Para você, pessoa querida, que estava ontem na Livraria Cultura , no fim de uma tarde de domingo e que escutou uma criança de quatro anos chorar porque queria um livro de bailarina e a mãe disse não:
Eu sei que ela estava gritando que "não era justo, que ela estava muito, muito triste e que não queria ir embora" e você se sentiu incomodado com aquilo, mas, veja bem, eu estava tentando lidar com a situação da melhor maneira possível. Tentei conversar com ela, dizer que não dava, que a gente tava ali para comprar o livro da amiga que fazia aniversário e não pra ela, que ela tinha acabado de fazer aniversário e ganhado muitos livros, mas o efeito parecia ser ainda pior, eu sei. Eu sei que depois o irmão dela de quase dois anos chorou no mesmo ritmo porque não queria ir embora e ali estavam dois pais tentando resolver uma situação, digo de novo "da melhor maneira possível". Acredite, eu também não estava feliz com aquilo. E, olha, também já fui você, também já olhei torto para uma criança fazendo birra e se debatendo no chão, mesmo depois de ser mãe. Mas vou te dizer que não ajuda em nada. Os olhares só pioram a situação. Sim, quando eu peguei ela no colo para tentar consolá-la (e isso funcionou com o meu de dois anos, por exemplo) e ela começou a gritar: "me solta", também não foi legal pra mim. E quando, finalmente, eu consegui sair da loja com ela e perceber, pela primeira vez, uma livraria inteira olhando pra mim, não foi legal. Te conto que um minuto depois já estava tudo bem. Porque crianças são assim, em dois segundos, esquecem e já partem para uma brincadeira nova, mudam de foco. Que maravilha, né? Estou tentando aprender com eles. Esqueci os olhares, mas percebi que preciso deixar os meus de lado também. Crianças choram. E, sim, eu também quero chorar em várias oportunidades, especialmente quando não consigo o que quero, mas, como pais, precisamos ensiná-los a lidar com suas frustrações. E seria, bom, bem bom, se não tivéssemos ainda por cima o peso do constante julgamento alheio através do olhar. Seria bom.
Depois disso, ainda fomos em outra loja e compramos uma triliche,
E mais olhares tortos para as crianças brincando na cama. Tão confortáveis que foram até debaixo das cobertas. Mas dessa vez, não liguei pra nada. Deixei eles serem crianças. Fim.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Briga entre irmãos
Férias em curso, chuva é a previsão de tempo constante na capital federal e eis que esses dias em casa com três pequenos uma dilema vem à tona: as brigas. Se ter irmãos é bom pelo companheirismo, por criar cumplicidade, por ter amigos constantes e brincadeiras infinitas, por outro lado toda relação traz conflito e essa pode ser uma constante em família. Como eu já entrei na maternidade sendo mãe de irmãos, essa também foi um constante pra mim.
Quando as meninas eram bebês eu logo fui percebendo e aprendendo que quando elas disputavam um brinquedo ou espaço o melhor a fazer era deixar as duas se resolverem, só tinha interferência quando o bicho pegava mesmo. Depois elas foram crescendo e fomos tentando resolver os conflitos com o diálogo, incentivando uma a dizer pra outra que "não tinha gostado daquilo" ou que disse "não" quando achasse necessário. Quando existem duas pessoas e duas opiniões e vontades diferentes, o conflito é inevitável. Com três mais ainda. Então, quando eles começaram a se bater e brigar muito nesse início de ano eu me assustei um pouco.

Como toda fase diferente que chega por aqui, no começo foi no grito mesmo. Era uma tal de "chega de brigar", "não faz isso", "para", etc. Depois comecei a respirar fundo e perceber que estava tendo a mesma atitude que eles ou que talvez a atitude deles fosse reflexo da minha (e não é assim sempre um pouco com nossos filhos) e que se eu estourasse também não ia ajudar em anda. Então, tanto eu quanto o Marco nos alinhamos e começamos a tratar a briga de outra forma. Conversando e tentando estabelecer o diálogo, Parece fácil assim escrito em quatro palavras, mas é difícil, minha gente! Muito. De certa forma, você começa a avaliar a sua atitude em relação às suas frustrações também. Complexo, né? Mas, aos poucos, fomos incentivando eles a resolver, expressar o que estavam sentindo no lugar de bater. "Não precisa bater, você não gostou que ele pegou seu brinquedo, então fala pra ele, Se ele não te devolver, me chama que a gente tenta resolver, ok?". É claro que para o Francisco era mais difícil entender, mas eu vejo que ele vai muito no ritmo das coisas, então quando elas acalmaram, ele também ficou mais tranquilo.
Teve outra coisa que acho que ajudou no processo foi explicar que irmãos são amigos, pra sempre. Era uma coisa que a minha mãe fazia comigo e funcionou muito vide que eu fiquei grudada no meu irmão hahahahaha Elas sempre se chamam de melhores amigas, mas também começaram a entender que o Francisco ia ser sempre o melhor amigo delas. Com uma semana, as brigas diminuíram e a coisa fluiu melhor. Brigam menos, entendam, mas ainda brigam, Porque isso é normal. Em alguns momentos, me permito a olhar de longe e tentar deixar eles resolverem, às vezes vou junto e tento o diálogo, e às vezes perco a paciência também porque não sou de ferro, Até por isso, entendo que eles também não são.
Quando as meninas eram bebês eu logo fui percebendo e aprendendo que quando elas disputavam um brinquedo ou espaço o melhor a fazer era deixar as duas se resolverem, só tinha interferência quando o bicho pegava mesmo. Depois elas foram crescendo e fomos tentando resolver os conflitos com o diálogo, incentivando uma a dizer pra outra que "não tinha gostado daquilo" ou que disse "não" quando achasse necessário. Quando existem duas pessoas e duas opiniões e vontades diferentes, o conflito é inevitável. Com três mais ainda. Então, quando eles começaram a se bater e brigar muito nesse início de ano eu me assustei um pouco.
Como toda fase diferente que chega por aqui, no começo foi no grito mesmo. Era uma tal de "chega de brigar", "não faz isso", "para", etc. Depois comecei a respirar fundo e perceber que estava tendo a mesma atitude que eles ou que talvez a atitude deles fosse reflexo da minha (e não é assim sempre um pouco com nossos filhos) e que se eu estourasse também não ia ajudar em anda. Então, tanto eu quanto o Marco nos alinhamos e começamos a tratar a briga de outra forma. Conversando e tentando estabelecer o diálogo, Parece fácil assim escrito em quatro palavras, mas é difícil, minha gente! Muito. De certa forma, você começa a avaliar a sua atitude em relação às suas frustrações também. Complexo, né? Mas, aos poucos, fomos incentivando eles a resolver, expressar o que estavam sentindo no lugar de bater. "Não precisa bater, você não gostou que ele pegou seu brinquedo, então fala pra ele, Se ele não te devolver, me chama que a gente tenta resolver, ok?". É claro que para o Francisco era mais difícil entender, mas eu vejo que ele vai muito no ritmo das coisas, então quando elas acalmaram, ele também ficou mais tranquilo.
Teve outra coisa que acho que ajudou no processo foi explicar que irmãos são amigos, pra sempre. Era uma coisa que a minha mãe fazia comigo e funcionou muito vide que eu fiquei grudada no meu irmão hahahahaha Elas sempre se chamam de melhores amigas, mas também começaram a entender que o Francisco ia ser sempre o melhor amigo delas. Com uma semana, as brigas diminuíram e a coisa fluiu melhor. Brigam menos, entendam, mas ainda brigam, Porque isso é normal. Em alguns momentos, me permito a olhar de longe e tentar deixar eles resolverem, às vezes vou junto e tento o diálogo, e às vezes perco a paciência também porque não sou de ferro, Até por isso, entendo que eles também não são.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Dois divertidos e enlouquecedores anos de duas
Dizem que são os terríveis dois. Tá, fácil não é, e isso é verdade. Mas é como diz o troll de Frozen sobre os poderes da Elsa "também há beleza nele" (desculpe, mas estamos viciadas no filme, eu amo hahahahaha). Aqui passamos por uma mudança enorme quando as meninas completaram dois anos e, para completar, um mês depois o Francisco nasceu. É claro que eu acho que rolou um ciúme, adaptação da escola e as próprias características da idade. Então, foi um turbilhão de emoções de todos os lados.
Era choro, lamento, grito, muita briga entre as duas, e eu e o Marco muitas vezes nos olhávamos desanimados sem saber o que fazer. É aquela coisa que acontece toda vez que a gente passa por uma fase difícil com as crianças: primeiro bate o desespero, depois a gente começa a ver as coisas de outras orma, cria estratégias, se acalma e a coisa começa a fluir.
Passamos por algumas semanas bem difíceis logo depois que o Francisco nasceu. Chorei muito, estava cansada, desanimada, confesso que não me sentia conectada com as meninas, não conseguia conversar, explicar, ter paciência. Era sempre choro e confusão. Até que eu comecei a ver as coisas de outra forma e entender o que estava acontecendo, não ficar pré-assumindo que era "ciúmes" ou "tá fazendo para chamar atenção". Sim, elas queriam atenção e precisavam disso, mas porque estavam passando por um processo novo, estavam se descobrindo como pessoas, queriam impor suas vontades e, tanto eu quanto Marco, precisávamos entender isso.
Independentes. Adoram abrir a geladeira e escolher o que querem comer.
Depois que a gente relaxou e começou a conversar e negociar a coisa mudou de figura. Não adianta ver a criança chorar e dar as costas. E agora nem sempre a distração dá certo na hora da crise. Tem que lidar com o problema, afinal é isso que temos que que ensinar pra elas. A lidar com a frustração. E você aí achando que cuidar de bebê é difícil, bem que minha mãe me disse: "na hora de EDUCAR é que o bicho pega". E mães sempre tem razão, não é não?
Então, a gente passou a pegar no colo e explicar, conversar, mas também aprendeu a mudar de foco e a fazer tudo ao mesmo tempo. Haja jogo de cintura e paciência. Foi um processo até conseguirmos respirar de novo e nos sentir seguros como pais. A gente precisou mudar também e entender que a Maria e a Bella estavam crescendo e que era nosso dever mostrar o caminho pra elas, ainda que mais parecesse missão impossível. Então, tentamos ver a parte divertida disso tudo também. Todo dia de manhã a Maria queria escolher a roupa dela e aí começava uma negociação sem fim. Ela queria colocar uma regata e tava um frio terrível lá fora. Então, eu respirava e pensava "tudo bem, vamos colocar a regata, tá bom? Mas podemos colocar essa blusa por cima?". E ela falava "tudo bem, mamãe". Ufa! Outro dia, ninguém queria almoçar, bagunça e caos. Poderia ficar brigando e dizendo: "não, vai almoçar sim e agora!" E dá-lhe chororô e etc. Mas, não. Peguei uma toalha de piquenique, estendi no meio da sala e perguntei: "vamos fazer um piquenique?". Elas sentaram comeram um pouco da comida e um tanto de fruta. Pronta, já estava satisfeita e não me estressei.
Dois anos também é uma fase pra lá de divertida, talvez para compensar o caos todo. É cada coisa que elas fazem ou falam, principalmente, falam, que enchem meu coração de alegria. Hoje mesmo estava levando as duas pra escola quando a Bella virou pra mim e disse "mamãe, eu estava pensando". O que? Um pingo de gente falando pra mim que tava pensando, como pode. Pensando em quê? "No Zoológico". Sem contar nos abraços, beijos e "eu te amo". É tudo mais real e sincero. É descobrir um novo mundo com elas. Explico, converso, aponto e me descubro de novo. Se antes eu era uma mãe cheia de regras, que insistia, tinha rotina, agora eu sou muito mais leve, precisei me reinventar nos dois anos também. Não quer fazer, não quer comer, não quer nada? Vamos pelo outro lado, ver de outro jeito. Abraçar a ternura, ser menos dura com elas e comigo. De novo, me reencontrei, como tenho feito desde que elas nasceram. Desde que me tornei mãe.
Ah e essa vai para os pais de gêmeos: os dois são dobrados pra gente. Lidar com a crise de duas é extra dose de paciência, as brigas então é uma maravilha (pra não dizer o contrário) mas sobrevivemos como sobrevivemos a tudo. E a parte boa vem com tudo. Elas estão cada vez mais companheiras, amigas, se chamam pra tudo, se abraçam, brincam, batem altos papos juntas. Cuidam tanto uma da outra. É a coisa mais linda de se ver. E faz tudo valer a pena.
Passamos por algumas semanas bem difíceis logo depois que o Francisco nasceu. Chorei muito, estava cansada, desanimada, confesso que não me sentia conectada com as meninas, não conseguia conversar, explicar, ter paciência. Era sempre choro e confusão. Até que eu comecei a ver as coisas de outra forma e entender o que estava acontecendo, não ficar pré-assumindo que era "ciúmes" ou "tá fazendo para chamar atenção". Sim, elas queriam atenção e precisavam disso, mas porque estavam passando por um processo novo, estavam se descobrindo como pessoas, queriam impor suas vontades e, tanto eu quanto Marco, precisávamos entender isso.
Independentes. Adoram abrir a geladeira e escolher o que querem comer.
Depois que a gente relaxou e começou a conversar e negociar a coisa mudou de figura. Não adianta ver a criança chorar e dar as costas. E agora nem sempre a distração dá certo na hora da crise. Tem que lidar com o problema, afinal é isso que temos que que ensinar pra elas. A lidar com a frustração. E você aí achando que cuidar de bebê é difícil, bem que minha mãe me disse: "na hora de EDUCAR é que o bicho pega". E mães sempre tem razão, não é não?
Então, a gente passou a pegar no colo e explicar, conversar, mas também aprendeu a mudar de foco e a fazer tudo ao mesmo tempo. Haja jogo de cintura e paciência. Foi um processo até conseguirmos respirar de novo e nos sentir seguros como pais. A gente precisou mudar também e entender que a Maria e a Bella estavam crescendo e que era nosso dever mostrar o caminho pra elas, ainda que mais parecesse missão impossível. Então, tentamos ver a parte divertida disso tudo também. Todo dia de manhã a Maria queria escolher a roupa dela e aí começava uma negociação sem fim. Ela queria colocar uma regata e tava um frio terrível lá fora. Então, eu respirava e pensava "tudo bem, vamos colocar a regata, tá bom? Mas podemos colocar essa blusa por cima?". E ela falava "tudo bem, mamãe". Ufa! Outro dia, ninguém queria almoçar, bagunça e caos. Poderia ficar brigando e dizendo: "não, vai almoçar sim e agora!" E dá-lhe chororô e etc. Mas, não. Peguei uma toalha de piquenique, estendi no meio da sala e perguntei: "vamos fazer um piquenique?". Elas sentaram comeram um pouco da comida e um tanto de fruta. Pronta, já estava satisfeita e não me estressei.
Dois anos também é uma fase pra lá de divertida, talvez para compensar o caos todo. É cada coisa que elas fazem ou falam, principalmente, falam, que enchem meu coração de alegria. Hoje mesmo estava levando as duas pra escola quando a Bella virou pra mim e disse "mamãe, eu estava pensando". O que? Um pingo de gente falando pra mim que tava pensando, como pode. Pensando em quê? "No Zoológico". Sem contar nos abraços, beijos e "eu te amo". É tudo mais real e sincero. É descobrir um novo mundo com elas. Explico, converso, aponto e me descubro de novo. Se antes eu era uma mãe cheia de regras, que insistia, tinha rotina, agora eu sou muito mais leve, precisei me reinventar nos dois anos também. Não quer fazer, não quer comer, não quer nada? Vamos pelo outro lado, ver de outro jeito. Abraçar a ternura, ser menos dura com elas e comigo. De novo, me reencontrei, como tenho feito desde que elas nasceram. Desde que me tornei mãe.
Ah e essa vai para os pais de gêmeos: os dois são dobrados pra gente. Lidar com a crise de duas é extra dose de paciência, as brigas então é uma maravilha (pra não dizer o contrário) mas sobrevivemos como sobrevivemos a tudo. E a parte boa vem com tudo. Elas estão cada vez mais companheiras, amigas, se chamam pra tudo, se abraçam, brincam, batem altos papos juntas. Cuidam tanto uma da outra. É a coisa mais linda de se ver. E faz tudo valer a pena.
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