Foi uma noite para sair da rotina, tirar uma folga, cozinhar, bater papo e aprender. Na semana passada, fiz um curso que surgiu com uma ideia de uma seguidora querida no instagram de forma despretenciosa mas que acabou sendo um encontro maravilhoso! Ela sugeriu que eu fizesse um curso na Komboleria com receitas fáceis e rápidas que eu geralmente posto no @familiamoderna das minhas noites românticas com o marido. Pra mim, além de ensinar podia ser a oportunidade de quem fizesse o curso pudesse curtir uma noite animada com drinques e um bom jantar. Então, surgiu o Girl´s Night Out com receitas, uma noite de folga, de conversa e de comida simples, gostosa e fácil de fazer. Nosso primeiro encontro foi super divertido e a Ana Paula Batista, amiga e fotógrafa que fez as fotos do parto do Francisco e que agora também tem o Tem Laranja na Cozinha (@temlaranja), registrou tudo lindamente.
Por causa do sucesso do primeiro curso, vou abrir mais uma turma na semana que vem.
Vai ser dia 20, quinta-feira, na Komboleria (CA 10 Ed. Bellagio, loja 11), 21h.
E vamos aprender:
- ceviche básico
- bean dip
- guacamole
- brownie mais fácil do mundo
- sangria rosé
R$ 140 ( com jantar, bebida e apostila inclusa)
Vagas limitadas (são no máximo 8 por turma)
Inscrições: vaiterbolo@komboleria.com ou whatsapp (61) 8139 9947
Só receitas fáceis para você poder repetir em casa sem ter muito trabalho, Pegue um dia de folga para você, saia da rotina e vem se divertir!
Obrigada, Ana, pelas fotos maravilhosas!
Para saber mais sobre os cursos, novas turmas e as oficinas para crianças sigam @familiamoderna oe @komboleria no instagram.
Quem quiser fazer um Girl´s Night Out com as amigas ou fazer uma reunião ou encontro também podemos fechar uma turma em outra data com um mínimo de cinco participantes. É só entrar em contato.
Em setembro vamos ter mais uma edição com um novo cardápio, aguardem.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Um, dois, três: difícil, mas nem tanto
Outro
dia tínhamos um almoço marcado num bar perto da nossa casa, mas milagrosamente
os três resolveram dormir na mesma hora. A Maria acordou primeiro e como já
estávamos atrasados resolvi ir com ela a pé, e o Marco iria depois de carro com
o Chico e Bella quando eles acordassem. Era uma oportunidade também de ter um
tempo sozinha com a Maria, então fomos caminhando e conversando até lá, e foi
ótimo. Durante o trajeto não conseguia não pensar "meu Deus um só é fácil
demais, do que as pessoas reclamam?!".
Depois quando chegamos lá minha
sensação era de que estava faltando alguma coisa e eu toda hora olhava pra ver
se o Marco estava chegando. Minha amiga e outra amiga dela que estavam lá
perceberam e apontaram isso de que “eu nem sabia o que fazer”, o que era
verdade. Então, eu comentei o quanto eu achava estranho ter um filho só pra
cuidar e aí uma delas disse “mas, eu acho que um filho só é muito mais difícil
que três”. Confesso que na mesma hora me bateu um daqueles alertas de filme que
a pessoa faz a cara de “What?”. “É claro que não, gente, obviamente três dá
muito mais trabalho que um”. Fiquei quase ofendida. As duas, cada uma mãe de
um, minha amiga grávida do segundo, e eu “como assim?”. E aí elas explicaram que o queriam dizer não
era do trabalho manual, mas do emocional. E sim, nisso me identifiquei e
entendi bem. Durante dias fiquei pensando sobre essa questão do que dá
mais trabalho, conversei com o marido, conversei com uma amiga e a verdade é
que cansei de pensar sobre o que é mais difícil ou não. Na verdade, cansei
desse papo de que filho é difícil, preciso confessar. Por que reclamamos tanto?
Acho
que ter filho é difícil, dá trabalho, seja ele mental ou físico. E é isso. Ter
filho, seja um, dois, três ou quatro, dez, vinte, é trabalhoso. Pronto. Aceite,
vire a página. Não sinto que eu faça mais do que uma mãe que tem um só ou sofra
mais ou menos. Isso não é uma competição. Eu quis ter três e agora vivo as dor e delícias disso. O que eu acho é que para a nossa geração
que foi criada para estudar, “ser alguém na vida”, descobrir o mundo, é muito
mais difícil encarar esse trabalho doméstico, abrir mão de si a favor do outro, parar de pensar em si pelo outro.
Se for pra dizer que ter mais filhos é "mais fácil " vou dizer que acho que uma das vantagens de ter mais de um filho é que a gente não foca muito nas
situações complicadas, não mantém a energia em um lugar só. É claro que eu
nunca tive a experiência de ter um só filho, mas muitas vezes me coloco nessa
situação. Com as meninas, por exemplo, se algum dia uma não queria comer a
papinha, eu insistia, tentava, mas se não comesse, tudo bem, porque sabia que no
dia seguinte ela iria comer melhor. Foi mais fácil de me desprender de rótulos
porque sabia que a personalidade delas, assim como o humor, mudava muito. Até
hoje eu não fico muito nessa de “a Maria é assim, a Isabella é assado” porque
sei que elas mudam muito e não quero criar profecias auto realizadoras. Com
mais de um muitas vezes a gente tem que pensar rápido, abrir mão de certas coisas
a favor do conjunto da obra, por exemplo.
Outro
dia a Bella fez um escândalo porque perdeu uma pá de parquinho e a gente ia na
casa de uma amiga delas brincar. Fiquei um tempo procurando o brinquedo e
tentando acalmá-la enquanto o Francisco e a Maria esperavam. Expliquei, peguei
no colo, perdi a paciência, consolei, fiz tudo. Até que olhei pro relógio e já
estávamos super atrasados e perdendo tempo de parquinho, Maria e Francisco
loucos pra sair. Não deu outra: peguei ela no colo e fomos pro carro. Assim que
ela sentou na cadeira parou de chorar, problema resolvido e lá fomos nós.
Fiquei pensando se fosse só com ela. Talvez tivesse resolvido o problema da
mesma forma, porém iria me questionar muito mais, pensar muito mais, me cobrar muito mais. Talvez. Como eu disse, nunca passei por essa experiência.
Sim,
ter filhos é difícil, não importa quantos. Acho que o que temos que nos
perguntar é por que é tão difícil? Se a gente parar e se entregar um pouco consegue
descomplicar. O segredo acho que é esse: o trabalho não precisa ser uma questão, por que não podemos ou conseguimos criar
os filhos de forma natural? Pensem nisso.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Meu corpo, minha placenta
Em tempos em que a Agência Nacional de Saúde volta atrás e
decide que o parto é uma escolha da mulher. Em tempos quando o que a gente mais
vê no Facebook é a frase “meu corpo, minhas escolhas”. Nesses tempos, eu digo:
comi minha placenta. Tá, comi é um termo muito forte. Mas ela passou por um
processo de secagem, virou cápsula e eu ingeri quase todas, exceto cinco delas
que ainda estão no meu congelador.
Ingerir a placenta depois do parto é uma prática milenar,
muito usada pela medicina chinesa e pela Kim Kardashian West e outras famosas,
olha só que moderno. Por isso, pode começar a parar de achar que isso é nojento
ou coisa de hippie. Entre os benefícios da chamada medicina da placenta
estariam a diminuição do
sangramento pós-parto, ajudar o útero a voltar a seu tamanho normal, enriquecer
a produção de leite, prevenir a depressão pós-parto, além de ser uma alta fonte
de ferro. Mas, sejamos sinceros, não há nenhum estudo científico
finalizado sobre o assunto, apenas em processo. No entanto, eu escolhi comer
minha placenta sim, porque ela é minha e eu posso me beneficiar de algo meu.
Afinal, você sabe o que aconteceu com a sua no fim do
nascimento do seu filho/filha? Me lembro bem do meu médico dizendo para a enfermeira
no hospital durante a cesárea do Francisco (para quem não sabe foi um parto
domiciliar que terminou com transferência), “a paciente quer levar a placenta
para casa” e um silêncio pairar sobre a sala. Depois, o próprio médico me disse
que adorava ver a cara de pânico da equipe quando ele dizia isso.
Escolher consumir a placenta, no entanto, vai muito mais
além desses possíveis benefícios. Para mim, foi uma questão de entrar em
contato com o meu corpo. Por isso, a escolha de um parto normal ou cesárea é
tão importante. Fazer as coisas de forma natural, mesmo que elas acabem com
intervenção, como foi no meu caso, é uma oportunidade de entrar em contato com
seu físico, sua capacidade de concepção, de nutrir e de gerar um ser. Ter
sentido as dores do parto me fez sentir mais mulher, ter uma consciência do meu
corpo que eu sequer imaginava. E a placenta faz parte disso. Por que jogá-la
fora ou enterrar em algum lugar?
Eu tive um excelente pós-parto e acho que as cápsulas de
placenta ajudaram no processo. Tive muita energia para cuidar de três e me
sentia super disposta. Outra coisa que acho que influenciou foi na produção do
leite. Tive muito leite, tanto que em um determinado momento, diminuí meu
consumo das cápsulas porque estava tendo problemas e deu certo. Hoje em dia,
sempre que eu pego um resfriado ou estou me sentindo desanimada, vou lá no
congelador e tomo uma.
Agora faltam apenas cinco cápsulas e me sinto despedindo de
uma fase. Assim como outro dia me senti estranha em relação ao fato de ter
menstruado depois de quase dois anos. Vamos encerrar mais um ciclo para começar
outro. E sim, faria tudo de novo.
terça-feira, 30 de junho de 2015
Paris com as crianças: "sobre viver"
Ah, Pariiii! Que saudades eu já estou da viagem, de comer
pão francês de verdade todo dia, do frio, de andar, andar e andar, das
aventuras do metrô, do parquinho. Tantas saudades que tá até difícil escrever
sobre essa viagem, preciso fazer um post sobre todos os lugares que visitamos,
mas antes queria contar um pouco sobre como foi nossa rotina por lá e como
“vivemos” ou “sobrevivemos” nos oito dias que ficamos com Maria. Bella (3 anos) e Francisco (1 ano) na capital francesa.
Então, senta, pega um café, que lá vem história e muitas fotos:
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| Paris até na chuva e eu com toda a farofa que usávamos para nossos passeios, faltou uma super mochicla que estava nas costas do Marco enquanto ele tirava essa foto |
O Apartamento e a rotina
A vantagem de alugar um apartamento é poder ter liberdade,
fácil acesso à uma cozinha, além de viver um pouco como se você morasse naquele
lugar. Alugamos no Airbnb, e já contei aqui que achei ótima a experiência.
Ficamos num lugar mais afastado, no 20° distrito, e assim conseguimos passear
tranquilamente pelo bairro com tudo perto, supermercado, padaria, farmácia,
quitanda, loja de queijo, loja de vinho. Metrô pertíssimo. Foi muito bom. E
todas as pessoas foram simpáticas e pacientes com a gente.
O apartamento era um duplex, então a escada foi um ponto de
tensão pra gente, mas sobrevivemos. Francisco caiu algumas vezes e inclusive
ganhou um roxinho na testa numa dessas aventuras dele no auge do seu momento de
exploração com um ano. Na parte de cima, tinha uma cama de casal e na parte de
baixo um sofá-cama enorme. Para evitar contratempos, eu dormi na parte de cima
com o Chico e o Marco dormiu com as meninas na parte de baixo. Pra elas foi
ótimo, não acordaram nem pra fazer xixi. Pra mim, foi uma rotina de voltar a
dar de mamar pro Francisco muitas vezes durante à noite, mas também foi
tranquilo.
Depois que conseguimos nos ajustar ao fuso-horário,
acordávamos umas 9h e aí começava o processo de arrumação para sair. Tomávamos
café, olhávamos o caminho do metrô para o lugar que a gente queria ir, colocava
o FranChico no mochilik, mais carrinho duplo e mochila, lá íamos todos explorar
Paris, por volta de umas 11h. Geralmente, voltávamos umas 20h pra casa, o tempo
passava voando.
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| A tal da escada |
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| Bagunça de mala e brinquedos e uma parede roxa |
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| Jantar servido |
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| Minha cama e do Chico |
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| Adorava abrir a janela de manhã e ver essa vista |
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| O corredor do prédio. Encontre um menino camuflado |
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| Prontos para sair para mais um passeio |
Comer, comer
No caminho até o metrô para ir pro nosso passeio, a gente
passava no mercado, na quitanda ou na padaria para comprar comida para um
piquenique, mas sempre íamos comendo no caminho ou dentro do metrô. Então, o
almoço era uma fruta (ou várias) com pão, basicamente. Mas, preparem-se: as
frutas são caras, entrei no modo estou de férias e “quem converte não se diverte”
e haja framboesa e morango! E, quase sempre, quando a gente chegava no lugar
que ia visitar comprava alguma coisa por lá: sanduíche, crepe ou as famosas
gaufres (waffles).
Arriscamos ir em restaurantes duas vezes. Se aqui no Brasil
já é difícil sair com três crianças pequenas, imagina na França. E gastar muito
para comer correndo ou pela metade não estava nos nossos planos. Mas, no primeiro
dia fomos no Hippopotamus, uma rede que é bem kids friendly, apesar dos pratos
não serem nem um pouco saudáveis, ao meu ver. Eram 15h, o restaurante estava
vazio e fomos super bem atendidos, foi tranquilo até. Quando fomos no Jardin
Tulliers também fomos num dos restaurantes de lá e a comida foi ótima e o
comportamento das crianças também nos primeiros vinte minutos, mas depois Maria
saiu correndo, viu uma poça de “lama”, que não verdade era areia, e foi a
atração pros turistas pulando e se molhando toda lá, com a Bella imitando logo
em seguida.
Além das frutas e do pão (croissant, mais conhecido por aqui
como “pão macio”, era o preferido das meninas), algumas vezes usamos aquelas
máquinas de comida no metrô para nos salvar de um momento de desespero ou fome
extrema e compramos o que os franceses chamam de “compote” ou compotas de
frutas que vem num saco para chupar. Toda criança francesa adora aquilo é
impressionante, e existem versões sem açúcar.
O jantar eu fazia no apartamento. Geralmente, uma massa. Mas
também comemos pizza comprada no mercado, salada com pão, e um risoto de uma
loja de comida italiana que tinha perto do nosso apartamento. Também compramos
uma carne no mercado um dia e só, porque ô coisa cara. Depois que as crianças
dormiam, eu e o Marco íamos comer frios, queijos e outras deliciosas gordices
com vinho e conversávamos (baixo pra não acordar ninguém) sobre o dia e o que
íamos fazer no dia seguinte.
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| Maria e Bella comendo nutella pela primeira vez na vida |
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| Piquenique no Jardim Tulieres |
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| Foi uma viagem de muitas primeiras vezes para as crianças, aqui comendo éclair ao lado da Notre Dame |
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| Em vários parques de Paris você encontra esses "bebedouros" com água pronta para beber |
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| Pausa para um chocolate quente (outro primeiro) em Versailles |
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| FranChico tomando sorvete pela primeira vez também |
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| Suco de maçã o nosso favorito na viagem |
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| Prato do dia em um restaurante no Jardim Tulliers |
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| Comprando pão na padaria da esquina |
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| Nosso jantar/piquenique no chão depois que todos dormiam |
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| Quitanda nossa de quase todo dia |
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| Francisco se acabando no pão francês, de verdade |
Para se locomover
Nas idas e vindas do aeroporto usamos táxi. Chegamos pelo
Orly e a corrida até o apartamento saiu por volta de 50 euros. E depois quando
fomos pegar o avião para Montpellier usamos o Uber, que é maravilhoso e pedimos
um carro grande, quase uma van, que coube as malas, os três carrinhos e nós
cinco com conforto. Vale muito a pena.
Em Paris, metrô é vida. Vale a pena baixar o app oficial do
metrô, o RATP. Ele tem a versão em inglês que é bem mais fácil de entender,
“Visit Paris by Metro”, que ajudou bastante. Em dois dias já estávamos craques
nas linhas. Mas, tivemos que nos adaptar a coisa de subir e descer de escada
com o carrinho. Usamos o simples com cada uma das meninas e o Francisco no
mochilik comigo e o duplo com elas. E o nosso bom e velho duplo foi a melhor
escolha. Ensinamos pras duas que tinha que descer toda ver que tivesse uma
escada e o Marco carregava o carrinho sozinho fácil. É claro que rolaram muitos
“eu não quero descer”, “não quero ir de escada”, até elas se acostumarem, mas
depois elas entraram no ritmo e curtiam muito o metrô todos os dias. Teve um dia
que pegamos ônibus, mas foi esquisito, cheio de gente esquisita e lugares
estranhos, porque estávamos longe do centro, então não achei muito seguro, mas
no fim deu certo.
Temos uma história memorável no metrô. Um belo dia, no meio
da viagem, quando achamos que já estávamos craque nas idas e vindas do metrô,
fomos entrar num vagão e eu fui primeiro com o Francisco no sling e o Marco
veio atrás com o carrinho com as meninas, como sempre fazíamos, mas aí começou
a descer e entrar muita gente e o carrinho foi ficando pra atrás, quando eu vi
que o Marco não ia conseguir subir tentei descer, mas já fiquei presa na porta
e alguém me puxou pra dentro. Olhei pra cara do Marco e só deu tempo dele dizer
“me encontra na próxima” e depois vi o desespero das meninas, que tadinhas,
choravam gritando “mamãe”, chega doeu o coração. Ainda fiquei na dúvida se ele
queria dizer na próxima estação ou na estação que a gente deveria descer, mas
como imaginei que as meninas estavam assustadas desci na seguinte e esperei.
Deu certo. Mas foi um susto e tanto. Depois disso, o Marco sempre entrava
primeiro e muitas vezes esperávamos o próximo quando o carro do metrô estava
muito cheio.
Resolvemos andar de Batobus também um dia para conhecer a
cidade pelo Sena, mas não foi a experiência que a gente imaginava, talvez
porque fomos em uma hora crítica em que todos estavam com sono. Eles ficaram
inquietos e não paravam no barco acabamos descendo em outro ponto que já
conhecíamos e indo pra casa de metrô depois. Tá aí um passeio para fazer quando
eles estiverem um pouco mais velhos, eu acho.
No mais, andamos muito, o melhor jeito de conhecer uma
cidade. No meio do caminho encontramos boas surpresas e muitos parquinhos.
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| No trem a caminho de Versailles |
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| Da janela |
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| Em uma estação qualquer de metrô |
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| Essa cena se repetiu muitas vezes durante o dia |
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| No Batobus |
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| Dentro de um vagão do metrô milagrosamente vazio |
Cadê o banheiro?
Banheiros, como eu previa, foram a parte mais chata da
viagem. Paris tem banheiros públicos e
grande parte das atrações também, então não tivemos que buscar alternativas (ou
seja, fazer no matinho). No entanto, a vontade delas surgia, às vezes, nas
piores horas e nem sempre o banheiro estava tão disponível assim. E umas duas
vezes eu fui com os três no banheiro (Francisco no sling) e foi o caos, do
nível meninas pegando em tudo e se esfregando no chão, pelo menos um de três
chorando e eu gritando com todo mundo. Até que pensei um pouco e passei a
deixar o Francisco com o Marco mesmo que ele chorasse porque queria ficar
comigo. Na Torre Eiffel tem um banheiro público e gratuito meio escondido
(atrás das bilheterias), mas ótimo e super limpo. Aliás, eu chamei de “banheiro
nazi” porque os fiscais dão bronca nos turistas e quando eu saí do box com as
duas, tinha uma italiana se olhando no espelho e passando batom e já chegou uma
senhora da limpeza gritando em francês “saí, saí, que eu quero limpar” ou algo
do tipo hahahaha Eu só lavei as mãos das meninas e corri de lá também.
No dia que fomos na Disney Store na Champs Elysée também
ficamos procurando banheiro. Achei um daqueles públicos luxuosos que custam 2,5
euros e estava uma fila, as meninas começaram a fazer uma bagunça louca e eu
sem paciência alguma pois o nosso passeio tinha sido estragado pela chuva
(coisas que acontecem quando se viaja: frustações), eu peguei as duas pelo
braço e saí dizendo que ninguém ia mais no banheiro. Quando finalmente chegamos
na loja elas esqueceram do xixi e ficaram encantadas com tudo e aí só fomos
lembrar do banheiro meia hora depois. Perguntei pra vendedora (que era
portuguesa, aliás) e ela disse que lá não tinha banheiro (como pode?), que eu
fosse no restaurante ao lado. E pensei: mas vou assim na cara de pau? Saí com
as duas andando e de repente Maria começa a gritar: “tá doendo, mamãe!”. “Tá
doendo o quê, meu amor?”. “Minha vagina”. Em poucos segundos, ela estava
gritando pela Champs Elysée: “minha vagina tá doendo”. E chorando. Me deu uma
dó e eu como boa mãe desesperada depois de entrar até na Zara pra ver se tinha
banheiro, resolvi ir direto pro restaurante mesmo. Entrei como se fosse uma
cliente com uma menina no colo e outra na mão e desci a escada sem olhar pra
atrás. Problema resolvido e depois voltamos pra loja prontas para levar Anna e
Elsa pra casa.
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| Fila para o banheiro públio auto-limpante |
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| Nossa entourage no palácio da Maria Antonieta |
Paris hoje e sempre
Acho que aprendemos muito com a viagem e as crianças,
especialmente Maria e Isabella, também. Foi muito bom sair da zona de conforto
e enfrentar alguns desconhecidos. Testamos nossa paciência muitas vezes,
aprendemos a respirar fundo e respeitar o tempo deles. Quando voltamos pra casa
(depois da difícil tarefa de se acostumar como o fuso-horário), a mudança era
notável, parece que a nossa rotina ficou mais leve e mais fácil. Meninas pedem
para voltarmos e acho que vamos fazer isso sempre que puder e sempre que o
sonho deixar.
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| Eu e FranChico apagado no nosso essencial Mochilik da www.petliksling.com.br |
Uma dica para pais que viajam com crianças pequenas:
Não deixem de pesquisar muito sobre a cidade e como ela
funciona antes de ir. Organize-se, faça um roteiro, leia blogs e veja
depoimentos na internet.
Aqui o post com as dicas para viajar com três pequenos
E
também dois links que eu li bastante antes de viajar para Paris,
especificamente:
terça-feira, 9 de junho de 2015
De peito aberto
“Mantenha-se forte. Amamente
com orgulho. Você está fazendo o que é melhor para você e sua família. Toda vez
que você compartilha uma foto de amamentação ou amamenta em público sem sentir
vergonha, está ajudando outras mães. Elas podem não dizer, mas vêem você. As
crianças vêem você. Adolescentes vêem você. Eles estão aprendendo com você o
que é socialmente aceitável. Você é a mudança. Não deixe ninguém pôr você para
baixo. Nossos filhos vêm em primeiro lugar”, (ativista americana Paola Secor).
Vi essa frase no perfil do
instagram @enquantoeuamamento e achei perfeita. Para quem ainda não conhece o
blog direito, a minha história com a amamentação é a seguinte: amamentei as
meninas até os 8 meses com complementação e o Francisco mama em livre demanda
desde que nasceu até hoje com 1 ano e 3 meses e sem data para terminar. Com as
meninas, eu e a amamentação éramos grandes desconhecidas. Eu achava que era
questão de instinto e levei um tapa na cara logo após o parto. E vamos
combinar, não ajudava em nada ficar com pudor. De, em cada mamada, esconder
logo peito. Era quase natural fazer isso, fazer o não natural. A gente cresce
justamente nos afastando de algo que deveria ser instintivo, colocar o peito
pra fora e alimentar o filho. Eu lembro de até pedir uma vez pro meu pai parar
de tirar foto enquanto eu estivesse amamentando porque eu não gostava. Acho que
esse afastamento com meu próprio corpo, com o meu peito, não facilitou em nada
o processo de amamentar.
Ser mãe é um processo e
amamentar faz a gente entrar em contato com o nosso íntimo, como em quase tudo
para quem se entrega na maternidade. Por que eu sentia aquela vergonha toda? Eu
não gostava nem do cheio do leite! Como pode? Se eu tivesse me entregado e
confiado no poder do meu corpo, se tivesse mesmo virado um pouco índia seria um
pouco diferente. Pra ficar assim de peito aberto é importante também se rodear
de pessoas que pensam que a amamentação é um ato natural e necessário. A mãe
precisa de suporte, seja do marido, da família, dos amigos e, por sorte nossa,
em tempos modernos ainda temos os grupos virtuais que ajudam muito. As nossas
mães mesmo viveram outro momento, onde mamadeiras, bicos e leites enriquecidos
com maisena eram uma ótima solução, mas era outra época. Por isso, insista na
amamentação, esqueça esse papo de que o bebê vai ficar mal acostumado no peito,
que não pode chupetar, ou dormir com o peito na boca. Pode tudo. Isso é livre
demanda, minha gente! Se joga, índia moderna! Afnal, amamentar também pode ser
transformador. Não é nada fácil. Mas amamentar te faz entrar em contato com o
feminino, com você mesma.
Com o Francisco já foi
diferente. Eu já sabia o que me esperava, que o peito ia doer, que era preciso
se entregar. Porque eu descobri no meio do caminho que não precisa de empoderar
apenas para o parto, para amamentar também. A gente não pode ter vergonha do
que é natural e de ninguém. Agora, com o Francisco com mais de um ano, eu
comecei a perceber que muitas vezes eu ficava meio retraída em dar de mamar em
público. Antes mesmo de escutar alguma crítica por amamentar de forma
prolongada eu mesma já antecipava aquilo. Então, relaxei. E ler essa frase “amamente
com orgulho...” me deu ainda mais segurança. Insista, persista, amamente, vale
a pena.
*foto feita pela Maria no celular do Marco enquanto a gente passeava por Paris no batobus
terça-feira, 2 de junho de 2015
Como viajar para Paris com três crianças pequenas e um sonho realizado
Então, nós fomos para Paris.
Na verdade, para a França porque passamos no Sul para
visitar uma amiga virtual, que aliás eu conheci através do blog, e foi maravilhoso!
Ir para Paris era um sonho de muito tempo. Algo que eu
queria ter feito há muito tempo, mas nunca tinha grana ou disponibilidade, mas
acho que não tinha mesmo era coragem. Então, foi uma coisa bem louca mesmo,
como vocês estão imaginando. Um dia acordei e pensei: “eu quero ir pra Paris”.
Esperei uma promoção de passagem e vi que com o dinheiro da minha previdência
conseguia ir. Depois que eu comprei as passagens não teve mais volta. Fiquei
com frio na barriga, gastei tudo o que eu podia e o que não podia, pensei em
desistir, me achei louca. Mas também pensei em o quanto a vida é curta e como
eu quero aproveitar o hoje e o agora. E como o Francisco ainda não paga passagem
só por mais um ano, tinha que ser agora.
Não levar as crianças estava fora de cogitação. Nunca
imaginei viver isso sem elas. Não é só porque o Francisco ainda mama e seria
injusto deixar as meninas e ir com ele. E não me interessa que eles não vão
lembrar de nada, que não iríamos aproveitar tudo, etc, etc. Foi uma loucura
mesmo, caótico em alguns momentos, mas eu e o Marco teremos as melhores
lembranças dessas nossas primeiras férias como família de cinco. Vivemos muita
coisa nesses 16 dias e todos nós crescemos muito. Sei que esse assunto sempre é
polêmico e até deu discussão lá no meu instagram (@familiamoderna), mas
resumidamente, é isso: eu resolvi ter três filhos, né? Então, “toma que o filho
é teu”, como diria minha tia-avó. Quando eles ficarem maiores e adolescentes e não tiverem saco pra viajar com os pais, a gente viaja sozinho. Ponto
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| Franchico no Jardim Tulliers |
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| Chuva e cansaço também rolou |
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| E teve amor em triplo |
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| Bella e Maria nos jardins de Versailles |
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| No sul da França em uma aventura com seis crianças |
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| Pont Du Gard |
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| Com a Lili e os nossos, faltou FranChico que tava no mochilik |
Tenho muita história para contar e vou tentar dividir os
posts sem me alongar muito. Vou tentar compartilhar aqui a nossa experiência e
o que funcionou e não funcionou pra gente. Pra começo de conversa, aí vão
algumas dicas e coisas que planejamos antes da viagem que foram essenciais para
nós e para viajar com três crianças pequenas.
- Alugue um apartamento
Nós alugamos um apartamento no Airbnb e foi ótimo! Super recomendo.
Alugamos com um brasileiro, mas ele não estava em Paris e quem entregou as
chaves foi um amigo dele francês que nos deu altas dicas (inclusive que nosso
apto ficava a 500 m de uma das melhores padarias de Paris) e depois ainda levou
a gente no Marais mostrando tudo! E levou um vinho de presente pra gente! Conseguimos
um apartamento um pouco mais afastado do centro, mas com um preço ótimo e em um
bairro bem tranquilo, no 20° . Como não era uma localização turística, achamos
que as pessoas foram mais pacientes e simpáticas quando atenderam a gente.
Aliás, eu me surpreendi muito com os franceses, sempre escutei coisas horríveis
sobre eles serem grossos e blá blá blá, mas encontrei muitas pessoas simpáticas
e dispostas a nos ajudar, não sei se é porque estávamos com crianças. E começar
uma conversa sempre com um “bonjour” ajudava, eles apreciam o esforço de tentar
falar francês.
- Leve um carrinho e/ou mochilik
Nós levamos o carrinho duplo das meninas e já prevíamos que
elas iam dominar os assentos em todos passeios. Minha ideia era levar o
Francisco no sling, de preferência o wrap, mas aí encontrei o mochilik da
Petliksling (http://www.petliksling.com.br/)e foi além das minhas expectativas. Ele alia o aconchego do sling com
a praticidade do canguru e foi perfeito. Francisco passou muito tempo ali
comigo, dormindo ou acordado, quase não ficou no carrinho. E quando íamos para
os parques ele ficava solto brincando com as meninas. Usei todos os dias e
agora que voltamos estou até sentindo falta de usar, pode? Super recomendo! Um
produto 100% brasileiro e acomoda muito bem os bebês e crianças até 20kg.
- Prepare-se para perder dinheiro
Essa parte eu descobri no meio do caminho. Quando você sai
com três crianças sempre tem gastos imprevisíveis para começo de conversa, seja
um brinquedo, muitos lanchinhos no meio dos passeios ou imprevistos. Nós
tivemos que comprar dois carrinhos lá porque perderam o nosso, por exemplo. Por
sorte, acharam logo em seguida e, no fim, ficamos com três carrinhos sem saber
o que fazer. Também deixamos sacola cheia de comida em loja, esquecemos tickets
de metrô no apartamento, compramos ingresso errado em Versaillhes, e o pior de
todos: perdemos nosso voo para Montpellier e a passagem não era reembolsável,
ou seja, preju total, porque chegamos atrasados no aeroporto.
- Faça um roteiro
tranquilo mas não se apegue
Quando a gente resolveu ir, minha amiga, que mora na França
e tem três filhos, me aconselhou a fazer um passeio/local por dia. Mas eu a
louca surtada das viagens que quer fazer mil coisas pensei que podíamos esticar
até uns três. Porém, ela estava certa. Acho que só conseguimos ir em dois
lugares um dia só. Ainda sim, como tinha programado dois lugares todos os dias
foi bom porque me deu opções. Pegamos dois dias de chuva e tivemos que
improvisar na hora o que fazer. E alguns lugares que eu queria muito conhecer
como Montmartre (Amelie não foi dessa vez) e o Museu Rodin e não deu. O bom é
que agora vou ter que voltar lá, né?
- Não tenha medo do avião
Um dos maiores medos do Marco era passar nove horas dentro
do avião com os três, mas foi super tranquilo e muito disso porque estávamos
tranquilos também. Vimos que não ia ter jeito, era preciso passar por aquela
etapa para chegar no nosso destino, então relaxamos. Pras meninas, andar de
avião foi o máximo. Em algum ponto da viagem, eu perguntei pra Bella: o que
você mais gostou até agora? E ela disse: do avião! Hahahahahaha Francisco se
comportou bem também e milagrosamente ficou no meu colo numa boa. Levamos
brinquedos, caderno de colorir, massinha, mas o entretenimento mesmo foi o
avião, de fato. O que foi terrível: ficar cinco horas no aeroporto de Lisboa
para pegar o voo para Paris. Foram as piores cinco horas da minha vida porque a
gente não dormiu direito no voo e as crianças estavam super agitadas, Portanto,
se você vai fazer escala aconselho que o intervalo seja de umas duas horas no
máximo, foi assim pra gente na volta e foi ótimo. A volta foi um voo de dia e foi
bem cansativo, Francisco não queria ficar no colo do Marco e chorava horrores
quando eu ia no banheiro, não conseguimos bercinho então ele ficou no meu colo
o tempo todo, além disso, não tinha muito o que ele fazer então o bichinho
grudou no peito. Eu não consegui comer direito e acabei passando mal com náuseas,
essa parte foi bem chata. No mais, meu conselho para avião é simples:
tranquilidade, paciência e desapego dos olhares alheios quando o seu filho
chora funcionam bem.
Aguardem mais posts com o resto da viagem porque tem é história pra contar ;)
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