quarta-feira, 8 de julho de 2015

Meu corpo, minha placenta

Em tempos em que a Agência Nacional de Saúde volta atrás e decide que o parto é uma escolha da mulher. Em tempos quando o que a gente mais vê no Facebook é a frase “meu corpo, minhas escolhas”. Nesses tempos, eu digo: comi minha placenta. Tá, comi é um termo muito forte. Mas ela passou por um processo de secagem, virou cápsula e eu ingeri quase todas, exceto cinco delas que ainda estão no meu congelador.



Ingerir a placenta depois do parto é uma prática milenar, muito usada pela medicina chinesa e pela Kim Kardashian West e outras famosas, olha só que moderno. Por isso, pode começar a parar de achar que isso é nojento ou coisa de hippie. Entre os benefícios da chamada medicina da placenta estariam a diminuição do sangramento pós-parto, ajudar o útero a voltar a seu tamanho normal, enriquecer a produção de leite, prevenir a depressão pós-parto, além de ser uma alta fonte de ferro. Mas, sejamos sinceros, não há nenhum estudo científico finalizado sobre o assunto, apenas em processo. No entanto, eu escolhi comer minha placenta sim, porque ela é minha e eu posso me beneficiar de algo meu.

Afinal, você sabe o que aconteceu com a sua no fim do nascimento do seu filho/filha? Me lembro bem do meu médico dizendo para a enfermeira no hospital durante a cesárea do Francisco (para quem não sabe foi um parto domiciliar que terminou com transferência), “a paciente quer levar a placenta para casa” e um silêncio pairar sobre a sala. Depois, o próprio médico me disse que adorava ver a cara de pânico da equipe quando ele dizia isso.

Escolher consumir a placenta, no entanto, vai muito mais além desses possíveis benefícios. Para mim, foi uma questão de entrar em contato com o meu corpo. Por isso, a escolha de um parto normal ou cesárea é tão importante. Fazer as coisas de forma natural, mesmo que elas acabem com intervenção, como foi no meu caso, é uma oportunidade de entrar em contato com seu físico, sua capacidade de concepção, de nutrir e de gerar um ser. Ter sentido as dores do parto me fez sentir mais mulher, ter uma consciência do meu corpo que eu sequer imaginava. E a placenta faz parte disso. Por que jogá-la fora ou enterrar em algum lugar?

Eu tive um excelente pós-parto e acho que as cápsulas de placenta ajudaram no processo. Tive muita energia para cuidar de três e me sentia super disposta. Outra coisa que acho que influenciou foi na produção do leite. Tive muito leite, tanto que em um determinado momento, diminuí meu consumo das cápsulas porque estava tendo problemas e deu certo. Hoje em dia, sempre que eu pego um resfriado ou estou me sentindo desanimada, vou lá no congelador e tomo uma.


Agora faltam apenas cinco cápsulas e me sinto despedindo de uma fase. Assim como outro dia me senti estranha em relação ao fato de ter menstruado depois de quase dois anos. Vamos encerrar mais um ciclo para começar outro. E sim, faria tudo de novo. 

7 comentários:

  1. Tati, onde você fez esse processo de transformar sua placenta em cápsulas??

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  2. Legal!! As pessoas ainda tem muito medo daquilo que desconhecem...foi caro para fazer as cápsulas? Tem algum post que conte sobre o parto do seu filho?

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  3. Gostei da sua colocação, Tati. Tenho duas filhas e perdi essa oportunidade por falta de conhecimento. Você pode dizer como fez para que sua placenta se transformasse em cápsulas? Quais empresas fazem isso? Quanto tempo leva? Um abraço.

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  4. Giselle Medeiros8 de julho de 2015 08:12

    Isso quer dizer que vão vir mais babys por aí? :)
    Adoro seu blog!
    Beijos
    Gi

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  5. oO Tati, juro que não conhecia esse método. Achei até que após o parto você tinha comido a placenta ainda quentinha rsrsrs
    Muito interessante isso. Vou pensar para a próxima gravidez.
    Beijos
    http://mhilkadiniz.blogspot.com.br/

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  6. NUNCA na vida ouvi falar disso .. e sincera/honestamente .. quando fazia a cara de nojo é quando estava lendo "pode começar a parar de achar que isso é nojento" kkkkkk. Nao tinha a mínima noção disso .. vou procurar saber melhor. É muita coisa que aprendo com blogs maternos *-*. Adorei o post/aprendizado/cultura. Beijogrande

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