quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Um mês de desrotina e confusão

Então, estou há um mês e alguns dias fora de casa. Explico a parte prática: foram trocar toda a tubulação de banheiros do prédio e como só tem um banheiro com chuveiro lá em casa, não consegui ficar lá com as meninas e o acúmulo de poeira, etc. etc. Fui pra casa dos meus sogros que tinham acabado de viajar, duas semanas depois tentei voltar pra casa, não deu, fiquei uns dias na casa da minha mãe, voltei pra casa da sogra, ela ia voltar de viagem, tentei voltar pra casa, não deu de novo, vim pra casa da minha mãe e aqui estamos. Obviamente, não fiquei sem teto e sou muito sortuda por ter onde ficar e apoio, mas fiquei sem casa. Percebi que rapidamente tudo virou o caos, loja parou, blog às moscas, de repente não conseguia nem mais responder e-mails, Maria com pneumonia, Bella gripada, marido gripado, eu gripada. Literalmente, home sick. Confesso que fiquei muito cansada, desanimada e o pior, precisei abrir mão da minha preciosa e querida rotina, tive que ceder em muitas coisas e - pausa para respirar enquanto escreve - perdi o controle de tudo.

Drama, drama, drama, me perdoem. Mas, afinal, o blog também é meu desabafo. Não vou ficar falando das doenças e o fato que eu ainda estou tossindo como louca. Ah, sim, e grávida de 16 semanas e meia, ainda lembro disso de de vez em quando. Mas, a verdade é que rolou uma falta de rotina sem fim. Sonecas curtas (elas tiram uma só por dia), despertar mais cedo e dormir mais tarde. Para uma mãe que adora tudo certo, com horários e rotina linda, foi caótico.

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Beijo na árvore e água de coco de caixinha

E teve uma coisa que me pareceu quase um tapa na cara, cedi em alguns aspectos da alimentação, como, por exemplo, deixar elas tomarem suco de caixinha. É como se a gente fizesse um super esforço para ter uma alimentação saudável, toda certinha e aí um dia alguém diz: "ah, deixa ela tomar esse suco mesmo, ela está com sede, tá pedindo e só tem esse". E você cede, chega se encolhe como se estivesse realmente recebendo um tapa. Tudo bem, você não deixou ela lamber açúcar, mas pra mim, foi quase como se fosse. Mas, precisei desapegar por questão de sobrevivência. Aquela coisa de não se cobrar tanto e também não achar que um ou dois dias podem mudar tudo o que você traçou no caderno nos últimos meses.

E, agora, estamos aqui, como disse uma amiga: "é como viajar sem a parte bom da viagem", ou seja, sem sair do lugar e ver coisas diferentes. É incrível ver como as meninas mudaram neste último mês, cresceram, falam demais, brincam demais, carinhosas demais, e como a nossa família também. Sinto que estou em processo de transformação, andei desanimada e como não ficar? Mas também estou aprendendo muito e sempre, desde que Maria e Isabella entraram na minha vida. E acho que esse bebê, que eu ainda nem sei quem é, também. Agora é tentar aproveitar os últimos dias da viagem com passeios e muitas atividades fora da rotina. Em breve, voltaremos com maravilhosa programação normal e eu já cheia de ideias de mudança. Que venha o próximo mês, a próxima página de rabiscos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Grávida e reclamona

O post Grávida e Charlatona teve tantos comentários que acho que vou fazer uma série "Grávida e ..." qualquer adjetivo. Talvez não, porque grávida é assim mesmo, confusa, mas vamos ao que interessa:

Eu acho que uma vez que você recebe aquele teste positivo, começa a aparecer dentro de você uma fonte infinita de reclamação, que preciso te alertar, amiga, não vai embora! Porque mãe reclama, é natural. E eu tenho muito medo de ser uma mãe reclamona, confesso. Aliás, estava achando que eu estava fazendo isso demais no instagram, ultimamente. Porque vejo tanta gente reclamando do filho doente, do caos, do trânsito, da criança que não dorme, da rotina, que o filho não come... e aí vai. E vamos combinar: quem nunca, né?  Enquanto, por outro lado, tem outras mães que o mundo é lindo e perfeito, posta fotos maravilhosas do filho brincando de forma lúdica e educativa, super arrumado, com a roupa mais linda, comendo sozinho sem bagunça, sem estresse. E olha aí, às vezes, eu acho que me encaixo nos dois. Mas, não queria estar totalmente em nenhum dos dois lados.

É claro que eu ando mais reclamona, estou mais cansada e isso já é motivo suficiente. E mãe tem todo direito de reclamar. Mas eu fiquei pensando mesmo sobre isso depois que vi o comentário de uma pessoa, que gosta de ler blogs de maternidade (inclusive este) falando que as blogueiras "pareciam viver num mundo perfeito, que a realidade era muito diferente", E eu comecei a pensar: será que eu passo isso? Será que não é melhor eu mostar mais a vida como ela é? E foi o que eu acho que estava tentando fazer. Pois bem, daí eu me tornei a reclamona.

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Ontem foi um daqueles dias difíceis. Maria queria colo o tempo inteiro, é claro, ainda um pouco doente. Elas mexendo em tudo, ignorando os meus nãos, dormiram pouco, as duas brigando por quem iria mexer na mangueira. E, sim, as meninas que comem super bem e de tudo, me fizeram perder a paciência no almoço com constantes choros de sono e bagunça. Até que a Maria para e vomita todo o salmão com abóbora no meu colo. Pequeno caos nosso de alguns dias. Não tão perfeito assim, de fato.

Eu tenho uma conhecida que adorava falar sobre a vida perfeita de mãe dela e como o filho era maravilhoso e não dava trabalho, menino bonzinho mesmo, não parecia dar problema. Era tudo sempre tão bem, que eu no auge da loucura com duas meninas com poucos meses, me perguntava, como pode? Como ela consegue ser tão segura assim? Não tem problema? Eu também via outros blogs e pensava "nossa, mas ela consegue amamentar tão maravilhosamente e os filhos dela são tão politicamente corretos, por que eu não consigo?". Até que um dia aquela conhecida me mostrou que nem tudo eram flores depois que vi ela passar por uma crise, e conheci outras blogueiras que passavam exatamente pelo que eu passava e vi que a tal da perfeição não existia.

A verdade é que todas nós passamos por momentos difíceis, todos os dias. Às vezes, os dias são mais bonitos e em outros mais cinzas. Há dias que a gente se tranca no banheiro e chora um pouquinho, perde a paciência, desanima, se sente a pior mãe do mundo. E quem não sente isso só pode estar passando por um problema grave ou estar muito distante da maternidade. E, é por causa desse caos que bate na porta de vez em quando, a gente reclama. Às vezes, para desabafar, mas quase sempre para não se sentir sozinha. E, sim, todo mundo sabe, que os dias tranquilos vem muito bem. E a gente sente a felicidade no peito, o amor infinito e, quase sempre, chora um pouquinho também.



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Receitinha - Frango com Molho Branco "Te enganei"

Eu lembro que quando eu era pequena até minha época de adolescente, eu sempre ouvia minha mãe perguntando pra si mesma, na esperança de que alguém mais respondesse: "o que eu vou fazer de almoço, hein?". Na verdade, eu ainda escuto ela dizer isso. Depois que eu me tornei dona de casa, passei a fazer a mesma pergunta, todos os dias. Sempre pensando o que fazer pro almoço, abro o freezer pra ver a carne, depois abro a geladeira. Em alguns dias iluminados, já está tudo na minha cabeça, em outros, vira dilema. Estou sempre tentando fazer alguma coisa diferente, inventar, mas, convenhamos, é difícil. Agora, ainda preciso pensar em alguma coisa que não tenha leite e que, obviamente, seja saudável pra mim e pras meninas, e bom pro marido levar de marmita. Não é fácil não. Mas, outro dia, tive uma inspiração e inventei uma receita maravilhosa, milk free e super fácil de fazer, bate no liquidificar dor, usa/suja uma travessa só, daquelas dignas de postar no "Receitinha", então ,anotem aí, queridas donas de casa modernas:

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Frango com Molho Branco "Te Enganei"

- 1 pacote de filezinho de frango (tem 1 kg, mas achei que foi muito e sobrou no fim e repeti o almoço no dia seguinte, abafa!)
- temperos que você tiver no armário
- 2 copos de leite de arroz
- 1/2 xícara de farinha de trigo
- 1 xícara e meia de mandioca cozida (que estava congelada, um super achado no freezer da minha sogra)

O segredo dessa receita está no tempero do frango. Coloque o frango cru em uma assadeira untada com um pouco de azeite e tempere com o que você tiver no armário, alho, páprica doce, shoyo, pimenta branca, laranja, limão etc. Eu temperei com chimichurri (mistura de temperos secos que dá pra comprar pronta no mercado), sal, um pouco de shoyo e vinagre balsâmico. Reserve.

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Bata no liquidificador o leite de arroz (eu compro de caixinha no mercado, uma marca italiana muito boa), a farinha e a mandioca (devidamente descongelada no microondas) e uma pitada de sal.

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Jogue a mistura em cima do frango e salpique um pouco de farinha de rosca, se você quiser.

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Coloque no forno médio e pode ir brincar com as crianças. Quarenta minutos depois está pronto! Fica uma delícia! É só servir com arroz e uma saladinha que o almoço é sucesso.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Momento para pausa - criança doente

Sabe aquela coisa que a sua avó dizia "que com criança as coisas mudam muito rápido" e você custava acreditar? Então, acontece que é verdade.

Acordei ontem desanimada, cansada, com vontade de ir pra minha casa, que nunca fica pronta, e tudo só piorou quando vi que a Maria estava começando a ficar gripada, com nariz escorrendo e um pouco de febre. Há uns dois dias, ela não dormia direito, primeiro achamos que era dente, depois só uma fase mesmo, mas era isso, gripe. Ela acordou 6h30, dei a vitamina, remédio e as duas voltaram a dormir de novo, depois acordaram. Nesse meio tempo, pra completar, eu tive um enjoo forte e vomitei todo o meu café da manhã, pensei que talvez fosse emocional, estresse puro, vontade de colocar algumas coisas para fora, já que eu não tinha isso há um bom tempo.

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Depois seguimos com a nossa manhã, resolvi passear com elas de carrinho até o mercado, comprei suco e água de coco, brincamos um pouco lá fora, almoço foi meio caótico, banho e soneca. Elas dormiram bastante e eu consegui descansar, mas quando acordaram levei um susto. Maria mal conseguia abrir o olho e estava pelando de febre. Nem consegui medir direito, mas deu mais de 39°. Olhei pra Bella e falei: "você vai ter que ajudar a mamãe a cuidar da Maria, ok?" E tive a ilusão de que ela entendeu. Tirei ela do berço e levei a Maria pro banheiro para molhar o rosto e limpar o nariz que estava escorrendo. Fui na cozinha e dei água de coco pras duas, elas tomaram dois copos!

Deixei a Maria no chão um pouco e ela começou a tremer. Peguei no colo e nada de parar de tremer, entrei em um mini desespero e liguei pro Marco já chorando. "Vamos ter que levar na emergência agora!". Ele meio descrédulo (homens!), mas disse que vinha pra casa e corri com ela pro chuveiro. Bella veio atrás e foi a primeira a entrar no banho. Se divertiu horrores enquanto a irmã chorava e eu junto! Depois, enrolei ela na toalha e coloquei em cima da cama da minha sogra. E ela ficou lá quietinha, tremendo, vi que era frio e cobri. Na minha cabeça, pensei, se ela tiver convulsão o que eu faço mesmo? Liguei pro Marco de novo pra garantir o procedimento (que tem explicadinho aqui). Peguei a Bella e deitei ela do lado da irmã (foto acima). Corri pra cozinha e bati uma vitamina pras duas, acho que fiz em um minuto. Depois elas ficaram ali deitadinhas. Bella fez carinho na irmã e chamou ela de neném. A tremedeira foi passando e eu ficando mais tranquila. Meu pai me ligou no meio de tudo e eu comecei a chorar compulsivamente no telefone, deixando ele super preocupado, mas depois disse: "tá tudo bem agora, pai, desabafei".

Fomos pra emergência, sintomas: nariz escorrendo com meleca verde, olhinhos inchados com remela verde, chiado no peito e febre. Fizemos o raio-x e ela quietinha no meu colo o tempo inteiro, enquanto Marco passeava com a Bella. Diagnóstico: o médico olha pro exame e diz: "Ela tem bactérias no pulmão". E eu, a louca: "bactérias, doutor? Eu nunca ouvi falar disso". E ele me olha com a cara mais estranha do mundo. "Ah, tá é pneumonia! Abafa, doutor, não estou pensando direito". Socorro. Sim, pneumonia bacteriana da noite pro dia. Me deu uma dó da minha menina, como eu imagino que todas as mães sentem quando os filhos estão doentes. Primeira vez que ela teve febre alta ou qualquer doença qualquer, eu sei que eu sou sortuda, mas ainda sim sofrendo, aqueles olhinhos vermelhos e pequenos, me matam. Por isso, momento para pausa e cuidar da cria. E torcer, como todos as mães de gêmeos que passam por isso, para que a Bella não pegue também. E, sim, as coisas com criança mudam muito rápido, melhor sempre é levar logo pro médico. Conselho de avó também.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Maria e Isabella - 20 meses

V-I-N-T-E meses, dá pra acreditar? Isso quer dizer que, em quatro meses, Maria e Bella estarão completando dois anos de vida. Acho que essa é uma das minhas fases favoritas até o momento, ainda que eu tenha tido em de todas as anteriores. Mas, sério, minha gente, que idade boa! Também não sei se são os hormônios, mas olho  pras duas e meus olhos se enchem de lágrimas quase sempre. Eu sinto a felicidade de perto, o sentido da vida, ali na minha frente. É um momento bom, tranquilo e eu tenho sorte de passar por ele gestando outro bebê dentro de mim.

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Maria e Isabella

Com 1 ano e 8 meses, Maria e Isabella viraram duas papagaias. Se antes eu tinha duas bebês andantes e super ativas, agora eu tenho duas bebês andantes, ativas e falantes. Começaram a repetir tudo o que a gente fala, tudo mesmo. Contam "2,3,4,7 e 10", já conjugaram o verbo abrir falando "abre", quando o objeto estava fechado, e "abriu", depois de aberto, e formam frases do tipo: "tá quente", "colo, mamãe" e "me dá". Gênios. Quem precisa de escola? huahuahuahua Mais do isso tudo, o principal é o fator comunicação. Elas me entendem muito mais, se expressam. E, por mais incrível que possa parecer, acho que por isso as birras diminuíram também, ou a gente que está sabendo lidar melhor com elas, não sei. O fato é que puxões de cabelo, choro compulsivo e as jogadas de corpo no chão são casos isolados que dá pra contar nos dedos. O que é um alívio, por isso, aproveitemos a fase, people! Porque se a gente aprendeu alguma coisa até aqui é: tudo pode mudar o mês que vem.

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Nós quatro! Acho que vai demorar para eu conseguir carregar as duas ao mesmo tempo de novo.

IMG_6430 As meninas do papai
Também é muito nítido agora a personalidade de cada uma, como elas são diferentes como gêmeas idênticas! Como pode? Maria é aventureira, não tem medo de nada, se joga nas situações, ama água e cachorro, enquanto a irmã observa de longe e, às vezes, chora. Bella é a "coqueta", acho a melhor palavra pra defini-la é essa, que em espanhol significa algo como "paqueradora" mas não é bem isso. Ela adora dançar, é mais sociável e faz as melhores carinhas de sorriso para quem quiser brincar com ela. As duas são super carinhosas, unidas e bem-humoradas, tempo ruim com elas só quando há fome e sono envolvidos. No mais continuam comendo de tudo e super bem, ligadas na rotina já apresentando alguns sinais de mudança com pré-desfralde. Semana que vem devemos passá-las pra caminha. Que venham as outras fases!

IMG_6432 Essa foto diz bem sobre a personalidade de cada uma.

IMG_6465 Maria brincando com o cachorro do vizinho da minha sogra

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E vamos em frente! Tenho ficado tão feliz com comentários aqui e emails que recebo que resolvi fazer um sorteio de uma bandeirinha da Loja da Família Moderna no instagram. Para saber mais segue a gente no @familiamoderna.

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Grávida e charlatona

É uma tarde de sexta-feira, saio do consultório do obstetra rumo ao estacionamento e me sinto estranha. Nada físico, acabo de escutar o coração do bebê e tudo bem. Mas me sinto esquisita, como se estivesse enganando alguém, um sentimento que tem me perseguido nas últimas semanas, me sinto uma grávida charlatona. Eu não sinto conexão nenhuma com esse médico e nem faço questão de ter, ele não vai fazer meu parto, eu provavelmente não vou ter o bebê neste hospital, e ele nem sabe quem eu sou, a não ser por uma ficha que o lembra sempre que esta é minha segunda gravidez, ainda que ele tenha me perguntado novamente na segunda consulta.

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Ele é meu plano B, na verdade, meu plano C, e por isso me sinto tão charlatona quando vou nas consultas, não existe conexão. Explico: estou indo em um médico do plano nesses primeiros meses porque a grana está curta, e depois vou em um médico humanizado, pago com muito orgulho, que deve me acompanhar até o final. Minha ideia era ir mais pro fim do ano, mas acho que vou adiantar um pouco, justamente porque estou sentindo essa falta de vínculo. E consulta pelo plano, me desculpem, mas é triste. Dura 10 minutos, o médico sequer mede sua pressão (quem faz isso é uma enfermeira), anota exames, passa exames, alguma dúvida, e acabou. Não consigo processar essa burocracia.

Me sinto charlatona porque também decidi me manter neutra quando o assunto é parto, na medida do possível. Às vezes converso com outras futuras mães, muitas leitoras do blog, e já começo com aquele discurso de parto humanizado, qual médico escolher, etc. E vejo que cada um escolhe seu caminho, independente do que eu fale. Tem gente que me conta cada coisa que o médico fala, obstetra que chega cheio de banca "eu não faço isso, mas faço isso", "não vamos fazer nada que coloque o bebê em sofrimento", umas coisas que eu paro e penso: "pra que?", "pra que ficar lutando com um médico para ter um parto digno e que você merece?". Estou tão imersa nesse universo, estudando, conhecendo, que outro dia sonhei que era assistente da Ivete Sangalo, que estava grávida de novo, e eu ficava falando pra ela "você tem que contratar uma doula"!. Pode? Então, parei. Parei de me meter, se alguém quer conversar e pedir minha opinião, eu fico super feliz em dividir, mas de resto fico na minha, o que me faz sentir um pouco enganadora também.

Como uma boa grávida também adotei o modo "fala que eu te escuto", ouço um milhão de sugestões, críticas, palpite, desde "você tem que colocar as meninas na escola", até "tomara que seja um menino porque menina não vale, né?". E eu aprendi a só escutar, no melhor zen "abstrai, transcende". Me sinto charlatona por não saber o sexo do bebê até o nascimento, e isso é uma coisa que tem mais me incomodado, porque as pessoas me perturbam muito com isso, e depois vou ter que enganar estranhos na rua dizendo "é menino" ou "é menina", para não ter que explicar tudo e ouvir "você é louca", pela centésima vez.  Me sinto charlatona por não falar o que eu penso, mas é por uma boa causa. Me sinto charlatona por ir contra a maré em quase tudo, ter três filhos, ficar em casa para cuidar deles, por escolher se mãe e só isso. Mas se for pra ser charlatona assim, que venham os próximos tropeços.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Quero colo

Estamos em umas semanas loucas por aqui, não bastasse, grávida com duas meninas de 1 ano e 7 meses para cuidar, mas, como já disse no último post, saímos de casa porque estão fazendo uma reforma no prédio e fomos ficar na casa da minha sogra, que está viajando. Já fui pra lá e a Bella estava com uma febre baixa constante, que só passou depois de cinco dias. Durante esse tempo, ela ficou mais manhosa, queria colo e tudo bem. No dia seguinte, quando a febre passou e chegou o fim de semana, ela queria colo o tempo INTEIRO. Chorava, se jogava no chão, levantava os bracinhos, aprendeu a falar "colo". E eu e o Marco com mil coisas para fazer, tentávamos explicar que não dava pra ter colo aquela hora, pegava um pouquinho, conversava, depois chão de novo, e ela chorava, ficamos no embate quase que uma manhã inteira. O que fazer quando a criança só que colo?

Então, encontrei a resposta mais simples e direta: dá! Eu comecei a pensar no absurdo que era recusar aquele carinho, a cabecinha no meu ombro porque eu tinha mil coisas para fazer ou porque eu não queria dar atenção pra ela e deixar a Maria de lado. Eu percebi que a melhor coisa que eu poderia fazer era dar meu colo pra ela. Mesmo que canse, e quando cansa, eu sento com ela no meu colo, e fica tudo bem. Porque talvez ele, o colo, seja mais escasso daqui pra frente mesmo, porque ela vai crescer, porque ele vem com um carinho no meu rosto, pequenos bracinhos no meu pescoços ou uma mãozinha que insiste em passar pelo meu braço, porque ela quer meu aconchego e isso deveria bastar.

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As meninas nunca foram muito de colo. Como eu me acostumei a dividir entre as duas sozinhas, o jeito era me virar como podia, por isso ficaram muito no carrinho, no chão, soltas. Depois, com um ano elas não queriam mais dividir meu colo, queriam exclusividade. Agora, há uns dois dias eu me libertei dessa coisa de "dar mais atenção para uma do que pra outra" porque sei que vou ter minha oportunidade com a Maria e foi justamente o que aconteceu hoje. Agora, ela pede colo também. As duas. E eu dou, me viro como posso. Divido com o Marco quando ele chega em casa e agora vim pra casa da minha mãe e ela também ajuda. Hoje, por uns minutinhos, as duas vieram para o meu colo, enquanto eu estava sentada no sofá e me abraçaram apertado. Tudo o que eu fiz foi agradecer, com os olhos cheios de lágrimas, um dos melhores dilemas que a maternidade me deu.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

M& M - Momentos Modernos

Para quem não conhece, nossa sessão M&M é reservada para um post que conta de tudo um pouco o que está acontecendo na vida moderna, especialmente, quando eu estou sem tempo de escrever um post completo! Hahaha. Então, vamos lá.

Sem título Bella e Maria: amigas para sempre

- As meninas estão numa fase maravilhosa, ainda que cheia de desafios, mas acho que é a minha favorita até agora (disse isso de todas as outras, mas abafa!). Meu coração transborda quando eu vejo a Bella gritando "Maía, Maía, Maía" pela casa atrás da irmã, ou quando a Maria pega um pedaço de pão pra ela e dá outro pra Bella. Amor dobrado tá vindo com força.

- Outro dia aconteceu o clichê dos gêmeos idênticos que eu tanto esperava: levo a Bella no banheiro para lavar o rosto, ela olha pro espelho e grita: "Maía"! Pode?

- Desde semana passada estamos acampados na casa da minha sogra porque estão fazendo uma reforma no meu prédio e trocando os canos dos banheiros do nosso apartamento.

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Brincadeira de pijama

- Casa é maravilhoso, as meninas acordam e já vão brincar lá fora, correm bastante, mas, gente, como estou cansada! Mexem no mato, comem fruta do pé, brincam com água, mas parece que corro o dia todo atrás delas. Saudades do meu canto, minhas coisas. Sem contar que elas não dormem direito durante o dia há cinco dias, a soneca dura até 1 hora, o que não sobra tempo de fazer nada, a não ser almoçar com calma, arrumar alguma coisa da casa e descansar um pouco. Lembro que eu estou grávida justamente quando me bate o cansaço e a dor nas costas. Jesus!

- Chegamos nas 13 semanas e a barriga cresce. Estou bem tranquila, só bem mais cansada, mas talvez seja o fator casa. Poucos enjoos, mais energia e vontade de ver logo a barriga apontando. Mas, o lema central dessa gravidez é: tranquilidade.

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Barriguinha

- No meio dessa confusão toda, estou tentando me organizar e reestruturando a Loja da Família Moderna. Resolvi mudar de plataforma e agora estou na Iluria, e, finalmente, um novo estoque de mantas chegou! Estou pensando em novos produtos, tentando me organizar antes do bebê nascer e vendo uma forma de otimizar as minhas criações, não quero fazer nada do que já está sendo feito por aí, mas ao mesmo tempo tenho que fazer meu trabalho e dividir com meus afazeres de mãe e dona de casa (esse sim, um grande dilema da vida moderna), mas sei que vai dar tudo certo!. Enquanto isso: confiram as mantas e até o fim da semana: mais produtos novinhos para famílias modernas de todo mundo! Se joga, people!

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Estampa de chevron nova com laranja, vermelho, cinza e azul

Aí vai o novo endereço: http://familiamoderna.iluria.com/

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Parto meu - Relato de parto domiciliar da Lena

relato parto

Acho que parto precisa ser planejado, sonhado, querido, imaginado, pensado, alongado e feito. E é exatamente isso que eu estou tentando fazer dessa vez. Acho que quando a gente é mãe de primeira viagem, muitas vezes damos a mesma importância pro nascimento do que para o enxoval, por exemplo, e acho que está na hora das mulheres modernas saberem quais são suas escolhas, o que é melhor pra elas e pro bebê, e que existem profissionais que vão te levar a isso, bem poucos, mas, ainda bem, eles existem. Portanto, se você quer ter um parto humanizado no Brasil, precisa primeiro fazer uma poupança para arcar com os custos de realizar seu desejo (assim como você juntou dinheiro para montar uma casa, uma festa de casamento e/ou a festa do seu filho de 1 ano), depois precisa escolher profissionais humanizados, que não são apenas médicos, mas cuidadores e que não tratam a gravidez como doença, mas um processo fisiológico.

A maternidade pegou a Bebel Hamu de surpresa, mas nem por isso ela deixou que as coisas acontecessem da mesma forma. Depois de visitar diversos médicos, não encontrar nenhum obstetra que fizesse parto normal pelo plano de saúde, ela finalmente encontrou uma obstetra humanizada. No final da gravidez, depois de muita pesquisa, eles se decidiram pelo parto domiciliar. Para continuar a nossa série sobre relatos de partos normais, das mais diversas formas, um relato verdadeiro de uma mulher moderna que tinha um sonho de parto e conseguiu realizá-lo da melhor forma possível, sem medo, com apoio e seu bebê nos braços. Lena nasceu no dia 17/06/2013

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Sempre sonhei em ter um parto normal e natural. Minha definição do trabalho de parto ideal seria “um dia na minha vida”. Claro que eu tinha plena consciência que seria o dia mais incrível e emocionante, mas ao mesmo tempo eu queria que fosse um dia normal, sem estresse, sem medos.

Minha gravidez não foi planejada. Eu estava trabalhando muito, iniciando um novo negócio e até tinha acabado de marcar o casamento com meu marido, mesmo morando juntos há 4 anos. Só descobri que estava grávida com 8 1/2 semanas, e no dia seguinte já estava na emergência do hospital com um sangramento. Eu tive um hematoma que demorou 6 semanas, vários respousos e uns hormônios para sarar. Passado isso, não tive mais nada grave e a gravidez seguiu normalmente.

Eu já estava com 14 semanas quando fui procurar uma médica para fazer meu pré-natal. No meu plano de saúde só encontrei médicas com as quais eu não me identifiquei, muito acostumadas a fazer cesárea e com uma conversa meio ensaiada. Consegui fazer todos os exames nas datas corretas mas não segui com nenhuma das 4 médicas que visitei. Conheci a Dra. Rachel Reis por indicação de uma cliente e logo nos apaixonamos por ela e por sua forma de trabalhar. Super atenciosa, acredita que o mais natural é o parto normal, é honesta com o seus princípios, respeita a gestante e o bebê não fazendo nenhum intervenção desnecessária.

Estava decidido que o parto seria com ela, mas só na segunda e última consulta que meu marido se decidiu também pelo parto domiciliar. Eu já estava com 35 semanas! Ela indicou uma doula e uma enfermeira que fariam parte da equipe. Elas todas vieram visitar nossa casa quando eu estava com 37 semanas.

Foi em uma segunda feira, com quase 40 semanas, às 8h da manhã comecei a sentir as contrações, mesmo sem saber que eram contrações. Achei que a Lena estava mexendo de um jeito estranho, eu só tinha sentido isso uma única vez dois dias antes. Como minha mãe estava me visitando falei pro meu marido, Hugo, que ele podia ir trabalhar tranquilo, achei que não deveria ser nada, mas que se fosse eu avisaria logo. Lá pelas 10h, liguei para a doula pedindo ajuda para marcar o tempo das contrações, ela me explicou direitinho, mas não consegui marcar corretamente. Era nítido que estava regular e o tempo não estava espaçando, isso foi o suficiente para ela vir para minha casa. Liguei também para o meu marido voltar. Eles chegaram quase juntos, pouco antes das 12h.

A Érica (doula) confirmou que as contrações estavam regulares e me liberou para um banho bem relaxante e refrescante. Depois do banho comi um pouco de macarrão e tomei um suco. As contrações ficavam cada vez mais fortes, mas as dores ainda não eram muito intensas.  

A enfermeira e a obstetra chegaram às 14h, eu estava com 6cm de dilatação. Quando começou a doer mais, elas me sugeriram que eu fosse tomar um banho quente e ficar na banheira tentando relaxar.

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Por todo esse tempo ficamos eu e meu marido juntos. Sempre ia alguém confirmar se estava tudo bem, mas elas ficavam fora só ouvindo e aguardando. Foi muito especial poder ficar só nós dois, não tinha mais nada para fazer, só esperar e sentir, e a companhia dele era a mais agradável que eu podia ter.

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Eu ainda ficava pensando “será que vai nascer hoje?”. Claro que iria, mas não deixava de ser uma surpresa pra mim tudo o que ainda estava por vir. Já havia perdido a noção de quanto tempo tinha passado, saí da banheira e fomos para a sala, a doula ficou me fazendo massagem com um óleo quentinho.

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Fiquei pendurada na rede e depois já sentei na banqueta. A obstetra conferiu os 10 cm de dilatação e a partir deste momento todas se posicionaram e começaram a me orientar em como e o que fazer. A Érica, doula, ficou atrás me dando apoio com o Hugo e a Rachel na minha frente, narrando os acontecimentos e quando eu precisei segurando minha mão para ajudar na força de expulsão final. E a Melissa, enfermeira, ora ficava de lado, ora na frente.

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Eu não havia me preparado tecnicamente para o parto. Não fiz aulas de nada, não li nenhum blog, só alguns livros. Tive medo de saber demais. Queria ter minha experiência própria, sem ficar imaginando como poderia ser maravilhoso, ou o que poderia dar errado. Meu único preparo foi confiar na equipe, estar tranquila e sem medo e ter o Hugo próximo.

Estava sentindo muito calor e sono! Eu queria dormir, mas ela estava nascendo. Os esforços finais foram pra mim como um transe. Eu não conseguia ver direito (também eu sou míope e estava sem óculos), os sons pareciam abafados e parecia que todo o meu corpo estava parindo. Agora sim estava intenso, a bolsa estourou, ela coroou e mais umas 3 contrações foram o suficiente para ela nascer.  Eram 17:07.

A Dra. Rachel desenrolou o cordão do pescoço e o Hugo pegou ela. Assim que ela saiu foi como se eu tivesse recebido uma carga de energia, todo o sono passou e eu fiquei em um estado de êxtase e alerta. A Lena veio para o meu colo imediatamente, o Hugo sentou atrás de mim, nos abraçou e ficamos os três juntos por um tempo, não acreditando.

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Sem planejamos nada, neste momento, tocou a música certa (Daugther, do John Mayer) e foi o maior chororô. Colocaram uma touquinha na Lena e ela estava ernolada em umas fraldas. Depois que o cordão parou de pulsar o Hugo o cortou e nós fomos para a cama.

Parto Lena 060

Por poucos minutos levaram a Lena até a sala de novo só para pesar. Ela voltou, vestiu uma roupinha e voltou para o meu peito. Minha placenta estava solta e a Rachel fez uma massagem na barriga para ela sair, doeu um pouco, e eu já não queria sentir nenhuma dorzinha mais.

A única coisa que quisemos foi a injeção de vitamina K, que previne hemorragia do bebê. Ela nem sentiu. Do mesmo jeito que estava dormindo continuou. Não teve nenhuma outra interferência, nem banho. Ela fez xixi algumas horas depois e logo em seguida cocô. A respiração fazia um barulhinho que foi desaparecendo com o tempo, ela engoliu o que estava obstruindo. Ela teria seguramente até 72 h para mamar, mas 24 h depois mamou por 40 min. Não havia nada com o que se preocupar.

Saldo do parto para mim: uma laceração superficial que não precisou de suturar. Um desmaio quando fui tomar banho e uns dias sem conseguir sentar direito. Quinze dias depois estava 85%, 20 dias 100%. Tomei paracetamol por 3 dias após o parto e quando senti muita dor de cabeça.

O mais legal foi, ao invés de registrar a saída da maternidade, fotografar a primeira saída de casa para visitar o pediatra. Naquele momento me dei conta de que a história da Lena seria diferente.


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As lindas fotos do parto da Lena foram tiradas pela Juliana Matos. Quem quiser saber os contatos dos profissionais que acompanharam a Bebel, mande um email pra mim que eu passo com maior prazer ;)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Desconhecido, mas nem tanto

Eram 10h30 da manhã e a consulta da segunda ecografia do bebê número 3 (a famosa morfológica) estava atrasada. Me bateu um enjoo, uma fome, mas resolvi ignorar e assistir a TV que insistia em continuar em um canal brega na sala da recepção. Chamaram meu nome e lá fui eu ver meu bebê. Ele aparece na tela grande, lindo, coração batendo forte, dois bracinhos, duas perninhas, perfil perfeito. A médica pergunta se eu fiz a sexagem fetal (exame de sangue que faz você descobrir o sexo do bebê a partir da 8° semana, que eu fiz, inclusive, na gravidez das meninas). Eu digo "não, eu não quero saber o sexo, hein doutora?". E ela me fala com cara de assusta: "então, me avisa sempre antes de gente começar, viu? Me avisa!". O-K. (Preciso fazer um post sobre essa escolha maluca que quase ninguém entende, aguardem e confiem).

Me bate uma calma quando faço aquele exame, sei que vai estar tudo bem. Eu me sentia assim com as meninas, mas sempre existia aquele medo que os médicos colocavam na gente de que uma poderia estar se alimentando mais do que a outra porque elas dividiam a placenta e a gravidez de risco, etc. Mas aquele sentimento, o mesmo que eu sinto agora, estava lá. Ao mesmo tempo, me sinto estranha por ver só um bebê dentro de mim naquela tela enorme. Ele lá sozinho, com tanto espaço. É bizarro, eu sei, mas é o que eu sinto. É totalmente diferente, mas a emoção é a mesma. Tudo 100% com o exame, vou esperar a impressão na recepção de novo.

Sem título
Olá, eu sou bebê número 3!

A grávida que estava depois de mim é atendida, sai do exame e nada do meu chegar. Vou reclamar, fico um pouco irritada com o atraso, fico pensando que está chegando a hora do almoço das meninas e pedi para o meu sogro e minha sogra ficarem com elas e sei que o horário deles é limitado também, então não consigo relaxar. Aparentemente, a médica esqueceu de colocar uma coisa no exame, mas "já já fica pronto".

A grávida do meu lado recebe o resultado dela com a foto em 4D do bebê e fica toda feliz. "Ai, é a cara do pai! Vou tirar foto e mandar pra todo mundo. Mãe é besta mesmo, né?". Olhei pra ela e sorri. Pensei: "primeiro filho, com certeza!". Sei o que ela está sentindo, mas não consigo me identificar com ela. Será que fiquei cínica demais? Prática demais? Primeiro, porque eu não gosto da ideia dessas ultras 3D, 4D, acho que não dá pra ver o bebê direito e não vejo graça em ver o bebê antes dele nascer, super entendo quem faz, mas não é a minha. Segundo, será que eu não estou curtindo o momento? Será que esse atraso e o fato da minha cabeça estar em casa com as meninas não me deixa curtir o momento como deveria? Terceiro, não consigo me identificar porque eu não criei expectativas ainda e também não quero me prender a elas.

Outro dia estávamos nós quarto brincando no chão, antes das meninas dormirem, e eu pensei: "eu conheço tanto minhas filhas, essa família, como é bom!". E aí me bateu uma coisa: "E o bebê? Como é que ele vai se encaixar nesse quadro perfeito?". Estou numa fase tão boa e tranquila com as meninas, que por alguns momentos não consegui pensar em qualquer coisa diferente daquilo. E esse bebê tão desejado, tão querido, como ele vai ficar entre nós? E aí percebi uma coisa: bateu o medo do desconhecido. De como será nossa vida como cinco. E sabe o quê? Tudo bem. Eu tenho direito de ter o frio na barriga e gosto dele.

Eu tenho não criar expectativas, mas elas existem, e às vezes, não há como evitá-las. Pode ser que elas venham quando os pais querem ver o rosto do bebê para ver com quem ele vai se parecer ou em pensar em como o novo bebê vai encaixar na família. Pois que venham outras possibilidades e, finalmente, a realidade, quando ela, lindamente, acontecer.