Isabella e Maria
Eram 10h30 da manhã quando, a passos lentos, eu caminhei alguns metros, peguei o elevador e cheguei na UTI Neonatal. Eu esqueci da dor da cicatriz e do desconforto no momento que entrei naquela sala branca cheia de pequenos bebes. Era o nosso segundo encontro, depois da cesárea, e eu estava contando as horas. Foram quase 12 horas. Olhei pro Marco e ele estava com os olhos cheios d'agua quando viu as meninas naqueles bercinhos de acrílico. Eu só conseguia sorrir, estava tão feliz! Segurei as duas, tentei dar o peito e, pronto, horário de visita acabado. Senti uma paz indescritível, elas eram tão calminhas, e aquilo transbordava.
Primeiro encontro com Isabella
Pequenas
Maria relax total
Bella ainda com a sonda
Aquela fase de ficar na incubadora e longe da gente, ainda bem, passou rápido. As meninas ficaram na UTI porque nasceram pre-maturas, mas não tiveram dificuldades para respirar e nada mais. Precisavam apenas se alimentar e ganhar peso. Maria foi para o quarto no dia seguinte. Passamos a noite com ela e não escutamos um chorinho, apenas dos bebês vizinhos.
Eu tentei dar o peito e ela também tomava o complemento. Depois foi a vez da Isabella chegar. Quando ligaram para avisar que ela estava subindo, eu e o Marco ficamos com um frio na barriga. Ali começava o resto das nossas vidas, duas bebês e nós dois. Bateu aquele medinho também. Aliás, esse sentimento voltou muitas vezes durante a nossa estadia no hospital.
Maria com o pai
Foi quase uma semana de internação e pouca orientação. Elas perderam peso no primeiro dia e precisavam ganhar tudo de novo para poder ir para casa. As enfermeiras ajudavam pouco e só deixavam a gente mais confuso e inseguro. Cada uma tinha uma ideia, uma opinião diferente, mas nunca deixavam transparecer qual era a certa. E a cada pergunta que eu recebia delas, sentia que tinha feito alguma coisa errada. Eu queria levar minhas filhas pra casa desesperadamente e tive algumas crises de choro por causa disso. A pior foi um dia logo cedo quando não consegui dar de mamar para nenhuma das duas, elas não pegavam o peito. Chorei igual uma louca no banheiro. Não sabia que amamentar era tão difícil e tudo o que eu queria era alimentar minhas pequenas.
Até que finalmente, resolvi pedir ajuda e fiz no plantão certo. Uma enfermeira, que já tinham me indicado, me ajudou a achar a posição certa para colocá-las no peito e depois disso elas não paravam mais. Além disso, elas eram pequenas e tinham pouca força para sugar. Era preciso paciência, o que é tudo na maternidade. Fomos liberados depois que elas ganharam peso e já estavam conseguindo mamar bem. Maria foi para casa com 1990 kg e Isabella com 1920 kg.
Juntinhas
Quando finalmente saímos do hospital, a coisa toda mudou de novo e tem sido assim desde então. Cada dia é de um jeito e, por sorte, cada vez mais a gente se resolve. Aguardem o próximo post sobre a adaptação na vida doméstica.
Saída do hospital
A verdade é que não existe manual, aula, palestra ou Dr. De Lamare que possa preparar qualquer pessoa para este momento. Tudo o que nos resta é vivê-lo e aprender com ele. Sem medo de errar e aproveitando cada suspiro!