terça-feira, 30 de junho de 2015

Paris com as crianças: "sobre viver"

Ah, Pariiii! Que saudades eu já estou da viagem, de comer pão francês de verdade todo dia, do frio, de andar, andar e andar, das aventuras do metrô, do parquinho. Tantas saudades que tá até difícil escrever sobre essa viagem, preciso fazer um post sobre todos os lugares que visitamos, mas antes queria contar um pouco sobre como foi nossa rotina por lá e como “vivemos” ou “sobrevivemos” nos oito dias que ficamos com Maria. Bella (3 anos) e Francisco (1 ano) na capital francesa. Então, senta, pega um café, que lá vem história e muitas fotos:


Paris até na chuva e eu com toda a farofa que usávamos para nossos passeios, faltou uma super mochicla que estava nas costas do Marco enquanto ele tirava essa foto



O Apartamento e a rotina
A vantagem de alugar um apartamento é poder ter liberdade, fácil acesso à uma cozinha, além de viver um pouco como se você morasse naquele lugar. Alugamos no Airbnb, e já contei aqui que achei ótima a experiência. Ficamos num lugar mais afastado, no 20° distrito, e assim conseguimos passear tranquilamente pelo bairro com tudo perto, supermercado, padaria, farmácia, quitanda, loja de queijo, loja de vinho. Metrô pertíssimo. Foi muito bom. E todas as pessoas foram simpáticas e pacientes com a gente.

O apartamento era um duplex, então a escada foi um ponto de tensão pra gente, mas sobrevivemos. Francisco caiu algumas vezes e inclusive ganhou um roxinho na testa numa dessas aventuras dele no auge do seu momento de exploração com um ano. Na parte de cima, tinha uma cama de casal e na parte de baixo um sofá-cama enorme. Para evitar contratempos, eu dormi na parte de cima com o Chico e o Marco dormiu com as meninas na parte de baixo. Pra elas foi ótimo, não acordaram nem pra fazer xixi. Pra mim, foi uma rotina de voltar a dar de mamar pro Francisco muitas vezes durante à noite, mas também foi tranquilo.

Depois que conseguimos nos ajustar ao fuso-horário, acordávamos umas 9h e aí começava o processo de arrumação para sair. Tomávamos café, olhávamos o caminho do metrô para o lugar que a gente queria ir, colocava o FranChico no mochilik, mais carrinho duplo e mochila, lá íamos todos explorar Paris, por volta de umas 11h. Geralmente, voltávamos umas 20h pra casa, o tempo passava voando.

A tal da escada 

Bagunça de mala e brinquedos e uma parede roxa

Jantar servido

Minha cama e do Chico

Adorava abrir a janela de manhã e ver essa vista

O corredor do prédio. Encontre um menino camuflado

Prontos para sair para mais um passeio


Comer, comer
No caminho até o metrô para ir pro nosso passeio, a gente passava no mercado, na quitanda ou na padaria para comprar comida para um piquenique, mas sempre íamos comendo no caminho ou dentro do metrô. Então, o almoço era uma fruta (ou várias) com pão, basicamente. Mas, preparem-se: as frutas são caras, entrei no modo estou de férias e “quem converte não se diverte” e haja framboesa e morango! E, quase sempre, quando a gente chegava no lugar que ia visitar comprava alguma coisa por lá: sanduíche, crepe ou as famosas gaufres (waffles).

Arriscamos ir em restaurantes duas vezes. Se aqui no Brasil já é difícil sair com três crianças pequenas, imagina na França. E gastar muito para comer correndo ou pela metade não estava nos nossos planos. Mas, no primeiro dia fomos no Hippopotamus, uma rede que é bem kids friendly, apesar dos pratos não serem nem um pouco saudáveis, ao meu ver. Eram 15h, o restaurante estava vazio e fomos super bem atendidos, foi tranquilo até. Quando fomos no Jardin Tulliers também fomos num dos restaurantes de lá e a comida foi ótima e o comportamento das crianças também nos primeiros vinte minutos, mas depois Maria saiu correndo, viu uma poça de “lama”, que não verdade era areia, e foi a atração pros turistas pulando e se molhando toda lá, com a Bella imitando logo em seguida.

Além das frutas e do pão (croissant, mais conhecido por aqui como “pão macio”, era o preferido das meninas), algumas vezes usamos aquelas máquinas de comida no metrô para nos salvar de um momento de desespero ou fome extrema e compramos o que os franceses chamam de “compote” ou compotas de frutas que vem num saco para chupar. Toda criança francesa adora aquilo é impressionante, e existem versões sem açúcar.

O jantar eu fazia no apartamento. Geralmente, uma massa. Mas também comemos pizza comprada no mercado, salada com pão, e um risoto de uma loja de comida italiana que tinha perto do nosso apartamento. Também compramos uma carne no mercado um dia e só, porque ô coisa cara. Depois que as crianças dormiam, eu e o Marco íamos comer frios, queijos e outras deliciosas gordices com vinho e conversávamos (baixo pra não acordar ninguém) sobre o dia e o que íamos fazer no dia seguinte.

Maria e Bella comendo nutella pela primeira vez na vida

Piquenique no Jardim Tulieres
Foi uma viagem de muitas primeiras vezes para as crianças, aqui comendo éclair ao lado da Notre Dame

Em vários parques de Paris você encontra esses "bebedouros" com água pronta para beber

Pausa para um chocolate quente (outro primeiro) em Versailles

FranChico tomando sorvete pela primeira vez também
Suco de maçã o nosso favorito na viagem

Prato do dia em um restaurante no Jardim Tulliers

Comprando pão na padaria da esquina
Nosso jantar/piquenique no chão depois que todos dormiam

Quitanda nossa de quase todo dia
Francisco se acabando no pão francês, de verdade


Para se locomover
Nas idas e vindas do aeroporto usamos táxi. Chegamos pelo Orly e a corrida até o apartamento saiu por volta de 50 euros. E depois quando fomos pegar o avião para Montpellier usamos o Uber, que é maravilhoso e pedimos um carro grande, quase uma van, que coube as malas, os três carrinhos e nós cinco com conforto. Vale muito a pena.

Em Paris, metrô é vida. Vale a pena baixar o app oficial do metrô, o RATP. Ele tem a versão em inglês que é bem mais fácil de entender, “Visit Paris by Metro”, que ajudou bastante. Em dois dias já estávamos craques nas linhas. Mas, tivemos que nos adaptar a coisa de subir e descer de escada com o carrinho. Usamos o simples com cada uma das meninas e o Francisco no mochilik comigo e o duplo com elas. E o nosso bom e velho duplo foi a melhor escolha. Ensinamos pras duas que tinha que descer toda ver que tivesse uma escada e o Marco carregava o carrinho sozinho fácil. É claro que rolaram muitos “eu não quero descer”, “não quero ir de escada”, até elas se acostumarem, mas depois elas entraram no ritmo e curtiam muito o metrô todos os dias. Teve um dia que pegamos ônibus, mas foi esquisito, cheio de gente esquisita e lugares estranhos, porque estávamos longe do centro, então não achei muito seguro, mas no fim deu certo.

Temos uma história memorável no metrô. Um belo dia, no meio da viagem, quando achamos que já estávamos craque nas idas e vindas do metrô, fomos entrar num vagão e eu fui primeiro com o Francisco no sling e o Marco veio atrás com o carrinho com as meninas, como sempre fazíamos, mas aí começou a descer e entrar muita gente e o carrinho foi ficando pra atrás, quando eu vi que o Marco não ia conseguir subir tentei descer, mas já fiquei presa na porta e alguém me puxou pra dentro. Olhei pra cara do Marco e só deu tempo dele dizer “me encontra na próxima” e depois vi o desespero das meninas, que tadinhas, choravam gritando “mamãe”, chega doeu o coração. Ainda fiquei na dúvida se ele queria dizer na próxima estação ou na estação que a gente deveria descer, mas como imaginei que as meninas estavam assustadas desci na seguinte e esperei. Deu certo. Mas foi um susto e tanto. Depois disso, o Marco sempre entrava primeiro e muitas vezes esperávamos o próximo quando o carro do metrô estava muito cheio.

Resolvemos andar de Batobus também um dia para conhecer a cidade pelo Sena, mas não foi a experiência que a gente imaginava, talvez porque fomos em uma hora crítica em que todos estavam com sono. Eles ficaram inquietos e não paravam no barco acabamos descendo em outro ponto que já conhecíamos e indo pra casa de metrô depois. Tá aí um passeio para fazer quando eles estiverem um pouco mais velhos, eu acho.

No mais, andamos muito, o melhor jeito de conhecer uma cidade. No meio do caminho encontramos boas surpresas e muitos parquinhos.

No trem a caminho de Versailles

Da janela

Em uma estação qualquer de metrô

Essa cena se repetiu muitas vezes durante o dia

No Batobus

Dentro de um vagão do metrô milagrosamente vazio


Cadê o banheiro?
Banheiros, como eu previa, foram a parte mais chata da viagem.  Paris tem banheiros públicos e grande parte das atrações também, então não tivemos que buscar alternativas (ou seja, fazer no matinho). No entanto, a vontade delas surgia, às vezes, nas piores horas e nem sempre o banheiro estava tão disponível assim. E umas duas vezes eu fui com os três no banheiro (Francisco no sling) e foi o caos, do nível meninas pegando em tudo e se esfregando no chão, pelo menos um de três chorando e eu gritando com todo mundo. Até que pensei um pouco e passei a deixar o Francisco com o Marco mesmo que ele chorasse porque queria ficar comigo. Na Torre Eiffel tem um banheiro público e gratuito meio escondido (atrás das bilheterias), mas ótimo e super limpo. Aliás, eu chamei de “banheiro nazi” porque os fiscais dão bronca nos turistas e quando eu saí do box com as duas, tinha uma italiana se olhando no espelho e passando batom e já chegou uma senhora da limpeza gritando em francês “saí, saí, que eu quero limpar” ou algo do tipo hahahaha Eu só lavei as mãos das meninas e corri de lá também.

No dia que fomos na Disney Store na Champs Elysée também ficamos procurando banheiro. Achei um daqueles públicos luxuosos que custam 2,5 euros e estava uma fila, as meninas começaram a fazer uma bagunça louca e eu sem paciência alguma pois o nosso passeio tinha sido estragado pela chuva (coisas que acontecem quando se viaja: frustações), eu peguei as duas pelo braço e saí dizendo que ninguém ia mais no banheiro. Quando finalmente chegamos na loja elas esqueceram do xixi e ficaram encantadas com tudo e aí só fomos lembrar do banheiro meia hora depois. Perguntei pra vendedora (que era portuguesa, aliás) e ela disse que lá não tinha banheiro (como pode?), que eu fosse no restaurante ao lado. E pensei: mas vou assim na cara de pau? Saí com as duas andando e de repente Maria começa a gritar: “tá doendo, mamãe!”. “Tá doendo o quê, meu amor?”. “Minha vagina”. Em poucos segundos, ela estava gritando pela Champs Elysée: “minha vagina tá doendo”. E chorando. Me deu uma dó e eu como boa mãe desesperada depois de entrar até na Zara pra ver se tinha banheiro, resolvi ir direto pro restaurante mesmo. Entrei como se fosse uma cliente com uma menina no colo e outra na mão e desci a escada sem olhar pra atrás. Problema resolvido e depois voltamos pra loja prontas para levar Anna e Elsa pra casa.

Fila para o banheiro públio auto-limpante

Nossa entourage no palácio da Maria Antonieta


Paris hoje e sempre
Acho que aprendemos muito com a viagem e as crianças, especialmente Maria e Isabella, também. Foi muito bom sair da zona de conforto e enfrentar alguns desconhecidos. Testamos nossa paciência muitas vezes, aprendemos a respirar fundo e respeitar o tempo deles. Quando voltamos pra casa (depois da difícil tarefa de se acostumar como o fuso-horário), a mudança era notável, parece que a nossa rotina ficou mais leve e mais fácil. Meninas pedem para voltarmos e acho que vamos fazer isso sempre que puder e sempre que o sonho deixar.



Eu e FranChico apagado no nosso essencial Mochilik da www.petliksling.com.br



Uma dica para pais que viajam com crianças pequenas:
Não deixem de pesquisar muito sobre a cidade e como ela funciona antes de ir. Organize-se, faça um roteiro, leia blogs e veja depoimentos na internet.
Aqui o post com as dicas para viajar com três pequenos 
E também dois links que eu li bastante antes de viajar para Paris, especificamente:

9 comentários:

  1. Muito legal Tati, Viajar é tão bom... e as crianças amam... super aprendem mesmo. Adorei o post... as fotos estão lindas. Tomara q logo façam outra aventura.
    Bjos,
    Ferds

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  2. Amei o post, Tati! Fiquei babando nas fotos e sonhando muuito!
    não sei se arrisco uma terra de língua desconhecida por enquanto, mas com certeza me empolguei deveras! :*

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  3. Oi liiiinda sua família.
    No instagram vc disse que gostaria de testar receitas de waffle.Tenta desse blog http://receberecelebrar.blogspot.com.br/2012/06/waffles-para-um-final-de-semana-mais.html
    ela morou fora um tempo e acho que essa receita e a dos cookies ela trouxe de fora,eu acho...
    beeijos e espero ter ajudado =)

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  4. Só eu que acho o Franchico a cara do ator Mateus solano? oO

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  5. Adorei Tati! Super inspiração pra mim! Escreva contando mais, por favor! Um super beijo na familia linda!

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  6. Nina de Siqueira2 de julho de 2015 14:25

    Tati,
    amei o post! Tão cheio de detalhes e muiiitas fotos. Desejei uma viagem a Paris, claro! hehehe
    Escreva mais, adoro o blog!
    beijos

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  7. Oi, Tati! Paris é tudo de bom, e viajar com filhos também! Eu e meu marido amamos viajar, e a nossa filha com 13 meses já é mais viajada que a minha mãe. É claro que é mais difícil viajar com criança pequena, é oreciso mais paciencia, criatividade e flexibilidade. Na nossa última viagem visitamos 4 países diferentes na Europa: Islândia, Inglaterra, Suiça e Itália. Foi ótimo, aproveitamos demais, mas meio pesado tudo isso em apenas 17 dias. #OsLoucos! Acho que ficar num lugar só e aproveitar mais desse lugar dá pra ser mais tranquilo, ajuda a criar uma rotina para os pequenos. A ideia de alugar um apartamento é ótima, também fazemos isso por aqui.
    Acabei de escrever sobre como é viajar de avião com a minha monstrinha, depois quero contar um pouco das nossas aventuras nesses paises diferentes, e como foi complicado enfrentar a falta de rotina.
    Beijos, Rita
    http://melancianabarriga.blogspot.com/

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  8. É, Paris não é muito "Kids friendly" com todas as escadas em todos os lugares... ainda que o carrinho de bebê dá-se um jeito, é possível carregar escada acima ou abaixo, mesmo que seja penoso; o que me preocupa sempre são as pessoas em cadeiras de roda ou dificuldades de locomoção, pois várias estações de metrô não possuem elevadores, assim como muitos estacionamentos subterrâneos. Complicado. Mas deu pra perceber que apesar desses perrengues você adorou Paris, e não é pra menos!
    Só uma dica/correção: o nome correto é Jardin des Tuileries (não Tulliers). ;)
    Outra dica: o Batobus quebra um galho, mas serve mais como transporte (por isso o nome, bus) do que como passeio. Para passear no Sena a melhor opção são os Bateaux Mouches... moro aqui há 4 anos e sempre que recebemos amigos refazemos o passeio para acompanhá-los. Vale muito a pena!

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  9. Acompanho se blog há um tempo, e sempre admirei a maneira que você encara as coisas, como a família é prioridade pra vocês. Parabéns de verdade, pela coragem de encarar suas escolhas, afinal, concordo com o que você disse no outro post, tipo toma que o filho é teu. Viajar com três crianças pode não ser fácil, mas com certeza é uma diliça!!!!

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