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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Engravidar, um pulo no escuro

Engravidar é como dar um pulo no escuro, você não sabe onde vai cair. Oi? Olha nós aqui com gêmeos! Como li muitos comentários sobre mulheres que estão querendo dar este grande salto resolvi contar como foi a nossa experiência aqui. A história ficou meio grande, mas vamos lá:

loi
Pensando e pensando


A decisão de pular
Com a gente não foi muito complicado, não tivemos aquela longa conversa. Foi aquela coisa: "e aí? você acha que dá?" O assunto surgiu durante os nossos papos por uns seis meses e depois de uma boa convivência com dois maravilhosos sobrinhos, percebemos que era hora. Acho que as prioridades mudam. De repente, sair e beber pra caramba não era tão importante assim e a volta para casa de madrugada passou a ser uma coisa trabalhosa. Estamos juntos há quase seis anos e temos pouco mais de 1 ano e meio de casados. Aproveitamos horrores, viajamos, fizemos loucuras e chegou o momento da calma. Então, por que esperar? Como tínhamos uma viagem marcada para à Europa em junho, a ideia era começar a praticar a coisa lá, mas como eu disse, o desconhecido sempre engana a gente.

Preparação
Fui na minha médica e comentei sobre a decisão. Ela não foi muito encorajadora, ficou naquela de "tem certeza?", mas depois rolou aquele papinho de "você está na idade certa, e etc". Fiz todos os exames de rotina, sangue, transvaginal e preventivo, e estava tudo ok. Estava com um pouco de medo de demorar para engravidar porque tomei a pílula durante seis anos e a médica foi bem clara em relação à isso. "Pode ser rápido, mas pode demorar um ano". Ela achou que demoraria uns três meses para a minha ovulação ficar normal (rá!). Então, sugeriu que eu parasse de tomar a pílula em maio, antes da viagem para o corpo de acostumar (rá!).

A Espera
Parei de tomar a pílula e comecei a praticar a coisa todos os dias (foi uma maravilha, minha gente!). Esta, aliás, é uma boa argumentação para envolver seu marido no negocío. Depois de algumas semanas, eu comecei a me sentir diferente. Não sabia, se era a pílula, se era o sexo, mas me sentia mais leve, mais feliz.

Uns 15 dias depois de começar a tentar, eu fui fazer xixi e percebi um sangramento. Saio do banheiro, pulo na cama, abraço o Marco e digo: "estou grávida!" Tinha certeza absoluta! Mas o sangramento continuou no dia seguinte e parou à noite, então comecei a duvidar. Pensei: droga, meu corpo deve estar uma bagunça hormonal. Depois disso, fiquei um pouco desanimada. Fui na acupuntura, tomei um floralzinho básico, continuamos na tentativa, mas sem muita empolgação.

Negativo
Quando chegou o dia da minha mestruação, nada. Fiz o teste de farmácia, comprei aqueles mais baratos de R$ 12 (não recomendo) e deu negativo. Meu peito estava dolorido, especialmente o bico, e quem sabia da minha tentativa jurava que eu estava grávida. Depois de uns dias, como a viagem estava próxima, resolvi fazer o exame de sangue. Resultado? Negativo! Ficamos ainda mais tristes e recebi conforto das amigas: "pelo menos você vai poder aproveitar a Itália". E lá fomos nós, com o pensamento positivo.

foto(1)
Eu no dia do exame, foto tirada pela Bel, que me fez companhia

A viagem
Comecei a passar mal já no avião. Fiquei com uns gases e umas cólicas terríveis. Foram 24 horas de Brasília até Modica, na Sicília, três aviões e uma viagem de carro. Quando chegamos a ordem era se esbaldar de bebida e comida! Tentei relaxar, mas ainda pensava: "Meu Deus, será que vai demorar para a gente conseguir fazer um filho?" Uns dois dias depois comecei a sentir umas cólicas terríveis, suava frio, parecia que ia desmaiar de tanta dor. Mas aí eu ia no banheiro (fazer number 2 para quem não consegue ler nas entrelinhas) e passava. Mas eu não estava com dor de barriga, diarreia, nada. Só dor. Tomei luftal e buscopan na louca e tentei comer normalmente, afinal eu estava na Itália, né minha gente?

Tivemos que cancelar uma ida à Palermo porque eu não estava bem. Eu chorei horrores no ombro do Marco por causa disso e achei a minha reação estranhamente exagerada, mas pensei "meus hormônios estão loucos!". Corri bastante com o Giancarlo, bebi vinho, caí feio no chão, fiz de tudo, sem saber de nada. Na volta, passei mal de novo no avião e no dia seguinte resolvi ir no médico.

Positivo
Fiquei duas horas na emergência do Hospital Brasília para o médico: primeiro me dizer que não tinha chances de eu estar grávida e depois dizer que talvez sim. Mas que eu procurasse um ginecologista o mais rápido possível. Oi? Saí de lá com o Marco revoltada. Passamos na farmácia e compramos o exame mais caro de R$ 39. Fiz xixi no palitinho e não entendi o resultado durante uns 10 minutos. Até o Marco ler o manual de instruções, me abraçar e dizer "é sim, você tá grávida!".

Foi uma longa aventura até aquele resultado e continua sendo. E eu cheia de dúvidas, achando que ia demorar para eu conseguir ficar grávida e tudo tomou jeito como deveria ser. Pelos nosso cálculos fique grávida uma semana depois da mestruação e ainda são gêmeos. E esta é parte da história de como a gente chegou até aqui.