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segunda-feira, 17 de março de 2014

Relato de parto do Francisco

Foram 38 semanas de preparação para um parto em casa. Na verdade, muito antes do bebê número 3 existir, a gente começou a pesquisar sobre o assunto e marcou um encontro com uma parteira para tirar dúvidas e ter certeza da nossa decisão. Dois meses depois, veio o exame de positivo. Pois bem, estávamos grávidos e decididos.

Durante toda a gravidez eu fiz o acompanhamento com o médico obstetra (primeiro um do plano de saúde, e depois um humanizado) e com a parteira. Amava minhas consultas com ela, afinal, não falávamos só do meu estado geral de saúde, mas trabalhávamos medos, relações, entrega e tudo mais que poderia influenciar meu parto. Foi mesmo um processo transformador durante toda a gravidez. E o trabalho de parto, ah, esse me marcou profundamente e confesso que até hoje estou tentando entender tudo o que aconteceu e me sinto grata pelo Francisco e por ele ter me ensinado tanto.

Quando eu fiz 37 semanas a ansiedade chegou. Como eu estava tendo contrações de treinamento há meses, pensei: "esse bebê não vai demorar pra chegar". A cada dia eu pensava: "será que é hoje?". Bem. trabalhei essa ansiedade com a parteira, fui fazer acupuntura e veio uma certa calma. Não existia controle, o jeito era esperar.

Dia 25 de fevereiro, terça-feira

No dia anterior, vieram os pródomos. Contrações de 10 em 10 minutos a tarde toda, mas depois de umas três horas, passou. Amanheceu o dia, e umas seis e pouco da manhã, levanto para fazer xixi e penso: "nossa, dormi tão bem essa noite, zero contração. É, hoje é que não vai ser". Na noite anterior, antes de dormir, rezei um pouco e pedi pra Deus me mandar um sinal de que estava chegando a hora. Meu maior medo era não perceber que o bebê estava chegando, não aproveitar o trabalho de parto. Rá, rá, rá, Tatiana.
 
Uma hora depois, sete e meia da manhã, acordo com um líquido escorrendo entre as pernas. "Marco, acorda! Minha bolsa estorou!". "Tem certeza?". "Tenho", disse, já levantando e vendo o líquido escorrer pelo chão. "Liga pra Paloma, então". Fui pro banheiro com o celular na mão, sentei na privada para deixar o resto do líquido escorrer e liguei pra parteira. Sabia que aquilo não queria dizer nada, bolsa rota não quer dizer que o bebê fosse chegar sequer naquele dia. Mas eu fiquei empolgada e feliz. Muito feliz porque estava perto de conhecer meu bebê.

Avisei quem tinha que avisar, meus pais, a fotógrafa e uma amiga que poderia vir ficar com as meninas, caso fosse preciso. Fui fazendo as coisas do dia, separando o material do parto e resolvi fazer uma malinha pro bebê, mas não a minha porque eu tinha certeza que não seria necessário. Meus pais chegaram e entraram no modo "arrumação" aqui em casa. E eu ia andando e o líquido descendo, toda hora alguém vinha com um pano para limpar o chão. E nada de contração. Depois do almoço, a minha parteira veio fazer um exame e viu que eu estava com 1 cm de dilatação e me disse uma coisa que ficou na minha cabeça depois que eu contei pra ela a história do sinal que eu tinha pedido: "eu queria entender uma coisa, por quê a pressa?". Eu fiquei brava com ela naquela hora, poxa, como assim, por quê a pressa? Eu quero conhecer meu bebê, oras, não posso querer que ele ou ela venham? O fato é que estava acontecendo.

Ela sugeriu que eu fizesse mais uma sessão de acupuntura para ajudar acelerar o processo, não queria muito fazer porque queria que fosse uma coisa mais natural, mas no fim decidi que não custava nada tentar. E conversamos sobre a coisa do risco de infecção que a bolsa rota traz, alguns médicos esperam apenas 12 horas, já vi gente esperar 10 dias, eu e o Marco estávamos decididos a esperar 48 horas. Saí para caminhar com ele pra ver se ajudava, fomos até a igrejinha que fica aqui perto de casa e rezei por mim, pelas meninas, pelo bebê. Queria abraçar aquilo tudo o que estava acontecendo, todas as mudanças que estavam por vir e queria que meu bebê chegasse bem ao mundo.

No fim da tarde: sessão de acupuntura. Saí de lá já com contrações, mas nada ritmado. Cheguei em casa, demos jantar pras meninas, meus pais e meu irmão estavam aqui, mas tudo o que eu queria era ficar um pouco quieta e sozinha. Eles foram embora, as meninas dormiram e eu e o Marco resolvemos deitar umas dez da noite porque não sabíamos o que poderia acontecer e poderíamos precisar do descanso. Meia-noite e meia senti uma contração bem forte, tão forte que não consegui reagir. Não sei se porque eu estava dormindo ou deitada, mas doeu muito. Esperei virem as próximas pra começar a marcar e elas estavam bem ritmadas e doloridas. Liguei pra parteira e pra fotógrafa e pedi pras duas virem porque tinha chegado a hora.



Elas chegaram e eu parei de marcar as contrações. Elas vinham, eu sentia, e pronto. A noite foi virando madrugada enquanto eles montavam a piscina na sala, eu respirava e fazia minhas caras feias quando as contrações vinham, e as meninas dormiam no quarto. Vomitei algumas vezes também.



Quando começou a amanhecer, fizemos um toque: 4 cm de dilatação. A  Paloma sugeriu que eu tomasse um banho com o Marco para relaxar e pensar no que estava tardando o processo. E isso só desacelerou minhas contrações, que começaram a ficar irregulares de novo. Eu comecei a ficar ansiosa e frustrada, por que o trabalho de parto não avançava?




Dia 26 de fevereiro, quarta-feira

Amanheceu e eu liguei pros meus pais e pedi que eles buscassem as meninas. A ideia é que elas participassem do parto, mas na hora achei melhor elas ficarem brincando com os avós, não ia conseguir me concentrar com elas aqui.



A ordem dos acontecimentos fica um pouco embaçada na minha cabeça agora. Em algum momento, comecei a conversar com a Paloma sobre a perda do controle, desliguei o celular para não deixar a ansiedade da família inteira (que já sabia que eu estava em TP). saí para caminhar mais uma vez com o Marco, escutei música, fiz um relaxamento com ajuda da parteira e comecei a chamar pelo bebê.



Mais um toque 6/7 cm. Ufa. Finalmente, pude entrar na piscina. Assim que eu entrei, me bateu uma onda de alívio. Até que eu mesma percebi: para onde foram as contrações. Quinze minutos sem nada!


Então, bora sair da piscina. Na hora que eu ia levantar veio uma contração bem forte e eu senti o bebê descendo. Mas tudo tinha desacelerado de novo. Nãoooooooo! Almocei um sanduíche, cochilei um pouco. Nós quatro, eu, Marco, Paloma e a Ana, a fotógrafa, começamos a ficar cansados e de tempo em tempo alguém dormia uns dez minutos. E até aquele cansaço todo de todo mundo me incomodava também.



Fomos caminhar no corredor de novo e em algum momento, falei com a Paloma: vamos tentar fazer a meditação de novo? E lá fomos nós. Fiquei respirando e chamando o bebê em cima da banqueta de parto. Chorei e disse que não ia desistir, pensei no bebê, foquei mais uma vez na respiração e a coisa engrenou de novo.



No meio da tarde, as contrações começaram a ficar mais doloridas e eu sentia que o bebê estava descendo. Tava indo! Dei uma animada comecei a testar outras posições, vi que em pé as contrações viam melhor e fui sentindo a dor. E doía! E se eu me retraía, a Paloma falava: deixa vir. E eu comecei a deixar.Também comecei a soltar o grito, não tinha mais como conter, na verdade, eu precisa dele. A Paloma colocou um recado na porta pros vizinhos não se assustarem.



A noite foi chegando e as meninas saíram para comer alguma coisa aqui perto de casa, ficámos só eu e o Marco. Cochilamos um pouco, as contrações pararam um pouco quando eu sentava ou relaxava, depois conversamos, nem me lembro o quê, e começamos a ficar em pé pra ver se as contrações vinham. E elas vieram de novo com força, bem perto uma da outra. A parteira e a fotógrafa trouxeram comida japonesa pra gente, consegui comer um pouco e sentei na bola pra sentir as contrações. A parteira foi descansar e ficamos só nós na sala mais uma vez. A Ana tava quase dormindo também e eu ficava "vamos, gente, ânimo! vamos ter esse bebê, não desanima não". Andei, fiquei em pé, senti as dores. Fui percebendo a madrugada chegando e era como se o meu ânimo estivesse indo embora também.
Dia 27 de fevereiro, quinta-feira
Resolvemos ir pro meu quarto. A fotógrafa ficou descansando na sala, o Marco deitou na nossa bola e eu fiquei apoiada na bola com a Paloma nas minhas costas fazendo massagem. E ela dizia: "tenta relaxar, descansar". E eu: "não, eu quero ter esse bebê. Por que ele não tá vindo?". Comecei a me desconectar de novo, não sabia mais o que pensar. Ah, como eu queria ver aquele bebê! E foi aí que eu falei alto pra parteira o que eu não queria admitir: "Paloma, eu não tô conseguindo visualizar ele chegando, não consigo imaginar o expulsivo ou a gente nos hospital, não consigo ver ele nascendo!" A minha sensação é que aqueles momentos de dor e de tentar vencer alguma coisa que eu sequer sabia o que era não ia terminar nunca. Eu estava cansada, todos estavam cansados e naquele momento eu senti que estava tudo desaparecendo da minha frente.

Foi quando a temida conversa, por todo mundo que deseja e quer um parto humanizado em casa, aconteceu. Era hora de ir para o hospital. A minha primeira reação foi, obviamente, dizer não. "Não quero fazer outra cesárea, por que ele não nasce? Eu tô chamando, eu quero que ele venha, eu tô pronta". Conversamos eu, ela e o Marco e no meio de tudo aquilo, eu sabia que não ia ter volta. Pedi pra Paloma fazer mais um exame de toque e os 6/7cm ainda estavam intactos. Isso, é claro, me desanimou horrores e me fez admitir que era hora.

Demoramos um tempo para arrumar as coisas, ligar pro médico e lá fomos nós pro hospital umas 2h e meia da manhã. Foi um longo caminho e as contrações no carro estavam fortes, aproveitei e gritei horrores. Chegamos lá não tinha quarto, ainda tentei conversar com o médico sobre tentar induzir e essa parte ainda ficou meio confusa pra mim, até que eu mesma admiti meu cansaço e falei: tudo bem, vamos lá ter o bebê.



Fizemos todos os procedimentos, anestesia foi horrível e foi tudo tão rápido que quando eu percebi o médico já estava perguntando se ele poderia falar qual era o sexo do bebê ou eu queria descobrir sozinha (quando o pediatra trouxesse pra mim). Eu já tinha combinado com a Paloma que queria que ela falasse assim que ele ou ela nascesse. E foi ela mesmo quem disse primeiro, bem baixinho, enquanto fazia carinho na minha cabeça. "É um menino". Era o Francisco. E essa foi uma das maiores emoções da minha vida. Olhei pro Marco e ele chorava muito, feliz. Nos nossos olhos cansados estava a felicidade pura. Um menino.



Ainda que o parto não tenha sido do jeito que eu queria ou imaginava, aquele era o nascimento do meu filho. Foram nove meses de preparo, cuidado e transformação não somente para parir, mas para recebê-lo nos nossos braços. Para sermos cinco. Não sinto que eu fracassei em relação ao parto, é claro que fiquei triste por não ter parido em casa do jeito que eu tinha sonhado, mas eu tentei. Tentei com todas as minhas forças, tentei muito e não me arrependo. Tentei e mudei, aprendi tanto nessa jornada do parto humanizado, conheci pessoas maravilhosas, enxerguei o outro lado, me senti cheia de vida como grávida e como mãe, tive segurança nas minhas decisões. O mais importante é e sempre foi o Francisco. A gente não se torna mãe apenas quando dá a luz, ser mãe é um processo e é preciso entender isso. O parto é apenas a porta de entrada para um longo, desafiador e pleno caminho. E como estou feliz de fazer isso de novo e para sempre, com Maria, Bella e Francisco.

Preciso ser piegas e escrever mais um pouco:
Não tenho palavras para agradecer o apoio e o carinho da minha parteira, a Paloma, não apenas pelo suporte no dia do parto, mas por ter me ensinado tanto e mostrado diferentes direções durante esses quase nove meses de gestação e que ainda faz parte das nossas vidas. Foi muito bom ter você ao meu lado nesse caminho.

Também ficaremos eternamente agradecidos à Ana Paula por ter tido tanta paciência e por ter ido muito além das fotos no dia do parto, ela fez parte do processo todo e me deu apoio em vários momentos. Tão lindo ver alguém que trabalha com amor.

Obrigada aos meus pais por entenderem minha decisão de tentar um parto em casa e me apoiarem hoje e sempre, e me mostrar o que é o amor incondicional. Sem eles nada disso teria sentido.

Para o Marco, meu agradecimento todos os dias por fazer parte da minha vida, por eu ter tido a sorte de encontrar o amor da minha vida. Por ser meu parceiro e ter mudado junto comigo enquanto esperávamos Francisco. Obrigada por ter me dado a oportunidade de viver meu sonho, de ter uma família do jeito que eu queria, essa é nossa maior realização. 



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Parto meu - Relato de parto da Clara - VBAC

relato parto

Quem conhece o blog sabe que não só estou grávida novamente, como também estou procurando um VBAC ( do inglês, Vaginal Birth After Cesarean), ou seja, um parto normal depois de uma cesariana. Descobri até que um parto normal depois de um cirúrgico tem menos risco para mãe e bebê do que uma cesárea repetida (leia mais aqui). Tenho estudado, lido muito, conversado com outras pessoas que passaram pelo mesmo processo e, feito uma coisa que acho que faz toda a diferença: procurado suporte dos profissionais certos.

Desde que comecei a série "Parto Meu", que tem justamente a ideia de incentivar outras mulheres e mostrar relatos diferentes de parto, tinha procurado uma pessoa para contar uma história de VBAC e lembrei da Aninha Masi do Look Bebê, já que acompanhei o final da gravidez dela pelo instagram e lembro bem do dia que a Clara nasceu. Ela também é mãe da fofa da Bruna, teve uma cesárea, pensou em fazer diferente da segunda vez, mas não se aprofundou muito no assunto. No entanto, escolheu o profissional certo e deixou as coisas fluírem. Aí vai a história dela:  

A primeira vez que soube que um parto normal após cesárea era possível foi assistindo ao trailer do filme o Renascimento do Parto, e logo vi alguns relatos de parto da Anne Rammi, Pri Perlatti e Lia Savaris. Me interessei e procurei um médico a favor do PN, mesmo não acreditando muito que eu teria um. Durante a gravidez fui me convencendo a ter um Parto Normal por influência do médico e cada vez mais essa vontade aumentando. Assisti a videos de parto, li alguns relatos, mas mesmo assim hoje eu sei que não me empoderei o suficiente. Meu VBAC aconteceu porque era pra acontecer, mas foi rápido e sem muito apoio. Me senti despreparada e só acreditei que estava de fato em trabalho de parto quando cheguei na maternidade pela segunda vez no dia com 7cm de dilatação. Também não me preparei para o pós-parto e fiquei um pouco incomodada com os pontos da episio. Normal, né?! Se eu fosse ter outro parto, com certeza seria outro vaginal, mas curtindo cada dorzinha, cada segundo, e escolhendo como seria, sem ter que ser submetida a procedimentos padrões. Fico muito feliz de poder passar essa experiência adiante e encorajar outras pessoas a tentarem o parto vaginal.

Durante a madrugada, lá pelas cinco da manhã, acordei com dor lombar e um pouco de cólica, que pareciam gases. Comi, rolei na cama, comi de novo e umas duas horas depois, finalmente, dormi. Acordei novamente por volta das nove da manhã e o desconforto na lombar continuava. Confesso que nessas duas horas acordada de madrugada eu comecei a pesquisar sobre o trabalho de parto, e se havia relação com a dor lombar que eu estava tendo, mas como não sentia mudança nas contrações, achei que não devia ser “nada”. Tomei um banho e desci (no prédio mesmo) pra fazer a drenagem às 10h. Tive algumas contrações durante, mas nada que me incomodasse… Voltei pra casa e fiquei no sofá com a Bru. Mandei mensagem pro médico, que pediu que eu tomasse buscopan simples, e caso não passasse a sensação de cólica, era pra ir pro hospital. Como eu não tinha o remédio em casa, achei que podia esperar a hora da escolinha e assim sair uma vez só.

Na hora do almoço senti algumas contrações, mas não marquei o tempo entre elas, apesar de ver que estavam próximas. Troquei a Bru pra escola por volta das 13h, arrumei a mochila e fui levá-la. Comecei a perceber as contrações bem frequentes enquanto levava a Bru na escola, mas calma, fica na esquina de casa! É só atravessar a rua! Bom, chegando lá entrei, mas como eu não sabia ainda onde era a salinha dela (não estava definido ainda) fiquei no parquinho no meio esperando aparecer uma bendita alma que me encaminhasse. Pedi pra uma menina, que sumiu. E eu sentindo algumas contrações.

Depois uma outra “tia” apareceu e eu falei com ela, toda nervosa e comecei a chorar. Falei que não sabia onde era pra deixar ela, que eu estava com contração e não aparecia ninguém pra me ajudar. Ela veio na hora, pegou a Bru e fomos em direção a sala. A Bru não gostou muito e pulou no meu pescoço. Agarrou com força e começou a chorar. Não queria me deixar de jeito nenhum, queria voltar pro parquinho, mas a tia da sala dela pegou, e disse que era pra eu ir daquele jeito mesmo, senão ela não pararia. Conclusão: saí chorando litros, e querendo sentar pra marcar as contrações.

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Barriga no dia do parto

O Bre (marido) ainda não sabia que estavam freqüentes assim. Sentei na salinha de espera na porta da escola, tomei uns cinco copos d’água… chegou depois das 14h, passamos em casa pra ele pegar meu RG e fomos pra maternidade. Tomei o buscopan no carro, umas 14:40h. Lei de Murphy, preocupada em marcar as contrações não falei pro marido o caminho certo do hospital, e erramos. Hahaha Pense no arrependimento d e ter tomado tanta água! A cada contração, pressionava minha bexiga que parecia que ia explodir. Ele me perguntou umas duas vezes se eu não queria fazer xixi na rua!

Na maternidade fui direto pro banheiro… Ufa que alivio. Já passava das 15h. Em seguida, subimos para o andar do centro obstétrico. Cardiotoco: 3 a 4 contrações em 10 minutos! A enfermeira também fez o toque e ligou para o médico. Disse que eu estava em pródromos, com 3, quase 4 contrações em 10 minutos, mas sem dilatação. Apesar do colo fechado, tinha uma polpa. Ele perguntou se eu queria esperar, e com a minha resposta afirmativa, ele receitou inibina de 8/8h e repouso. Cama mesmo. Saímos de lá umas 16:30, comprei a inibina e tomei 17h. Marido pegou a Bru na escolar e viemos pra casa…. Acho que o efeito do buscopan já está acabando pois as contrações continuam doloridas. (Ele estava viajando e eu queria esperar que ele voltasse de viagem no dia 14.) Como ainda não havia dilatação achei que realmente o remédio fosse resolver.

Chegando em casa fui ao banheiro com dor de barriga. Ao limpar vi que tinha sangrado “o colo”. Como a enfermeira já tinha avisado não dei muita importância. Fui muito inocente nessa hora, pois no vaso tb tinha uma “melequinha” com sangue e acho que era o meu tampão!(Conversando com o meu marido no dia seguinte ao parto, chegamos a conclusão que o toque da enfermeira deu uma adiantada no processo.) Tomei a inibina as 17h, mas as contrações não paravam. Lemos na bula que demorava uma hora pra fazer efeito… Passou uma hora, uma hora e meia e nada delas acabarem. Nessa hora eu já estava novamente registrando as contrações em um aplicativo chamado Baby Bump Pro. Eu achava ainda que estavam piores pelo fato de ter passado o efeito do buscopan que tomei duas da tarde, mas na verdade as contrações estavam aumentando (e eu me iludindo).

Quando deu 19h, dei um ‘print’ do app de contrações e mandei pro médico. Perguntei se ele gostaria de me passar o telefone de uma das medicas que ele deixou aqui de sobreaviso, e quanto tempo demorava para a inibina fazer efeito, pois as contrações estavam mais fortes. Senti mais um pouco de dor de barriga. Entrei no banho para tentar relaxar um pouco, sentei e deixei a água quente correr nas costas. Não enchi a banheira pra não adiantar ainda mais o processo. Minha sogra chegou em casa e depois que me viu achou q a barriga tinha descido. Durante o banho vieram umas 3 contrações mais fortes e vendo minhas pausas na conversa e a cara de dor, ela disse: “Ihhh, minha filha, não sei não!!! Acho melhor voltar pro hospital". Às 20h o medico respondeu a mensagem: “Por favor, o tel dela é xxxx-xxxx. Mas volte para o Einstein!!!” Penseeeee… Gritei o marido e disse que o medico havia mandado voltar pro hospital. Começamos a juntar as coisas e acreditem, fechar as malas! Ainda não estavam prontas.

Entre uma contração e outra me vestia, separava as coisas, e o marido correndo de um lado pro outro pegando as coisas. Fui fazer a mala da Clara e tinha até que sentar quando vinham as contrações. Enquanto isso minha sogra fazia a mala da Bru, pois achamos que eu podia ficar internada e ela precisar ir dormir na minha sogra. Depois de fecharmos tudo, saímos novamente rumo à maternidade. As lembrancinhas? Ficaram pra trás. Ninguém tinha cabeça pra lembrar desses detalhes! Hehehe Do carro, ligamos para a médica que pediu que assim que chegássemos e eu fosse examinada, que fizesse o toque e ligasse pra ela avisando. O meu médico já tinha ligado pra ela! A cada contração no carro eu me esticava… “enfiava” o pé no assoalho como se enfiasse o pé no freio, sabe??! E segurava forte o puxador que tem na lateral em cima da cabeça (não lembro o nome!).

Chegando no hospital, me ofereceram a cadeira de rodas, mas preferi ir andando. Em caso de contração, fazia aquela pausa básica e esperava passar. Dei entrada novamente no “pré-parto” e a técnica de enfermagem mediu a pressão, temperatura e tal. Disse que ia chamar a enfermeira. Tic tac tic tac… E nada dela chegar. Dor de barriga, volto eu pro banheiro. Depois deito novamente na maca. Vinha a contração, e eu ia pro banheiro. Dor de barriga chata! Achei que o problema era mesmo dor de barriga. Na hora que vinha a contração, dava aquela cólica de matar, dor de barriga, e passava. Cada vez que vinha eu falava pro Bre: “PQP, cadê essa enfermeira q não vem?! Tá doendoooo, p****! Que falta de consideração!”.

Quando a enfermeira chegou eu estava no banheiro, de novo. Marido disse que eu achava que era dor de barriga. Quando sai do banheiro, mais uma contração e parei na porta. Ela olhou e disse: “isso está com cara de contração, não de dor de barriga!”. Bom, deitei pra ela examinar e colocar o cardiotoco. Diferente do que fiz à tarde (que eu sentia a contração e acompanhava tudo na tela) já não conseguia concentrar em nada além da dor na hora da contração. Enquanto ela colocava as fitas, mais contração. Ela me perguntou se podia fazer o exame de toque enquanto o aparelho registrava as contrações, pra ir adiantando… Disse que sim. Quando ela começou, ela olhou pra gente e disse: “Um, Dois, Três, Quatro… (Começou a abrir os dedos….) SETE!!!! Sete cm de dilatação!!! Acho que ela vai nascer hoje!!!”

Eu não acreditava!!! Eu e o Bre nos olhamos com um sorriso trêmulo no rosto! Um misto de felicidade dela estar quase chegando e um baita susto!!! Ela pediu o telefone da médica e correu pro telefone. A médica disse que ia correndo pra lá. A enfermeira começou a preencher a papelada da internação e na hora das contrações eu pedia pro Bre responder naquele tom super carinhoso: “Uaiii Baby, respondeeeee aí!!!” Hahahaha ou talvez tenha saído um “puta merda” em algum momento. Kkkkkkk A enfermeira saiu da sala para preparar a papelada na recepção e me transferir pra sala de pré-parto 2. Nisso, minha sogra estava com a Bru do lado de fora e escutou: “Prepara a internação dela, ela esta com 7cm e deve nascer logo!!!” Tadinhaaaaa. Minha sogra não sabia se estavam mesmo falando de mim, mas até então não tinha entrado outra grávida ali. Ela ficou em choque! Ligou pra vovó, mãe dela, e contou que achava q ia nascer! Ligou pros meus cunhados também pra correrem pra lá. E ela não podia sair dali porque estava com a Bru.

Fui pra sala de pré-parto 2, colocaram o acesso. Algumas contrações mais tarde, ainda mais fortes, eu desejava que o anestesista chegasse o quanto antes. E nada!!! Aí comecei a sentir um “quentinho” durante a contração. Falei pro Bre chamar a enfermeira e avisei que sentia um liquidozinho saindo durante a contração.Ela pediu pra fazer outro toque, e claro, permiti. Abre dedo, abre dedo e escuto: “Dilatação Total!! Dilatação total, mas a bolsa está integra e bem fina. Não vou mexer pra esperar sua medica. Vou te passar pra sala de parto. Marido, vai se trocar!!”. Lá foi ele se trocar em outro andar! Cada contração mais forte que vinha eu pensava: “Será que ele volta a tempo??! Ufa, ele voltou. Hehe e nada da médica.

Contração vinha e a dor aumentava. Eu perguntava pro Bre onde estava a m**** do anestesista. Até aí já tinham ligado umas três vezes pra medica, coitada. Eu só queria um remédio pra dor, só isso! Mas como a analgesia é feita pelo anestesista, a enfermeira disse que eu tinha q esperar eles chegarem. Ok, não tinha jeito. Não faço idéia de quanto tempo tinha de intervalo entre as contrações, mas não era muito. A dor intensa durava cerca de 1 minuto ou 1 minuto e meio, e logo depois vinha outra. Tinha uma médica “perambulando” o centro obstétrico esperando uma sala, como eu estava sem medica, ela resolveu sentar com o livrinho dela na minha sala, caso precisassem dela. Ufa!!!

Cinco minutos depois chegou outra médica, a plantonista do hospital, e dispensou a primeira. Pedi o anestesista plantonista também, mas nada dele. Dez e meia, no meio de uma contração, minha bolsa se rompeu. Escutei o ploft, senti o líquido saindo e avisei a enfermeira. Ela pegou as perneiras da maca pra me posicionar para o parto. Cada contração dessa me dava vontade de fazer o número dois. Eu já sabia que acontecia isso e achava nojento, mas na hora essa é a ultima preocupação que temos. Quando vinha a contração, eu já avisava. E a medica e enfermeiras fofas falavam, “Não se preocupa, a gente limpa”. Recolhiam na hora, lixo e pronto.

A sala de parto parecia um estádio de futebol. Cada hora aparecia um! Eu era a “gravida que chegou com 7cm de dilatação” ou “gravida que chegou com 7cm de dilatação, está com dilatação total e a médica ainda não chegou!”. Enfermeira entrando e saindo, a troca das medicas, e de repente eu vejo do lado de fora…. a equipe de filmagem! Anestesista, nada! Médica, nada. Hahaha eu já tinha certeza q ia fazer o parto com a médica plantonista q estava lá do meu lado. Dilatação total, bolsa rompida, bebê coroando. Veio mais uma contração e eu falei: ” ta empurrando!!!!!” Como se não bastasse a dor, o pro-pé do lado esquerdo estava saindo e ficava no meio do pé! E aquilo me irritandoo!!! hahaha pedi com a gentileza de um elefante: “ou tiram esse negocio do meu pé ou colocam direito.” Estava escapando do pé e coçando, affff. Kkkkk tiraram!

Marido sai da sala de parto e vejo lá fora o anestesista plantonista… Pensei: ufaaaa! Ele chegou!! Descobri DOIS dias depois que o marido achou ele muito novinho e não deixou ele entrar naquela hora!!!!!!!!!!!!!!!!! Pensem se a minha vontade era de esganar ele ou não.Hahaha E ele perguntou pro medico quando ele havia se formado!!! Que vergonha!!!

Ligaram pra médica e ela estava estacionando o carro. Mais uma contração e senti empurrar muito forte! Quem chega??!! A linda da Dra Clarissa e o marido, que era o segundo obstetra. Troca mais uma vez os médicos da sala. Eu ja estava posicionada, Clarinha coroando e ela perguntou se eu queria anestesia. Perguntou: “Vamos dar?!! Melhor né?!” E eu disse: “Sim, se der tempo, vamos! Mas não sei se dá”. E ela: há então ok! Vamos anestesiar ela…. E eu disse: aiiiiiii, ta vindo outraaaaaa!!!

Depois que a bolsa rompeu era impossível não fazer força junto com a contração. É quase involuntário. Conforme o bebe empurra, você também quer empurrar e forçar pra ele sair. Passada a contração, a medica perguntou de novo: vamos dar anestesia? Então, tá! Posiciona ela, gente. Vamos lá. E veio outra, e a Clarinha estava quase lá! Não dava tempo! O Breno estava atrás de mim e via a cabecinha coroando!!! E ele disse: “Não, vai assim mesmo!!!” Hahahah “Olha lá está saindo!!!!”. A médica disse: “É, não vai dar tempo mesmo. Vou fazer um cortezinho pra ajudar aqui, tá?! Ana, vai ser na próxima hein!!” No meio da contração ela deu uma anestesia local de xilocaína pra fazer a episiotomia e em seguida, o corte. Eu olhava pro lado e o mocinho da foto (ou era o do vídeo?) estava olhando com uma cara de pânico pra mim com contração. Kkkkkk

Na hora que veio a contração, veio junto a imensa vontade de empurrar. Eu falava que ia sair, o Bre falava que estava saindo, e a medica falou pra eu continuar fazendo a força. A Clarinha estava com o rosto de lado e não conseguia sair. A médica virou a cabecinha dela pra baixo e mais uma força, saiu a cabeça. Dali a poucos segundos mais uma força e senti saindo os ombros e corpo! Claro que na hora dói, mas não é uma dor aguda como algumas contrações parecidas com cólica, é uma vontade de expulsar mesmo, uma pressão muito grande.

IMG_0024

E ela saiu, linda a cabeluda, às 22:41h. Isso mesmo. Menos de 5 minutos depois que a medica chegou, 11 minutos depois de romper a bolsa, e menos de 1h depois de ser examinada com 7cm de dilatação. Eu saí do parto contando pra minha sogra, cunhados, mãe, que depois que a médica chegou a Clarinha nasceu em mais três contrações.


Logo que nasceu, a medica a colocou no meu colo, ainda sujinha! A coisa mais linda e gostosa. 

Ficou um pouquinho e foi pro bercinho aquecido dentro da sala de parto para ser limpada e avaliada. Recebeu notas 9 e 10 no Teste de Apgar.


IMG_0026 Primeiro encontro da Bru com a Clara

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Parto meu - Relato de parto domiciliar da Lena

relato parto

Acho que parto precisa ser planejado, sonhado, querido, imaginado, pensado, alongado e feito. E é exatamente isso que eu estou tentando fazer dessa vez. Acho que quando a gente é mãe de primeira viagem, muitas vezes damos a mesma importância pro nascimento do que para o enxoval, por exemplo, e acho que está na hora das mulheres modernas saberem quais são suas escolhas, o que é melhor pra elas e pro bebê, e que existem profissionais que vão te levar a isso, bem poucos, mas, ainda bem, eles existem. Portanto, se você quer ter um parto humanizado no Brasil, precisa primeiro fazer uma poupança para arcar com os custos de realizar seu desejo (assim como você juntou dinheiro para montar uma casa, uma festa de casamento e/ou a festa do seu filho de 1 ano), depois precisa escolher profissionais humanizados, que não são apenas médicos, mas cuidadores e que não tratam a gravidez como doença, mas um processo fisiológico.

A maternidade pegou a Bebel Hamu de surpresa, mas nem por isso ela deixou que as coisas acontecessem da mesma forma. Depois de visitar diversos médicos, não encontrar nenhum obstetra que fizesse parto normal pelo plano de saúde, ela finalmente encontrou uma obstetra humanizada. No final da gravidez, depois de muita pesquisa, eles se decidiram pelo parto domiciliar. Para continuar a nossa série sobre relatos de partos normais, das mais diversas formas, um relato verdadeiro de uma mulher moderna que tinha um sonho de parto e conseguiu realizá-lo da melhor forma possível, sem medo, com apoio e seu bebê nos braços. Lena nasceu no dia 17/06/2013

Parto Lena 046

Sempre sonhei em ter um parto normal e natural. Minha definição do trabalho de parto ideal seria “um dia na minha vida”. Claro que eu tinha plena consciência que seria o dia mais incrível e emocionante, mas ao mesmo tempo eu queria que fosse um dia normal, sem estresse, sem medos.

Minha gravidez não foi planejada. Eu estava trabalhando muito, iniciando um novo negócio e até tinha acabado de marcar o casamento com meu marido, mesmo morando juntos há 4 anos. Só descobri que estava grávida com 8 1/2 semanas, e no dia seguinte já estava na emergência do hospital com um sangramento. Eu tive um hematoma que demorou 6 semanas, vários respousos e uns hormônios para sarar. Passado isso, não tive mais nada grave e a gravidez seguiu normalmente.

Eu já estava com 14 semanas quando fui procurar uma médica para fazer meu pré-natal. No meu plano de saúde só encontrei médicas com as quais eu não me identifiquei, muito acostumadas a fazer cesárea e com uma conversa meio ensaiada. Consegui fazer todos os exames nas datas corretas mas não segui com nenhuma das 4 médicas que visitei. Conheci a Dra. Rachel Reis por indicação de uma cliente e logo nos apaixonamos por ela e por sua forma de trabalhar. Super atenciosa, acredita que o mais natural é o parto normal, é honesta com o seus princípios, respeita a gestante e o bebê não fazendo nenhum intervenção desnecessária.

Estava decidido que o parto seria com ela, mas só na segunda e última consulta que meu marido se decidiu também pelo parto domiciliar. Eu já estava com 35 semanas! Ela indicou uma doula e uma enfermeira que fariam parte da equipe. Elas todas vieram visitar nossa casa quando eu estava com 37 semanas.

Foi em uma segunda feira, com quase 40 semanas, às 8h da manhã comecei a sentir as contrações, mesmo sem saber que eram contrações. Achei que a Lena estava mexendo de um jeito estranho, eu só tinha sentido isso uma única vez dois dias antes. Como minha mãe estava me visitando falei pro meu marido, Hugo, que ele podia ir trabalhar tranquilo, achei que não deveria ser nada, mas que se fosse eu avisaria logo. Lá pelas 10h, liguei para a doula pedindo ajuda para marcar o tempo das contrações, ela me explicou direitinho, mas não consegui marcar corretamente. Era nítido que estava regular e o tempo não estava espaçando, isso foi o suficiente para ela vir para minha casa. Liguei também para o meu marido voltar. Eles chegaram quase juntos, pouco antes das 12h.

A Érica (doula) confirmou que as contrações estavam regulares e me liberou para um banho bem relaxante e refrescante. Depois do banho comi um pouco de macarrão e tomei um suco. As contrações ficavam cada vez mais fortes, mas as dores ainda não eram muito intensas.  

A enfermeira e a obstetra chegaram às 14h, eu estava com 6cm de dilatação. Quando começou a doer mais, elas me sugeriram que eu fosse tomar um banho quente e ficar na banheira tentando relaxar.

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Por todo esse tempo ficamos eu e meu marido juntos. Sempre ia alguém confirmar se estava tudo bem, mas elas ficavam fora só ouvindo e aguardando. Foi muito especial poder ficar só nós dois, não tinha mais nada para fazer, só esperar e sentir, e a companhia dele era a mais agradável que eu podia ter.

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Eu ainda ficava pensando “será que vai nascer hoje?”. Claro que iria, mas não deixava de ser uma surpresa pra mim tudo o que ainda estava por vir. Já havia perdido a noção de quanto tempo tinha passado, saí da banheira e fomos para a sala, a doula ficou me fazendo massagem com um óleo quentinho.

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Fiquei pendurada na rede e depois já sentei na banqueta. A obstetra conferiu os 10 cm de dilatação e a partir deste momento todas se posicionaram e começaram a me orientar em como e o que fazer. A Érica, doula, ficou atrás me dando apoio com o Hugo e a Rachel na minha frente, narrando os acontecimentos e quando eu precisei segurando minha mão para ajudar na força de expulsão final. E a Melissa, enfermeira, ora ficava de lado, ora na frente.

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Eu não havia me preparado tecnicamente para o parto. Não fiz aulas de nada, não li nenhum blog, só alguns livros. Tive medo de saber demais. Queria ter minha experiência própria, sem ficar imaginando como poderia ser maravilhoso, ou o que poderia dar errado. Meu único preparo foi confiar na equipe, estar tranquila e sem medo e ter o Hugo próximo.

Estava sentindo muito calor e sono! Eu queria dormir, mas ela estava nascendo. Os esforços finais foram pra mim como um transe. Eu não conseguia ver direito (também eu sou míope e estava sem óculos), os sons pareciam abafados e parecia que todo o meu corpo estava parindo. Agora sim estava intenso, a bolsa estourou, ela coroou e mais umas 3 contrações foram o suficiente para ela nascer.  Eram 17:07.

A Dra. Rachel desenrolou o cordão do pescoço e o Hugo pegou ela. Assim que ela saiu foi como se eu tivesse recebido uma carga de energia, todo o sono passou e eu fiquei em um estado de êxtase e alerta. A Lena veio para o meu colo imediatamente, o Hugo sentou atrás de mim, nos abraçou e ficamos os três juntos por um tempo, não acreditando.

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Sem planejamos nada, neste momento, tocou a música certa (Daugther, do John Mayer) e foi o maior chororô. Colocaram uma touquinha na Lena e ela estava ernolada em umas fraldas. Depois que o cordão parou de pulsar o Hugo o cortou e nós fomos para a cama.

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Por poucos minutos levaram a Lena até a sala de novo só para pesar. Ela voltou, vestiu uma roupinha e voltou para o meu peito. Minha placenta estava solta e a Rachel fez uma massagem na barriga para ela sair, doeu um pouco, e eu já não queria sentir nenhuma dorzinha mais.

A única coisa que quisemos foi a injeção de vitamina K, que previne hemorragia do bebê. Ela nem sentiu. Do mesmo jeito que estava dormindo continuou. Não teve nenhuma outra interferência, nem banho. Ela fez xixi algumas horas depois e logo em seguida cocô. A respiração fazia um barulhinho que foi desaparecendo com o tempo, ela engoliu o que estava obstruindo. Ela teria seguramente até 72 h para mamar, mas 24 h depois mamou por 40 min. Não havia nada com o que se preocupar.

Saldo do parto para mim: uma laceração superficial que não precisou de suturar. Um desmaio quando fui tomar banho e uns dias sem conseguir sentar direito. Quinze dias depois estava 85%, 20 dias 100%. Tomei paracetamol por 3 dias após o parto e quando senti muita dor de cabeça.

O mais legal foi, ao invés de registrar a saída da maternidade, fotografar a primeira saída de casa para visitar o pediatra. Naquele momento me dei conta de que a história da Lena seria diferente.


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As lindas fotos do parto da Lena foram tiradas pela Juliana Matos. Quem quiser saber os contatos dos profissionais que acompanharam a Bebel, mande um email pra mim que eu passo com maior prazer ;)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Parto meu - Relato do nascimento da Rosa

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Quem quer ter um parto normal e/ou natural no Brasil precisa passar por um longo processo de conhecimento. É como se fosse uma luta, mas na verdade, é preciso vencer várias batalhas. Fazer muita pesquisa, se rodear de pessoas que passaram pelo processo, procurar os profissionais certos, se preparar para gastar dinheiro (infelizmente), ler muitos relatos, vencer a dor, passar por horas de trabalho de parto e enfrentar seus próprios medos para trazer um bebê ao mundo. Há dois anos atrás eu fiz um post justamente falando sobre o começo dessas batalhas aqui. E acho que o primeiro passo é procurar o profissional certo. Não se deixar enrolar (papos como "não vamos fazer nada que faça o bebê sofrer" são típicos de cesaristas) conversar com outras pacientes do médico, buscar informações na internet sobre o profissional. Contratar um doula também é uma ótima opção e traz segurança. 

Acho que outro aspecto é saber o que é um trabalho de parto. Saber que as dores podem chegar meses antes, como um treinamento. Quando estiver perto, as contrações aparecem de tempo em tempo, e esses pródromos (fase latente) podem durar dias. Apenas quando as contrações estiverem em sintonia e bem compassados é que a hora chegou. 

Hoje o relato aqui é da Marina Guimarães, a Nina, que buscou, se preparou, ficou com frio na barriga, é claro, e conseguiu ter o parto normal para a pequena Rosa que acabou de completou um ano no fim de maio. Ela descreve com um sinceridade absurda e cômica como foi a antecipação do nascimento e todo o processo que ela e o marido passaram até conhecer sua primeira filha. E acho que a frase que ela escolheu para iniciar esse texto reflete muito bem o caminho que devemos traçar para iniciar na grande aventura que é a maternidade:

“tudo é uma questão de manter a mente quieta e o coração tranquilo...”

O nascimento da Rosa

Resumo
Parto natural hospitalar. Sem intervenções: quase sem ocitocina sintética, sem episiotomia, sem analgesia, sem estourar a bolsa, sem lavagem intestinal, sem raspar pelos e por aí vai..
7 horas de trabalho de parto ativo, 5 em casa e 2 no hospital. Considerando que o trabalho de parto começa quando as contrações se dão em intervalos regulares.
Expulsivo sentada em mesa de parto, laceração média.
Pré-história
Avó materna: três partos normais, sendo um domiciliar (por decisão, não por falta de hospital).
Mãe: um parto normal traumático no SUS, uma cesária intraparto (meu nascimento) e um parto normal relâmpago, quem nem deu tempo de escolher nada.
Irmã: 2 cesárias intraparto devido a sofrimento fetal.
Os partos familiares influenciam muito a visão e escolhas da grávida. Eu sempre quis parto normal porque entendo que é o melhor em todos os sentidos, mas sempre tive um medinho de não conseguir por causa das cesárias da minha irmã.
Antecedentes
Quando engravidei estava nadando duas vezes por semana. No 1º trimestre eu parei por medinho de perder, depois voltei e nadei até dois dias antes dela nascer. Fiz ioga para gestantes apenas no último mês, porque na correria não consegui me organizar pra fazer antes. Mesmo sendo pouco, foi essencial a troca de experiências e informações me deu mais segurança e confiança pra viver o parto.
Preparativos
Tenho tendência pra prisão de ventre, então no último mês introduzi activia na minha dieta diária. Fez toda a diferença!

Eu tinha pavor de chegar no hospital e parir na recepção porque o plano demorava pra aprovar o procedimento. o fato que poucos sabem é que os procedimentos aprovados pelo plano de saúde tem validade de 30 dias, então o parto pode ser autorizado e você tem 30 dias para parir. Na segunda-feira, 27 de maio, fomos ao hospital levar a guia e pedir autorização. Pegaram o papel e disseram que iam resolver, que não precisaríamos nos preocupar.

Quarta, 30 de maio de 2012
Nas últimas vezes que nadei tive uma sensação tipo uma “dor de viado”, achava que era normal e sem importância. Nessa quarta, não fui na natação pois estava sem carro (bati o carro 2 vezes durante a gravidez!). Fiquei na casa da minha mãe deitada vendo TV e tive a mesma “dor de viado”. Hoje eu interpreto isso como sendo algum tipo estranho de contração. Nada demais, fui pra casa dormir. 

Durante a noite acordei algumas vezes e todas as vezes estava com a barriga dura (contração indolor) fiquei com a impressão que passei a noite inteira em uma longa contração.

Quinta, 31 de maio de 2012
Acordei umas 7h30 e liguei para minha médica e contei tudo, ela disse pra eu caminhar e nos víamos mais tarde (já tinha uma consulta de rotina marcada para aquele mesmo dia). Comecei caminhando da 412 até a 410 pra comprar um treco e minha mãe me pegou lá pra me levar na consulta.
...pausa
Vocês devem estar se perguntando onde estava meu amado marido e pai dessa criança que nem me acompanha nas últimas consultas. Então, ele é quitandeiro, e vai pra CEASA todo dia às 4 da manhã.
voltando..
A obstetra disse que estava tudo bem, pra eu continuar ativa andando pra todo lado e que provavelmente nos veríamos a noite (Droga! Parto à noite é mais caro!)
Eu precisava comprar uns respiradores pros armários do quarto da Rosa. E lá fomos nós em peregrinação pelas lojas de ferragens da W3 sul. Entrei e sai mil vezes de cada loja não conseguia decidir qual eu queria, achava todos feios, nenhum tão bonito como os orginais. Andando, andando e tendo contrações aleatórias e pouco doloridas. Comprei o menos pior e fui almoçar na casa da minha mãe. Estava tirando a sesta quando veio a primeira contração forte e dolorida, deu vontade de ir ao banheiro (obrigada activia!). 

E daÍ pra frente vieram mais contrações doloridas, lá pelas 15h eu pedi pra minha mãe me levar pra casa. E minha mãe disse: "vamos aproveitar e levar o berço e as coisas agora". Até então o quarto da Rosa só tinha uma poltrona. Então, colocamos tudo no carro e fomos. Já em casa a gente monta o berço, sente uma contração aqui, outra ali, tem uma aula de parto com a diarista sobre posições adequadas durante as contrações, conversa vem conversa vai, contração vai contração vem.
Umas 17h, falo pra minha mãe que vou pro quarto, que a coisa tá esquentando, minha mãe e diarista vão embora. Estou eu e a casa, marido trabalhando. Foi às 17h que o trabalho de parto começou mesmo, contrações regulares. Após as contrações eu sentia um cansaço, como uma queda de pressão. Então, eu levantava da cama pra me agachar nas contrações e deitava nos intervalos.
De repente, veio um contração forte e eu vomitei tudo que tinha comido no dia, logo em seguida liga o marido perguntando se ele podia passar em um lugar antes de ir pra casa. Eu digo que "NÃO!" que era pra ele vir logo e limpar o meu vômito (ô dó! já começa a vida de pai assim). Vou tomar banho e deixo o fedor pra trás.
Enquanto tomava banho me veio a desconfiança de que o hospital não tinha aprovado o parto. Pedi pro marido ligar no hospital: e dito e feito, ainda não tinham aprovado, mas disseram no telefone que iam aprovar naquela hora. Fico brava, mas aliviada por saber que iam aprovar antes de chegarmos ao hospital. 

Dizem que ficar na água é super relaxante, eu não gostei, após as contrações eu só queria deitar. Meu trabalho de parto foi um "deita levanta". Ficar no chuveiro me dava mais moleza, sai e voltei pro quarto. Ficamos eu e ele deitados na cama em silêncio, não queria conversar, não queria comer, não queria nada. sempre que vinha uma contração, eu levantava e me apoiava na parede com as mãos e voltava a deitar quando passava. 

A orientação da minha médica era que eu fosse pro hospital quando estivesse com contrações de 3 em 3 min. Lá pelas 21h eu virei pro marido e disse “chega, não quero mais saber de contar contrações, quero ir pro hospital agora!”. A gente não estava contando com muita disciplina, mas já estava mais ou menos nos 3 min. Eu vesti o primeiro vestido q vi pela frente e falei “tô pronta! bora!” e o marido ficou mega enrolando pra se arrumar. Depois, ele me confessou que fez de propósito pra gente ficar mais tempo em casa e o trabalho de parto evoluir um pouco mais.
Agora vem a parte linda: ficar dentro de um carro tendo contrações sentada quetinha da 412 norte até a 716 sul, chegar no hospital e depois ficar sentadinha esmagando o braço da cadeira e fazendo caretas de dor, enquanto o marido estaciona e a recepcionista placidamente pergunta, como se nada estivesse acontecendo, meu endereço completo pra fazer meu check-in e pro mensageiro me levar pro quarto porque "sem cadastro completo não sobe". Lindo! Marido chega e eu peço pra ele terminar o cadastro enquanto eu vou pro quarto, pelo amor! 
22h, a maternidade estava lotada. Então me levam pra um quarto comum, peço ao mensageiro para virem medir minha pressão, ele diz que não dá porque meu prontuário ainda não subiu. Fico sozinha. Pouco depois chega o marido e depois a obstetra. No exame de toque a GO constatou que eu estava com 7cm de dilatação. Fiquei muito feliz, tinha medo de chegar no hospital pouco dilatada, o que poderia significar mais tempo de trabalho de parto no hospital. Não gosto de hospital e o parto foi a primeira vez na vida em que estive internada. A enfermeira olha pra mim e pergunta “você vai tentar parto normal? Tem outras duas gestantes tentado, mas acho que o médico não vai esperar, tá demorando muito”. Eu penso: “afe!”. Quase não lembro das contrações que tive no hospital, foi tanto vai pra lá e pra cá, e espera enfermeira e isso e aquilo que não foquei no TP.

Tive uma infecção urinária no início da gravidez, a famosa Streptococcus agalactiae, e por isso precisava tomar antibiótico (penicilina) durante o trabalho de parto. Minha GO pediu o remédio assim que chegou no hospital, mas o remédio não vinha. Obviamente a GO foi reclamar e disseram pra ela que tava demorando e era melhor subir pro Centro Obstétrico, que lá o remédio vinha mais rápido. E lá vamos nós, troca de roupa, espera enfermeira, senta na cadeira, espera elevador e espera a porta do CO abrir. Quando ela abre uma enfermeira diz que preciso tirar meus óculos porque não posso entrar com nenhum pertence meu, que loucura! Tenho que parir cega! Minha GO me defende e eu entro com os óculos. Não sei em que hora exatamente a Ana Paula chegou (a fotógrafa ana paula batista), mas nessa hora ela e marido tinham ido pra algum lugar onde vestiram roupas e toucas horríveis de hospital que serviram exclusivamente pra gente ficar feio na foto.

Então, me levaram pra área das cortinas (tipo uma enfermaria) onde as parturientes esperam a sua hora, onde fui apresentada à bola. Disse a GO: “senta aqui, quando a contração vier você me avisa”. Eu aviso, e ela fica me empurrando contra a bola, e isso não é legal. Depois de vários pedidos da GO alguém do hospital diz que eles não tem o remédio, está em falta. (onde estamos mesmo?! ah... em um “dos melhores” hospitais particulares de Brasília). Então, mandam outro antibiótico (amoxicilina), a enfermeira me espeta futuca futuca e nada, espeta de novo e nada. Minha GO perde a paciência, procura uma veia e manda a enfermeira furar ali, sucesso! Ufa, essa furação dói mais que contração.
E quando chegou a famosa vontade de fazer cocô, fomos para a sala de parto. 

Eu não percebi nem nada, mas na foto saiu um sangue, devia ser o tampão.

A sala de parto estava GE-LA-DA, sentei na mesa de parto e me cobri com vários lençóis. A pediatra diz; “você não vai poder ficar muito tempo com a bebê por causa do frio”, eu respondo “desliga o ar”, ela “não dá”, eu “então aumenta a temperatura” e ela “não dá”, essa é uma das maravilhas que o hospital faz por você, aconteceu exatamente o mesmo com uma amiga que teve PN lá.

E lá vamos nós fazer força. Marido do meu lado e plateia na frente (GO, 2 enfermeiras, pediatra e fotógrafa). A bolsa estourou no início do expulsivo. E lá estava o cucuruto da minha filha. Pedi pra Ana tirar uma foto e me mostrar, que emoção! Já estou com trezentos panos estéreis sobre minhas pernas, a única parte exposta é o buraco. 

Instruções: respirar fundo e quando vier a contração fazer um força longa, o máximo de tempo que conseguir. Certo! Sou obediente! Vem uma, vem duas, sei lá quantas, vai e vem. As enfermeiras em coro: “vai Marina! só mais um pouquinho, só mais um pouquinho!”. No fundo da minha mente eu pensava que essa era uma cena muito absurda. Aí vem a pediatra e fala pra GO que era melhor fazer episio, Hã?!. minha GO pergunta retoricamente: “Marina, vc não quer episio, né?”, eu: “NÃO!” e civilizadamente ela diz à pediatra que ela não tem nada a ver com isso e que os batimentos cardíacos da bebê estão ótimos. 

Não sei exatamente quanto tempo durou o expulsivo, mas foi rápido, achei que demorava mais. Minhas contrações não estavam tão longas, recebo um tiquinho de ocitocina (já tava com ponto mesmo). Não me lembro muito bem da sensação física, minhas mãos seguravam com força a manopla da mesa de parto, tensão nos braços. Era muita informação: enfermeiras e pediatra falando, luz forte, ar condicionado gelado, e isso e aquilo. E tínhamos que nos defender o tempo todo, certificar que não íamos sofrer interveções, isso demandou energia, atenção.
Só sei que em uma determinada contração ela saiu, veio pros meus braços chorando, e ela tinha cabelo (achava que ela ia ser careca)! 23h53! a menos de 7 minutos de 1 de junho. O meu corpo está exausto, como se eu tivesse empurrado sozinha a pedra do sepulcro. Desmonto, olho pra ela, olho pro marido, temos uma filha linda, melecada e saudável. Tento, mas ela não mama, ok. Depois de míseros minutos ela vai com o pai para os procedimentos.



Também não notei quando saiu a placenta. Deve ter sido quando ela estava no meu colo, não me lembro de ter nenhuma contração depois que ela saiu. Pedi pra ver a placenta, quis tocá-la. Fico lá, deitada, recebendo os pontos, converso sei lá o quê com a GO. Ela diz que tá fazendo "bem bunitinho preu ficar quase como era antes". Tive um laceração média, os pontos são incontáveis, os tecidos são costurados camada sob camada, pois cada uma rasgou de forma diferente. Meu corpo vai relaxando de esforço, estou bem. Antes de acabar a sutura, marido volta com a filha vestidinha em seu macacão branco, linda, fofa master. Felicidade e gratidão!



pós-parto
2 dias depois o leite veio. A cicatrização do perineo foi excelente. Hemorroida: alguns dias de pomada, banho de assento e pronto.

A Nina é super talentosa e faz coisas lindas em papelaria para festas, não deixem de conhecer o trabalho dela. E o Marcelo, vulgo marido, comanda a Quitanda Fácil que tem um sistema de entrega de verduras, frutas, e outros alimentos em casa, que eu uso e super recomendo. Além de trabalhar com buffet para festas. Maria e Isabella são fãs dos sucos naturais que ele faz!

Pessoal, só pra lembrar: não deixe e curtir a página do Manual da Família Moderna no Facebook!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Parto meu, parto normal de gêmeos - Liliane Teisson

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Quando as meninas tinham poucos meses de vida, recebi um e-mail de uma grávida de gêmeos que estava na reta final, pronta para receber seus bebês, mas cheia de dúvidas, é claro, e me identifiquei muito com ela. Nasceu aí uma forte amizade virtual que perdura até hoje. A Liliane mora no interior da França com o marido Phil e já era mãe da Cécile quando se descobriu grávida de dois. Não foi tanta surpresa já que a mãe dela era gêmea e ela tinha irmãos gêmeos, mas foi, de fato, uma aventura. A começar pelo parto. Ela topou compartilhar a história dela aqui para quem sabe inspirar outras mães, é fato que na França a cultura hospitalar é muito diferente do Brasil, mas também é bom ter informações sempre. E ela teve um parto pélvico, um relato raro de ser ler por aí.

Eu sinto que conheço essa família tanto, adoro ver as fotos deles todos os dias e conversar com a Lili, que às vezes acho que ela é minha vizinha, mesmo que milhões de quilômetros nos separem. Está aí a maravilha da internet e do mundo moderno. Por isso, fico muito feliz de mostrar o nascimento da Alice e do Arthur, história que eu li em um e-mail há quase um ano atrás e me emocionei muito. Aí vai:

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Estava com 32 semanas de gestação e no dia anterior ao parto estava começando a me sentir estranha, com cólicas, vomitando e muita falta de ar. A enfermeira que vinha toda semana me ver em casa (por causa da hospitalização a domicilio) veio nesse dia pela manhã e me aplicou a primeira injeção pra maturação dos pulmões dos bebes. Por volta das 23 horas comecei a sentir contrações, indolores mas a barriga ficava muito dura. A sensação era estranha demais, nada comparado com o que senti no dia do parto da Cécile. Tomei buscopan, tomei um banho pra ver se passava e nada. Pensei que pudesse ser o efeito da injeção, por isso fiquei com medo, pois a cada contração forte meu colo corria o risco de encurtar cada vez mais.

Às três da manhã, como eu não conseguia dormir já que a barriga não parava de endurecer, Phil ligou pro hospital que mandou uma ambulância me buscar (por causa do repouso absoluto eles não aconselhavam o deslocamento de carro. Phil ficou em casa com Cécile. Me senti super sozinha, mas era necessarío e eu não queria acordar ela no meio da noite assim pra ficar no hospital sem saber o que iria acontecer).

Chegando lá fizeram uma ultra pra medir meu colo que já estava mais curto, menos de 1 cm, mas continuava fechado. Algumas horas depois voltaram para me examinar e voilà, colo aberto e com 3 cm de dilatação! Tomei um medicamento para parar as contrações na veia, mas não adiantou. Quando me disseram eu fiquei super nervosa, chorosa, uma mistura de alívio com medo, não sei descrever o que senti naquela hora, uma mistura louca... provavelmente culpa dos hormônios! Liguei pro Phil que imediatamente ligou pra mãe dele pra ir ficar com Cécile em casa, enquanto ele ia pro hospital.

Então, começou aquele corre-corre entre as enfermeiras, colocaram um monte de medicação no soro sobretudo a segunda dose pra maturação dos pulmões. Um dos remédios até não me fez muito bem, tiraram na mesma hora, mas nada grave. Me aplicaram também a peridural, em caso de gêmeos eles nem perguntam se a pessoa quer ou não anestesia, depois disso fiquei flutuando nas nuvens!  Detalhe que eu não senti dor em nenhum momento antes da aplicação, senti muito mais a picada da agulha que qualquer outra coisa.

Dessa vez Phil não pode assistir ao parto, pois foi feito no bloco (centro cirúrgico), caso fosse preciso tirar o segundo com uma cesariana. Me senti tão sozinhaaaaa, no primeiro parto ele ficou comigo e foi super importante, fez toda a diferença.

Finalmente, me levaram para o bloco, já tinha passado do meio dia. Alice nasceu com minha ajuda, mesmo com anestesia, eu tive toda a sensação do parto tirando a dor, claro. E isso foi super importante pra mim, já que no meu primeiro parto foi preciso ventosa para ajudar a Cécile sair, porque eu não forçava direito, fiquei com um medo terrível de que a força tomasse outras proporções (detalhe que Cécile era bem gigante, 3.6 kg, também então não me culpo tanto rsrs).

Durante o trabalho de parto, as enfermeiras me diziam "Força mesmo, igual pra fazer cocô, nós estamos acostumadas com os acidentes!" Assim que ela nasceu, com os olhos bem abertos, querendo ver tudo, me mostraram bem rapidinho e já correram com ela pros primeiros cuidados. Era a vez do Arthur, mas assim que ela saiu ele virou e sentou. Ele estava numa posição meio termo, tipo atravessado, só que bem mais inclinado pra posição cefálica. Mas na hora, as enfermeiras disseram que ele poderia ficar pélvico e foi o que aconteceu.
Quando isso aconteceu, a médica e as enfermeiras me diziam pra não fazer mais força, e quando olhei só via o corpinho dele pra fora e sentia que a cabeça dele estava dentro. A médica puxava muito, com muita força, é realmente impressionante, mesmo chocante, achei que fosse morrer ali junto com ele, sem exagero, rezei muito. Olhava apavorada pra médica, pergutando se eu podia forçar para ele sair e ela só dizia pra não fazer nada, que ela iria tirá-lo. Finalmente, ele saiu, chorou e eu cheguei a suspirar de alívio! Pra ele sair foi preciso uma episiotomia (mais uma vez, ja tinham feito quando tive a Cécile). Me trouxeram os dois rapidamente novamente pra que eu pudesse dar um beijinho.  Alice pesava 1,9 kg  e Arthur 2,2 kg.

Aqui o parto normal é muito valorizado, eles podiam ter feito cesárea, no meu caso, mas aproveitaram que os bebês estavam super bem e eram grandes o suficiente pra aguentar o trabalho. Dei graças a Deus também, assim no mesmo dia já estava bem pra vê-los na UTI.  Arthur precisou da máscara para ajudar a respirar, Alice respirava super bem sozinha. No dia seguinte, ele já estava respirando bem sozinho.

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Com os pequenos na UTI

Três dias depois do parto voltei pra casa, sem eles, achei que não fosse me importar tanto, mas na hora vem aquela sensação de "braços vazios". Coloquei na cabeça de que era tudo necessarío e logo eles iriam estar em casa e esse tempinho sem eles seria bom para reconquistar o meu lugar de mãe da Cécile que havia sido um pouco "apagado" durante a gravidez pelo repouso.

Depois começou toda aquela loucura das idas diárias ao hospital, aquele medinho de que algo pudesse acontecer com eles tão frágeis, pequenos e sozinhos. Todo dia sentia aquele aperto no coração em deixa-los. Eles ficaram quinze dias sozinhos na UTI e cada dia que passava eles só progrediam, não tiveram complicaçao nenhuma, perderam peso, mas começaram logo a recuperar. Tivemos muita sorte de ter conseguido uma vaga nesse hospital que é referencia em bebes prematuros, isso nos deixava bastante aliviados, eles eram muito bem cuidados, as enfermeiras todas muito fofas e carinhosas.

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Cécile fazendo carinho no irmão

Depois, foi a hora de eu ir pra lá me internar junto com eles. Nesse hospital, eles têm um setor chamado "mãe e filho", onde cada bebê prematuro, que tenha passado muito tempo no hospital depois do nascimento, possa passar um tempo com a mãe antes de voltar pra casa. É verdade que a gente perde um pouco o "fio da meada" quando volta pra casa sem eles. Ali eles aprendem a mamar sozinhos, tiram a sonda e todo aquele vinculo é formado. Pra mim foi muito difícil, fiquei duas semanas lá, mas tinha deixado outra filha em casa, o que foi realmente duro para aceitar. Chorei muito, ali foi meu limite, durante toda a gravidez, as duas semanas que fiquei no hospital de repouso, o tempo que fiquei presa no quarto no segundo andar em casa, sempre fui muito durona, durante toda essa barra que passamos.... acho que eu estava muito cansada com essa história de hospital, estava doida pra voltar pra nossa vida normal. Graças à Deus, Alice e Arthur mamaram no peito super bem, tiraram a sonda e só ganhavam peso.

Durante essas duas semanas, eu passava meus dias com eles sozinha no quarto dando peito, pesando e anotando o peso deles antes e depois de cada mamada pra ver o quanto eles mamavam a cada vez. Aturava conselhos totalmente contraditórios das enfermeiras que mudava constantemente, fiquei surda diante disso e comecei a fazer do meu jeito.
Finalmente, eles foram pra casa depois de um mês e toda uma nova e linda historia começou pra nossa família