Os primeiros três meses têm sido um desafio. Cada dia é uma aventura, o encontro com o desconhecido, a intensidade que chega e não quer ir embora. Quando a gente acha que tá tirando de letra, a página vira. Eu não sei como foi com vocês, mas ninguém me contou que os primeiros meses eram tão intensos. Sim, é um amor que não acaba mais, uma descoberta maravilhosa de um novo ser, porém é um desafio constante e um trabalho sem fim.Cada hora é uma coisa diferente.
Agora, eu me descobri como uma mãe de coração partido. As meninas começaram a ficar incomodadas de uns dias para cá e não era mais cólica. Acontecia sempre depois das mamadas, especialmente quando elas tomavam o complemento. Desconfiamos de refluxo. Elas choravam, faziam cara feia e tinham dificuldade para arrotar a cada mamada. A Isabella sofria mais. Fomos no pediatra e ele passou uma ecografia para as duas, mas só consegui marcar para o fim do mês. No mesmo dia, elas pioraram. Choraram muito, Isabella vomitou duas vezes e a Maria uma vez. Foi uma madrugada intensa.
No dia seguinte, nenhuma melhora. Isabella não queria comer. Nada de peito ou mamadeira. Elas começavam a chorar muito quando chegavam perto do peito, não era rejeição, e sim de dor. E acho que, para piorar, mudamos o leite artificial delas, o médico indicou o de soja e elas não se adaptaram. As duas ficaram tão inquietas que eu e o Marco não demos conta sozinhos. Meus pais dormiram aqui em casa ontem e hoje devem fazer o mesmo. Liguei para o médico e ele passou um remédio. E depois outro. Desde então, estamos sofrendo com isso. Elas deram uma melhorada hoje, mas todo o processo é sofrível. Dá um aperto no peito ver as meninas assim. A melhor hora do dia para elas, que é o mamar, ficou difícil. Já chorei com elas, rezei e estou fazendo de tudo para que elas melhorem. E sei que isso vai passar.
O processo não acaba nunca. Primeiro veio a cólica. Resolvemos, as meninas ficaram mais aliviadas e seguimos com a nossa rotina. Eu tava achando que estava bombando na amamentação, que tinha diploma de master, aquela coisa toda, e o que acontece? Tudo muda de uma hora para outra. Há quase uma semana meu bico rachou e fez uma ferida daquelas! Saiu sangue e eu travei. Corri para internet, anunciei no facebook e consegui uma pancada de dicas.
A primeira coisa que eu tentei era obviamente errada: insisti em dar o peito ferido. Saiu tanto sangue que eu fiquei com ânsia de vômito e olha que eu não tenho a mínima frescura com essas coisas. Pobre Maria parecia uma vampira. Chorei, chorei e chorei. E já tinha sentenciado o fim da minha amamentação. Como iria conseguir alimentar as meninas sem um dos seios? O problema, ou melhor, a vantagem é que não dá para desistir tão fácil assim do negócio, o leite ainda tá ali e o peito pede para ser consumido.
Peguei todas aquelas informações que me passaram e tomei como regra as que eu achava que seriam melhor para mim. Resolvi deixar a ferida cicatrizar por 24 horas. As meninas só mamavam em um seio, 10 minutos cada, e depois tomavam a mamadeira. Foi uma loucura. Achei que elas iam querer lagar o peito depois dessa, mas não! Elas ainda estão mamando firme e forte!
Passei o óleo dersani na ferida e no outro bico para prevenir e usei a conchinha de amamentação para não abafar o seio, segundo me aconselharam. Tirei leite do seio ferido, mas mesmo assim ele ficava cheio e o bico ficou sempre úmido de leite, o que foi o melhor remedio para a ferida. O leite materno cura tudo.
No dia seguinte, usei um protetor de bico para amamentar e deu certo. Mas, o outro seio depois de ser muito usado ficou rachado também, é claro. Dei um tempo nele, mas não mais do que mamada. A Isabella não gostou muito do protetor de bico e acabei descartando. No fim, elas estavam mamando bem de novo e os seios estavam menos doloridos. Agora, eu sempre esfrego um pouco de leite depois de cada mamada e estou usando uma pomada de lanolina que uma amiga me deu. E no mais, não quero saber mais de drama na amamentação.

Sempre juntas e de mãos dadas
É isso. Estamos na luta e a saga continua. E para falar a verdade, apesar do desafio constante, não consigo mais me imaginar fazendo outra coisa a não ser ficar do lado delas. É tão bom cuidar delas. Sinto que amadureci tanto em tampouco tempo e a sensação é boa. E tenho certeza que esta fase vai passar rápido e dias melhores virão. Amanhã as duas completam 2 meses. Tudo o que eu quero é bolo, guaraná e paz.