Mostrando postagens com marcador apego. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador apego. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Mais amor, por favor

Hoje a Maria reclamou que estava cansada, ficou repetindo que tava com febre (mas não estava), mas ela parecia estar no incio de um resfriado, então decidi deixar ela em casa. Como foi de última hora, não deu tempo de pedir pra alguém ficar com ela ou levar as crianças. Então, resolvi levar todo mundo na escola e ela voltaria pra casa comigo. Foi caótico, mas foi..

Francisco chegou na escola dormindo, como ele sempre faz, coloquei ele na sala e ele continuou a sua soneca. E depois fui conversar com os professores, conversa com um e com outro. Fiquei lá quase uns 20 minutos e aí chamei a Maria pra ir embora. Demos tchau pra Bella, ela deu de volta e fomos. Quando a gente tava chegando perto do portão, a Bella saiu correndo da sala, foi só o tempo da Maria virar, que ela tascou um abraço bem apertado na Maria e deu um beijo na bochecha dela. A Maria abriu um sorriso maravilhoso e eu ali congelando aquela imagem na minha mente. Aquilo parou o tempo e o mundo, e encheu meu coração de um sentimento que eu nem sei explicar, mas só pode ser amor. Por uns segundos, desejei sentir aquilo pra todo sempre. Nesse mundo tão louco que a gente vive, de esquerdas e diretas, pró e contra, de tiros reais e bandeiras virtuais fiquei pensando em como a gente precisa desse amor puro. Do quanto EU precisava acreditar no poder daquele abraço, todos os dias. De que o meu jeito de mudar o mundo tava ali, criando pessoas.

Fiquei pensando naquele amor, sem peso, sem expectativas, sem julgamento. Depois não resisti e pedi: "Bella, posso ganhar um abraço desse também?" E ela me deu um abraço forte e um beijo e foi feliz pra sala. E eu, cheia de amor, fui pra casa pensando na vida e em como ela pode ser linda. Vontade de espalhar esse amor pra todo lado.



sexta-feira, 10 de abril de 2015

AMAmentar depois de um ano

Teve dor, peito rachado, leite vazado, entrega, descoberta, pomadas, ordenha, momentos de paz, momentos de exaustão, mordidas, comida, peito dolorido, madrugadas acordadas, mas, especialmente, felicidade em poder não apenas nutrir, como dar amor em forma de leite. Eis que passou um ano e lá estamos nós no peito. É claro que agora ele come, às vezes nem tanto. Mama menos, mas nem tanto. É algo tão natural que já dá pra sentir falta daqueles momentos que ainda não terminaram, mas um dia vão acabar.



Apesar de ser lindo e você se sentir vitoriosa, depois de um ano, de repente você se sente um pouco sozinha. Tem sempre aqueles comentários “quando você vai desmamar?” ou quando vê uma conhecida já dando mamadeira e saindo livre leve e solta por aí, fica pensando "e eu?". Amamentação prolongada também implica em mais de um ano usando sutiã esquisito de amamentar e pensar em roupas estratégias para dar de mamar. Em junho vou ser madrinha de um casamento e já estou sofrendo pra conseguir achar um modelo aberto. Outro dia fui na emergência porque estava numa gripe daquelas e perguntei pro médico se podia tomar aquele remédio porque estava amamentando e ele desdenhou: "mas ele já não mama mais tanto assim, né? Não tem problema". Oi? Que tal um "que ótimo que você ainda está amamentando". Né? Amamentar depois de um ano também não é fácil, mas como sempre e como tudo, vale a pena. É saúde pro seu filho, é ainda mais amor e carinho. Existem mil artigos sobre isso, procurem, 

Me sinto muito orgulhosa por amamentar o Francisco do jeito que foi. Sem chupeta, sem mamadeira, sem sequer copo especial. Só peito e água, ou suco, em copo de vidro mesmo. Amamentar pode ser solitário, mas quanto mais natural for ficando pra vocês dois, melhor. E isso o tempo traz. Eu geralmente amamento o Francisco assistindo TV, nos conectamos, é claro, mas também preciso me distrair, né? Já fiquei no celular, mas hoje em dia ele fica louco quando vê o aparelho. Ainda acorda de madrugada pra mamar. E lá vou eu com ele pra sala, ligo a TV, pego a almofada e ele mama e dorme em seguida. Se coloco no berço e ele reclama, a gente volta pra sala e ele mama mais até dormir de novo. Eu até gosto dessas madrugadas, amamentar no silêncio com ele em paz. E ele acorda às vezes uma, às vezes duas vezes e raramente três ou quatro. Antes de dormir, todos os dias, vamos para o nosso festival de mamá. Ele mama, mama, brinca, volta e mama, mama, mama, brinca, mama, durante uma hora mais ou menos. Sei que um dia isso vai acabar, que teremos outro jeito de dormir, por isso aproveito. Por isso, mama, Francisco, mama.

Foto: Panoptes Fotografia

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Amamentação, a revanche e a livre demanda (Parte 1)

Aqui estou eu, pessoas! Consegui um tempo na vida que acontece por aqui para escrever um post que está na minha cabeça há semanas, mas obviamente o computador está cada vez mais distante de uma mãe de três em adaptação. Porém, vamos aproveitar o tempo disponível, certo?

Amamentar não é fácil. Ponto. Eu amamentei as meninas durante 7 meses e três semanas e foi uma luta. Eu não tinha me preparado pra isso, li uma coisa ou outra na gravidez, mas sempre pensava que era "instintivo", que eu e elas íamos saber o que fazer. Mas não foi bem assim. Como bebês pré-maturos, elas tinham dificuldade para sugar, acabaram recebendo complemento no hospital e eu super mal informada deixei, não procurei um pediatra antes para me orientar, e elas demoraram para pegar no peito e eu sofria. Fomos pegando o jeito com o tempo, mas continuei complementando. No fim de tudo, fiquei com o sentimento que poderia ter feito mais e dessa vez eu sabia que ia ser diferente. Estava preparada para fazer o que a amamentação mais nos exige: entrega, e as meninas me ensinaram isso da primeira vez.

Mama, Fran-chico, mama

Acho que antes de começar a contar como tem sido a minha experiência com o Francisco, precisamos definir uma coisa: livre demanda. Eu me lembro muito bem quando eu ouvi essa expressão, nos primeiros dias no hospital com as meninas, a minha concunhada perguntou: "o pediatra disse para vocês que era pra alimentar de três em três horas ou livre demanda?". Eu olhei pro Marco, ele pra mim, e os dois sem ideia do que aquilo significava ou se o médico tinha falado qualquer coisa do tipo. Pensei: "livre demanda é dar de mamar sempre que o bebê quiser? Então tô fazendo isso". Mas não estava. E livre demanda é muito mais do que isso. É dar de mamar quando o bebê tem fome, quando ele chora, quando ele não tem fome mas quer o peito, uma hora depois de ter mamado, meia hora depois de ter mamado, quatro horas depois de ter mamado, ou independente de quanto tempo ele passou sugando o peito, é não contar as horas (ainda que às vezes a gente conte, é tentar não se importar com elas)

* Para os futuros pais de gêmeos que passam por aqui, fica a dica do que não fazer: com as meninas a gente fez uma tabela com o nome de cada uma para anotar a hora que cada uma mamou e quanto tempo. Eu achando que estava fazendo a coisa mais maravilhosa e esperta do mundo, e achava que ia dar de mamar pra uma e esquecer da outra, mas isso foi um grande erro e atrapalhou muito. Estava focada na fome, na engorda e não no afago, em deixar o leite fluir. Não recomendo ou aconselho fazer tabela.

Com o Francisco estava tão confiante, pensava muito na amamentação durante a gravidez, que senti que até meu peito estava diferente. Fiz um pouco de preparação, mexendo nos mamilos depois do banho, mas não fiquei obsessiva. Quando ele nasceu, foi para a UTI por causa de um desconforto respiratório e nesse primeiro momento já perdi o que eu tanto queria: amamentar na primeira hora de vida. De novo a história se repetia, mais um bebê longe de mim logo depois do nascimento. Fomos visitá-lo e ele estava com a sonda, ele ia ficar mais um tempo em observação porque precisava fazer um exame de sangue pois tinha chance de infecção por conta da bolsa rota, procedimento de hospital. De tarde, tiraram a sonda e eu coloquei ele no peito. Ele deu umas sugadinhas e eu fiquei super feliz. Deixei ele lá com a boca no bico o quanto eu podia. Me falaram que podia voltar em três horas para tentar de novo (olha o tal do tempo lá).

Quando eu voltei, tentei dar o peito de novo e depois a enfermeira pediu pra gente sair um pouco porque ela ia dar o complemento. No caminho, encontrei com o pediatra que disse que ele ia ter alta, tudo ok com os exames. Yay! Demorou pra ele subir pro quartove ainda deram mais um complemento. A enfermeira que levou ele (que é leitora do blog e minha seguidora no instagram, olha que lindo!) me avisou que estava programado mais dois complementos. Nãaooooooooo. Falei pra ela que não queria e ela me apoiou. Ninguém apareceu de madrugada. Ufa. Afinal, se desse complemento ele não ia pegar o peito, oras. A fome é o que ajuda no tal do instinto, que existe sim, mas precisa de um empurrão nosso.

Nessa primeira madrugada juntos, tentei dar o peito depois de umas três horas e ele gorfou feio. Não insisti, achei que ele deveria estar cheio daquele complemento.  Deixei ele no meu colo e dormimos mais um pouco assim. No meio da minha jornada como mãe descobri que colo era bom e ajudava na descida do leite, ajudava a fluir. Nada de "ele vai ficar mal acostumado no colo", e lá ficamos nós. Até que só quando estava amanhecendo ele pegou mesmo no peito. E depois foi indo e foi lindo.

Nos dias seguintes meu bico feriu e o peito doeu, mas continuei porque sabia que era assim mesmo, tinha que "calibrar" a coisa toda. O remédio era o próprio leite que eu passava no bico sempre depois das mamadas. Depois o leite desceu, não me lembro quantos dias depois, mas não demorou. E aí venho um outra novidade. Francisco passou uma madrugada toda sem mamar direito, sugava e parava, lutava contra o peito. Fui logo achando que podiam ser gases. Não acordava ele quando ele dormia quatro horas seguidas, mas nesse dia fiquei preocupada porque ele não tinha mamado e estava dormindo muito. Liguei pra minha parteira para me orientar e ela matou a charada. Como o leite desceu, meu bico inchou e mudou o formato, por isso ele tinha que se reacostumar a sugar. Que alívio. Como já sabia o que era foi só insistir um pouco, usei em alguns momentos a concha de amamentação pra dar formato no bico, que ele voltou a pegar. Ufa.

Tivemos altos e baixos, como todas as mães têm. Alguns dias fico mais cansada e desanimada, cheguei a ficar tensa antes de colocar ele no peito algumas vezes porque doía, mas respirei e tentei deixar fluir, afinal era aquilo que eu precisava fazer, eu precisava alimentar meu filho. Em alguns dias, como um bom guloso, ele mama muito, de hora em hora, durante muito tempo em cada peito. E tudo bem, isso é livre demanda. Sei que talvez não seja fome, mas vontade de ficar perto. Em algumas ocasiões ele começou a dar umas reclamadas de leve e já pensei "ih, são gases" ou "por que ele está mamando loucamente desse jeito?". Aí lembrei de um texto do pediatra espanhol Carlos González que eu li há muito tempo atrás e resolvi ler de novo. E vi que estava no caminho certo.

E temos ficado assim. Não tenho ideia de quantas em quantas horas ele mama, às vezes meia hora, mas já chegou a ter cinco horas. É claro que é cansativo, ainda dói vez ou outra, e como bom terceiro filho eu não atendo o Francisco no primeiro chorinho ou barulho que ele faz no berço, mas estou sempre ali disponível com peito e amor. Sem contar as horas, apenas livremente.