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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A colecionadora de filhos

Primeira segunda-feira pós férias e eu resolvo sair para encontrar uma amiga no shopping. Coloco os três no carro, eles dormem. Chego no shopping, dois de três acordam, coloca uma no carrinho, bebê no sling, irmã mais velha caminhando no chão. Passeamos, encontro outra amiga, elas brincam e correm, tomamos um picolé. Fim. Hora de ir embora, desço para o estacionamento coberto sozinha com os três. Francisco no sling e eu empurrando o carrinho dele vazio. Cada uma sai correndo para um lado. Bella vê a vitrine de um salão de beleza e fica louca com a quantidade de esmaltes coloridos. Maria vê a decoração de Natal de uma academia com um Papai Noel gigante e entra lá como se fosse a nossa casa. Eu olho aquela cena e penso: "ferrou-se". Vou atrás da Bella que já entrou no salão e está com a mão nos vidros de esmalte e digo: "Que lindo, né? Mas a gente tem que ir embora, vamos lá pro carro". Maria chega correndo. "Mamãe, achei o Papai Noel". Enquanto isso,a Bella volta para os esmaltes. E Maria corre pra academia de novo. Fizemos esse processo umas três vezes. Então, respirei fundo e coloquei o Francisco no carrinho e deixei ele no corredor com uma moça que olhava de longe e fazia caretas pra ele. Fui atrás da Bella e coloquei ela no sling a contragosto da própria. Fui atrás da Maria, olhei o Papai Noel e consegui convencer ela a ir embora. Ufa. Mas espera que ainda tem mais.

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Fui na máquina de pagar estacionamento e estava quebrada. Atravessei o estacionamento todo com os três para ir no caixa. Assim que a gente chegou lá, eu só escuto: "mamãe, quero fazer xixi!". Nãoooooooo. Estávamos do lado do banheiro. A moça do caixa do estacionamento olha meu desânimo e diz: "você quer que eu fique com o bebê pra você?". Pensei por uns segundos e aceitei. Peguei as duas e fui correndo no banheiro pensando "acabei de deixar meu filho com uma estranha. Acabei de deixar meu filho com uma estranha!". Enquanto eu colocava a Maria pra fazer xixi fiquei pensando em como eu não dava conta de três, como pode? Bateu um fracasso total. Saímos do banheiro e eu: "vamos correr, meninas, corre que mamãe deixou o Francisco com uma moça que ela não conhece!". Cheguei e lá estava o Francisco no colo da simpática atendente assistindo Galinha Pintadinha. Como não? Ri da minha própria desgraça. É claro que ela tinha colocado Galinha Pintadinha pra ele (pra quem não sabe eu odeio esse desenho). As meninas entraram na cabine do caixa e começaram assistir também, enquanto eu passava o cartão. Chegou uma senhora perua nesse momento e começou a falar com jeito de "nojinho": "Gente, o que é isso?". "É uma creche que ela tá fazendo", tentei responder de forma simpática. "E é tudo seu? Como assim? Você gosta de colecionar coisas, por acaso?". Não consegui nem responder nada pra ela, só um, "é, deve ser" e saí carregando todo mundo pro carro.

Na volta pra casa fiquei me sentindo um fracasso total, a louca colecionadora de filhos. Que caos tinha sido esse? Que ideia era essa de ter muitos filhos mesmo? Estava perto da casa dos meus pais, pois eles tinham viajado e ficamos uns dias por lá, e eles moram num condomínio, eram quase 18h, mas parei e perguntei pras meninas: "vamos pro parquinho? A gente brinca um pouco, enquanto espera o papai chegar em casa, que tal?". Ouvi um sonoro e delicioso: "simmmmm!". Sentada no banco com o Francisco vendo as duas brincarem com outras crianças fiquei pensando em como eu tinha escolhido aquele caos sim. Em como, quanto mais as meninas crescem e a família também, como não, eu vejo que cada mulher tem seu caminho especial na maternidade, cada um de nós faz as escolhas que quer. Seja ter um filho só, dois, três ou não ter filhos. A salvação é pessoal, como diz a minha mãe. O caos faz parte do meu caminho, muitas vezes eu dou conta, outras não dou, e eu aprendo um monte com ele. E eu é que escolhi isso. Não, não escolhi ter gêmeas, nunca pensei que ia ter três filhos, mas no meio do caminho mudei de percurso. E agora aprendo a me virar, aprendo que tudo é possível e que também existem coisas impossíveis. Eu escolhi esse caos louco.

Eu amo a casa cheia, os três brincando e me ensinando juntos. E eu queria ter mais filhos sim, por que não? Porque sim. Mas isso não quer dizer que vamos tê-los, afinal ainda estamos descobrindo o caminho. Todos temos que passar por processos com um filho, ou às vezes dois de uma vez só, para aprender e seguir em frente. Temos todo o direito de reclamar do cansaço, da falta que as noites de sono faz, de sermos livres pra ir e vir, das mudanças que acontecem quando eles chegam. Mas também precisamos aprender a aproveitar. Parar e ir no parquinho fora do horário. Viver ainda mais intensamente todo esse caos, sem deixar de colecionar.

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Bella e Maria, seus maravilhosos dois e a transformação em três

Estamos aqui em plena expectativa para uma grande mudança em nas nossas vidas e preciso dar uma pausa no movimento "vem, bebê número 3" para escrever um pouco sobre essa fase da Maria e da Bella. E que fase delícia! Enquanto eu escrevo este post, por exemplo, as duas estão aqui no sofá vendo o "tador" comigo e tentando colocar qualquer dedinho na tela e/ou teclado. Como eu consigo explicar pras duas que tudo o que eu quero é deixar registrado esses dias que estamos passando juntas, todas as palavras e frases formadas que às vezes até pra mim é difícil entender, como é bom ver as duas brincando juntas, as risadas, os repentinos "comentários" no meio das nossas conversas, interações que até pouco tempo não existiam. Ontem coloquei as duas para dormir a soneca da tarde, cada uma deitou na sua cama, eu sentada em uma cadeirinha no meio cantando o pai-nosso para as duas adormecerem e mais uma vez, disse "obrigada, obrigada, obrigada, mil vezes obrigada" e chorei um pouquinho de felicidade. 


É claro que dois anos, como toda fase, tem seus desafios, mas como é bom também esse interação e a descoberta de duas personalidades se formando e se expressando. Pois bem, antes do seu irmão ou irmã nascer, Maria e Bella, preciso dizer o quanto esses dois anos e um mês foram maravilhosos e surreais na minha vida. Aproveitamos muito e tudo, todos os dias juntas e que sorte a minha! Escrevo isso e as lágrimas não param de escorrer no meu rosto, porque realmente me sinto privilegiada e tão feliz de ter vocês. Bella e seu jeito carinhoso e delicadinho, como eu gosto quando você faz aquela carinha de pidona e diz "mãaaae". Maria super animada e com vontade de tudo, que agora só sabe falar em frases completas, que parecem sair com um esforço enorme da boca. Todos os carinhos, abraços, beijos e pedidos de colo.

Em breve teremos mais um bebê para participar dos nossos dias, do café da manhã, das brincadeiras, das idas ao parquinho e do nosso caos também. Não posso deixar de pensar que as coisas vão mudar e senti, nessas últimas semanas, que estávamos nos despedindo um pouco de uma fase e nos preparando para a próxima de uma forma leve e muitos bons momentos. Como uma boa grávida, uma série de sentimentos transbordam de mim, ansiedade, felicidade, medinho, tudo misturado. E sabe o que? Vou deixar eles chegarem e transbordar. Que venham as cenas do próximo capítulo. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

2014 por uma vida mais simples

Quando o relógio bateu meia-noite na última terça-feira eu não senti nada de diferente. Abracei e beijei o marido, desejei feliz ano-novo pra família que estava junto e fiquei meio tensa com a possibilidade daqueles fogos todos acordarem as meninas. Não bateu aquela onda de esperança "que tudo se realize no ano que vai nascer", nem aquele sentimento de "ai, 2014 vai ser melhor". Primeiro porque a vida já é boa demais e a virada não muda isso. Segundo, porque eu já tinha certeza que 2014 ia ser diferente, e não apenas porque eu vou ganhar um bebê nos meus braços em breve, mas a nossa vida vai mudar muito. Muito além do fato de sermos cinco, no lugar de quatro. E isso é maravilhoso e ao mesmo tempo tenebroso. Então, vamos lá botar no papel, ou melhor, em versão post na tela do computador.

Daqui há uma semana Maria e Isabella completam dois anos e aqui estou eu vivendo todos esses 730 dias da vida delas intensamente. Todos os dias com elas, estou sempre ali, sem folga, sem férias, afinal não é um trabalho, é um modo de vida. Eu fiz uma escolha, que é muito particular de individual diga-se de passagem, de fazer isso, ficar com elas, simplesmente isso. E não foi e nem é fácil, assim como sair para trabalhar todos os dias e deixar os filhos sob os cuidados de outras pessoas também não é, nem nunca será fácil. E eu aqui vivendo intensamente o mundo delas. E para isso tive que me perder e redescobrir, tive que abrir mão de uma vida financeira estável, de ter um tempo pra mim e como não, de ter coisas ou viagens que estavam nos meus planos. E posso dizer/escrever aqui com todas as letras que não me arrependo em nenhum minuto. E tenho certeza que foi a melhor escolha que fiz na vida. Sei que foi o caminho pra mim e me descobri nele, tanto que nem imaginava. E não pretendo desviar da rota, aliás, a ideia é mergulhar ainda mais fundo, eis a mudança de 2014. E a resposta para pergunta: "como você pretende cuidar de três sozinha (aka, sem babá, escola ou empregada)?".

Felicidade é foto desfocada

Pouco antes da segunda gravidez se concretizar, o marido estava querendo mudar de função no trabalho e diminuir as horas. Ficar mais em casa com a gente e curtir o que a gente acha que deve curtir na vida: família. Sim, loucos, loucos, loucos. Mas, tinha um porém: o salário iria diminuir. Se já tava apertado, ia ficar mais ainda. Pensamos e conversamos, ainda sim valeria a pena para concretizar a nossa escolha. Ele fez a entrevista na semana que já estava desconfiada da gravidez. Foi classificado, mas não chamado. Pensamos: ainda bem, já que vem mais um bebê por aí. Mas, seis meses depois, ele foi chamado. Ops. E agora? Ele aceitou, e aí está a grande mudança de 2014, que vai acontecer mais pro fim do mês. Por um lado vai ser ótimo porque ele vai poder ficar com a gente, participar ainda maus vida das meninas e terei ajuda, já que elas ainda não vão pra escola esse ano, e sim, eu ia ficar com os três em casa sozinha. Por outro, quer dizer que a nossa renda vai diminuir e teremos que fazer adaptações. Como tudo na nossa vida: difícil, mas não impossível.


Bella e Maria janeiro de 2014

Mas, espera, eu sei o que você está pensando: esse povo não pensa no lado profissional? Sim, claro que pensamos. Temos nosso planos e objetivos. Mas no momento nossas prioridades são outras. E existe tempo para tudo. Por que não parar um pouco agora nos primeiros anos de vida dos filhos e correr atrás depois? Hebe Camargo parou dez anos por causa do filho e foi o que foi. José Saramago só escreveu sua obra-prima com 63 anos. Por que essa ansiedade moderna de que tudo tem que ser pra ontem? Desde que me tornei mãe tenho tentado fazer alguma coisa de casa e por isso criei a Loja da Família Moderna e tenho planos pra ela para os próximos 10 anos, sim. Tenho planos para este ano! Mas agora sigo no nosso ritmo. E o marido também tem os objetivos, inclusive do que muito considerariam "dar um passo para atrás" agora, para depois dar um maior pra frente. E com ele mais em casa também posso focar mais na loja, claro. Estamos tentando achar uma forma de viver bem (não ficar rico), e ficar perto da família.


Em busca de equilíbrio

Por enquanto, vivemos o hoje. O aqui e agora. E escolhemos ter um vida intensamente familiar. E agora teremos uma vida ainda mais simples. Outro dia até estávamos pensando em como seria bom comprar um sítio, plantar comida e criar galinha. Hippies. Mas, sério. Todo esse processo fez com que a gente questionasse o valor das coisas, a obsessão moderna por consumir no lugar de aproveitar e ter. Ter, gente! Pensem nisso. Sei que é um caminho diferente e confesso que prefiro assim, prefiro ser tachada de louca, não me contentaria em ser normal. Mas assim como todo mundo, queremos encontrar o equilíbrio e estamos desesperadamente tentando. Apenas arrumando um jeito diferente de fazer, o nosso jeito de ser feliz. Pois que venha então o resto do ano com bebê, casa cheia, muito trabalho na loja, nem tantas coisas, mas muito amor. Amor triplicado.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Razões para ter um filho

Existem mil e uma razões para ter um filho e outras tantas para não tê-lo, mas não é sobre isso que vou escrever aqui. Acho que a decisão de trazer alguém para o mundo é muito pessoal, depende muito do casal, e às vezes o filho chega como surpresa e nem dá tempo de pensar em motivo algum. Eu sempre achei que iria ter dois filhos e só, um casal de preferência, como é o básico e ideal culturalmente falando, nunca me imaginei mãe de três, com menos de três anos, mas tanta coisa muda no meio do caminho e aí está a delícia de viver. Vejo tanta gente com medo de dar o próximo passo, tanta gente me chamando de louca e corajosa (o que eu super concordo, by the way), que gostaria de compartilhar a minha experiência e tentar explicar algo inexplicável: a vontade de ter mais filhos.

Sem título

No começo deste ano, estava conversando com um casal que também tem gêmeas e acompanha o blog durante uma visita deles pra Brasília, e a Grasi me fez uma pergunta muito simples: "Mas, você quer ter outro: por quê?". E eu respondi: "Não sei, não sei porque. Acho que me sinto tão feliz, tão completa com duas, e isso deveria bastar, mas quero mais". E no banco de trás do carro, o Rodrigo, marido dela disse: "Mas filho é isso, não precisa de explicação. Se você quer, quer e pronto". E aquilo fez um sentido enorme pra mim! Era isso, eu queria e  bastava, não precisava ficar pensando no trabalho, em como ia ser difícil, no aspecto financeiro e etc. É aquela coisa de se você quer muito, o universo conspira ao seu favor. Pois querer muito era razão suficiente pra mim.

Sem título

Existiram outros motivos também, é claro. Depois que as meninas nasceram rolou todo um processo, que é normal entre as mães de primeira viagem, de aceitação do meu papel de cuidadora. E a partir do momento que eu me entreguei, aceitei que ter filho dá trabalho e pronto, que eu não vou poder ir e vir como antes, que eu fiz uma escolha, blá, blá, blá. Ter filho não foi mais algo trabalhoso, ou até mesmo um fardo como muita gente pensa. Fazia parte da nossa família, ser tornou natural pra gente. Elas estão incluídas em tudo e fazem parte do todo. É claro que é cansativo, mas não é um problema. Dá trabalho? Sim. É difícil? É. Mas essa é a nossa família agora e a partir do momento que você para de focar neste aspecto da parte chata, fica divertido e torna-se parte de quem você é também. E eu também tenho a teoria de que com a nossa experiência com duas, um bebê só não vai ser tão difícil assim. Será?

Sem títuloSem título

Existe uma razão muito forte também para não só querer ter outro filho, como ter coragem de pular rumo ao desconhecido, que é o meu marido. Se ele não me ajudasse tanto e fosse um pai tão maravilhoso, com certeza, não estaria nem cogitando essa ideia. É ele quem levanta à noite quando uma delas chora, é ele quem dá o jantar e o último banho do dia, que me ajuda sempre e em tudo. Sem ele, felicidade, você não existiria. Portanto, aqui estamos nós. É porque sou tão feliz como mãe, tão feliz tendo uma família, que queremos mais!

Ah, tem uma coisa que ajuda muito também: dormir a noite toda. Quando os bebê dormem a noite toda, a coragem aumenta! Sério.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Então... mais um!

Temos uma novidade para contar e estava difícil guardar segredo...

_MG_5684 ... bebê n° 3 vem aí!

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...Grávida, 8 semanas, feliz, família grande, sim é um bebê só, frio na barriga e vamos nessa!

_MG_5624 Bella e Maria: oficialmente irmãs mais velhas!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Amor dobrado

Para futuros pais de gêmeos ou não:

Na semana passada, um texto polêmico escrito por um futuro pai de gêmeos causou comoção nos EUA e entre aqueles que tem uma vida múltipla. O pai, que preferiu permanecer anônimo, escreveu com uma sinceridade bruta sobre como ele e a mulher estavam decepcionados e tristes por estarem esperando gêmeos e chegou a comparar o fato com a mesma situação de alguém que tem câncer terminal e "fica esperando pelo pior". Eu sei, pasmem! Nos comentários alguns aplaudiam a sinceridade, outros tentavam convencê-lo de que não era esse bicho de sete-cabeças e outros ficaram revoltados. Eu acho que me encaixo no último grupo. Eu entendo o medo do desconhecido e do fato de cuidar de dois bebês ao mesmo tempo, mas também não entendo por que tanta gente tem medo de dois bebês. Sério. Sim, é trabalhoso, não é fácil, mas aquele clichê prevalece: trabalho dobrado, amor dobrado. E acho que todos nós temos o poder de nos adaptar, de ir além dos nossos limites pelos nossos filhos. Seja um, dois, três, quatro, cinco, quantos tiverem que ser. Tudo depende de como você vai encarar este desafio. E acho que este é o problema desses futuros pais do artigo, ainda que no fundo eu sinta mais pelas crianças que não pediram para nascer e não tem culpa de tudo isso, mas enfim não quero entrar neste mérito ou falar sobre isto neste post... Apenas, tentar aconselhar outros futuros pais.

foto(8)
Bella e Maria "fazendo carinho"

Quando as meninas nasceram foi como se uma avalanche tomasse conta da nossa vida. Eu e o Marco percebemos bem rápido que a nossa vida não seria nunca mais a mesma (e isso por si só já é um processo) e que nada seria fácil. Eu costumava me comparar com outras pessoas, chegava a pensar "como será com um bebê só?" e depois me sentia culpada e tudo ficava ainda pior. Durantes os primeiros meses pensei muito nisso em como seria diferente com um bebê só, em como estava cansada e como aquela trabalheira toda seria para sempre. Mas não foi. Vou ser sincera: o começo é difícil porque a gente não tem o retorno, o amor dobrado não chega como esperado, são apenas dois bebês que precisam de você. Mas depois o amor dobrado chega e ele é arrebatador.

Não me esqueço de uma noite em que estávamos os dois cansados, acho que Maria e Isabella tinham uns quatro ou cinco meses, era 1 da manhã e elas não queriam saber de dormir e já tínhamos tentado tudo. Então, sentamos as duas no trocador e eu comecei a contar uma história pro Marco e elas coemeçaram a dar garagalhadas juntas. Pela primeira vez e muitas, rindo juntas. E nós dois chorando como loucos! E foi a mesma coisa quando elas se olhavam e davam risada uma pra outra e agora, entramos numa linda e bela fase. Depois de alguns meses de briga entre as duas, agora começou a fase dos abraços. Elas me abraçam, aquele abraço gostoso de criança e se abraçam. Ontem, eu disse: "Bella dá uma abraço na Maria". E lá foi ela agarrar a irmã. É claro que chorei de novo. E desde então o abraço flui aqui em casa e não há nada melhor.

foto(9) Finalmente, a fase do abraço

São nesses momentos que você percebe que sim, ter múltiplos é trabalhoso, mas tão compensador. São nesses momentos, o do trabalho e do amor, que você percebe que tem algo especial, não melhor ou pior do que os outros, mas diferente. E sim, você vai ficar menos cansada com o tempo, vai sim conseguir dormir a noite inteira, vai conseguir relaxar num domingo à tarde, fazer sexo de novo, comer uma refeição inteira sem interrupções e vai poder fazer parte de um laço inquebrável, uma experiência que poucos na vida consegue viver. E, que sim, tudo vai valer muito a pena.

foto(6) Amor de irmã

Outros conselhos para futuros pais de gêmeos? Tem aqui e aqui 
E também um artigo muito bom na Babble com 10 dicas para os novos membros do clube de múltiplos

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Diferentes e iguais

Outro dia (leia-se há muito tempo atrás) eu li que as nossas primeiras lembranças da infância definem quais posições vamos tomar para o resto da vida, inclusive se você ia ter tendências depressivas se suas recordações primárias não fossem boas. E tinha lá um especialista que dizia: " faça o teste, pense na sua primeira lembrança da infância". Então, eu fechei os olhos e lembrei. A minha primeira lembrança da infância veio com um filme e ela estava lá. Linda, morena, cabelos ondulados e pronta para me guiar, como deveria ser o papel dela na minha história.

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Eu, Mami e Thiago

Eu devia ter uns quatro anos, estudava no maternal em um colégio super tradicional de Botafogo, no Rio. Eu lembro que a professora estava montando a peça de teatro do fim do ano e eu, é claro, queria o papel principal, eu queria ser a Branca de Neve. Mas, eis que escuto: "Tati, você vai ser a bruxa, tá meu amor?". Nãooooooooo. Eu não queria ser a bruxa, quem quer ser a bruxa, gente? Ninguém, querida professora! Eu lembro que protestei, mas participei do ensaio e aí já era.

No fim da aula, contei pra minha mãe, super arrasada, acho que chorei, perguntei por que eu não podia ser a Branca de Neve, etc. E está aí a frase que eu acho que mudou minha vida: "Você vai ser a bruxa? Não tem problema, você vai ser a melhor bruxa do mundo. Eu vou fazer um chapéu maravilhoso pra você e você vai aparecer mais que a Branca de Neve, não se preocupa não, Tatiana. Você vai arrasar". Eu acho que continuei triste. Mas me lembro da minha roupa de bruxa, lembro da minha mãe fazendo aquele chapéu, lembro de todo mundo elogiando aquele chapéu, e me senti bem de bruxa, fiquei feliz quando terminou a peça. Está aí a minha primeira lembrança da infância, uma das melhores lições que a minha mãe poderia ter me dado: você pode ser diferente, você pode fazer do seu jeito, você pode se destacar mesmo estando em segundo plano. Ninguém precisa ser protagonista, basta dar seu melhor, fazer diferente, que tudo dá certo no final.

A minha infância toda foi marcada pelas invenções da minha mãe. Desenhar, cortar, colorir, montar, costurar, ela fazia de tudo. Nossos trabalhos de escola eram todos feitos em casa, cheio de ideias milaborante, numa época em que não existia internet para copiar a ideia de algum lugar legal e tudo no esquema "DIY ou faça você mesmo", antes mesmo desse termo existir por aí. Eu tenho nas minhas melhores memórias da infância os projetos feitos pela Dona Vera. Ela sempre estava ali quando a gente saía e voltava da escola, sempre com um ateliê improvisado, uma boa ideia, podia reclamar do trabalho, mas fazia. Ela despertou em mim e no meu irmão a vontade de seguir outros caminhos, ser diferente, ser criativo, ainda que ela não estivesse fazendo aquilo deliberadamente. Ela simplesmente educava instintivamente.

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Eu no melhor estilo "minha mãe me arrumou"

thieeunocolegio Reparem que a roupa é a mesma da foto anterior, mas ela deu uma "repaginada" com lacinhos"

forro
Ela fez todos esses cículos de "ABC" pra minha sala inteira!!!

Por isso, apesar de Maria e Isabella serem idênticas geneticamente, deixo que elas sejam diferentes, como elas de fato são. Pra começar, não visto as duas iguais não só para preservar a individualidade, mas para que as outras pessoas diferenciem uma da outra, mesmo que seja só pela roupa. Eu gosto de ser diferente, seguir o caminho alternativo, sair do lugar comum e minha mãe me ensinou isso, sem ter intenção, e pretendo passar adiante a mesma sabedoria.

Eu quero ensinar para as minhas filhas, assim como a minha mãe fez comigo, que é possível ver a situação por outro ângulo, que com esforço e um pouco de criatividade a personagem má pode ser um pouco mais boazinha, e que dá pra enxergar o lado bom até das bruxas. Tudo o que eu quero é ser a mãe que a minha mãe foi pra mim e tudo o que eu mais desejo no mundo é que ela seja feliz. Só isso.

Este post é uma homenagem para uma das razões do meu viver, já que amanhã é aniversário dela. Parabéns, Mãe!

PS: Obrigada a todas pelos comentários do post anterior, bom saber que não estou nessa sozinha. E foi bom me lembrar que seguir o caminho diferente é desafiante, mas sempre mais compensador. Aguardem mais palpites e jeito de viver da família moderna.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O terceiro filho

Achei que eu estava grávida neste último mês. Tinha certeza absoluta. Estava me sentindo diferente, umas cólicas e até uma vontade de comer gorgonzola com leite condensado me fez desconfiar. Não contei pra ninguém, não fiz alarde, principalmente para não escutar aquele discurso "você tá louca, outro bebê agora? Você não bate bem da cabeça, Tatiana?" e etc. Só dividi isso com o Marco e a gente ficou esperando pacientemente a minha menstruação vir, e bom, ela veio. Portanto, não estou grávida, ninguém precisa ficar desesperado. Rá. Mas o estranho é que eu queria muito estar.

Portanto, a pergunta que não quer calar é: já pode ficar grávida de novo? Porque eu acho (não contem pra ninguém) que eu quero! Talvez por isso tenha colocado na minha cabeça que estava grávida. Não sei, mas, ultimamente,tenho tido uma vontade absurda de engravidar e acho que isso tem explicação. Talvez seja porque as meninas vão fazer 1 ano e estou me despedindo da fase bebê da vida delas. Talvez porque eu me sinta tão completa sendo mãe que eu quero mais.

IMG_5012-2 Saudade dessa barriga

Esta não é a primeira vez que eu achei que estava grávida de novo. Quando parei de amamentar e ainda sim a menstruação não tinha descido, cheguei a fazer o teste de gravidez de sangue para comprovar e poder começar a tomar pílula. Aí eu comecei a tomar a pílula e achei péssimo, fiquei de mau humor, inchada e o desejo sexual caiu muito (muita informação, mas vamos lá, né, minha gente, isso é um blog, então fiquem sabendo tudo sobre a minha vida). Aí resolvi parar com a pílula de vez e ficar só na camisinha. Mas é aquela coisa de vez em quando a gente "trapaceia", como diria a minha ginecologista. Porém, ficar grávida não está exatamente nos meus planos, por enquanto.

Sei que agora seria uma loucura, que eu teria que contratar ajuda (coisa que eu não quero), que ainda tem tanta coisa para aproveitar das meninas, que a situação financeira também não está boa, mas a vontade existe. O fato é que vai ter terceiro filho (ou quarto, será?). Mas ainda vamos esperar um pouco. Pelo menos até a hora que as meninas não precisem mais de carrinho, é a minha ideia. Só queria deixar claro e permanente aqui no blog o meu desejo, porque muita gente acha que eu sou louca, já quase apanhei de três mulheres na seção infantil da Zara (uma delas mãe de gêmeos com a mesma idade das meninas) quando disse que queria ter mais um, e acho que devem existir outras malucas como eu por aí. E se for pra continuar a ser feliz, posso continuar a ser louca mesmo.

E faltam três dias para o aniversário da Mamá e da Bella. Socorroooo

*foto: Maria Fernanda Seixas

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Primeiro Natal Ever e como ter uma árvore natalina com duas bebês quase andantes por perto

Bem que dizem que quando a gente tem criança por perto curte de verdade o Natal. Tá, eu confesso que já curtia bastante antes, mas agora... Hoje fiz uma sessão de fotos com as meninas aqui em casa e foi uma loucura! Fiz os bodies (que não ficaram bons) e a fita no cabelo de última hora e escolhi o pior horário do dia para bater as fotos: fim da tarde, cheias de sono e com fome. Mas aproveitei que a minha mãe estava aqui para me ajudar e cliquei como nunca. Deixei as duas brincarem com o pisca-pisca e aí está o resultado! Enquanto eu olhava as fotos no computador a única coisa que conseguia pensar era: como eu consegui viver sem essas duas antes?

IMG_2024 Jingle bell, jingle bell, jingle bell rocks

IMG_2011 Sorria!

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Então é Natal...

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...E o que você fez?

IMG_2130 Eu fiz muuuuita coisa e elas também!

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Bella

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Maria

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Sobre a árvore de Natal: eu não sabia onde colocar, eu pensei diversas formas, durante dias, sobre onde colocar porque as meninas pegam tudo o que está ao alcance delas. Então, eu lembrei de uma coisa que eu ouvia minha mãe dizendo pras amigas: "eu nunca tirei nada do lugar quando os meninos eram pequenos, eu só ensinava que não podia mexer". Então, lá fui eu deixar a árvore perto do chão (mas não totalmente que eu também não sou louca) porque eu já estava até pensando na possibilidade de pendurar a árvore no teto! Coloquei a árvore em cima de uma mesinha, sem os enfeites e esperei. Quinze minutos depois, Maria puxou um galho e, pronto, caiu. Eis que surge a ideia mirabolante, super invenção materna: coloquei fita dupla nos pés da árvore e "colei" na mesinha. Grudou de uma forma maravilhosa! Fica a dica, minha gente!

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Explora!

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Novidade

É claro que no dia seguinte quando elas viram a árvore cheia de enfeites foram explorar. Olharam, tocaram os pés, o tronco fininho, Maria tentou pegar uma bola rosa e chorou porque não conseguia, mas não passou disso. De vez em quando, elas vão até lá, tocam, tentam pegar, eu digo "não", e elas esquecem. Mas não deixam de olhar admiradas para este objeto novo e temporário na vida delas. Para celebrar o primeiro Natal das meninas também comprei duas árvores pequenas e rosas para cada uma. Família completa.Que venha o Natal!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Maria e Isabella - 10 meses

Não acredito que em menos de dois meses elas vão fazer um ano! Acho que depois dos seis meses passou tão rápido, mas estou aproveitando cada momento, isso eu tenho certeza! Passar o dia todo com as duas é uma aventura cheia de altos e baixos, e devo confessar: vale cada segundo! Este post vai ser rápido porque essa semana estou enroladíssima, contarei novidades em breve, mas aí vai! Com 10 meses, Maria e Isabella estão ótiiiiimasssss, com direito à letras repetidas para dar ênfase!

10 meses

Resumindo: são super ativas; já ficam de pé sozinhas sem apoio e começam a querer escalar nos móveis, ensaiam pequenos passos, mas ainda têm medo de ir adiante, voltaram a resmungar um pouco durante a comida, mas aposto nos dentes de cima que estão nascendo, basta paciência extra que está passando; dormem super bem durante a noite, umas três horas de soneca por dia dividas pela manhã e tarde; já tem seus brinquedos favoritos, estão pedindo colo além do normal e sofrem com a separação e cada vez mais estão mostrando suas personalidades e diferenças. Me sinto tão sortuda por estar perto das duas e perceber cada mudança, cada fase, cada conquista do crescimento.

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Ah, o quê?

IMG_1884 Concentradas

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Bella

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Maria

IMG_1899 Isabella perdida no vestido da Maria

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Na ponta dos pés

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Os bebês e a televisão

Há uns dois meses, eu estava na sala de espera do pediatra e ele tinha acabado de instalar uma televisão por lá para colocar desenhos e afins para as crianças. Comecei a conversar com outra mãe e a filha dela, que deveria ter uns 4 anos, comentou que adorava aquele filme que estava na tela, então ela me perguntou:

- Elas gostam desse desenho?
- Não, elas não assistem TV.
- Não? Mas nem Galinha Pintadinha?
- Não.
- Mas, menina, TV é bom que dá um sossego pra gente.

Eu dei um sorrisinho, depois, eu acabei mudando de assunto. A verdade é que Maria e Isabella não assistem televisão. Não, elas não sabem o que é Galinha Pintadinha, Backardigans, Vila Sésamo ou Dora, a aventureira. E nem vão descobrir tão cedo. Foi uma decisão pensada, repensada e pensada ainda mais um pouquinho. O fato é que eu acho que ver televisão não é coisa para bebês e não faz bem. Pronto falei. Sei que tem muita gente que lê o blog que pensa o contrário, mas essa foi apenas uma escolha que eu fiz e que gostaria de compartilhar aqui.

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Quando eu estava grávida, vi umas duas reportagens falando sobre isso. Em uma delas, uma super especialista, dizia: "qualquer pessoa com um pouco de especialização em pedagogia não recomenda que as crianças assistam TV antes dos dois anos". Hã? Mas peraí, como assim, e os bebês fofos que vêem desenho? Fiquei intrigada, dei uma pesquisada e descobri que essa é uma recomendação também da Associação Americana de Pediatria e de outras dezenas de pesquisas. A TV atrasa o desenvolvimento motor da criança, a interação social e, ao contrário do que muitos pais pensam, não é educativo, ela pode prejudicar especialmente a comunicação da criança e a fala. Isso não sou eu falando, vamos combinar, é a ciência. É só colocar: bebê + televisão no Google para descobrir. Acho que também muita gente não sabe disso porque é comum, é bonitinho, que um bebê assista desenhos e DVDs animados, como eu sempre achei também. O que eu mais escuto é: "como assim? elas não assistem desenho nenhum? nunca?", porque virou quase um costume nos dias de hoje.

Eu não sou contra a televisão, quero deixar claro. Ela fica ligada por bastante tempo aqui em casa e eu fui criada, como a maioria das crianças brasileiras, vendo televisão. Mas eu não vou incentivar isso com as meninas. E, é claro, também não vou colocar as duas em uma bolha e afastá-las do mundo normal. De manhã, por exemplo, eu assisto o jornal e elas brincam no chão, ou eu vejo Friends e elas continuam a brincar. Pode ser que olhem para a tela, mas não dura mais do que 10 segundos. Tinha uma coisa sem explicação também com aberturas de novela, quando tocava aquele "oi,oi,oi" de Avenida Brasil, elas paravam tudo para olhar. Meus pais compraram o dvd da Galinha Pintadinha e tentaram mostrar pra elas, mas, acho que como elas não estão acostumadas, não prendeu a atenção. Também não saio correndo com as duas quando a gente vai em um aniversário com DVD rolando, ou na casa de alguém, e está passando um desenho na TV. É claro que fiquei tentada algumas vezes, especialmente, pelos filmes da Disney, mas elas vão ter que esperar mais um pouquinho e eu também. E qual a graça ver um filme que não se entende nada? História da Cinderela só nos livros, por enquanto.

Eu não sou contra a televisão, mas sou contra a hipnotização. Deixar a criança olhando para imagens coloridas que não querem dizer nada pra ela (só porque ela ri e presta atenção não quer dizer que entende), que está longe da sua realidade, no lugar de deixar o bebê explorar o espaço, pegar brinquedos, juntar peças, engatinhar, subir, descer, conversar, cantarolar, explorar, aprender. Eu entendo a facilidade, de ter um tempo para ir na cozinha, por exemplo, e voltar. Mas eu consigo fazer isso, com duas, sem a ajuda da dona TV.  Não condeno quem usa esse recurso, só não segui esse caminho. E existem outras formas de distrair um bebê, como brincar ou conversar com ele.

Sobre o sossego: eu iria adorar ter um pouco. E, de vez em quando, ele vem. Seja em um passeio tranquilo e sem reclamação durante a manhã, ou nas sonecas do dia, ou quando eu escuto as duas brincando, rindo, enquanto eu costuro ou vou passar o café. É claro que, às vezes, tudo é interrompido, mas ele não deixa de aparecer.

Para quem quiser se aprofundar no assunto e ver a tal das pesquisas tem matérias aqui, aqui e aqui

domingo, 30 de setembro de 2012

Eu, elas, nós apenas

Amanhã começa uma nova fase na nossa vida, muitas mudanças devem acontecer. Quando eu fiquei grávida, comecei a pensar no futuro e a decisão de ficar em casa foi tomando forma, eu tinha a "ilusão" de que iria tomar conta das meninas sozinha. Eu me imaginava carregando as duas para ir fazer uma visita pra minha mãe ou passeando com o carrinho duplo pelos becos da Asa Sul. Só nós três. Muita gente me falava que eu ia precisar de ajuda, era um tal de "você vai não vai conseguir sair com elas sozinha não", "como assim você não vai ter babá?", "você precisa contratar alguém para te ajudar durante a noite ou você não vai dar conta". Eu não ligava muito. Olhando para atrás, eu realmente acho que não me preparei para o que viria depois e fui um pouco ingênua sim, mas tudo fez parte do aprendizado. Porém, agora, minha ideia ilusória de maternidade vai se tornar realidade.

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Depois que as meninas nasceram, meus ideais foram embora rapidamente. Sim, eu precisava de muita ajuda, e pra mim foi muito difícil admitir isso. Eu lutei contra a minha falta de controle da situação, a minha falta de braços, a minha falta de energia, a minha vontade de fazer tudo do meu jeito, eu precisei me livrar de todo um conceito e sonho de vida para encarar a realidade e foi muito difícil. No início, a minha ideia era contratar uma empregada e contar com a ajuda da família, especialmente da minha mãe, para cuidar das duas. Mas a empregada pediu demissão antes mesmo de começar e a substituta só durou duas semanas. Depois de dois meses, a minha mãe começou a ficar cansada e eu percebi que era hora de contratar uma babá. Nas noites e nos fins de semana, eu e o Marco estávamos no comando, e no começo foi bem difícil, (de vez em quando, rolava uma ligação desesperada nos domingos pros meus pais do tipo "vocês conseguem vir aqui e ficar um pouquinho com elas pra gente comer alguma coisa?), mas sobrevivemos.

A experiência com a primeira babá não foi muito boa. De novo, ainda estava no processo de admitir que precisava de ajuda para cuidar das minhas filhas. Ainda era muito difícil. Eu não deixava a babá fazer nada. Eu era tão louca que não deixava ela dar banho nas meninas. Ela ficava com uma enquanto eu dava banho na outra, depois eu repetia o processo enquanto ela olhava quem já tinha tomado banho. Isso tudo para no final, eu sentar no sofá e amamentar uma de cada vez. Louca, louca, louca, como diria Shakira. O trabalho dela era mais colocar uma das meninas para dormir. Depois de dois meses, ela pediu pra sair e contratei uma nova babá. Com ela, deu tudo muito certo. Até que as meninas foram crescendo e eu acho que aquela vontade de cuidar mais das meninas foi chegando de novo. Eu vi que sim, eu conseguia sair com as duas sozinha, eu tinha braços para carregar duas bebês quando se fazia necessário. Eu propus que ela cuidasse mais da casa e eu ficasse mais com as duas, e aí, coincidentemente, as coisas não fluíram mais.

Bem, então, o negócio agora é o seguinte: não temos mais babá. E a partir de amanhã vai ser assim, só eu e elas. Louca, louca, louca. Quando me tornei mãe, tinha dois caminhos a seguir. Número um: trabalhar e deixar as meninas na creche ou com duas babás em casa, como acontece com várias mães modernas que se dividem em muitas para dar conta do recado. Pensei muito sobre essa possibilidade e ela sempre parecia muito distante. Com duas bebês, financeiramente, eu estaria trabalhando para outras pessoas ficarem com as minhas filhas e receber um trocado no fim do mês.

Número dois: ficar em casa e acompanhar de perto o crescimento das minhas filhas, abrir mão do meu lado profissional, meus desejos, para cuidar das duas. Também escutei muita coisa (e ainda escuto) quando tomei essa decisão "você não vai dar conta, não vai aguentar ficar em casa". E realmente não é fácil. Mas como filha de uma mãe que escolheu a segunda opção como modo de vida, me pareceu, e ainda parece, natural. Portanto, está na hora de colocar esse caminho em prática, como eu imaginava e no melhor dos graus de ilusão. Além disso, como eu resolvi parar de trabalhar, o orçamento familiar também está apertado e ter uma babá ficou muito custoso e sacrificante, tinha que valer muito a pena. Está aí mais uma razão para assumir minha decisão.

Eu sei que vai ser muito difícil. Sei que em alguns momentos vou ficar frustada, cansada e querer arrancar os cabelos. Mas estou aqui para tentar, fiz minha escolha. Se eu não tinha tempo para fazer nada antes, agora eu nem sei como vai ser. Colocar duas bebês no colo e sair por aí parece ser missão impossível, e muitas vezes é, não é a mesma coisa do que ter um bebê só, um carrinho pequeno e etc. Mas, eu consigo e consegui apagar aquelas temidas sentenças que recebi no começo. Cada mês que passava, era mais fácil e mais divertido cuidar das duas. E acho que eu vou dar conta. É claro que não sou tão louca e vou ter uma faxineira aqui em casa para me ajudar nas tarefas domésticas, ufa!

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Passei a semana passada inteira com um frio na barriga, aflita, até que finalmente fiz as pazes com a minha vontade de ser a cuidadora das minhas filhas, de ir contra a maré, de tentar o que parecia o impossível. Somente nós três. Agora vamos ter que nos readaptar um pouco, vou aprender a dar comida para as duas ao mesmo tempo, descobrir como dar a mamadeira para as duas ao mesmo tempo, como fazer tudo ao mesmo tempo. Toda uma nova rotina. Estou com medinho, é claro, mas feliz com a chance de começar tudo novo de novo e viver novas aventuras como mãe. Ser mãe é uma loucura e eu estou aproveitando para me descobrir, me superar, porque assim é a vida. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Hoje, amanhã e sempre

Agora eu entendo o que "aquelas mães", estranhas pra mim quando eu era apenas eu, queriam dizer quando falavam: "o tempo passa rápido, tem que aproveitar muito cada fase". Então, estou tentando aproveitar o meu tempo com Maria e Isabella ao máximo! Outro dia, encontrei uma frase linda de uma escritora americana e chorei um pouquinho escondida em frente ao computador, enquanto as meninas dormiam. Por isso, resolvi compartilhar aqui, só pra não esquecer, que é preciso agarrar a vida com os braços, hoje, amanhã e sempre.

Sem título

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Quando é a hora certa de ter filhos?

Não sei se a pergunta tem uma resposta. Para muitas amigas foi sem avisar. Na verdade, acho que eu não conheço ninguém que programou (ou admitiu que fez), com exceção da minha mãe. Então, pra mim, é quase estranho planejar.

Sei que quero, fui no médico, tudo ok. Não queremos esperar muito tempo e não bate o desespero quando a gente cuida de um sobrinho ou vê um bebê por aí. Pelo contrário.

Sim, sabemos que nada mais de noite de vinho em plena terça-feira, liberdade para sair por aí quando bem entender, pelos próximos dois anos pelo menos. Mas, assim como acontece com todos os jogadores de video-game do mundo, queremos pular de fase.


De vez em quando ainda bate uma dúvida ou outra. Vamos ter dinheiro pra isso? E se der errado? Mas minha sogra tem uma frase ótima, muito boa para quem ainda está em cima do muro. "Quem tem filho não é um ser responsável", diz dona Tereza. Então é isso, pule bem alto! E, ao que tudo indica, um colchão de ar cheio de surpresas e amor vai estar lá embaixo esperando você. Pelo menos, eu espero que sim.

Take me to the next level, please.