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terça-feira, 9 de abril de 2013

A louca

Desde que eu fui lá e carimbei minha carteirinha no clube chamado maternidade, uma frase tem acompanhado meu nome constantemente: "Tatiana, você é louca!". É como se a Shakira aparecesse de vez em quando por aqui, no seu melhor biquíni dourado, cantando: "loca, loca, loca". Mas qual mãe é, de fato, normal? Se fosse completamente certa e dentro dos padrões (sejam lá quais eles são hoje em dia) algum problema teria. Eu não sigo o caminho comum dentro das dependências do complexo aquático maternal e algumas das minhas decisões como deixar as meninas aprenderem a subir livremente no sofá ou até mesmo o fato de eu não dar açúcar para as duas são consideradas doidas. Ter mais um filho, então... direto para o hospício!

Sem título
Não tem como não ficar louca por essas duas!

Eu digo ainda bem que temos a loucura. Cada vez mais vejo que somos todas parecidas tentando acertar desesperadamente e, às vezes, pegando os caminhos menos convencionais. Acho que a maternidade é cheia de altos e baixo e, em alguns momentos, você pode se sentir mal porque não fez a mesma coisa que sua amiga, não conseguiu amamentar, seu filho ainda não anda ou ainda não dorme a noite toda, mas pode ter certeza que do outro lado da parede o sentimento é o mesmo. Estamos todas loucas com a nossa própria razão.

O melhor a fazer nessa doidera toda que é a maternidade é ter convicção das suas escolhas, abraçar a ideia de que ter filho é uma trabalheira sem fim mesmo, insistir no que você acredita, pesquisar, aprender, melhorar e, sim, loucas amigas, ter segurança no caminho que você escolheu.

Acho que um dos grandes problemas das mães modernas é a insegurança, são tantas informações, tanta gente falando no seu ouvido, tantas opiniões, que é preciso saber escutar você. Sem deixar de perceber que é possível voltar atrás e saber quando a gente errou. Eu tenho confiança nas minhas loucuras, mas já mudei de ideia também. Exemplo: o pediatra passou Mucilon para engrossar o leite das meninas e eu obsessiva com aumentar o peso delas, dei. Não sabia da quantidade de açúcar e acho que ingorei também o fato. Até que decidi que não era certo e cortei há alguns meses.

Hoje na sala de espera do pediatra, uma mãe de primeira viagem com uma bebê de pouco mais de um mês falava sobre como a filha não dormia sozinha no berço e chorava por tudo (ou seja, fome, mas ela ainda vai aprender isso). Uma outra mãe dizia feliz que o único filho sempre dormiu no berço e era tranquilo. Eu, por outro lado, disse pra ela ninar muito a filha dela, deixar o quanto ela quisesse e pedisse pelo colo, e depois ela colocaria no berço, eventualmente, que era bom aproveitar essa fase.  "A minha irmã fala isso também", ela disse. Não sei o que ela vai fazer com toda aquela informação, mas espero que ela escute a voz dela e que pense menos em "coisas normais", faça o que o instinto pede, seja um pouco mais louca.

Também estou louca para postar as fotos da nossa viagem ao Rio, mas estou voltando aos poucos à rotina! Aguardem e confiem!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mompetition - parte 2

Estão sentindo que o clima de sequência tá pegando nessa blog, né? Mas, como a gente faz se os assuntos são inacabáveis? Então, vamos mais uma vez para o tal da "mompetition", ou a famosa competição entre as mães.

Eu queria entender por que existe tanta divergência e discussão entre as mães, afinal, estamos todas no mesmo barco, no mesmo time, mesma categoria. Mas, existe. Eu tenho pensando muito sobre criação, escolhas e sobre as frases prontas que envolvem esse assunto como "cada um sabe o que é melhor para o seu filho". Leio muito os posts da Anne no Super Duper e tenho me identificado com muita coisa e ela me faz pensar muito sobre essa loucura que é ter que ser mãe. Acho que sim, cada mãe tem seu método, tem suas escolhas. Eu, por exemplo, deixo Maria e Isabella lamberem o chão, talvez alguém ache isso um absurdo, nojento, etc, mas eu acho que faz bem para imunidade delas. Então, não existe certo e errado na maternidade? Existe sim. Dar um hambúrguer pra um bebê é certo? Não, mas tem mãe que dá "pra experimentar, tadinho". Mas, se ela acha que é certo não tem problema? Tem problema sim. Existem milhões de exemplos como esse de dar fast food para um bebê, e eu posso citar vários que eu faço e que outras mães achem errado. "Mas, minha gente, tô confusa, o que é certo e o que é errado?" Rá, só você? Olá, bem-vinda ao mundo moderno.


Sem título Caminhos


Existe o certo e existe o errado, e olha que coisa, eles dependem do ponto de vista. Chega uma mãe orgulhosa com uma pequisa feita na Espanha que natação é péssimo para bebês porque aumenta o risco de bronquite e outra apresenta uma pesquisa de Harvard dizendo completamente o oposto. E agora, quem está certo? Acho que o que está errado é o foco. Maternidade é uma questão de decisão. Se eu quiser colocar minhas filhas na natação e alguém vier falar que faz mal, eu vou escutar e usar a minha melhor expressão do "é mesmo?" e depois ir lá fazer minha matrícula. Eu acho que o que está faltando no mundo moderno é assumir escolhas. E, principalmente, saber voltar atrás quando a sua decisão estiver no caminho errado. Esse sempre foi um dos meus grandes medos antes de ser mãe, ficar cega e achar que eu estou sempre certa. E ainda bem, que eu consigo enxergar quando eu fiz uma merda daquelas e reformular tudo.

Ontem, me mostraram uma discussão afoita sobre amamentação. Li os argumentos, concordei com alguns e a coisa estava ficando acalorosa. Uma amiga que não conseguiu amamentar exclusivamente, que como eu deu o peito e complementou na mamadeira, participava também da troca de opiniões sobre o desafio de amamentar. Cada uma ali tomou uma decisão e estava defendendo seu ponto de vista. Quem estava certo ou errado? Nem ideia, minha gente! Sinceramente? Eu nunca gostei de debate, pra quê ficar discutindo, com raiva do argumento do outro? E outra coisa? Em vez de gastar a energia debatendo, por que não ajudando o outro? Não sei porque a gente insiste em ficar contra o outro. Sim, a gente julga a decisão do outro, mas precisa tentar compreender, e amparar quando for "requisitado". Ou seja, quando outra amiga vier conversar com você. Porque esses conselhos de graça do tipo "você tem que fazer isso", "com meu filho só dá certo assim", a gente dispensa.

Ah, o mundo moderno! Acho que hoje em dia a gente analisa muuuuitoooo tudo. Informação é bom, mas quando é demais atrapalha. Minha mãe me deu um conselho quando as meninas nasceram e acho que é isso: "viva o dia de hoje". Tudo o que eu quero agora é aproveitar o máximo essa fase ótima com Maria e Bella e deixar de lado todas essas neuras, dilemas, polêmicas. As decisões são importantes, mas elas não são definitivas. Por aqui, a culpa não passa mais. E eu não quero ver as outras mães como concorrentes, mas como amigas, que podem me fazer enxergar outros ângulos, recorrer a outros caminhos. Concordo com tudo, não? Julgo? Sim. Mas, como eu, está todo mundo aprendendo e seguindo em frente.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Mompetion

Como uma boa mãe moderna, a internet é uma grande aliada da minha vida "muito louca tentando acertar o passo das coisas". Eu encontrei nesse mundo virtual muitas inspirações, descartei muitas dúvidas, fiz amigos, resolvi problemas e achei novas soluções. Mas, ultimamente, eu tenho sentindo que a rede mundial de computadores também tem um lado negro da força. Deixa eu desabafar, minha gente: às vezes, os blogs fazem a gente se sentir mal. Não basta a gente se bater todo dia achando que é uma péssima mãe, que só faz as coisas erradas, a internet também pode fazer isso por você.
Na semana passada, eu me peguei me sentindo assim.

Você amamentou seu filho lindamente e exclusivamente até os seis meses e tem pavor de mamadeira? Parabéns, eu não consegui. Você usa sling e acha que essa é a solução para todos os seus problemas? Maravilha, eu tenho duas bebês e elas não cabem em uma canga com argola. Você listou todos os contras contra um pouco de açúcar para uma criança com menos de dois anos? Ops, deveria ter lido isso antes de dar um biscoito maisena pras meninas. Você teve um parto normal maravilhoso dos seus sonhos? Eu e outras milhões de brasileiras não. Tá certo, minha gente, não me entendam mal. A recalcada sou eu. Cada um tem o direito de escrever sobre o que quer e como quer, e acho super válido incentivar coisas boas e positivas. Mas, às vezes, a gente esquece que tem alguém do outro lado lendo tudo aquilo. 

E quem não conseguiu amamentar o filho? Acontece. É menos mãe por isso? Não. Mas parece que a gente só vê todo mundo "tem que amamentar, tem que amamentar, porque é o mais puro ato de amor, blá, blá, blá". Mas, e todo o sacrifício e tranformação que você tá passando a favor do filho, tá lá não? Eu dou o peito para as meninas até hoje e, não sei por quê, às vezes, me sinto mal por não ter tentando mais um pouco a coisa do exclusivo e não ter dispensado a mamadeira. A pressão é dos outros, do mundo, dos parentes, nossa e agora até da internet?

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Tudo isso me fez pensar sobre o blog e o que eu escrevo aqui. E me deu um desânimozinho. Será que eu faço outras mães se sentirem mal? Talvez sim. E é exatamente por isso, que quer queria esclarecer: estou aqui, como você, ainda tentando não me afogar nesse mar que é a maternidade. Eu faço o que eu posso para dar o melhor começo de vida que Maria e Isabella poderiam ter. Erro muito? Pra caramba! As coisas são do jeito que eu queria que fossem? Raramente. Mas estou aqui tentando como louca! Ser mãe é ser insistente, como eu disse aqui, claro, mas também é saber parar e dizer, o que vale a pena pra mim e para as minhas filhas? Escolham suas batalhas. É a amamentação? É o sling? É a chupeta? É a alimentação perfeita? Então, se joga!

Eu sinto que muita gente vive em constante competição com outras mães, a famosa "mompetion". É aquele história: "por que o fulaninho faz isso e isso e isso", "ah, mas o meu não faz isso, faz é o aquilo outro, que é ainda melhor". E se o seu não faz nada? Não entre na paranoia dos outros, se tá rolando isso com alguém, não vale a pena nem continuar com o papo. Quando eu converso com outras mães, o que é não acontece com tanta frequência assim ultimamente, porque tenho poucas amigas mães, sempre tento aprender alguma coisa, pegar dicas, desabafar, do que ficar na constante comparação e competição. Acho que como eu já tenho duas filhas para ficar comparando (o que é super errado, tá aí a prova de que eu não sou guia para ninguém), não entro na onda da mompetition.

A verdade é que não existe a mãe perfeita, afinal, qual a graça de acertar tudo sempre? Eu não viveria minhas pequenas aventuras com as meninas, nem iria descobrir a maternidade do jeito que acontece agora. Não sei se existe fórmula certa, acho que existem caminhos e cada um escolhe o que quer seguir, o que eu espero é saber quando eu estou fazendo a coisa errada, não quero ficar cega para receber uma outra opinião ou ver uma nova solução. Eu ainda estou meio de mal com a internet e também um pouco com essa função de blogueira. Eu consigo muito ajuda com outros blogs e sempre achei que poderia fazer o mesmo pelos outros por aqui. O blog também fez com que eu conhecesse outras histórias e muita gente legal, acho que por isso vale a pena continuar. Acho que é isso, minha gente, só um desabafinho. Voltaremos.