Fui na máquina de pagar estacionamento e estava quebrada. Atravessei o estacionamento todo com os três para ir no caixa. Assim que a gente chegou lá, eu só escuto: "mamãe, quero fazer xixi!". Nãoooooooo. Estávamos do lado do banheiro. A moça do caixa do estacionamento olha meu desânimo e diz: "você quer que eu fique com o bebê pra você?". Pensei por uns segundos e aceitei. Peguei as duas e fui correndo no banheiro pensando "acabei de deixar meu filho com uma estranha. Acabei de deixar meu filho com uma estranha!". Enquanto eu colocava a Maria pra fazer xixi fiquei pensando em como eu não dava conta de três, como pode? Bateu um fracasso total. Saímos do banheiro e eu: "vamos correr, meninas, corre que mamãe deixou o Francisco com uma moça que ela não conhece!". Cheguei e lá estava o Francisco no colo da simpática atendente assistindo Galinha Pintadinha. Como não? Ri da minha própria desgraça. É claro que ela tinha colocado Galinha Pintadinha pra ele (pra quem não sabe eu odeio esse desenho). As meninas entraram na cabine do caixa e começaram assistir também, enquanto eu passava o cartão. Chegou uma senhora perua nesse momento e começou a falar com jeito de "nojinho": "Gente, o que é isso?". "É uma creche que ela tá fazendo", tentei responder de forma simpática. "E é tudo seu? Como assim? Você gosta de colecionar coisas, por acaso?". Não consegui nem responder nada pra ela, só um, "é, deve ser" e saí carregando todo mundo pro carro.
Na volta pra casa fiquei me sentindo um fracasso total, a louca colecionadora de filhos. Que caos tinha sido esse? Que ideia era essa de ter muitos filhos mesmo? Estava perto da casa dos meus pais, pois eles tinham viajado e ficamos uns dias por lá, e eles moram num condomínio, eram quase 18h, mas parei e perguntei pras meninas: "vamos pro parquinho? A gente brinca um pouco, enquanto espera o papai chegar em casa, que tal?". Ouvi um sonoro e delicioso: "simmmmm!". Sentada no banco com o Francisco vendo as duas brincarem com outras crianças fiquei pensando em como eu tinha escolhido aquele caos sim. Em como, quanto mais as meninas crescem e a família também, como não, eu vejo que cada mulher tem seu caminho especial na maternidade, cada um de nós faz as escolhas que quer. Seja ter um filho só, dois, três ou não ter filhos. A salvação é pessoal, como diz a minha mãe. O caos faz parte do meu caminho, muitas vezes eu dou conta, outras não dou, e eu aprendo um monte com ele. E eu é que escolhi isso. Não, não escolhi ter gêmeas, nunca pensei que ia ter três filhos, mas no meio do caminho mudei de percurso. E agora aprendo a me virar, aprendo que tudo é possível e que também existem coisas impossíveis. Eu escolhi esse caos louco.
Eu amo a casa cheia, os três brincando e me ensinando juntos. E eu queria ter mais filhos sim, por que não? Porque sim. Mas isso não quer dizer que vamos tê-los, afinal ainda estamos descobrindo o caminho. Todos temos que passar por processos com um filho, ou às vezes dois de uma vez só, para aprender e seguir em frente. Temos todo o direito de reclamar do cansaço, da falta que as noites de sono faz, de sermos livres pra ir e vir, das mudanças que acontecem quando eles chegam. Mas também precisamos aprender a aproveitar. Parar e ir no parquinho fora do horário. Viver ainda mais intensamente todo esse caos, sem deixar de colecionar.







































