aproveitar, permita-se. É o que toda mãe precisa, às vezes. Seja no Dia dos Namorados ou em uma quarta-feira qualquer. Mas, chega de blá-blá-blá e vamos ao que interessa:

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Camarones al azafrán. Sí, señor!

Você vai precisar:
- 1 saco de camarão do tamanho grande (já que você não vai sair, invista em um bom camarão e use o saco todo, sem economias.)
-  2 xícaras de massa do tipo farfalle (mais conhecido como gravatinha, mas pode ser outro tipo de massa também, como penne, por exemplo)
- 1/2 colher de sobremesa de açafrão
- 1 um pacote e meio de cream cheese (250 gramas aproximadamente)
- Azeite, sal, 1/2 dente de alho e páprica doce para temperar.
 
Modo de preparo:
Frite os camarões na manteiga com sal e pimenta. Enquanto isso, esquente a água com sal para cozinhar o farfalle. Em uma travessa, onde você vai servir o prato, misture o cream cheese e o açafrão até obter um creme amarelo. Adicione sal, pimenta, alho, páprica a gosto (não precisa exagerar no tempero, é só para dar um gostinho mesmo). Reserve.

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Quando a massa estiver cozida, retire a água da panela e regue o farfalle com azeite de oliva. Misture imediatamente com o molho de cream cheese e mexa bem.

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Hora de misturar tudo. Tem que aproveitar quando o macarrão estiver quente!

IMG_5260 Coloque o camarão em cima do macarrão e sirva.

IMG_5261 Depois é só aproveitar! A receita serve tanto quatro comportados quanto dois esfomeados!

Aqui a gente já comemorou o Dia dos Namorados hoje como desculpa para este post. 

Me contem se o afrodisíaco deu certo! ;)

PS: Este blog não é de culinária, mas a gente testa uma receita ou outra como família moderna, certo?

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Receitinha - Pão de Manjericão

Eu já tinha acordado hoje pensando em compartilhar aqui uma receita para quem vai ficar em casa e quer fazer um jantar romântico no dias dos namorados, mas como eu fico acumulando fotos e receitinhas resolvi postar logo uma das minhas receitas favoritas. Quem sabe eu consigo postar outra receita até amanhã? Eu nunca tinha feito um pão em casa até conhecer o pão de manjericão e, pronto, viciei. Sabe aquela receita fácil e com um resultado maravilhoso? É essa. Eu achei vi pela primeira vez no extinto blog Rainhas do Lar, depois fiz quando escrevia pro Água no Feijão e agora fiz uma versão pras meninas e resolvi compartilhar aqui. Aí vai:

IMG_5240 Pão verdinho pronto pra servir

IMG_5253 Quase um bolo. Também já fiz com rúcula e ficou ótimo

Bata no liquidificador 3 ovos inteiros, 2 copos d'água, 1 copo de azeite de oliva, 3 colheres de açúcar, 1 cebola roxa pequena cortada em quatro (usei a cebola branca, mas só coloquei 1/2), 1 dente de alho, sal a gosto, 1 envelope de fermento biológico (um envelope corresponde a 3 tabletes) e um buquê de manjericão fresco inteiro lavado e sem os talos. Tem que tirar todas as folhinhas do manjericão com muito amor, carinho e paciência, viu gente? Mas vale a pena! Bata tudo e reserve.

Em uma tigela grande coloque 5 xícaras e meia de farinha de trigo. Abra um buraco no meio e jogue a mistura líquida aos poucos. Se achar que ficou muito líquido, coloque um pouco mais de farinha de trigo. A massa deve ficar cremosa, mas não pesada.

Unte duas formas de bolo inglês ou uma forma retangular pequena e alta. Derrame a massa e descansar por 1 hora e não esqueça de pré-aquecer o forno um pouco antes de colocar.

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A sugestão é rechear o pão com gorgonzola, mas por causa das meninas não coloquei. O jeito foi usar um creme de gorgonzola que achei no mercado para compensar. Mas quem quiser rechear é só preencher 1/3 da forma com a massa e derrame queijo gorgonzola picado. Agora nada de economizar, minha gente, é para colocar bastante! Derrame o resto da massa, deixe descansar e depois pro forno.

Quando o cheiro de manjericão invadir a casa, está pronto!
Ainda estou tentando achar outra receita de pão tão fácil quanto essa.

Maria e Isabella aprovaram o pão e comeram hoje cedo com tomatinho. 
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E ontem à noite a gente comeu com vinho e queijo pra ver o último episódio da temporada de Games of Thrones.
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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Como ensinar um bebê a comer sozinho (ou quase isso)

Primeiro de tudo: prepare-se para bagunça. Depois junte uma dose de paciência e tranquilidade, mais conhecido como itens básicos para cuidar de um bebê, quem dirá dois. Pois bem, há um mês mais ou menos, comecei a deixar Maria e Isabella a comerem sozinhas. Era mais uma daquelas coisas dos meus sonhos em busca de praticidade pra mim e desenvolvimento pra elas. Entre os já realizados: passeios sozinha com elas, banhos juntas, banho de chuveiro, dormirem sozinhas no berço, adeus à mamadeira, ler livros sem morder. Dos que ainda virão: desfralde, vestir roupa sozinha, desenhar sem comer o giz e um adeus à chupeta. E agora já posso riscar mais um da lista! Mas para chegar até aqui, é claro, foi todo um processo, então senta que lá vem história:

Quando as meninas começaram com os sólidos, eu as incentivei a sentirem o alimento com a mão, fazer bagunça, pegar e levar à boca, cabelo, o que fosse. Para os bebês, a comida é um brinquedo, então, brigar ou gritar com ele quando ele coloca a mão na papinha é cortar o barato de descobrir (vale explicar que é errado, lógico). Eu colocava pedaços de fruta ou um macarrão fusilli na bandeja da cadeira para elas comerem. Até que conforme os meses passavam, mais elas se interessavam, jogavam menos no chão e comiam mais. Eu sempre fiz isso, mas também dava a comida com a colher porque achava importante que elas se alimentassem bem, coisa de mãe obsessiva de bebê pré-maturo. Então, eu também usava a minha técnica de insistência de que tinha que comer tudo e bem. Com a mão ou com a colher.

Sem título Primeiros passos/colheradas sozinhas

Há alguns dias, eu descobri que existe um negócio chamado BLW (do inglês baby-led weaning) que incentiva os bebês a comerem os sólidos com a mão, na quantidade e velocidade que quiserem. Eu fazia e não sabia. Sempre vi algumas coisas do tipo no instagram, percebi que as mães americanas só usavam esse método, mas não sabia que tinha nome e teoria. Fiz no instinto e agora também nem estou afim de pesquisar, pra falar a verdade, preguiça pura e, às vezes, as coisa rolam melhor na intuição. Mas quem quiser, dei um googlada, e tem um site aqui.

Sem título Nhack!

Quando as meninas tinham uns dez meses fiquei obsessiva e queria que elas comessem sozinhas a qualquer custo. Mas aí devido a pressão familiar pelo nível da bagunça, "e como você vai fazer quando for comer na rua?" e coisas do tipo... Desisti e resolvi esperar mais um pouco. Com 12 meses, comecei a voltar, aos poucos. Colocava comida na colher e deixava que elas levassem até a boca. E estava dando bem certo. Até que eu vi que não tinha mais volta e com 1 ano e três, decidi: agora, vai!

Sem título
Comendo de improviso na casa da avó

Depois de desencanar com a bagunça (aqui em casa sempre teve bagunça na hora das refeições, o banho sempre foi depois do almoço e do jantar, e continua assim até hoje), resolvi fazer umas comidas mais "fofinhas" e "grudentas" para não cair fácil da colher. Então, sempre arroz, feijão, carne e um purê. Depois, foi fazer um prato para cada uma e um prato extra que ficava comigo para ir dando comida pra elas também, já que elas mais derrubavam comida do que comiam. Mas, depois de uma semana, já deu para aposentar o extra e comecei a almoçar junto com elas, o prato extra virou prato meu. No jantar, continuei dando a comida por pura preguiça de limpar a bagunça, confesso, e acho que não influenciou em nada. Elas aceitam bem quando a gente dá também.

Sem título Vide o chão!

E aqui vem a parte maravilhosa de ter dois, ou melhor, duas. Nos primeiros dias, Isabella começou super bem, quietinha, tentando pegar a comida, ainda que derramando boa parte. A Maria começou querendo fazer bagunça, virar o prato, jogar comida pra cima. E rolou uma dose extra de paciência e foi! Eu explicava, mostrava, distraia, dizia não. Dois dias depois, a Maria estava indo super bem, derrubando bem pouco e a Bella estagnou. Começou a ficar com preguiça, demorava horas pra comer e, no fim, eu acabava dando a comida pra ela. Umas duas semanas assim, tinha dias que era ótimo, tinha dias que elas faziam a pior bagunça e comiam pouco. Até que, finalmente, as duas começaram a comer sozinhas e pronto. Elas não gostam nem que eu ajude e pegue a colher delas! É claro que no fim elas já estão cansadas e sem paciência, e acabo dando as últimas colheradas, mas é sucesso.

Sem título Maria em treinamento

As meninas sempre comeram bem e acho que foi muito por conta desse contato e da insistência. Elas não recusam nada, gostam de tudo. Agora, algumas preferências prevalecem e começam a aparecer algumas recusas, na verdade, uma única até agora: tangerina. Mas sempre tive umas regrinhas: ter hora certa pra comer, sentar na cadeira ou no carrinho pra comer (sempre!) e assim fazer com que elas entendessem que era hora de comer, não usei a TV como distração, mas sempre dava uns brinquedinhos pra elas se distraírem na hora das refeições e, nos momentos difíceis, ajudava bastante. Era aquela velha história das nossas mães: hora de comer é hora de comer. Às vezes, eu sentia que elas estavam com fome ou com sono e dava a comida um pouco antes, umas 11h, por exemplo.

O negócio é ir tentando e tentando e não desistir nunca!E dá-lhe frutas e comida boa!

Sem título Café da manhã todo mudo junto

Também falei sobre o processo de alimentação das meninas aqui, aqui e aqui.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

As confissões do parquinho

Aqui na nossa quadra tem um parquinho com areia, brinquedos de madeira e metal, escorregador, balanço. Não é lá um super parquinho, mas é um parquinho. E ele está sempre vazio. Enquanto eu passava horas ninando as meninas nos braços, quando elas eram pequenas, olhava pela janela e o parquinho: vazio. E cadê as crianças, gente? Estavam todas em um quadrado de concreto com banco e algumas estruturas de exercício." Por que será?",  me perguntava. Mas quando as meninas completaram um ano, lá estava eu empurrando um carrinho duplo até o parquinho, enquanto passava pelas outras crianças com suas babás, e eventuais pais, e sentia que todo mundo estava olhando pra gente. Bem, em pouco tempo, eu descobri que viramos assunto na quadra como as "frequentadoras do parquinho" e a "mãe que cuida das gêmeas sozinha".

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De vez em quando, no entanto, aparece uma criança. O primeiro veio com a babá e era quatro meses mais velho que as meninas. Comecei a conversar com a babá, depois que ela ficou horas no celular, e ela veio logo falando do filho dela. "Eu tenho um menino também. Tá com 11 meses e quem cuida é a minha irmã. Mas ele tá ficando cheio de mania, sabe? Não quer andar porque só fica no colo, é fogo, eu tento mudar, mas como a minha irmã fica o dia inteiro com ele é difícil". Sim, a babá estava reclamando da babá dela. Coisa louca do mundo moderno onde a tercerização da criação faz parte do nosso cotidiano e, muitos, não conseguem fugir dela, enfim...

O menino era quieto, calado, tímido e gostava de jogar areia na cara das meninas. Quando ele fez isso, a babá foi lá e deu um tapa nele. Eu fiquei chocada, mas fiquei na minha. Depois encontramos com ele outros dias e ele não queria dividir brinquedo e ainda batia nas meninas. Resultado: nem as meninas quiseram mais brincar com ele. Quando a gente se encontra no parquinho, cada um fica do seu lado. (Um parênteses: não sei se porque são duas, mas as meninas não ligam quando brincam com os brinquedos delas, e eu vejo que isso é um estresse 80% do tempo nos parquinhos. Socializar também é dividir brinquedos e a única forma de conseguir isso é incentivar o convívio com vizinhos, primos e amiguinhos, não necessariamente na escola. Deixar as crianças se conhecerem e se resolverem e não ficar o tempo inteiro "não faz isso, não faz aquilo", também ajuda muito!)

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Depois veio uma menina de dois anos com a babá. Ela passava pelo parquinho, pedia para entrar e nunca ia. Mas até que um dia ela entrou, brincou com os brinquedos das meninas e emprestou os dela, com muito custo, mas deu certo. A babá boa gente, carinhosa com a menina, pergunta: "você cuida delas sozinha mesmo? como você consegue?". E aquele papo de "conseguindo", etc. E ela ainda completa: "essa fase passa tão rápido, né? É bom mesmo você ficar com elas e são tão novinhas pra entrar na escola. E nessa idade eles sentem falta da mãe, não tem jeito".

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Dia desses, chegou uma menina nova com a babá. Dois anos e meio e poucas vezes no parquinho também. A babá foi logo disparando: "você cuida delas sozinhas, né?", como já soubesse da resposta. Pronto, já sei que virei tema das conversas lá do quadrado de concreto. "Mas você não quis babá porque não confia em ninguém?", disse armada. Eu expliquei que não, que queria ficar com elas, que não valia a pena trabalhar no momento. "Ah, você está certa. Esse momento é tão importante na vida delas. É uma alegria". Enquanto a gente conversava a menina gritava: "Mãe, mãe, mãe, vem aqui". "Mãe, não, meu amor, eu sou titia". E por mais que ela tivesse repetido isso umas cinco vezes, a menina continuava a chamá-la de mãe.

E teve um dia que eu conheci aquela que seria a "babá perfeita". Carinhosa, amorosa, educada, dura sem ser má, uma verdadeira mãe para aquelas duas meninas, de oito e seis anos. Quando começou a conversar comigo no parquinho contou a vida dela toda, ela tem um filho, perdeu outro por conta de um erro médico, e amava tomar conta daquelas meninas. "Mas, sabe? Elas sentem muita falta da mãe. Tem dias que eu saio nove horas da noite de lá e a mãe ainda não chegou. E esses primeiro anos são tão importantes. Eu consegui ficar com os meus o quanto eu pude e foi maravilhoso".

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E por essas conversas, eu sempre volto pra casa, pensando e pensando...

Eu gosto de ir no parquinho porque todo dia é uma novidade, uma história nova, um desabafo ou uma descoberta tanto minha, como das meninas. E assim vamos indo na nossa vida moderna, cada um com suas escolhas, cada um, não importa quem, tentando ser feliz também.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Parto meu, seu, nosso

relato parto
Então, vamos ter mais um filho. Não, calma, minha gente, ainda não estou grávida. Mas está decidido e firmado. Ainda não é para agora, nem para o mês que vem, ou o outro, talvez ano que vem, talvez este ano. Mas, sim, já estamos planejando e muito. Coisa que não fizemos na primeira vez. Decidimos ter um filho e pronto, mês seguinte já estava grávida e só aí fui me informar sobre parto, o que era melhor... depois gêmeos e aquela confusão toda. E no final a preocupação com o enxoval parecia ser a mesma do que com o nascimento, vamos ser sinceras. Agora, apesar de já entendermos bem o processo, estamos planejando porque vimos o quanto isso é importante. Informação é a palavra. E temos pensado especialmente em parto. Afinal, o nascimento é o primeiro passo de uma grande aventura que é a maternidade e ele precisa ser firme.

No meus sonhos (e eles são muitos e constantes) quero um parto mais natural possível e para isso é preciso muito planejamento, busca pelos profissionais certos e conhecimento. Nas últimas semanas, tenho pensado muito sobre parto e sobre como foi o das meninas, como eu sonhava com um parto normal gemelar e terminei na cirurgia cesariana que eu não queria. Existem mulheres que escolhem a cesárea e, tudo bem, não estou questionando uma escolha pessoal.  Mas também existem aquelas que não sabem que há outra opção, que talvez não tenham se informado que o parto normal é isso, normal, natural, como deve ser. E, para ter parto normal no Brasil, é preciso lutar por ele.

Não estou virando ativista, nem carregando bandeira, só queria poder dividir algumas histórias e experiências aqui no blog para mostrar que existem outros caminhos. Tenho uma amiga que quer engravidar agora e a primeira e única opção dela era a cesariana, ela mesmo me disse: "Mas eu não conheço ninguém que tenha feito parto normal". E a gente tem conversado muito sobre isso e as formas de nascer. Então, para ela e para outras mulheres que ainda não sabem o que querem fazer ou que direção seguir, vamos começar uma série de relatos de partos vaginais por aqui. E tem mais uma coisa: o relato é uma das minhas partes favoritas de ler em outros blogs de maternidade, o momento que você deixa de ser filha para ser mãe, então nada mais justo do que dividir outros neste espaço.

Para estrear bem, resolvi compartilhar a história da Luíza Diener, do blog Potencial Gestante. O relato do nascimento do Benjamim foi um dos primeiros que eu li e simplesmente amo o jeito sincero que ela escreve e descreve tudo. Conheci a Lu na "esfera virtual" e agora posso chamá-la de amiga, que divide tantas preferências e pensamentos comigo. Estou tendo o privilégio de acompanhar a segunda gravidez dela de perto e daqui a pouco vou conhecer outra história tão lindamente escrita e vivida por ela, tenho certeza. Então, senta que lá vem texto (e para quem já leu no blog dela, reviva de novo, eu já li umas vinte vezes):

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Primeiro encontro

minha intuição sempre foi de que o benjamin nasceria em agosto, não em setembro, conforme previsto.

as ecografias sempre acusavam uma semana a mais e minha médica, sempre que me examinava, dizia que o bebê nasceria antes da data prevista, que era 10 ou 11 de setembro.

aconteceu que quando estava quase completando 36 semanas a médica me examinou e disse que minha barriga estava bastante alta ainda e que deveria nascer lá pra 7 de setembro. ok.

quarta, 18 de agosto: é aniversário da minha irmã.
até então eu tinha bastante contrações (desde o 6º mês), mas sempre sem dor.
durante a comemoração do aniversário sinto algo bem parecido com uma versão light de cólica menstrual (porque as minhas sempre foram punks): um incômodo na lombar e uma dor no baixo ventre. até comentei com o marido: acho que agora o benjamin tá descendo.
passa a dor, passa o dia e na noite de quinta, 19, sinto a mesma dor outra vez.

sexta, dia 20 à noite, a dor volta. passa. volta. sempre acompanhada de um endurecimento da barriga.
por puro desencargo de consciência resolvo verificar se as contrações são regulares. mais ou menos: às vezes demoram 15 minutos para voltar, outras 10 e de repente somem as dores e fica só aquela barriga dura. separo umas roupinhas que havia comprado/ganhado naquela semana pra lavar no dia seguinte.

sábado, 21. acordo, lavo a primeira maquinada, estendo. passo o sábado passando roupinhas e separando por tamanho. lavo a segunda maquinada e já é fim do dia quando estendo. a típica dor na costela + dor na lombar. amanhã eu passo o resto.

domingo, 22 de agosto. cólica vai, cólica vem, barriga que endurece.
durmo até tarde e, depois que acordamos até comento com o marido: já pensou que esse pode ser nosso último fim de semana assim? isso porque eu estou apenas com 37 semanas.

13h: vamos almoçar na casa do meu avô.
comento que estou sentindo essa cólica chata e decido deixar de ser besta e metida a resistente e ligar pra minha médica pra saber se posso tomar algum remédio. ela está de plantão em um hospital e me chama para dar um pulo lá pra me examinar: “2 a 3 cm de dilatação. seu bebê pode nascer em até 72 horas. quem sabe mais”.

16h: saio do hospital com a sensação boa de que logo terei meu bebê nos braços.
passo na casa da minha mãe, pego uma mala maior, volto pra casa e começo a resolver um milhão de coisas: roupas na gaveta, as que faltavam passar, separar por tamanho, fechar a mala do benjamin e a minha. mas as contrações vão ficando cada vez mais frequentes e compassadas.

18h40: decido marcar o intervalo entre as contrações: 2 a 3 minutos entre cada uma, com uma duração de 25 a 30 segundos. tomo banho e durante o banho percebo que não consigo fazer nada na hora das contrações: toda vez que elas vêm eu tenho que parar o que estou fazendo. a melhor posição é agachada (de cócoras). tento ligar pra uma doula (que ainda estava pendente) pra ver se ela pode me acompanhar. não quero ir ao hospital à toa. ela está em um curso e disse pra eu ligar por volta das 20h.

20h: doula ainda no curso. só sairá umas 21h. a essa altura do campeonato as contrações já incomodam bem mais. ligo então pra médica e informo: contrações de 2 em 2 minutos com duração de 30 a 60 segundos cada.  ela pergunta: “dói muito?” e eu “não. dá pra aguentar”. ela diz que eu posso esperar um pouco mais então (nas consultas eu deixei bem claro que não queria ir pro hospital pra ficar de molho por horas e ela acabar induzindo meu parto. por isso ela me fez esperar mesmo e eu achei foi bom).

21h: “alô, doutora? acho que tá doendo muito” “tá bem, luíza. vai pro hospital e pede pro plantonista te atender. avise a ele que eu irei em seguida”. mala pronta, aproveitamos pra pegar o bebê conforto e outras coisas. vai tudo pro carro.

21h40: o médico de plantão me atende: 8 a 9 centímetros de dilatação: “sua médica já está vindo? liga pra ela vir que eu já vou te encaminhar pro centro obstétrico”. “é agora”, pensei. subo na cadeira de rodas e me sinto chique. nunca me internei, muito menos fui carregada pra cima e pra baixo em uma cadeira de rodas.

daqui pra frente a noção de tempo fica distorcida.

vou pro centro obstétrico, pra sala de pré parto. parece que ninguém entende por que estou lá, visto que, quando as contrações não vêm, fica tudo bem. quando vêm, eu apenas respiro bem fundo e expiro como quem quer mandar a dor embora (nisso as aulas de ioga – apesar dos gases – me serviram bem). não consigo pensar na dor que sinto ou na pior que ainda virá. só penso: “o benjamin tá chegando! logo vou estar com ele!” e choro de alegria.

na sala tem bola, banquinho e sei lá o que mais, mas eu quero mesmo é ficar deitadinha.
chega o marido, fica bem quietinho do meu lado de mãos dadas: “ele tá vindo!”, digo.
vontade constante de fazer xixi. pra piorar, cocô também.
vou ao banheiro, volto.

a médica chega, faz o toque: dilatação completa, colo apagado. mas eu não to achando que vai sair agora. espera mais um pouco. posso ir ao banheiro? quero fazer cocô!
é normal mesmo. sinal de que o bebê tá quase saindo.mas eu quero ir ao banheiro! tá, cuidado pra o bebê não sair na privada. tudo bem, melhor ainda! vou levar o marido pra aparar, tá?

volto pra sala de pré parto e a médica já mandou preparar a sala de parto.
aí me dá a louca (acho que vontade de que a coisa aconteça de fato) e pergunto se já posso ir. ok. lá vamos nós.

a sala de parto tem cara de tudo, menos de sala de parto. uma maca no meio dela, uma mesinha no canto, uma bola verde e uma daquelas luzes móveis de hospital que ficou apagada o tempo todo.
a maca inclina e tem uma barra na frente que dá pra segurar. legal!

e agora? o que eu faço? quando vier uma contração você faz força como quem vai fazer cocô.
li um livro dizendo que a gente não pode envergar as costas pra trás, senão atrapalha a passagem do bebê. tem que manter ela reta, como se tivesse uma linha puxando o umbigo pro teto. na verdade era essa força que eu tinha que fazer, mas fiz a do cocô mesmo. só lembrei de deixar a coluna reta e de respirar bem. nada de cachorrinho.

não lembro de mais ninguém na sala. não tem marido, não tem enfermeira. só a médica e eu. quer dizer, eu só lembro da médica porque ela faz questão de ser lembrada.
quando vinha a contração, ela enfiava o dedo na minha vagina e abria: “to vendo ele vindo! faz força!” e até agora a bolsa não rompeu.

eu queria que ela rompesse na hora dele sair, pra ajudar na passagem. e também ouvi dizer que têm mulheres que expulsam o bebê com bolsa e tudo, igual cachorrinho. mas claro que isso é uma péssima ideia pros médicos.

ela menciona alguma coisa sobre anestesia. pergunto se a dor das contrações pode ficar pior que isso e ela diz que não. então não quero. quero sentir o que está acontecendo. quero saber a hora certa de expulsar. me deixa!

se até a hora da expulsão eu era uma ovelha mansa, a rei leoa agora incorporou com força. quero ganhar sozinha. não quero a ajuda de ninguém. me deixa que eu vou saber o que tem que fazer.
mas a médica quer intervir. na hora da contração ela mete a mãozona lá dentro e aí dói pra cacete. “vai! força força!” e eu: “me larga! sai!” e começo a chutar ela. “não me encosta! isso dói!”.
briga vai, briga vem, ela pede pra estourar a bolsa. ai tá bom. vai logo. vamos acabar com isso.

parêntese: não queria que estourassem a bolsa, mas na hora acabei concordando. só uma coisa eu achei legal nisso tudo: foi igual estourar um balão d’água gigante. claro que de onde eu estava não dava pra ver nada, mas eu só ouvi o tchááá do líquido no chão. foi uma diversão no meio daquilo tudo.

de volta à realidade, aí as contrações começaram a doer. e aí eu faço força pra valer.
é um berreiro só. quando ela me encosta o berro sai com vontade. gritei como nunca antes na minha vida e, apesar de me sentir um pouco acanhada, descubro que é a melhor coisa do mundo. não só o bebê estava desentalando vagina abaixo, como a dor foi desentalando goela acima. não só isso, parece que eu estou desentalando uma vida inteira. todo grito contido foi saindo corpo afora. e sai cocô, sai xixi e aquela cabeça começa a aparecer: “to vendo o cabelo dele! vai!”
mas logo em seguida: “ó, não vai passar sem corte. se não cortar, vai rasgar e vai rasgar de qualquer jeito. posso cortar?” que jeito, né? eu não queria, mas vamos logo com isso.
e ela taca uma injeção local de xilocaína que não pega. cacete de agulha! aí ela fura de novo. juro. as agulhadas são piores que tudo. parece que não pegou direito, porque eu sinto ela me cortando. a vontade que dá é de dar um bicudo na cara dela e xingar de tudo que é nome. mas eu só grito e continuo fazendo força.

parece uma eternidade, mas acho que não fiquei nem dez minutos na sala de parto.
“ó, vou colocar este pano na sua barriga pra apoiar o neném.”
aí de repente força força força aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!! é a cabeça saindo. o tal do círculo de fogo é um absurdo. uma dor enorme que dura pouquíssimos segundos “sai! sai! sai, menino!” e pluft! o bebê escorrega.
22h42, a doutora canta.

na mesma hora colocam ele em cima de mim, que fica só miando num choro baixinho.
meu deus! esse é meu filho! jurava que ia chorar, mas fiquei meio inerte, apenas admirando a coisa mais perfeita do universo que não é somente meu filho, mas esse milagre da vida.
cortaram o cordão e agora beijinho beijinho tchau tchau. lá vai ele pra pediatria.

ué, mas eu não ia dar de mamar? no curso do hospital disseram que ele ia direto ao peito. não, não dá.
enquanto isso ela me diz que a placenta está saindo. mas já? não era pra demorar uns 40 minutos? não a minha. a enfermeira começa a apertar minha barriga e eu não deixo. deixa que eu faço força e ela sai. saiu. deixa eu ver? ai que legal é uma placenta! um pedaço gigante de carne vermelha com um fio grosso e roxo pendurado.
tá ardendo lá embaixo.
hora de dar os pontos. lembrando que eu não tomei anestesia e aquela xilocaína não serviu de nada, eu consigo sentir cada agulhada. ai! para! tá doendo pra cacete!
tá bom, acabou! vai pra recuperação.

22h50: me deitam ali num lugarzinho próprio e cadê meu filho? tá na pediatria. fiquei anestesiada de tudo. o tempo parece se arrastar sem fim.
toda hora que olho no relógio parece que ele quebrou. o tempo pirraça.
na mesma hora que cheguei pro parto, outra mulher chegou pra cesárea. eu fui parir antes, mas ali, na recuperação, ela chegou um pouco depois.
os minutos se arrastam e eu to que ouço um bebê chorar.
daqui a pouco chegam com a filha dessa mulher e o pai está lá também. a filha dela mama e eu deliro entre o cansaço e a lucidez com a hora em que vou dar de mamar pro meu filho também.
o bebê continua chorando. não é o dela, é o meu.

23h e tanto: vejo o hilan chegando com o benjamin no colo e a câmera a tiracolo. me dá, quero tirar uma foto sua segurando ele. na foto ele sai com cara de bravo e diz: ele tá com fome.
ali deitada mesmo colocam meu filho no meu peito e ele começa a mamar.
senti como se eu tivesse feito aquilo a vida inteira. o momento que eu mais esperava chegou! meu filho tá mamando, sem problemas!

fico um tempo lá. já deu meia noite. agora eu posso ir pro quarto.
a motorista da maca é bem destrambelhada e me bate em cada porta que passa. mais um solavanco pra entrar no elevador e eu sei que estou chegando.
na ala da maternidade vejo um monte de enfeite de porta: beatriz, joão, sei lá quem. eita é mesmo! tinha isso!

me contaram que o benjamin nasceu roxinho, quase sem ar. também fraturou a clavícula direita. isso é comum no parto normal. tá bem. é só tomar cuidado que ele logo se recupera.
no quarto minha mãe me espera. depois chega a irmã. festa em família e parece que nada aconteceu. o maior bate papo e a gente tira fotos.

no dia seguinte me liberam pra levantar e eu posso tomar banho sozinha, cuidar dos pontos, me maquiar (sim, eu não abri mão da maquiagem).
logo logo to levantando e agachando. saio na terça de manhã.

apesar das intervenções, como valeu a pena ter um parto normal! é como quase nada tivesse acontecido. todos os incômodos da gravidez foram embora e estou novinha em folha!
não chegou a ser um parto natural ou humanizados, mas foi o meu parto. meu e do benjamin!

terça feira, 24: 
tivemos alta. uma nova vida se inicia.

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Nota posterior da Luíza: adorei reler meu relato de parto justamente agora, que a hora do segundinho nascer se aproxima! mas vivenciar tudo isso me fez querer ir além. me fez querer buscar por um parto ainda mais humano não somente para mim, mas para meu bebê.
para o próximo não quero que me cortem, muito menos que me toquem. os profissionais presentes estarão lá somente para me dar um suporte caso realmente seja necessário.

não faço questão de um parto rápido ou manteiga (mesmo que seria bom que isso acontecesse). hoje vejo que intervenções como o corte da episiotomia e o rompimento da bolsa são procedimentos padrões que muitos médicos adotam sem necessidade. 

por isso, pra esse segundinho, resolvi me informar mais, para não ser levada na conversa ali na hora. e, claro, fazer a minha parte e procurar profissionais realmente qualificados e com a mesma linha de pensamento condizente com a minha.

não quero ficar brigando com médico. quero um que pense parecido. que reconheça a força que uma gestante e um bebê possuem e que acredite que o nosso corpo é perfeito e sabe o que faz. 
a gente tenta e torce para que algumas coisas ruins não se repitam e que as boas aconteçam novamente.
mas sei que cada gravidez é uma, cada bebê é um. e saberei respeitar tudo isso. por isso espero, também, ser respeitada :D

Para ler o post original da Lu clique aqui 

Esta não é a primeira vez que divido relatos de parto no blog, também tem outras duas histórias aqui e aqui

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Invente, tente, faça um dia diferente

Bebê tem que ter rotina e isso é fato, mas ficar em casa todo dia e acabar na rotina não precisa ser regra. Deu pra entender a diferença? Eu detesto ter que fazer a mesma coisa todo dia e, por isso, estou sempre tentando inventar uma aventura ou outra com as meninas. Desde sempre, e, especialmente, quando eu comecei a ter a liberdade de sair com as duas sozinha (por volta das 4/5 meses) fujo da mesmice. Então, entendam: é bom que a criança tenha horário para comer, dormir, brincar, com certa flexibilidade, e eu respeito esses horários, isso é a rotina delas, mas não quer dizer que temos que fazer todos os dias as mesmas coisas. Eu vejo que eu fico mais frustrada que elas quando isso acontece e se fico mais de dois dias só dentro do apartamento fico "loca, loca, loca" e elas sem paciência. Só que agora tem um agravante a mais: estou sem carro. Então, chamo o povo pra vir me visitar (o que eu adoro) e, além do parquinho nosso de cada dia, tenho descoberto outros passeios interessantes. Há alguns meses, fui andando até a agência dos Correios e descobri uma biblioteca pública infantil! Como as meninas ainda estavam na fase "comedoras de livros", não arrisquei. Mas, hoje fomos lá e elas se divertiram demais. Ah, e esses passeios calmos e tranquilos são a glória, minha gente! Sim, eles existem.

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Primeiro, peguei alguns livros da prateleira e elas leram sentadas na mesa. Me pediram pra ler, folhearam e aí já foi uma boa diversão.

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Sentadas em um das mesas antigas da biblioteca pintadas de laranja. Queria trazer pra casa de tão lindas e vintage

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foto(23) Depois, foram explorar tudo, tiraram os livros da prateleira, olharam o jardim. E eu fiquei encantada com o fato delas estarem gostando do passeio

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Achei esse livro lá sobre dois gêmeos que brigavam por causa de um saco de farinha, acho que era japonês. Problema universal de quem tem múltiplos

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Bella escolhendo um livro para jogar no chão e ler, literalmente

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Carrinho duplo, companheiro de sempre

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Maria e seu livrinho. Este agora é, definitivamente, um dos meus lugares favoritos em Brasília.

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Biblioteca vazia só para gente. E o lugar é lindo com jardins no meio e espaço aberto para os pequenos. Lá também tem atividades como contadoras de histórias e oficinas de arte, mas são para as crianças com mais de 5 anos.

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Ficamos lá uma meia hora e, no fim, Maria achou um pacote de biscoito polvilho dentro do carrinho e chorou até eu abrir e dar um pra ela. Então, eu disse, "é hora de ir embora", afinal já estava perto da hora do almoço. Sentei as duas no carrinho, cada uma com um biscoito na mão e lá fomos nós tranquilas pra casa. Amanhã, o que faremos? Não sei, mas sempre algo diferente, mesmo que esse diferente seja ficar em casa. E que assim seja.

PS1: Eu sei, virei a mãe chata dos filhos que adoram livros. É que fiquei mais feliz por estar fazendo um passeio tranquilo, para ler e que eu sempre sonhei, do que qualquer outra coisa. Mas prometo virar a página.

PS2: Pra quem é de Brasília a biblioteca infantil fica na 104 Sul e vale a pena a visita. Dá pra levar os livros pra casa também.

PS3: Já viram as promoções da Loja da Família Moderna? Babadores por R$ 20, Bodies R$ 25, Camisetas Star Wars R$ 32, Corujinhas R$ 20, Mobile R$ 50, Bandeirinhas R$ 27. Tudo com frete grátis. Visitem www.familiamoderna.tanlup.com

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