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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Relato de amamentação de gêmeos - Mari Perestrelo Campagnoli

Amamentar é natural, mas não é um caminho fácil, como quase toda mãe sabe. Precisamos nos informar, aprender, doar, entender, lutar. Quem lê o blog sabe que esse é um assunto que eu não consigo parar de falar e nem acho que deveria, quanto mais a gente falar sobre ele, mais uma nova cultura de amamentação vai se inserindo dentro das famílias modernas. 

A amamentação de gêmeos, então, é um caminho ainda mais árduo, mas que vale muito a pena. Precisamos de muito apoio e informação, e precisamos, em especial,  saber que é possível. Lembro muito bem quando eu tive as meninas ouvi vários comentários do tipo "mas como ela vai conseguir?" ou "é impossível não complementar com gêmeos". Eu amamentei as meninas até os 8 meses, mas sinto que poderia ter feito muito mais se tivesse empoderada. Para tentar disseminar essa amamentação exclusiva é possível, aí vai um lindo relato feito pela Mariana Perestrelo Campagnoli, mãe da Carolina e da Clara, que primeiro lutou por um parto natural gemelar e depois venceu os desafios da amamentação em dose dupla. Inspirem-se:


Mari e suas meninas. Foto: Renata Penna



"Devo começar contando que fui uma bebê bem mamoma rs. Minha mãe e irmãos contam que eu mamava o tempo todo! Sem nunca usar mamadeira ou chupetas, mamei até três anos e pouco! Cresci ouvindo que, não importava onde estivéssemos, se eu quisesse mamar, ia lá e pegava o tetê. Simples assim. Para mim, isso sempre foi o curso natural das coisas.
Dito isso, cresci, casei e engravidei - de gêmeas!
A vida tem dessas surpresas...
E eu, que a vida inteira dizia que nunca daria mamadeira ou chupeta para meus futuros filhos, me vi num túnel sem luz no final. A amamentação de um bebê já não é incentivada, imaginem vocês de dois!

Durante os nove meses de espera, conheci outras mães gemelares que tinham conseguido amamentar exclusivamente e prolongadamente, e fui vendo que, mesmo sendo difícil, seria possível.
Linha dura que sou, decretei: Na minha casa não entra leite artificial, mamadeira ou chupeta.
E confiei, né?! Porque até elas nascerem tudo que eu podia fazer era me informar e confiar.
Ouvi de tudo nesse período: que seria muito difícil, que as mulheres de hoje não produzem leite bom como no passado (???), que mataria minhas filhas de fome por um capricho.Cheguei a ganhar um limpador de mamadeiras não identificado no meu chá de bebê (obrigada, serviu para limpar os potes onde eu armazenava o MEU leite), e também um pote de guardar leite em pó.

Enfim as meninas nasceram, num lindo parto normal, vieram imediatamente para o meu colo, e mamaram na primeira hora de vida! Para evitar alguns protocolos do hospital, levamos uma ótima pediatra já para a sala de parto, o que nos livrou do leite artificial e/ou água glicosada no berçário (procedimento padrão em grande parte das maternidades que insistem em separar os bebês saudáveis de suas mães).

Chegamos em casa e o medo de não dar conta chegou junto com o turbilhão de emoções do puerpério. As dores da adaptação à amamentação e a exaustão por não dormir por mais de 1:30h seguidas me fizeram chorar de desespero.
Mais uma vez, conversar com quem já tinha vivido essa experiência me tranquilizou!
Além disso, chamei uma consultora de amamentação pra vir em casa, foi o melhor investimento que fiz na vida!!! A Fabiola, além de saber tudo de aleitamento, sabe tudo sobre puerpério, e, não fossem as palavras dela, eu teria sucumbido. Com ela aprendi sobre a pega correta, posições para amamentar as duas bebês simultaneamente e, o principal: aprendi a deixar fluir e confiar em mim e nas minhas meninas. Nosso corpo é perfeito, foi feito pra isso, e saberia muito bem dar conta da missão!

Os dias foram passando, meu corpo foi se adaptando a não dormir mais como antes, e eu aceitei que esse período é muito breve comparado com toda vida que temos pela frente, e certamente vai passar mais rápido do que eu imagino que vá - e provavelmente sentirei a maior saudade de ter as duas plugadinhas em mim.
Quando as meninas estavam com dois meses e alguns dias, comecei a me sentir muito mal. Nesse período estava me preparando para ordenhar leite e deixar de reserva para um casamento em que seria madrinha, então precisava garantir que caso elas quisessem mamar durante a cerimônia ou sessão de fotos, alguém oferecesse o meu leite. Queria tanto garantir que estimulei demais e ganhei uma mastite. Cuidei, e a dor no seio passou, mas continuava me sentindo mal. O diagnóstico? Dengue. E, indo contra as recomendações médicas, segui amamentando em livre demanda, sem oferecer nenhum outro leite pra elas. Mais um perrengue superado!

Pouco antes dos quatro meses, foi hora de voltar ao trabalho. Comecei a preparar o estoque de LM uns 20 dias antes de voltar, e nesse período enquanto não estava amamentando, estava com a bomba dupla acoplada nos seios. Com a prática chegava a ordenhar 350ml em menos de 10 minutos! (foram muuuitos dias pra chegar nesse marco, sempre com a bomba dupla). Voltei, e elas tomavam o LM no copinho, colher ou copo de bico rígido. Passamos alguns dias nessa louca rotina, até que optei por sair do trabalho e cuidar integralmente delas.

Chegamos aos seis meses de amamentação exclusiva! Enfim começaríamos a introdução de alimentos, e eu pensava que elas passariam a mamar menos. Engano meu!
Carolina e Clara só queriam saber de tetê!
Foram três, quase quatro, longos meses para que elas, de fato, aceitassem outros alimentos. E a partir de então passaram a comer super bem, e continuaram também mamando muito bem!
Agora já são 20 meses de amamentação gemelar, e elas nunca tomaram outro leite que não fosse o meu. Comem muito bem, alimentos saudáveis e nada de industrializados, e crescem e se desenvolvem num ritmo alucinante.

O que mais tenho escutado recentemente é: "mas até quando elas vão mamar?"
Querem saber minha resposta?
Do fundo do meu coração, não sei!
Espero, claro, que seja até quando elas não queiram mais. Vai ser até quando estiver bom para nós três. Quando, juntas, eu e elas, decidirmos que não queremos mais.

Essa relação é só nossa, e tenho pra mim que deu (e segue dando) certo, porque nunca permitimos que outras pessoas tivessem poder de nos influenciar. É o laço de amor mais forte e valioso da minha vida, e até a última gota de leite, seguirei cuidando com todo amor do mundo"


Para ver outros posts sobre amamentação clique no marcador #amamentação aqui do blog 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Por uma nova cultura de amamentação

Há algumas semanas milhares de pessoas compartilharam a foto da apresentadora Fernanda Gentil com um depoimento sobre a amamentação e como não foi possível pra ela. Quando eu li o texto senti muito pela Fernanda e por todas as mulheres que iriam se identificar com aquela foto, senti mais por saber o que causava essa frustração nela, um problema que eu mesma passei na minha primeira gravidez: falta de informação e apoio. Muitas mulheres não conseguem amamentar e não é porque o leite secou ou pelo bico invertido, por exemplo, é porque não temos uma cultura de amamentação que incentiva e nutre a mulher com os dados certos. Desde de casa até os próprios profissionais dentro da maternidade. Amamentar não é fácil, automático ou instintivo, e por isso passamos por um processo para conseguir alimentar nossos filhos de forma natural. Estou cansada de ver mulheres frustadas com isso, carregadas de culpa, sem poder ter a experiência transformadora que é amamentar.


No mês passado participei de um projeto de um casal muito querido e amigo, o Sávio e a Irmina, pais de dois, e criadores do Panoptes Fotografia Criativa, que queria justamente quebrar preconceitos e incentivar a cultura da amamentação. Eles fotografaram uma série de mulheres amamentando em espaços públicos para mostrar que podemos estar inseridas em qualquer cenário e não precisamos ter vergonha de dar o peito. Eu tinha escrito um depoimento para eles sobre a minha história com a amamentação e senti que precisava compartilhar aqui também

“Minha primeira experiência com a amamentação foi dolorida, não foi como eu imaginava ou queria. E acho que alguns dos “pré-conceitos” que eu tinha sobre amamentar não ajudaram em nada. Achava que dar de mamar era instintivo, mas tive pouquíssimo contato com quem amamentasse. Na minha cabeça todo bebê mamava mamadeira, mesmo que ele mamasse no peito, foi assim comigo, com meus primos, meus vizinhos, meus amigos, porque não seria com meus filhos? Também fui uma dessas pessoas, antes de ter filho, que olhavam torto para uma mulher que tira o peito pra fora e amamenta o filho em qualquer lugar. Amamentar até os dois anos? Coisa de gente louca, só podia. Enfim, sabia que amamentar era algo natural, mas acho que pra mim nem tanto, né? Quando eu dava de mamar para as meninas e elas soltavam o bico eu ia logo cobrindo peito, tentava não mostrar, ficava inibida. Talvez pelos comentários que eu ouvia dentro da minha própria família que a mãe que amamentava “não precisava ficar com peito pra fora”. Foi só lendo muito, minada de informações que eu fui conhecendo o poder do leite materno e os benefícios que ele traz não só para o bebê como pra mãe. E com a segunda gravidez/terceiro filho me senti segura e com a liberdade, porque essa é a palavra certa neste caso, de amamentar meu filho, quando quisesse e aonde quisesse. Me libertei dos meus medos e de todos esses conceitos e foi um processo para chegar até aqui. Por isso vejo como é importante quebrar essas imposições que foram impostas nas mulheres, especialmente na geração das nossas mães. Amamentem com orgulho, seus filhos não estão sendo beneficiados só com nutrientes, mas estão inseridos dentro do que é natural e real”.















A melhor forma de se preparar para a amamentação é com informação. Essas questões abaixo NÃO impedem uma mãe de dar o peito para seu bebê, procure ajuda segura e confie em você:






Para continuar com o projeto e levar aos quatro ventos, eles criaram o instagram @mamaco_no_espaco para não apenas divulgarem as fotos, como manter a janela aberta para o movimento. Para saber como participar das próximas intervenções e conhecer mais o projeto é só seguir os passos dos fotógrafos por lá. 



- Mamilo invertido/plano/pequeno amamenta com pega correta e orientação de profissional atualizado
- Prótese de silicone = amamenta normalmente
- Redução de mama = amamenta na maioria dos casos com acompanhamento profissional atualizado
- Sentir dor = só dói se a pega estiver incorreta ou o bebê tiver alguma dificuldade fonoaudiológica, nestes casos correção de pega e posicionamento, atendimento fonoaudiológico = amamenta
-  Leite não desceu = o leite sempre desce com estímulo de sucção do bebê, em algumas mulheres pode demorar até 5 dias, é normal e o bebê tem reservas durante este tempo e sim, quando eles choram nem sempre é fome, bebê chora.
- Leite secou de uma dia para o outro = leite não seca de um dia para o outro, leite só seca sem estímulo nenhum e demora 40 dias ou mais.

Fonte: Mama Neném

terça-feira, 9 de junho de 2015

De peito aberto

“Mantenha-se forte. Amamente com orgulho. Você está fazendo o que é melhor para você e sua família. Toda vez que você compartilha uma foto de amamentação ou amamenta em público sem sentir vergonha, está ajudando outras mães. Elas podem não dizer, mas vêem você. As crianças vêem você. Adolescentes vêem você. Eles estão aprendendo com você o que é socialmente aceitável. Você é a mudança. Não deixe ninguém pôr você para baixo. Nossos filhos vêm em primeiro lugar”, (ativista americana Paola Secor).

Vi essa frase no perfil do instagram @enquantoeuamamento e achei perfeita. Para quem ainda não conhece o blog direito, a minha história com a amamentação é a seguinte: amamentei as meninas até os 8 meses com complementação e o Francisco mama em livre demanda desde que nasceu até hoje com 1 ano e 3 meses e sem data para terminar. Com as meninas, eu e a amamentação éramos grandes desconhecidas. Eu achava que era questão de instinto e levei um tapa na cara logo após o parto. E vamos combinar, não ajudava em nada ficar com pudor. De, em cada mamada, esconder logo peito. Era quase natural fazer isso, fazer o não natural. A gente cresce justamente nos afastando de algo que deveria ser instintivo, colocar o peito pra fora e alimentar o filho. Eu lembro de até pedir uma vez pro meu pai parar de tirar foto enquanto eu estivesse amamentando porque eu não gostava. Acho que esse afastamento com meu próprio corpo, com o meu peito, não facilitou em nada o processo de amamentar.



Ser mãe é um processo e amamentar faz a gente entrar em contato com o nosso íntimo, como em quase tudo para quem se entrega na maternidade. Por que eu sentia aquela vergonha toda? Eu não gostava nem do cheio do leite! Como pode? Se eu tivesse me entregado e confiado no poder do meu corpo, se tivesse mesmo virado um pouco índia seria um pouco diferente. Pra ficar assim de peito aberto é importante também se rodear de pessoas que pensam que a amamentação é um ato natural e necessário. A mãe precisa de suporte, seja do marido, da família, dos amigos e, por sorte nossa, em tempos modernos ainda temos os grupos virtuais que ajudam muito. As nossas mães mesmo viveram outro momento, onde mamadeiras, bicos e leites enriquecidos com maisena eram uma ótima solução, mas era outra época. Por isso, insista na amamentação, esqueça esse papo de que o bebê vai ficar mal acostumado no peito, que não pode chupetar, ou dormir com o peito na boca. Pode tudo. Isso é livre demanda, minha gente! Se joga, índia moderna! Afnal, amamentar também pode ser transformador. Não é nada fácil. Mas amamentar te faz entrar em contato com o feminino, com você mesma.


Com o Francisco já foi diferente. Eu já sabia o que me esperava, que o peito ia doer, que era preciso se entregar. Porque eu descobri no meio do caminho que não precisa de empoderar apenas para o parto, para amamentar também. A gente não pode ter vergonha do que é natural e de ninguém. Agora, com o Francisco com mais de um ano, eu comecei a perceber que muitas vezes eu ficava meio retraída em dar de mamar em público. Antes mesmo de escutar alguma crítica por amamentar de forma prolongada eu mesma já antecipava aquilo. Então, relaxei. E ler essa frase “amamente com orgulho...” me deu ainda mais segurança. Insista, persista, amamente, vale a pena. 

*foto feita pela Maria no celular do Marco enquanto a gente passeava por Paris no batobus

sexta-feira, 10 de abril de 2015

AMAmentar depois de um ano

Teve dor, peito rachado, leite vazado, entrega, descoberta, pomadas, ordenha, momentos de paz, momentos de exaustão, mordidas, comida, peito dolorido, madrugadas acordadas, mas, especialmente, felicidade em poder não apenas nutrir, como dar amor em forma de leite. Eis que passou um ano e lá estamos nós no peito. É claro que agora ele come, às vezes nem tanto. Mama menos, mas nem tanto. É algo tão natural que já dá pra sentir falta daqueles momentos que ainda não terminaram, mas um dia vão acabar.



Apesar de ser lindo e você se sentir vitoriosa, depois de um ano, de repente você se sente um pouco sozinha. Tem sempre aqueles comentários “quando você vai desmamar?” ou quando vê uma conhecida já dando mamadeira e saindo livre leve e solta por aí, fica pensando "e eu?". Amamentação prolongada também implica em mais de um ano usando sutiã esquisito de amamentar e pensar em roupas estratégias para dar de mamar. Em junho vou ser madrinha de um casamento e já estou sofrendo pra conseguir achar um modelo aberto. Outro dia fui na emergência porque estava numa gripe daquelas e perguntei pro médico se podia tomar aquele remédio porque estava amamentando e ele desdenhou: "mas ele já não mama mais tanto assim, né? Não tem problema". Oi? Que tal um "que ótimo que você ainda está amamentando". Né? Amamentar depois de um ano também não é fácil, mas como sempre e como tudo, vale a pena. É saúde pro seu filho, é ainda mais amor e carinho. Existem mil artigos sobre isso, procurem, 

Me sinto muito orgulhosa por amamentar o Francisco do jeito que foi. Sem chupeta, sem mamadeira, sem sequer copo especial. Só peito e água, ou suco, em copo de vidro mesmo. Amamentar pode ser solitário, mas quanto mais natural for ficando pra vocês dois, melhor. E isso o tempo traz. Eu geralmente amamento o Francisco assistindo TV, nos conectamos, é claro, mas também preciso me distrair, né? Já fiquei no celular, mas hoje em dia ele fica louco quando vê o aparelho. Ainda acorda de madrugada pra mamar. E lá vou eu com ele pra sala, ligo a TV, pego a almofada e ele mama e dorme em seguida. Se coloco no berço e ele reclama, a gente volta pra sala e ele mama mais até dormir de novo. Eu até gosto dessas madrugadas, amamentar no silêncio com ele em paz. E ele acorda às vezes uma, às vezes duas vezes e raramente três ou quatro. Antes de dormir, todos os dias, vamos para o nosso festival de mamá. Ele mama, mama, brinca, volta e mama, mama, mama, brinca, mama, durante uma hora mais ou menos. Sei que um dia isso vai acabar, que teremos outro jeito de dormir, por isso aproveito. Por isso, mama, Francisco, mama.

Foto: Panoptes Fotografia

segunda-feira, 9 de março de 2015

Amamentação, a revanche - parte 2

Quando eu penso em amamentação, logo de cara, lembro de mim mesma, grávida de 30 semanas das meninas, sentada num auditório com outras grávidas assistindo um curso sobre amamentação e pensando: “nossa, quanta técnica, por que tão complicado assim? Na hora, vai no instinto”. E eu saí logo em seguida porque estava meio tonta e queria ir pra casa pouco interessada no assunto. Mas acho que no fundo, no fundo, eu estava é com medo e não queria enxergar a realidade que estava na minha frente. No fundo, eu pensava “tá isso dá certo com um bebê, e eu? Como vou fazer com dois?”. Acho que preferi não torcer por antecipação e deixei para lidar com a situação quando ela acontecesse, e quando ela aconteceu eu queria ter me preparado sim. Então, se você está grávida, prepare-se, leia relatos, pegue uma dica aqui e outra ali. E mais importante: entregue-se para aquele momento. Vai doer, vai ser difícil, mas sim, vale muito a pena. O poder de alimentar e acalentar o próprio filho é toda essa maravilha que dizem por aí mesmo. Aqui vai a segunda parte do meu relato de amamentação do Francisco. O primeiro está aqui. Ainda sinto que preciso escrever de novo o relato de amamentação das meninas que pra mim não foi tão bem sucedido como eu queria, mas foi meu e me ensinou muito até chegar aqui.

Bem, se você leu a primeira parte do relato deve saber que: Francisco não mamou nas primeiras horas de vida, deram complemento na maternidade e, assim que ele foi pro quarto, eu recusei e quando o leite desceu o bico do peito inchou e mudou de formato, então tive que trabalhar a pega de novo. Nesse processo aconteceu algo que é bem comum no começo da amamentação: meu bico rachou e ficou ferido. Pode ser sim que a pega do bebê não esteja tão correta, mas pra mim aquilo era parte do processo, o peito precisa ficar calejado para o bebê e o bebê também estava aprendendo a mamar. Por causa das rachaduras e porque o meu peito é grande, eu ficava segurando- o para o Francisco mamar. Fiquei meses segurando o peito com medo do meu bico rachar de novo, e hoje em dia, quando eu vejo que quando ele suga acaba machucando, eu vou lá e seguro de novo. Mas essa coisa de segurar o peito pra mim foi uma barreira também. Fazia isso com as meninas e com o Chico fiz de novo. Eu queria ser daquelas mulheres que abrem a blusa, tiram o peito com a maior facilidade e o bebê já ia direito no mamilo, achava que eu nunca conseguiria ser daquele jeito. Toda vez que eu tirava a mão, ele perdia a mamada e chorava. Achei posições até que consegui me libertar e, mais importante, relaxar. Entrega, entrega, sempre a entrega.
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Pois bem, passado a fase das rachaduras e, quando eu finalmente estava tranquila, veio a dor. Assim que as mamadas terminavam eu sentia uma dor no peito absurda. Era um incômodo terrível e na minha cabeça eu só pensava “isso não pode ser normal” “mas essa agora? Não tava ficando fácil? Mais essa!”. Fiquei preocupada e pensei em mastite e candidíase. Então, fui correr pra minha rede de apoio, amigas virtuais e presentes, para me tranquilizar. Até que descobri que estava produzindo muito leite. Não chegou a ser uma hiperlactação, mas era quase isso. Assim que o Francisco terminava de mamar o meu peito já começava a encher de novo e por isso doía muito. Muita gente me aconselhou a ordenhar, mas cheguei a conclusão que se fizesse só ia atrapalhar o processo. Minha produção de leite precisava se ajustar às necessidades do meu filho. Fiquei mais de uma semana sofrendo, tomei paracetamol pra dor e uma amiga que conheci no instagram (@riotmom) e que mora na Espanha me ajudou muito e me tranquilizou no whatsapp dizendo “calma, que você sabe que vai passar e tudo vai dar certo”. E bem, passou.

Nesse processo de segunda tentativa na amamentação descobri que a gente tem que ser meio índia também. Deixar o bebê mamar tudo o que ele quer e depois quando ele, finalmente, largar o peito, não sair correndo para fechar o sutiã, deixar um pouco o peito pra fora (não precisa ser na frente dos outros). E, mais importante, dar colo, muito colo. Esse aconchego ajuda na amamentação e muito. Ajuda o leite descer e os hormônios do amor. Então, depois que o Francisco mamava eu não tinha pressa de colocar ele no berço, deixava ele no meu colo um bom tempo. E se ele quisesse mamar de novo, tudo bem. Se ele quisesse mamar meia hora depois, tudo bem também. De repente, eu comecei a ver a amamentação não só como uma forma de alimentar, mas como forma de aconchegar. Esqueci quantos mls saem em uma mamada, se ele tinha mamado há duas horas ou dez minutos atrás. Aliás, intervalo de três horas era algo raro aqui em casa. E hoje em dia no auge dos seus 12 meses, a livre demanda persiste.

 Amamentar não é fácil, ainda que parece que está sendo fácil. É entrega, muita entrega. Tem dias que a gente quer desistir, cansa, mas como vale a pena. É uma coisa muito louca mesmo, uma experiência única. Aqui estamos partindo para o segundo ano de amamentação e eu já sinto saudades. Francisco ainda dorme todos os dias no peito, mama quando quer. Se eu mesma tivesse visto este cenário há três anos atrás ia achar inviável e esquisito, mas hoje em dia sei que não há nada de errado em continuar nessa jornada, pelo contrário, só traz benefícios pra mim e pra ele. E que assim seja, amamente enquanto dure e aproveite.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Não existe cólica

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Outro dia encontrei essa foto minha na casa da minha mãe. Meus olhos se encheram de lágrimas, sem mesmo saber por quê. Aquele sorriso de contentamento misturado com os olhos cansados. Não sei. Me deu vontade de voltar no tempo e me dar um abraço e dizer: aproveita agora que essa confusão toda e esse cansaço vão passar. Então, me inspirei e resolvi escrever um post que há tempos está na minha cabeça mas estava sem coragem de escrever ou compartilhar. Um post para as mães de recém-nascidos, especialmente as de primeira-viagem sobre o que essa loucura toda que é a maternidade me ensinou. Um post que talvez aquela Tatiana da foto, totalmente perdida pelo fato de ter duas bebês de poucos meses nos braços não fosse acreditar se lesse. Por isso, aí vai, queridas mães, antes de tudo, acredite:

Não existe cólica. Não existe cólica. Não existe cólica.

É isso mesmo que você leu. Não existe cólica. Seu bebê chora porque ele quer peito, mesmo que ele tenha acabado de mamar. Não é fome, é peito. É aconchego, é carinho, é colo. Não existe cólica. Sim, pode ser algum desconforto, é bem mais provável que seja sono, mas não é cólica. Ele quer seu colo, seu aconchego, apenas isso. Esqueça o cansaço, esqueça todas aquelas vozes que dizem ele vai se "acostumar mal no colo", "que não pode dormir com a boca no peito". É justamente o oposto disso. Não se preocupe que ele vai dormir sozinho um dia e você vai sentir falta quando ele não quiser mais dormir no peito.

Não existe cólica. A verdade é que o bebê, como qualquer bebê, chora, pede por afago e conforto. E estamos tão socialmente ligados na coisa da cólica, "de que todo bebê até 3 meses de idade sofre com elas", que sequer cogitamos qualquer outro diagnóstico que não seja este. Faça um teste. Se o seu bebê mamou e começou a chorar. A sua mãe, avó, tia, amiga, desconhecida, vai dize: "tadinho, tá incomodado. Deve ser cólica". Ou sempre vai ter alguém que te pergunta: "ele não tá tendo cólica, não?".

Com as meninas, eu achei que o choro delas era cólica. Mas não era. Era sono, provavelmente. Era vontade de ficar perto de mim, mas eu estava muito ocupada tentando entender o que elas tinham, por que elas choravam. por que elas mamavam tanto e meu leite parecia não ser suficiente. Queria ter me libertado de todas aquelas frases e conceitos de que "não é fome, não é possível". Não era mesmo, mas elas queria o peito. Só isso. Com o Francisco, consegui me libertar. Dei peito e todo colo que eu achava suficiente. E como foi bom. Eu estava tranquilo, meu bebê tranquilo. Em algum momento, é claro, eu também fiquei cansada, era o tempo todo no peito. E até eu, que tinha certeza absoluta, de que não era cólica, comecei a duvidar. Então, entrei na internet e fui buscar rápido um texto do Carlos González que acalmou meu coração.

Acredite. Não existe cólica. Uma vez que a gente se desapega do tal dos gases, se acalma e oferece o que o bebê realmente quer. Mamou durante uma hora e depois chorou? Então, ainda pode dar mais um peito. Ou ninar. Mamou, ninou, mamou, ninou e nada? Dá um banho e mais peito. Confie nos seus instintos. Seu bebê só precisa de uma coisa nos primeiros meses de vida: você. Tá cansada, quer tomar um banho, comer? Desapega. Dá o bebê pro marido, pra mãe, pra sogra, descansa um pouco. E depois mais peito. Durma com ele no colo, coma com ele no colo. Entregue-se. Seu bebê só vai passar por isso uma vez. Seu corpo ainda está se adaptando ao fato de você não dormir muito, mas acredite, uma dia o cansaço vai passar. Por isso, Tatiana da foto, pegue as duas no colo muito, dê peito, chore, acredite em você mesma e no seu leite. Porque no fim, tudo vai passar. Só o amor e as boas lembranças é que ficam.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Amamentação, a revanche e a livre demanda (Parte 1)

Aqui estou eu, pessoas! Consegui um tempo na vida que acontece por aqui para escrever um post que está na minha cabeça há semanas, mas obviamente o computador está cada vez mais distante de uma mãe de três em adaptação. Porém, vamos aproveitar o tempo disponível, certo?

Amamentar não é fácil. Ponto. Eu amamentei as meninas durante 7 meses e três semanas e foi uma luta. Eu não tinha me preparado pra isso, li uma coisa ou outra na gravidez, mas sempre pensava que era "instintivo", que eu e elas íamos saber o que fazer. Mas não foi bem assim. Como bebês pré-maturos, elas tinham dificuldade para sugar, acabaram recebendo complemento no hospital e eu super mal informada deixei, não procurei um pediatra antes para me orientar, e elas demoraram para pegar no peito e eu sofria. Fomos pegando o jeito com o tempo, mas continuei complementando. No fim de tudo, fiquei com o sentimento que poderia ter feito mais e dessa vez eu sabia que ia ser diferente. Estava preparada para fazer o que a amamentação mais nos exige: entrega, e as meninas me ensinaram isso da primeira vez.

Mama, Fran-chico, mama

Acho que antes de começar a contar como tem sido a minha experiência com o Francisco, precisamos definir uma coisa: livre demanda. Eu me lembro muito bem quando eu ouvi essa expressão, nos primeiros dias no hospital com as meninas, a minha concunhada perguntou: "o pediatra disse para vocês que era pra alimentar de três em três horas ou livre demanda?". Eu olhei pro Marco, ele pra mim, e os dois sem ideia do que aquilo significava ou se o médico tinha falado qualquer coisa do tipo. Pensei: "livre demanda é dar de mamar sempre que o bebê quiser? Então tô fazendo isso". Mas não estava. E livre demanda é muito mais do que isso. É dar de mamar quando o bebê tem fome, quando ele chora, quando ele não tem fome mas quer o peito, uma hora depois de ter mamado, meia hora depois de ter mamado, quatro horas depois de ter mamado, ou independente de quanto tempo ele passou sugando o peito, é não contar as horas (ainda que às vezes a gente conte, é tentar não se importar com elas)

* Para os futuros pais de gêmeos que passam por aqui, fica a dica do que não fazer: com as meninas a gente fez uma tabela com o nome de cada uma para anotar a hora que cada uma mamou e quanto tempo. Eu achando que estava fazendo a coisa mais maravilhosa e esperta do mundo, e achava que ia dar de mamar pra uma e esquecer da outra, mas isso foi um grande erro e atrapalhou muito. Estava focada na fome, na engorda e não no afago, em deixar o leite fluir. Não recomendo ou aconselho fazer tabela.

Com o Francisco estava tão confiante, pensava muito na amamentação durante a gravidez, que senti que até meu peito estava diferente. Fiz um pouco de preparação, mexendo nos mamilos depois do banho, mas não fiquei obsessiva. Quando ele nasceu, foi para a UTI por causa de um desconforto respiratório e nesse primeiro momento já perdi o que eu tanto queria: amamentar na primeira hora de vida. De novo a história se repetia, mais um bebê longe de mim logo depois do nascimento. Fomos visitá-lo e ele estava com a sonda, ele ia ficar mais um tempo em observação porque precisava fazer um exame de sangue pois tinha chance de infecção por conta da bolsa rota, procedimento de hospital. De tarde, tiraram a sonda e eu coloquei ele no peito. Ele deu umas sugadinhas e eu fiquei super feliz. Deixei ele lá com a boca no bico o quanto eu podia. Me falaram que podia voltar em três horas para tentar de novo (olha o tal do tempo lá).

Quando eu voltei, tentei dar o peito de novo e depois a enfermeira pediu pra gente sair um pouco porque ela ia dar o complemento. No caminho, encontrei com o pediatra que disse que ele ia ter alta, tudo ok com os exames. Yay! Demorou pra ele subir pro quartove ainda deram mais um complemento. A enfermeira que levou ele (que é leitora do blog e minha seguidora no instagram, olha que lindo!) me avisou que estava programado mais dois complementos. Nãaooooooooo. Falei pra ela que não queria e ela me apoiou. Ninguém apareceu de madrugada. Ufa. Afinal, se desse complemento ele não ia pegar o peito, oras. A fome é o que ajuda no tal do instinto, que existe sim, mas precisa de um empurrão nosso.

Nessa primeira madrugada juntos, tentei dar o peito depois de umas três horas e ele gorfou feio. Não insisti, achei que ele deveria estar cheio daquele complemento.  Deixei ele no meu colo e dormimos mais um pouco assim. No meio da minha jornada como mãe descobri que colo era bom e ajudava na descida do leite, ajudava a fluir. Nada de "ele vai ficar mal acostumado no colo", e lá ficamos nós. Até que só quando estava amanhecendo ele pegou mesmo no peito. E depois foi indo e foi lindo.

Nos dias seguintes meu bico feriu e o peito doeu, mas continuei porque sabia que era assim mesmo, tinha que "calibrar" a coisa toda. O remédio era o próprio leite que eu passava no bico sempre depois das mamadas. Depois o leite desceu, não me lembro quantos dias depois, mas não demorou. E aí venho um outra novidade. Francisco passou uma madrugada toda sem mamar direito, sugava e parava, lutava contra o peito. Fui logo achando que podiam ser gases. Não acordava ele quando ele dormia quatro horas seguidas, mas nesse dia fiquei preocupada porque ele não tinha mamado e estava dormindo muito. Liguei pra minha parteira para me orientar e ela matou a charada. Como o leite desceu, meu bico inchou e mudou o formato, por isso ele tinha que se reacostumar a sugar. Que alívio. Como já sabia o que era foi só insistir um pouco, usei em alguns momentos a concha de amamentação pra dar formato no bico, que ele voltou a pegar. Ufa.

Tivemos altos e baixos, como todas as mães têm. Alguns dias fico mais cansada e desanimada, cheguei a ficar tensa antes de colocar ele no peito algumas vezes porque doía, mas respirei e tentei deixar fluir, afinal era aquilo que eu precisava fazer, eu precisava alimentar meu filho. Em alguns dias, como um bom guloso, ele mama muito, de hora em hora, durante muito tempo em cada peito. E tudo bem, isso é livre demanda. Sei que talvez não seja fome, mas vontade de ficar perto. Em algumas ocasiões ele começou a dar umas reclamadas de leve e já pensei "ih, são gases" ou "por que ele está mamando loucamente desse jeito?". Aí lembrei de um texto do pediatra espanhol Carlos González que eu li há muito tempo atrás e resolvi ler de novo. E vi que estava no caminho certo.

E temos ficado assim. Não tenho ideia de quantas em quantas horas ele mama, às vezes meia hora, mas já chegou a ter cinco horas. É claro que é cansativo, ainda dói vez ou outra, e como bom terceiro filho eu não atendo o Francisco no primeiro chorinho ou barulho que ele faz no berço, mas estou sempre ali disponível com peito e amor. Sem contar as horas, apenas livremente.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A hora de dizer adeus, o desmame

Eu tentei postergar o máximo possível escrever sobre isso, por isso, vou ter que fazer no melhor estilo band-aid: rápido para não doer. Maria e Isabella pararam de mamar no peito. Aconteceu quatro dias antes delas completarem sete meses. Um dia elas não quiseram mamar direito e eu deixei. No outro eu insisti e elas mamaram uns três minutinhos, no dia seguinte não mamaram, até que no outro dia resolvi não tentar mais. Eu me preparei para aquele momento e resolvi aceitar a primeira ruptura na minha vida como mãe.

Acho que amamentar duas foi uma vitória e eu lutei muito pra isso. Lembro daquele começo sofrido, da tentativa frustada de dar amamentação exclusiva, do bico rachado, do refluxo, das dúvidas. Foi um longo caminho. Eu insitia muito para elas continuarem e quando eu achava que elas não queriam mais, ia lá e insistia mais um pouquinho, e pronto, elas voltavam a rotina. Só que no fim de tudo eu não me senti uma vencedora, confesso, mas um pouco fracassada por não ter conseguido mais. Agora, quase um mês depois tenho orgulho por ter tido a chance de amamentar minhas filhas e vejo que fez diferença na vida delas. Aquela insistência toda fez com que elas aceitem qualquer alimento com mais facilidade e a mamadeira também consegue trazer o conforto na hora da fome.

Sem título

Acho que o que aconteceu foi um desmame lento e isso foi muito bom para elas. Depois que comecei a dar a papainha elas mamavam no peito pela manhã e antes de dormir, sempre com uma mamadeira depois para complementar. Depois começaram a não querer mais durante a noite e por fim, pararam também pela manhã. Acho que elas nem sentiram, eu é que fiquei mais arrasada. Precisei de uma semana para me preparar e ir parando de insistir para elas mamarem no peito. Me despedi aos poucos, o quanto foi possível porque já estava díficil daquele momento ser tranquilo, (as duas ficavam dispersas e pegaram a mania de moder o peito). Mas foi.

Acho que valeu a pena passar por tudo o que eu passei para poder dar meu leite, minha proteção para as meninas, e é bom lembrar da loucura que foi dar de mamar para as duas ao mesmo tempo! Foi lindo e bom quanto durou. Agora, vamos para as próximas fases.



sexta-feira, 9 de março de 2012

A dor e a delícia de ser mãe - a saga continua

Os primeiros três meses têm sido um desafio. Cada dia é uma aventura, o encontro com o desconhecido, a intensidade que chega e não quer ir embora. Quando a gente acha que tá tirando de letra, a página vira. Eu não sei como foi com vocês, mas ninguém me contou que os primeiros meses eram tão intensos. Sim, é um amor que não acaba mais, uma descoberta maravilhosa de um novo ser, porém é um desafio constante e um trabalho sem fim.Cada hora é uma coisa diferente.

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Agora, eu me descobri como uma mãe de coração partido. As meninas começaram a ficar incomodadas de uns dias para cá e não era mais cólica. Acontecia sempre depois das mamadas, especialmente quando elas tomavam o complemento. Desconfiamos de refluxo. Elas choravam, faziam cara feia e tinham dificuldade para arrotar a cada mamada. A Isabella sofria mais. Fomos no pediatra e ele passou uma ecografia para as duas, mas só consegui marcar para o fim do mês. No mesmo dia, elas pioraram. Choraram muito, Isabella vomitou duas vezes e a Maria uma vez. Foi uma madrugada intensa.

No dia seguinte, nenhuma melhora. Isabella não queria comer. Nada de peito ou mamadeira. Elas começavam a chorar muito quando chegavam perto do peito, não era rejeição, e sim de dor.  E acho que, para piorar, mudamos o leite artificial delas, o médico indicou o de soja e elas não se adaptaram. As duas ficaram tão inquietas que eu e o Marco não demos conta sozinhos. Meus pais dormiram aqui em casa ontem e hoje devem fazer o mesmo. Liguei para o médico e ele passou um remédio. E depois outro. Desde então, estamos sofrendo com isso. Elas deram uma melhorada hoje, mas todo o processo é sofrível. Dá um aperto no peito ver as meninas assim. A melhor hora do dia para elas, que é o mamar, ficou difícil. Já chorei com elas, rezei e estou fazendo de tudo para que elas melhorem. E sei que isso vai passar.

O processo não acaba nunca. Primeiro veio a cólica. Resolvemos, as meninas ficaram mais aliviadas e seguimos com a nossa rotina. Eu tava achando que estava bombando na amamentação, que tinha diploma de master, aquela coisa toda, e o que acontece? Tudo muda de uma hora para outra. Há quase uma semana meu bico rachou e fez uma ferida daquelas! Saiu sangue e eu travei. Corri para internet, anunciei no facebook e consegui uma pancada de dicas.

A primeira coisa que eu tentei era obviamente errada: insisti em dar o peito ferido. Saiu tanto sangue que eu fiquei com ânsia de vômito e olha que eu não tenho a mínima frescura com essas coisas. Pobre Maria parecia uma vampira. Chorei, chorei e chorei. E já tinha sentenciado o fim da minha amamentação. Como iria conseguir alimentar as meninas sem um dos seios? O problema, ou melhor, a vantagem é que não dá para desistir tão fácil assim do negócio, o leite ainda tá ali e o peito pede para ser consumido.


Peguei todas aquelas informações que me passaram e tomei como regra as que eu achava que seriam melhor para mim. Resolvi deixar a ferida cicatrizar por 24 horas. As meninas só mamavam em um seio, 10 minutos cada, e depois tomavam a mamadeira. Foi uma loucura. Achei que elas iam querer lagar o peito depois dessa, mas não! Elas ainda estão mamando firme e forte!

Passei o óleo dersani na ferida e no outro bico para prevenir e usei a conchinha de amamentação para não abafar o seio, segundo me aconselharam. Tirei leite do seio ferido, mas mesmo assim ele ficava cheio e o bico ficou sempre úmido de leite, o que foi o melhor remedio para a ferida. O leite materno cura tudo.

No dia seguinte, usei um protetor de bico para amamentar e deu certo. Mas, o outro seio depois de ser muito usado ficou rachado também, é claro. Dei um tempo nele, mas não mais do que mamada. A Isabella não gostou muito do protetor de bico e acabei descartando. No fim, elas estavam mamando bem de novo e os seios estavam menos doloridos. Agora, eu sempre esfrego um pouco de leite depois de cada mamada e estou usando uma pomada de lanolina que uma amiga me deu. E no mais, não quero saber mais de drama na amamentação.

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Sempre juntas e de mãos dadas

É isso. Estamos na luta e a saga continua. E para falar a verdade, apesar do desafio constante, não consigo mais me imaginar fazendo outra coisa a não ser ficar do lado delas. É tão bom cuidar delas. Sinto que amadureci tanto em tampouco tempo e a sensação é boa. E tenho certeza que esta fase vai passar rápido e dias melhores virão.  Amanhã as duas completam 2 meses. Tudo o que eu quero é bolo, guaraná e paz.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Rotina e mais mamar

As meninas estão quase completando um mês de vida e, devo dizer, todo dia é diferente. A gente tenta estabelecer uma rotina, mas como, com bebês tão pequenos? O negócio se resume mesmo a dormir e mamar. Eu estou no seguinte modo: a cada três horas, às vezes duas, às vezes uma, amamentação. Nos intervalos eu como, tomo banho, durmo, tiro leite, dou banho nelas e tento entrar no computador (como agora).

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Nossa vida está de pernas para o ar e eu amo!

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Together forever

É uma fase, eu sei, e foi uma escolha minha. Mas deixa eu contar uma coisa para vocês, pessoas: mães reclamam. Fato. E, às vezes, dá um desespero mesmo, a gente cansa, o peito dói, o mamilo fica latejando, é uma coisa. De vez em quando, eu consigo sair. Fui no salão fazer depilação na semana passada (num momento the flash que não durou nem meia hora) e consegui ir na casa da minha mãe e da minha sogra.

Às vezes, coseguimos descer para tomar um banho de sol. No sábado, fui na casa do meu irmão e elas deram um show. Queriam mamar desesperadamente e ao mesmo tempo. Estava quase desistindo de sair, mas fui firme. Dei um pouco do peito para as duas, 10 minutos cada, coloquei no bebê conforto e fui. Quando chegamos lá adivinha? Elas queriam mais. Amamentei mais uma vez e vim para casa. Assim é a vida.

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Com a Isabella em um super sol

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Pose com a vovó

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As meninas têm uns picos de fome durante o dia, e querem ficar mais tempo no peito. Geralmente, é no final da tarde. E parece que nesta hora é quando temos menos leite. A gente chegou a questionar se é fome mesmo ou o tal do chupetar. Fiquei horas conversando com o Marco sobre isso, sofremos e etc. Quando fui no pediatra ele me aconsehlou a dar o complemento com o leite artificial nesta hora e ontem já colquei em prática. E foi um pouco melhor. Estava lutando para dar o tal do leite em pó, mas acho que não vai ter jeito mesmo. O importante é que elas crescam e engordem! E isso já tá acontecendo. Conclusão que a gente chegou até agora: parar de sofrer em relação a fome e dar de mamar toda hora. Vamos na livre demanda mesmo e no instinto. Quer mamar? Então, bora! É claro que cansa, por isso um apoio do marido ou da mãe sempre ajuda nessas horas. Hoje a coisa já foi muito mais tranquila, amanhã quem sabe?

Para quem está passando por esse processo da amamentação queria compartilhar alguns truques que deram certo e errado comigo:

- Não há remédio melhor para o peito do que o próprio leite. Desde do começo, sempre depois das mamadas, eu passava o meu leite no bico do peito para proteger e deu super certo. Tive pouquíssimas rachaduras, quase nada. Hoje, eu nem faço mais isso, mas acho que no início é essencial.

- Para evitar rachaduras também a minha médica indicou o Dersani. Usei só quando apareceram os primeiros incômodos e não usei toda hora. Agora, uso só depois do banho ou quando sinto algum desconforto no bico.

- Eu comprei e usei nos primeiros dias aquela concha de silicone para o bico. Dormia com ela no hospital e acho que ajudou a estimular a coisa. Mas o negócio é bem desconfortável, aboli depois que elas começaram a se virar na amamentação.

- Cadeira de amamentação eu ganhei, usei nos primeiros dias e também aposentei. O braço era muito alto e me dava dor nas costas. As meninas também demoravam a pegar o peito na cadeira. A melhor coisa foi na cama e no sofá da sala. Agora, ela serve apenas para embalar bebês. Também tenho aquela almofada de amamentação e essa achei super útil, uso sempre

- Vamos nos distrair. No início, quando eu dava o mamar, sempre ligava a televisão. Depois, achei melhor ficar mais concentrada. Quando cheguei em casa, voltei a ligar a televisão. Ela é ótima nas mamadas da madrugada quando a gente tá morrendo de sono e ainda uso o relógio da tv para marcar a hora que elas mamam. Às vezes, fico navegando na internet pelo celular.

- Calma e tranquilidade. Mãe infeliz não produz leite. É difícil, mas se manter serena é importante para as coisas fluírem. Já chorei e amamentei ao mesmo tempo? É claro. Mas uma ou duas vezes. Tento sempre deixar o estresse de lado quando chega a hora de mamar, se estiver muito ruim, rezo, respiro. Se elas estiverem agitadas, faço o mesmo. Depois, é só aproveitar aquele momento único e pensar na vida.

Ah, para as mães de gêmeos, vale a pena anotar os horários das mamadas. Fizemos uma tabelinha que ajuda bastante, assim a gente sabe quem mamou e quanto tempo foi. Facilita bastante.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A arte de dar de mamar

Olá, meu nome é Tatiana e minha vida agora é dar de mamar. Sou uma vaca leiteira, dois peitos ambulantes e, devo confessar, que com muito orgulho! Eu vou contar uma coisa para vocês: amamentar é muito difícil. Acho que deve ser um dos maiores desafios da maternidade. Nunca imaginei que seria assim tão complicado, tão cheio de emoções, sofrível, doloroso e tão gratificante ao mesmo tempo. Ok, a minha mãe tinha me avisado, mas eu nunca achei que seria o que é. Como a gente consegue?

From LemeLeme.
Eu e Isabella depois do mama

Começa na maternidade. Você quer dar o peito, acha que vai ser uma coisa instintiva, que todo mundo já vai saber sua função, mas não é bem assim. É preciso treino, prática e paciência. Como as meninas eram muito pequenas, foi ainda mais difícil, elas não tinham força para sugar. E eu não tinha bico suficiente, apesar do peito gigante. Ninguém me explicou como era, fui fazendo como achava que deveria. E muitas vezes, elas não pegavam e acabavam mamando só o complemento. Me lembro um dia de manhã, depois de uma longa noite, eram 6h e elas tinha mamado pouco no peito, a Maria nem pegou. Chamei a enfermeira para dar o complemento e me tranquei no banheiro. Chorei como nunca. Chorei porque queria amamentar minhas filhas, por que eu não conseguia alimentá-las?

No desespero, chamei uma outra enfermeira, que tinha entrado naquele plantão, para me ajudar. Ela me mostrou uma posição diferente. Com o corpo do bebê na transversal, os pés tocavam as costelas da mãe e a cabeça fica na frente do peito. Assim, elas mamaram super bem. Mas, muitas vezes dormiam, não conseguiam ficar muito tempo. E eu querendo que elas engordassem desesperadamente. Não foi fácil. Porém, os dias foram passando e as coisas melhorando. Sim, isso acontece na maternidade! Olha que maravilha!

Quando chegamos em casa era alimentação totalmente materna, sem complementos. Mas um belo dia, elas começaram a mamar de uma em uma hora desesperadas. E depois dormiam cinco horas seguidas. Não pegavam o peito direito, foi uma confusão. Fiquei uma noite inteira acordada.Tinha uma coisa errada. Resultado? Estavam perdendo peso, ou seja, gastavam calorias para sugar e ainda não tinha leite suficiente no meu peito. Fiquei desesperada (sim, isso acontece muito com as mães nos primeiros dias) e pedi para adiantar a consulta do pediatra. Ele passou o complemento. Durou um dia. No dia seguinte, o meu peito tinha leite que só e elas não queriam mais o tal do Pré-Naan.

Ainda sim, chamei uma enfermeira aqui em casa para fazer uma consultoria. Ela veio e me deu os parabéns. Estava tudo indo maravilhosamente bem e, às vezes, neste estado, tudo o que a a gente precisa é da validação de outras pessoas para as coisas fluírem, acontece. Ela me deu a boa notícia de que dificilmente meu bico racharia e que a produção de leite estava em desenvolvimento. Uma coisa que eu fiz desde sempre foi ter passado o próprio leite no mamilo depois de cada mamada, isso me ajudou muito. A enfermeira, naquele dia, me ensinou a ordenhar, sugeriu que eu comprasse uma bombinha elétrica para dar meu próprio leite como complemento para as meninas e foi embora.

Desde então, as coisas melhoraram, mas ainda mudam muito. É todo um processo. Tenho bastante leite, bizarramente muito mais no seio direito. Não uso mais a bombinha, ordenho leite com a mão, a coisa toda demorava quase uma hora para tirar 20 ml e agora é questão de 20 minutos.

From LemeLeme.
Poses pós-mamadas

Estamos tentando estabelecer uma rotina de amamentação para as meninas. Foi dica do pediatra. A gente troca a fralda antes de cada mamada para que elas entendam que é hora de se alimentar. Elas, geralmente, seguem o intervalo de 3 horas, mas nem sempre. Às vezes, uma mama mais e a outra menos. Hoje, por exemplo, Maria mamou intensamente entre as 18h e as 22h, acontece. Fiquei um pouco frustada e cansada, mas segui em frente. Às vezes, elas acordam ao mesmo tempo para mamar, mas aprenderam a esperar. Se a coisa fica muito complicada, fico revezando a mamada.

Tentei dar para as duas ao mesmo tempo, mas ainda tá dificil porque elas não pegam o bico sem uma ajuda. Acho que quando elas ficarem mais velhas, será menos complicado. E mais prático também. Porque o processo de dar mamar para as duas é de 1h e meia. No fim, acabo dormindo só de duas em duas horas.

É uma dedicação total e exclusiva e não é nada fácil. Às vezes, tenho vontade de desistir e dar logo a mamadeira. Mas também me apavora não poder dar mais o meu leite para as duas. É realmente uma forma de carinho, um afago, um laço muito forte entre mãe e filho. Mas também pode ser muito cansativo, dolorido, frustante. Eu entendo quem joga a fralda para o alto e desiste. Não tenho tempo para nada, nem para fazer xixi direito, e mesmo que eu queira, não tem programação pré-definida.  Tudo depende das mamadas.

From LemeLeme.
Eu e Maria

Por enquanto, estou apenas tentando viver a minha experiência e meu objetivo agora é dar amamentação exclusiva até os três meses. É tão bom ver elas crescendo e engoradando. Aliás, deixa eu sair logo daqui pois já é chegada a hora, uma delas já está acordando. Até a próxima. Prometo que vou tentar não ficar tanto tempo sem escrever e fazer textos mais curtos, o problema é que fico tanto tempo longe, tem tanta coisa acontecendo...

Ah, e obrigada pelos comentários e pelas palavras encorajadoras. Quero responder tudo, escrever mais, porém me falta tempo. Recebi e-mails maravilhosos e estou louca para responder todos eles!