
Outro dia encontrei essa foto minha na casa da minha mãe. Meus olhos se encheram de lágrimas, sem mesmo saber por quê. Aquele sorriso de contentamento misturado com os olhos cansados. Não sei. Me deu vontade de voltar no tempo e me dar um abraço e dizer: aproveita agora que essa confusão toda e esse cansaço vão passar. Então, me inspirei e resolvi escrever um post que há tempos está na minha cabeça mas estava sem coragem de escrever ou compartilhar. Um post para as mães de recém-nascidos, especialmente as de primeira-viagem sobre o que essa loucura toda que é a maternidade me ensinou. Um post que talvez aquela Tatiana da foto, totalmente perdida pelo fato de ter duas bebês de poucos meses nos braços não fosse acreditar se lesse. Por isso, aí vai, queridas mães, antes de tudo, acredite:
Não existe cólica. Não existe cólica. Não existe cólica.
É isso mesmo que você leu. Não existe cólica. Seu bebê chora porque ele quer peito, mesmo que ele tenha acabado de mamar. Não é fome, é peito. É aconchego, é carinho, é colo. Não existe cólica. Sim, pode ser algum desconforto, é bem mais provável que seja sono, mas não é cólica. Ele quer seu colo, seu aconchego, apenas isso. Esqueça o cansaço, esqueça todas aquelas vozes que dizem ele vai se "acostumar mal no colo", "que não pode dormir com a boca no peito". É justamente o oposto disso. Não se preocupe que ele vai dormir sozinho um dia e você vai sentir falta quando ele não quiser mais dormir no peito.
Não existe cólica. A verdade é que o bebê, como qualquer bebê, chora, pede por afago e conforto. E estamos tão socialmente ligados na coisa da cólica, "de que todo bebê até 3 meses de idade sofre com elas", que sequer cogitamos qualquer outro diagnóstico que não seja este. Faça um teste. Se o seu bebê mamou e começou a chorar. A sua mãe, avó, tia, amiga, desconhecida, vai dize: "tadinho, tá incomodado. Deve ser cólica". Ou sempre vai ter alguém que te pergunta: "ele não tá tendo cólica, não?".
Com as meninas, eu achei que o choro delas era cólica. Mas não era. Era sono, provavelmente. Era vontade de ficar perto de mim, mas eu estava muito ocupada tentando entender o que elas tinham, por que elas choravam. por que elas mamavam tanto e meu leite parecia não ser suficiente. Queria ter me libertado de todas aquelas frases e conceitos de que "não é fome, não é possível". Não era mesmo, mas elas queria o peito. Só isso. Com o Francisco, consegui me libertar. Dei peito e todo colo que eu achava suficiente. E como foi bom. Eu estava tranquilo, meu bebê tranquilo. Em algum momento, é claro, eu também fiquei cansada, era o tempo todo no peito. E até eu, que tinha certeza absoluta, de que não era cólica, comecei a duvidar. Então, entrei na internet e fui buscar rápido um texto do Carlos González que acalmou meu coração.
Acredite. Não existe cólica. Uma vez que a gente se desapega do tal dos gases, se acalma e oferece o que o bebê realmente quer. Mamou durante uma hora e depois chorou? Então, ainda pode dar mais um peito. Ou ninar. Mamou, ninou, mamou, ninou e nada? Dá um banho e mais peito. Confie nos seus instintos. Seu bebê só precisa de uma coisa nos primeiros meses de vida: você. Tá cansada, quer tomar um banho, comer? Desapega. Dá o bebê pro marido, pra mãe, pra sogra, descansa um pouco. E depois mais peito. Durma com ele no colo, coma com ele no colo. Entregue-se. Seu bebê só vai passar por isso uma vez. Seu corpo ainda está se adaptando ao fato de você não dormir muito, mas acredite, uma dia o cansaço vai passar. Por isso, Tatiana da foto, pegue as duas no colo muito, dê peito, chore, acredite em você mesma e no seu leite. Porque no fim, tudo vai passar. Só o amor e as boas lembranças é que ficam.