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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sobre escolhas, ser mãe, ficar em casa, trabalhar, empreender

Dia desses qualquer saímos para passear debaixo do prédio com as meninas e o Francisco. Fomos andando,eu e o Marco, e conversando com as duas, visitamos as corujas, que sempre estão na mesma árvore, e fomos no "museu", um cinema que fica aqui perto de casa (Cine Brasília para os brasilienses) onde elas correm, sentam na poltrona, olham os cartazes e vão no banheiro. Estamos indo lá quase todos os dias e elas fazem a mesma coisa. Me sentei um pouco e olhei pras duas correndo de um lado pro outro, Francisco no carrinho e dei um suspiro daqueles de satisfação total. Me lembrei de tantos passeios que eu fiz com as meninas, da nossa rotina de só nós três e senti falta, mas também me senti leve. Tanta coisa a gente passou para chegar até aqui e agora mais uma vez passamos por mudanças.

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Fiquei bem pensativa durante o nosso passeio e veio na minha mente, tantas outras aventuras com a Mamá e a Bella. As manhãs no parquinho, as andanças no nosso carrinho duplo, as conversas com desconhecidos que adoram perguntas sobre gêmeos, as brincadeiras debaixo do bloco, os desenhos, os brinquedos em casa, colocar as duas pra dormir depois do almoço, os banhos inesperados nas tardes de secura com direito a piscina no boxe. Tanta coisa. É claro que era difícil, é claro que existiram dias em que eu me trancava no banheiro e chorava um pouquinho e quando chegava o fim de tarde eu contava os minutos pro marido chegar em casa. Mas como era bom! E eu posso dizer que aproveitei muito. Muito mesmo.

Ter ficado em casa com as meninas nos primeiros anos de vida delas foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Não acho que tenha sido bom pra elas só, mas, especialmente, pra mim também. Tenho as melhores lembranças e memórias, e o melhor, continuo tendo. Não é uma decisão fácil, muita gente me escreve perguntando sobre isso porque realmente é complicado largar tudo e ficar em casa para ser apenas mãe e dona de casa. Só posso dizer que é uma decisão muito pessoal, que é preciso ter o apoio do marido, abrir mão de certas coisas (aqui vendemos um carro, por exemplo, e cortamos alguns luxos), apertar outras, se adequar. E tudo o que eu posso dizer é que vale muito a pena. Muito mesmo.

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Agora, em um momento que eu volto a trabalhar, ainda que seja de casa, vejo o quanto é difícil conciliar as duas coisas, mas não impossível. Para quem não sabe, estou fazendo bolos! Acabei de abrir um foodtruck, a Komboleria, com meu irmão e estou fazendo bolos para vender na kombi e por encomenda. Apenas receitas que eu fazia para as meninas, tudo feito com açúcar demerara e o mesmo amor. E grande parte das receitas são sem lactose (algumas inclusive já foram publicadas aqui). Então, mesmo com o Francisco pequeno, estou trabalhando. E está sendo bem difícil pra mim conciliar tudo. Na verdade, nas últimas semanas me deparei com vários dilemas, queria dar conta de tudo e não dou. Não é?

Quando comecei a fazer os bolos, minha única "exigência" é que eu queria fazer isso de casa e que as crianças estejam sempre por perto. Muitas vezes não consigo fazer as coisas com elas no meio de tudo, é verdade. Quase sempre é caótico e tenho ficado exausta, essa é a verdade. Em dias que temos evento, elas vão pra casa dos avós, por exemplo. Se fica muito caótico, o marido (que de manhã está em casa) desce sozinho com elas. Além disso, dei o braço a torcer e contratei uma empregada para me ajudar com a casa, porque não sou super mulher e não dou conta de tudo. Aprendi ser mãe e empreendedora é preciso ter apoio ou criar uma rede de ajuda, um esquema, um back-up. No meio do trabalho todo, de tempo em tempo, paro para amamentar o Francisco, que está grudado comigo. Ainda estou tentando achar equilíbrio nisso também. Tento não trabalhar de manhã quando elas estão em casa, só à tarde quando elas estão na escola ou depois que todo mundo já dormiu.

Ainda fazendo tudo de casa e estando perto, às vezes também me questiono: o que eu tô fazendo? Não era melhor deixar como estar e ficar só com as crianças? Quero ficar com elas, mas ao mesmo tempo não dou conta de tudo e muitas vezes meu trabalho sai prejudicado. Ainda estou tentando trilhar esse caminho de mãe empreendedora, na verdade. Também tenho meus sonhos e desejos, como morar em uma casa, por exemplo, nosso próximo objetivo. Por isso, estou tentando o equilíbrio, minha gente, como sempre. E estar bem com suas decisões, seja ela ter um filho só ou três, trabalhar fora ou ficar em casa, amamentar ou complementar. Ter segurança no que você quer, ainda que haja dúvida (e sempre haverá), seguir seu coração.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

2014 por uma vida mais simples

Quando o relógio bateu meia-noite na última terça-feira eu não senti nada de diferente. Abracei e beijei o marido, desejei feliz ano-novo pra família que estava junto e fiquei meio tensa com a possibilidade daqueles fogos todos acordarem as meninas. Não bateu aquela onda de esperança "que tudo se realize no ano que vai nascer", nem aquele sentimento de "ai, 2014 vai ser melhor". Primeiro porque a vida já é boa demais e a virada não muda isso. Segundo, porque eu já tinha certeza que 2014 ia ser diferente, e não apenas porque eu vou ganhar um bebê nos meus braços em breve, mas a nossa vida vai mudar muito. Muito além do fato de sermos cinco, no lugar de quatro. E isso é maravilhoso e ao mesmo tempo tenebroso. Então, vamos lá botar no papel, ou melhor, em versão post na tela do computador.

Daqui há uma semana Maria e Isabella completam dois anos e aqui estou eu vivendo todos esses 730 dias da vida delas intensamente. Todos os dias com elas, estou sempre ali, sem folga, sem férias, afinal não é um trabalho, é um modo de vida. Eu fiz uma escolha, que é muito particular de individual diga-se de passagem, de fazer isso, ficar com elas, simplesmente isso. E não foi e nem é fácil, assim como sair para trabalhar todos os dias e deixar os filhos sob os cuidados de outras pessoas também não é, nem nunca será fácil. E eu aqui vivendo intensamente o mundo delas. E para isso tive que me perder e redescobrir, tive que abrir mão de uma vida financeira estável, de ter um tempo pra mim e como não, de ter coisas ou viagens que estavam nos meus planos. E posso dizer/escrever aqui com todas as letras que não me arrependo em nenhum minuto. E tenho certeza que foi a melhor escolha que fiz na vida. Sei que foi o caminho pra mim e me descobri nele, tanto que nem imaginava. E não pretendo desviar da rota, aliás, a ideia é mergulhar ainda mais fundo, eis a mudança de 2014. E a resposta para pergunta: "como você pretende cuidar de três sozinha (aka, sem babá, escola ou empregada)?".

Felicidade é foto desfocada

Pouco antes da segunda gravidez se concretizar, o marido estava querendo mudar de função no trabalho e diminuir as horas. Ficar mais em casa com a gente e curtir o que a gente acha que deve curtir na vida: família. Sim, loucos, loucos, loucos. Mas, tinha um porém: o salário iria diminuir. Se já tava apertado, ia ficar mais ainda. Pensamos e conversamos, ainda sim valeria a pena para concretizar a nossa escolha. Ele fez a entrevista na semana que já estava desconfiada da gravidez. Foi classificado, mas não chamado. Pensamos: ainda bem, já que vem mais um bebê por aí. Mas, seis meses depois, ele foi chamado. Ops. E agora? Ele aceitou, e aí está a grande mudança de 2014, que vai acontecer mais pro fim do mês. Por um lado vai ser ótimo porque ele vai poder ficar com a gente, participar ainda maus vida das meninas e terei ajuda, já que elas ainda não vão pra escola esse ano, e sim, eu ia ficar com os três em casa sozinha. Por outro, quer dizer que a nossa renda vai diminuir e teremos que fazer adaptações. Como tudo na nossa vida: difícil, mas não impossível.


Bella e Maria janeiro de 2014

Mas, espera, eu sei o que você está pensando: esse povo não pensa no lado profissional? Sim, claro que pensamos. Temos nosso planos e objetivos. Mas no momento nossas prioridades são outras. E existe tempo para tudo. Por que não parar um pouco agora nos primeiros anos de vida dos filhos e correr atrás depois? Hebe Camargo parou dez anos por causa do filho e foi o que foi. José Saramago só escreveu sua obra-prima com 63 anos. Por que essa ansiedade moderna de que tudo tem que ser pra ontem? Desde que me tornei mãe tenho tentado fazer alguma coisa de casa e por isso criei a Loja da Família Moderna e tenho planos pra ela para os próximos 10 anos, sim. Tenho planos para este ano! Mas agora sigo no nosso ritmo. E o marido também tem os objetivos, inclusive do que muito considerariam "dar um passo para atrás" agora, para depois dar um maior pra frente. E com ele mais em casa também posso focar mais na loja, claro. Estamos tentando achar uma forma de viver bem (não ficar rico), e ficar perto da família.


Em busca de equilíbrio

Por enquanto, vivemos o hoje. O aqui e agora. E escolhemos ter um vida intensamente familiar. E agora teremos uma vida ainda mais simples. Outro dia até estávamos pensando em como seria bom comprar um sítio, plantar comida e criar galinha. Hippies. Mas, sério. Todo esse processo fez com que a gente questionasse o valor das coisas, a obsessão moderna por consumir no lugar de aproveitar e ter. Ter, gente! Pensem nisso. Sei que é um caminho diferente e confesso que prefiro assim, prefiro ser tachada de louca, não me contentaria em ser normal. Mas assim como todo mundo, queremos encontrar o equilíbrio e estamos desesperadamente tentando. Apenas arrumando um jeito diferente de fazer, o nosso jeito de ser feliz. Pois que venha então o resto do ano com bebê, casa cheia, muito trabalho na loja, nem tantas coisas, mas muito amor. Amor triplicado.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O parto ideal

Estar grávida de novo tem sido um processo transformador. Eu tenho descoberto e aprendido tanta coisa sobre mim mesma que eu nem sei explicar. E acho que tudo faz parte do caminho para conhecer o meu bebê. E para parir é preciso se conhecer, desenterrar algumas questões, vencer alguns medos, quase uma terapia, pelo menos é como eu acho que deve ser. E é o que eu tenho feito. Eu não sei se eu cheguei a comentar aqui mas estou fazendo um acompanhamento com uma especialista em parto humanizado, não é exatamente uma doula, mas poderia ser. Aliás, eu super recomendo para qualquer pessoa que queira fazer um parto humanizado, especialmente quem fazer um VBAC, contar com a ajuda de um profissional do tipo, além do médico. Vale muito a pena.

Pois bem, a gente estava conversando outro dia e ela sugeriu que eu escrevesse sobre o meu parto ideal. Não um plano de parto, mas o que eu gostaria que acontecesse no dia em que o bebê fosse nascer. Eu, olhei com a melhor cara de desconfiada pra ela, e disse: "Será que é bom fazer isso? Mas e se não acontecer? Não vou estar criando expectativa?". Resposta simples: não. E depois eu entendi que não era sobre isso, era sobre projetar, planejar, desejar, me inspirar, querer, conhecer o que realmente eu quero. E, às vezes, é preciso colocar tudo isso no papel. Depois eu percebi que na gravidez das meninas eu queria um parto normal, mas não conseguia pensar nele, imaginar muito a cena porque tinha muito medo que ela não acontecesse, porque sabia que não ia ser como queria, tinha medo de idealizar algo que no fundo sabia que não ia acontecer. E só isso já foi uma realização em si: eu queria um parto normal, mas não me preparei pra ele. Procurei uma coisa ou outra mas não fui afundo, não fiz com o profissional certo, não busquei apoio. E, tudo bem, não me culpo por isso. Mas, obviamente, agora é diferente, agora é hora de encarar de frente.

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Então, lá fui eu escrever meu "parto ideal" numa tarde de sábado, marido e meninas dormindo depois do almoço, e eu enfrentei a tela branca do computador. As primeiras fases foram mais difíceis, mas assim que eu comecei a escrever a coisa fluiu e surgiu algo que eu não esperava, a minha expectativa em relação à dor, o que mais uma vez me fez lembrar do parto das meninas e as contrações que eu senti, de quatro em quatro minutos, sentada na maca da sala de cirurgia esperando a médica chegar. Mas foi bom pensar nisso e digerir tudo. E pensar em como eu quero escutar meu corpo, as intervenções que eu NÃO quero ter, a forma como eu imagino que meu bebê nasça. Assim que terminei o texto me senti feliz e aliviada. De noite, mostrei pro Marco e deu ainda mais vontade do dia chegar, mas principalmente de conhecer logo o bebê que é isso que esse caminho vai nos levar, até uma nova vida, a dele e a nossa como família.

Acho que agora não é hora de compartilhar aqui aquele documento com o título "Parto Ideal" que permanece no meu computador e escrevi naquela tarde de sábado, que é algo muito pessoal pra mim ainda. Quem sabe depois que ele, de fato, aconteça venha parar aqui. Mas quis escrever este post para tentar incentivar ou inspirar outras grávidas a fazerem o mesmo. Escreva, imagine como você quer que o dia do seu parto seja, e ele não precisa focar apenas no procedimento, mas em quem você quer que esteja com você, o que você quer fazer, o que quer sentir ou não naquele dia. Não é um planejamento, mas um desejo, um sonho. Depois mostre pro seu marido, sua amiga que vai estar contigo, sua doula e, quem sabe, seu médico. E escreva sua própria história, ainda que não exista controle sobre nada, ainda que o que for acontecer, vai acontecer, você vai saber em que direção seguir.

*Foto do parto das meninas feita pela linda Glau Macedo

** Para quem está participando da Troca Moderna de Livros hoje mais tarde devo enviar os emails com os dados da família que você vai fazer a troca. Aguardem!

terça-feira, 9 de abril de 2013

A louca

Desde que eu fui lá e carimbei minha carteirinha no clube chamado maternidade, uma frase tem acompanhado meu nome constantemente: "Tatiana, você é louca!". É como se a Shakira aparecesse de vez em quando por aqui, no seu melhor biquíni dourado, cantando: "loca, loca, loca". Mas qual mãe é, de fato, normal? Se fosse completamente certa e dentro dos padrões (sejam lá quais eles são hoje em dia) algum problema teria. Eu não sigo o caminho comum dentro das dependências do complexo aquático maternal e algumas das minhas decisões como deixar as meninas aprenderem a subir livremente no sofá ou até mesmo o fato de eu não dar açúcar para as duas são consideradas doidas. Ter mais um filho, então... direto para o hospício!

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Não tem como não ficar louca por essas duas!

Eu digo ainda bem que temos a loucura. Cada vez mais vejo que somos todas parecidas tentando acertar desesperadamente e, às vezes, pegando os caminhos menos convencionais. Acho que a maternidade é cheia de altos e baixo e, em alguns momentos, você pode se sentir mal porque não fez a mesma coisa que sua amiga, não conseguiu amamentar, seu filho ainda não anda ou ainda não dorme a noite toda, mas pode ter certeza que do outro lado da parede o sentimento é o mesmo. Estamos todas loucas com a nossa própria razão.

O melhor a fazer nessa doidera toda que é a maternidade é ter convicção das suas escolhas, abraçar a ideia de que ter filho é uma trabalheira sem fim mesmo, insistir no que você acredita, pesquisar, aprender, melhorar e, sim, loucas amigas, ter segurança no caminho que você escolheu.

Acho que um dos grandes problemas das mães modernas é a insegurança, são tantas informações, tanta gente falando no seu ouvido, tantas opiniões, que é preciso saber escutar você. Sem deixar de perceber que é possível voltar atrás e saber quando a gente errou. Eu tenho confiança nas minhas loucuras, mas já mudei de ideia também. Exemplo: o pediatra passou Mucilon para engrossar o leite das meninas e eu obsessiva com aumentar o peso delas, dei. Não sabia da quantidade de açúcar e acho que ingorei também o fato. Até que decidi que não era certo e cortei há alguns meses.

Hoje na sala de espera do pediatra, uma mãe de primeira viagem com uma bebê de pouco mais de um mês falava sobre como a filha não dormia sozinha no berço e chorava por tudo (ou seja, fome, mas ela ainda vai aprender isso). Uma outra mãe dizia feliz que o único filho sempre dormiu no berço e era tranquilo. Eu, por outro lado, disse pra ela ninar muito a filha dela, deixar o quanto ela quisesse e pedisse pelo colo, e depois ela colocaria no berço, eventualmente, que era bom aproveitar essa fase.  "A minha irmã fala isso também", ela disse. Não sei o que ela vai fazer com toda aquela informação, mas espero que ela escute a voz dela e que pense menos em "coisas normais", faça o que o instinto pede, seja um pouco mais louca.

Também estou louca para postar as fotos da nossa viagem ao Rio, mas estou voltando aos poucos à rotina! Aguardem e confiem!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Ser ou não ser, escolher e tantas questões

Nos últimos dias eu tenho pensado muito sobre o universo da maternidade e, de novo, sobre aquela coisa de competição constante que parece existir entre as mães. Por que todo mundo não se dá bem, gente? Mais importante tenho pensado no meu comportamento social neste novo meio que eu convivo. Eu me sinto uma estranha no ninho, uma excluída entre os mais populares do colégio, para falar a verdade, e por isso e por minha culpa também tem sido difícil achar afinidades. Vamos começar: eu tenho duas bebês idênticas (motivo suficiente para não me identificarem como do grupo), eu fico em casa e cuido das meninas, eu não tenho babá ou que lidar com a creche, eu não deixo minhas filhas assistirem televisão (o que inclui um certo pavor de Galinha Pintadinha), eu quero ter um terceiro filho e uma última que eu descobri recentemente, minhas bebês dormem a noite toda, por isso, minha vida é mais fácil.

Eu confesso que tenho ficado incomodada com encontros com mães desconhecidas num shopping ou parquinho, por exemplo, que querem bater um papo casual com outra pessoa que está passando o mesmo que ela. Eu não consigo mais ter aquela vontade de conversar para dividir uma coisa com outra pessoa, eu já vejo aquela mãe como uma inimiga, que não vai ter nada para me acrescentar, que vai pensar de uma forma totalmente diferente da minha. E, claro, o problema não está com os outros, está comigo. Eu me transformei em uma inimiga. Eu julgo o comportamento de outros pais, dou sugestão e conselhos achando que eu sou a pessoa mais certa do mundo, a dona da verdade e isso é muito errado. Pronto, culpada!

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Mas eu não quero mais ser assim. Passei os últimos dias tentando mudar isso e descobri que sim, nem todo mundo vai agir como eu, mas todas querem o mesmo que eu, querem apenas ser felizes ao lado da família. A maternidade é uma questão de escolha, cada uma segue o caminho que achar melhor. Acho que não é uma questão de "o que dá certo pro meu filho, pode não dá certo pro seu", mas uma questão de qual batalha lutar, qual decisão tomar e no que você vai insistir. E no meio disso tudo, de todas essas diferenças, a gente encontra outras pessoas que estão indo na mesma direção. Mas isso também não quer dizer que a gente não pode ser ajudar, se apoiar. Eu me questiono muito também sobre o que eu escrevo no blog, se as minhas experiências "valem" alguma coisa ou não. Se o que eu compartilho aqui vai fazer diferença ou não. E eu também já tenho resposta pra isso: não importa. O que importa são as pessoas que eu acabo conhecendo aqui e que me fazem não sentir tão diferente, tão sozinha. Pronto, coloquei pra fora, desabafei (sim pra isso também serve esse blog) Agora podem todas por favor se mudar pro meu prédio e serem minhas vizinhas, de preferência.

PS: Eu juro que eu queria que esse blog fosse mais inspirador, como tantos outros são pra mim, mais alegre, mais "cool" e sem tantos dilemas. Porém, esta é a vida moderna, no entanto, vou tentar deixar as coisas mais leves, como geralmente são nos dias normais, por aqui.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O terceiro filho

Achei que eu estava grávida neste último mês. Tinha certeza absoluta. Estava me sentindo diferente, umas cólicas e até uma vontade de comer gorgonzola com leite condensado me fez desconfiar. Não contei pra ninguém, não fiz alarde, principalmente para não escutar aquele discurso "você tá louca, outro bebê agora? Você não bate bem da cabeça, Tatiana?" e etc. Só dividi isso com o Marco e a gente ficou esperando pacientemente a minha menstruação vir, e bom, ela veio. Portanto, não estou grávida, ninguém precisa ficar desesperado. Rá. Mas o estranho é que eu queria muito estar.

Portanto, a pergunta que não quer calar é: já pode ficar grávida de novo? Porque eu acho (não contem pra ninguém) que eu quero! Talvez por isso tenha colocado na minha cabeça que estava grávida. Não sei, mas, ultimamente,tenho tido uma vontade absurda de engravidar e acho que isso tem explicação. Talvez seja porque as meninas vão fazer 1 ano e estou me despedindo da fase bebê da vida delas. Talvez porque eu me sinta tão completa sendo mãe que eu quero mais.

IMG_5012-2 Saudade dessa barriga

Esta não é a primeira vez que eu achei que estava grávida de novo. Quando parei de amamentar e ainda sim a menstruação não tinha descido, cheguei a fazer o teste de gravidez de sangue para comprovar e poder começar a tomar pílula. Aí eu comecei a tomar a pílula e achei péssimo, fiquei de mau humor, inchada e o desejo sexual caiu muito (muita informação, mas vamos lá, né, minha gente, isso é um blog, então fiquem sabendo tudo sobre a minha vida). Aí resolvi parar com a pílula de vez e ficar só na camisinha. Mas é aquela coisa de vez em quando a gente "trapaceia", como diria a minha ginecologista. Porém, ficar grávida não está exatamente nos meus planos, por enquanto.

Sei que agora seria uma loucura, que eu teria que contratar ajuda (coisa que eu não quero), que ainda tem tanta coisa para aproveitar das meninas, que a situação financeira também não está boa, mas a vontade existe. O fato é que vai ter terceiro filho (ou quarto, será?). Mas ainda vamos esperar um pouco. Pelo menos até a hora que as meninas não precisem mais de carrinho, é a minha ideia. Só queria deixar claro e permanente aqui no blog o meu desejo, porque muita gente acha que eu sou louca, já quase apanhei de três mulheres na seção infantil da Zara (uma delas mãe de gêmeos com a mesma idade das meninas) quando disse que queria ter mais um, e acho que devem existir outras malucas como eu por aí. E se for pra continuar a ser feliz, posso continuar a ser louca mesmo.

E faltam três dias para o aniversário da Mamá e da Bella. Socorroooo

*foto: Maria Fernanda Seixas

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Oi, Oi, Oi?

Sim, sobrevivemos. Os primeiros dias só nós três em casa foram difíceis, porém bem melhores do que eu pensava! Estou exaustaaaaaa, mas ao mesmo tempo feliz. Sinto que eu fiz as pazes com alguma coisa dentro de mim que nem eu sei direito o que era, e da mesma forma que o cansaço bate, chega também a sensação de realização por ter conseguido fazer tudo o que eu tinha que fazer (ou quase) e ver Maria e Bella dormirem felizes depois de mais um bom dia na pequena vida delas.

Então, vamos lá: mudei a rotina. Saio com elas umas 7h30, hora que o Marco vai pro trabalho. Nos primeiros dois dias, fiz uma boa caminhada e acho que isso contribuiu ainda mais para o cansaço. Hoje já acordei cansada, então fomos só na padaria e no verdureiro. Depois elas chegam em casa e já dormem lá pelas 9h, dou o suco das duas durante o passeio. Acordam umas 10h (se eu tiver sorte!), brincam e meia hora depois almoço. Hoje estava tão cansada que não teve passeio. E também estava tensa com o nascimento do meu sobrinho. Bento chegou hoje, lindo e perfeito! Então, adeus rotina.

O meu grande desafio é dar comida para as duas ao mesmo tempo. A Maria, a.k.a dona gulosa, chora assim que eu coloco a colher na boca da Isabella e não da dela. Então, desenvolvi o sistema de guerrilha plus master. A mão não para nem um segundo. Colher pra uma, colher pra outra, colher pra uma, colher pra outra, sem parar. Até na hora da sobremesa, se não for rápido, elas reclamam. Primeiro dia foi caos, segundo dia foi melhor, ontem foi caos de novo. Acho que é questão de costume. Depois é banho. Coloca as duas juntas na banheira e ligo chuveiro. Digo que é chuva, elas adoram. Quando vou tirar uma, chamo a faxineira para olhar a outra. Quando eu ficar, só mesmo, então, devo dar banho em uma de cada vez. Depois brincar e soneca. No primeiro dia durou duas horas, segundo dia uma hora meia, ontem 40 minutos. Hoje? Nada. Oi, Oi, Oi? Elas acabaram de apagar agora às 16h.

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Depois do caos e já de barriga cheia


Sem título Isabella

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Sem título Desenvolvendo a técnica: como dar mamadeira para duas ao mesmo tempo

Elas estão serelepes nível máximo. Engatinham para todo lado e eu tenho que ir atrás. Querem levantar a qualquer custo, mas não conseguem e aí choram. Eu tento deixar as duas soltas na casa "quase" protegida contra acidentes (temos todos os acessórios, mas nem tudo é 100% seguro, né?), elas caem sim, choram às vezes, outras nem ligam, mas vou deixando as duas descobrirem o mundo.

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Conversando e rezando

Estamos indo bem. Estou mesmo muitooooo cansada, cheia de dores nas costas, chega seis da tarde tudo o que eu quero é dormir, mas acho que é uma questão de entrar no ritmo. Em breve, vou conseguir costurar mais, responder todos os e-mails ou apenas navegar pela internet. Tudo se adapta. E cada dia mais, eu tenho certeza que ter largado tudo, que não é fácil, para ficar com as duas foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Sei que é o mundo moderno para as mães é muito complicado, e entendo quem não pode parar de trabalhar, deixar os desejos pessoais de lado, mas retroceder também é possível. Nunca vivi tanto, me senti tão eu, tão nós, deixando de ser eu. Felicidade aqui tem.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Quando é a hora certa de ter filhos?

Não sei se a pergunta tem uma resposta. Para muitas amigas foi sem avisar. Na verdade, acho que eu não conheço ninguém que programou (ou admitiu que fez), com exceção da minha mãe. Então, pra mim, é quase estranho planejar.

Sei que quero, fui no médico, tudo ok. Não queremos esperar muito tempo e não bate o desespero quando a gente cuida de um sobrinho ou vê um bebê por aí. Pelo contrário.

Sim, sabemos que nada mais de noite de vinho em plena terça-feira, liberdade para sair por aí quando bem entender, pelos próximos dois anos pelo menos. Mas, assim como acontece com todos os jogadores de video-game do mundo, queremos pular de fase.


De vez em quando ainda bate uma dúvida ou outra. Vamos ter dinheiro pra isso? E se der errado? Mas minha sogra tem uma frase ótima, muito boa para quem ainda está em cima do muro. "Quem tem filho não é um ser responsável", diz dona Tereza. Então é isso, pule bem alto! E, ao que tudo indica, um colchão de ar cheio de surpresas e amor vai estar lá embaixo esperando você. Pelo menos, eu espero que sim.

Take me to the next level, please.