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sexta-feira, 23 de março de 2012

Vamos arrotar e derrotar!

As meninas estão oficialmente com refluxo. Fizemos uma ecografia e ficou comprovado que elas têm refluxo moderado. É um saco, devo dizer, acho terrível os bebês terem que sofrer justamente no melhor momento para eles que é o ato de mamar, mas estamos seguindo em frente e dando um passo de cada vez. O exame é bem simples, mas elas tiveram que ficar 24 horas sem o remédio e isso foi sofrível.

Na clínica, encontrei com outra mãe na sala de espera que amamentava o filho de quatro meses enquanto eu também dava de mamar para Maria, que seria a próxima. Ela tinha os olhos cansados, talvez como os meus, e me contou que o filho de quatro meses tinha refluxo desde que nasceu. "Ele chora muito, elas choram muito?". Eu disse que não, "choram um pouco", e quase me senti culpada. Queria ser solidária com ela, dar um abraço, aquela coisa de "eu sei o que você está passando, de todos os medos, etc". Ela já tinha ido em três pediatras e também deu para o bebê a receita clássica dos médicos para o refluxo: motilium e label. Não deu tempo de conversar mais. Não sei qual tinha sido o resultado do exame dele, mas me senti menos sozinha no mundo.

Passamos por uma montanha russa de emoções nestes últimos dias, mas como poderia ser diferente? No dia do exame, elas ficaram muito incomodadas, acho que pela falta do remédio o dia inteiro, e ficamos com elas de nove da noite até as duas e meia da manhã acordadas. Elas choraram, fizeram coco, tomaram banho, mamaram, choraram e choraram, até dormir. No meio de tudo, a gente cantou, embalou, rezou, chorou junto, até passar.

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Eu e Bebella durante o processo de arrotar

Agora, elas estão melhorando. Em alguns momentos mamam bem, em outros não. Quando não dá para mamar no peito, dou o complemento na mamadeira que é mais fácil pra elas. Depois é uma rotina de embalar e colocar para arrotar que pode durar até uma hora. De vez em quando, vem aquele choro, a gente sente quando o leite volta e incomoda, mas o jeito é lidar com a situação. Dar o remédio e o conforto do colo quando elas precisam. Não quero ficar sofrendo por antecipação ou remoendo o que está acontecendo. Estamos focando na solução e na espera dos três meses para ver se melhora o funcionamento digestivo. Às vezes bate o desespero, mas tento manter o pensamento postivo, esquecer um pouco disso e tentar brincar, passear, manter uma rotina com as duas. Também estou tentando tratar com um remédio homeopático. É dificil porque são dois bebês, mas o nível do refluxo podia ser pior. E vamos seguindo em frente!

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Isabella e Maria brincando no berço, sempre

sexta-feira, 9 de março de 2012

A dor e a delícia de ser mãe - a saga continua

Os primeiros três meses têm sido um desafio. Cada dia é uma aventura, o encontro com o desconhecido, a intensidade que chega e não quer ir embora. Quando a gente acha que tá tirando de letra, a página vira. Eu não sei como foi com vocês, mas ninguém me contou que os primeiros meses eram tão intensos. Sim, é um amor que não acaba mais, uma descoberta maravilhosa de um novo ser, porém é um desafio constante e um trabalho sem fim.Cada hora é uma coisa diferente.

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Agora, eu me descobri como uma mãe de coração partido. As meninas começaram a ficar incomodadas de uns dias para cá e não era mais cólica. Acontecia sempre depois das mamadas, especialmente quando elas tomavam o complemento. Desconfiamos de refluxo. Elas choravam, faziam cara feia e tinham dificuldade para arrotar a cada mamada. A Isabella sofria mais. Fomos no pediatra e ele passou uma ecografia para as duas, mas só consegui marcar para o fim do mês. No mesmo dia, elas pioraram. Choraram muito, Isabella vomitou duas vezes e a Maria uma vez. Foi uma madrugada intensa.

No dia seguinte, nenhuma melhora. Isabella não queria comer. Nada de peito ou mamadeira. Elas começavam a chorar muito quando chegavam perto do peito, não era rejeição, e sim de dor.  E acho que, para piorar, mudamos o leite artificial delas, o médico indicou o de soja e elas não se adaptaram. As duas ficaram tão inquietas que eu e o Marco não demos conta sozinhos. Meus pais dormiram aqui em casa ontem e hoje devem fazer o mesmo. Liguei para o médico e ele passou um remédio. E depois outro. Desde então, estamos sofrendo com isso. Elas deram uma melhorada hoje, mas todo o processo é sofrível. Dá um aperto no peito ver as meninas assim. A melhor hora do dia para elas, que é o mamar, ficou difícil. Já chorei com elas, rezei e estou fazendo de tudo para que elas melhorem. E sei que isso vai passar.

O processo não acaba nunca. Primeiro veio a cólica. Resolvemos, as meninas ficaram mais aliviadas e seguimos com a nossa rotina. Eu tava achando que estava bombando na amamentação, que tinha diploma de master, aquela coisa toda, e o que acontece? Tudo muda de uma hora para outra. Há quase uma semana meu bico rachou e fez uma ferida daquelas! Saiu sangue e eu travei. Corri para internet, anunciei no facebook e consegui uma pancada de dicas.

A primeira coisa que eu tentei era obviamente errada: insisti em dar o peito ferido. Saiu tanto sangue que eu fiquei com ânsia de vômito e olha que eu não tenho a mínima frescura com essas coisas. Pobre Maria parecia uma vampira. Chorei, chorei e chorei. E já tinha sentenciado o fim da minha amamentação. Como iria conseguir alimentar as meninas sem um dos seios? O problema, ou melhor, a vantagem é que não dá para desistir tão fácil assim do negócio, o leite ainda tá ali e o peito pede para ser consumido.


Peguei todas aquelas informações que me passaram e tomei como regra as que eu achava que seriam melhor para mim. Resolvi deixar a ferida cicatrizar por 24 horas. As meninas só mamavam em um seio, 10 minutos cada, e depois tomavam a mamadeira. Foi uma loucura. Achei que elas iam querer lagar o peito depois dessa, mas não! Elas ainda estão mamando firme e forte!

Passei o óleo dersani na ferida e no outro bico para prevenir e usei a conchinha de amamentação para não abafar o seio, segundo me aconselharam. Tirei leite do seio ferido, mas mesmo assim ele ficava cheio e o bico ficou sempre úmido de leite, o que foi o melhor remedio para a ferida. O leite materno cura tudo.

No dia seguinte, usei um protetor de bico para amamentar e deu certo. Mas, o outro seio depois de ser muito usado ficou rachado também, é claro. Dei um tempo nele, mas não mais do que mamada. A Isabella não gostou muito do protetor de bico e acabei descartando. No fim, elas estavam mamando bem de novo e os seios estavam menos doloridos. Agora, eu sempre esfrego um pouco de leite depois de cada mamada e estou usando uma pomada de lanolina que uma amiga me deu. E no mais, não quero saber mais de drama na amamentação.

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Sempre juntas e de mãos dadas

É isso. Estamos na luta e a saga continua. E para falar a verdade, apesar do desafio constante, não consigo mais me imaginar fazendo outra coisa a não ser ficar do lado delas. É tão bom cuidar delas. Sinto que amadureci tanto em tampouco tempo e a sensação é boa. E tenho certeza que esta fase vai passar rápido e dias melhores virão.  Amanhã as duas completam 2 meses. Tudo o que eu quero é bolo, guaraná e paz.