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sábado, 9 de maio de 2015

Viva o dia, mães

Eu queria escrever um texto lindo e fofo sobre o Dia das Mães, mas não consigo. Daqui a dois dias nós vamos fazer nossa primeira viagem internacional como família de cinco. Serão horas de voo com três crianças pequenas e uma verdadeira aventura em terras desconhecidas. E eu tenho certeza que vou escutar muitos comentários de que sou “corajosa”, “que loucura” e etc. E isso me faz pensar em como nós, mães modernas, temos uma tendência muito grande a não acreditarmos em nós mesmas. Estamos sempre achando que não vamos dar conta de tudo, casa, filho, marido, trabalho. Duvidamos da nossa capacidade de gerar, parir e cuidar. Carregamos medos que não são nossos, lutamos contra a entrega e as noites sem dormir. E, por fim, analisamos tudo. E, sim, apesar de tudo isso, temos todo o direito de reclamar e não precisamos dar conta de tudo e sermos mães perfeitas.

A verdade é que meu desejo de Dia das Mães é que tenhamos mais confiança no nosso instinto e na nossa capacidade de dar jeito em tudo. Porque sim, as mães conseguem transformar o impossível no possível. Que deixemos de lado o “ah, eu nunca conseguiria fazer isso” ou o “aqui em casa isso não dá certo” e que possamos acreditar mais na nossa determinação. Que no lugar de reclamar, a gente simplesmente faça. E viva. Viva cada dia com nossos filhos, entendendo que o caos faz parte, que dias ruins virão, mas que é preciso aproveitar tudo, descobrir o mundo de novo com eles e crescer junto.




Porque ser mãe é transformador. É bom demais. E sim, nós podemos. Se há alguém no mundo mais capaz de conseguir o que quer são as mães. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

No more drama, mas um pouco de crise

Olá, blog! Tudo bem por aqui? Que saudades de você, de escrever, de jogar palavras ao vento. Pois bem, estamos andando um pouco distantes no momento. É claro que me falta tempo, muita coisa acontecendo e muito o que fazer. Não tá fácil. Mas acho que, além disso, um dos motivos do meu afastamento é que estou passando por um processo de transformação. Tenho passado por processos, e depois de muito tempo, processos meus e apenas meus. O lado bom de tudo isso é que descobri que a maternidade, apesar de ser um aprendizado eterno, não precisa, nem deve ser difícil. Passou a fase de dilemas, de "aí, como é difícil", é claro que é trabalhoso, mas chegar de ficar achando dificuldade em tudo. Como o fim do ano e naquele momento "analisando tudo o que aconteceu comigo", eu começo a perceber o seguinte: ser mãe também pode ser algo leve, sem tanto nhé, nhé, nhé. Portanto, chega de drama, minha gente.

Acho que finalmente atingimos uma fase tranquila, nove meses depois do nascimento do Francisco. Foram muitas mudanças pra família toda neste ano, bebê, escola, uma mãe tentando ser empreendedora. E acho que passada a onda mais forte, chegou a hora de curtir a jornada. O Francisco me ensinou que ser mãe pode ser só leveza. Não existe dilema, problema, frustrações. Outro dia, eu estava um pouco estressada com o caos que as meninas estavam fazendo, em como todo dia era uma briga, uma birra, um choro desnecessário, aquela coisa. E fiquei pensando, por que com o Francisco é tão tranquilo e com elas precisa ser assim sempre caótico? Então, parei pra pensar que sei que tudo o que o Francisco passa é uma fase, que é preciso aproveitar e entender que ele é só um bebê, que a gente precisa curtir e se entregar. E pronto. Era isso. Eu precisava fazer o mesmo com as meninas. Precisava entender que elas estava crescendo, que a Bella e a Maria só teriam dois anos uma vez e que precisávamos ter paciência e guiar o caminho. Cumprir nosso papel como pais.
IMG_9377 Encontrando o caminho
É como o velho dilema do bebê não dormir a noite. "Meu Deus, o que eu faço? Meu bebê não dorme, estou cansada, exausta, etc". É terrível mesmo ficar sem dormir, de fato. Mas é o seguinte: quando você se torna pai/mãe conforme-se: você nunca mais vai dormir do mesmo jeito. É isso aí. E essa é a entrega. Não se preocupe que, eventualmente, você vai dormir de novo. Mas agora, entregue-se. E o corpo acaba se acostumando. Aqui em casa quando o Francisco finalmente dormiu a noite toda, as meninas começaram a acordar. Então, durma quando der e aproveite o momento de hoje. Tudo faz parte do processo. Até as noites sem dormir. Quando a gente se entrega, tudo fica mais fácil. Aqui em casa, estávamos tendo dificuldade de botar as meninas pra dormir, elas não queriam, choravam e etc. Até que começamos a colocar elas na cama e ficar no quarto até elas dormirem. Pronto, acabou o estresse. Não esperamos que elas durmam sozinhas, sabemos que o nosso papel, a nossa responsabilidade é colocar as duas pra dormir. Eu passei por vários processos de colocar as meninas pra dormir nesses quase três anos e vejo que gastei muita energia à toa. Se tivesse pensando assim desde sempre não haveria dilema. O Francisco dorme todo dia no peito e deve fazer isso até quando desmamar. Depois vou estar do lado dele até ele dormir também. E espero aproveitar muito esses momentos de colocar meus filhos pra dormir porque tudo muda muito rápido.

Pois bem, agora pratico a maternidade de forma mais leve. É claro que há choros e caos, que eu também perco a paciência e me tranco no banheiro de vez em quando (quem nunca), mas também estou aprendendo a aproveitar o momento. A viver.

Minha crise agora é comigo. Me pego pensando nos rumos que eu escolhi e o quanto é difícil me manter nele. Quando eu tive as meninas parei de trabalhar para me dedicar totalmente à elas. Não foi fácil, mas foi uma das melhores decisões da minha vida. No meio tempo, comecei a costurar e fiz uma loja que me dava um gosto imenso, mas estava difícil manter a produção. Depois engravidei. Meu marido passou a trabalhar seis horas e o salário dele diminuiu. Era a nossa escolha de viver uma vida mais simples e dedicada a família. Mas a grana começou a apertar e resolvi começar a fazer bolos por encomenda. Meu irmão resolveu me ajudar e o negócio cresceu muito de um mês pro outro. Achei que ia conseguir conciliar trabalhar de casa e ficar com as crianças, mas era muito mais difícil do que eu pensava. Minha casa estava um caos, eu sentia que não ficava o tempo suficiente com as crianças, apesar deles estarem ali do lado. E agora o negócio cresce e eu fico dividida. Neste meio tempo entendi que tudo o que eu sempre quis, eu tenho, que era ser mãe. Que a vida simples estava ali, mas estaria eu tentando encontrar coisas que eu não preciso? Não sei. O que eu realmente quero além do que eu já tenho?  E ainda estou tentando achar a resposta. Ainda estou no meio dessa confusão dentro e fora. Por isso, também tenho me mantido quieta e distante daqui. Só na busca. Porém, no meio de desenrolar o nó.


domingo, 11 de maio de 2014

Todo dia é dia das mães

Na escola das meninas não teve comemoração dos Dias das mães. Lá eles não celebram datas comemorativas, especialmente as comercias, por uma questão de linha de pensamento e um mérito que eu não vou discutir aqui, mas eu não achei ruim. Acho que no meio de todas essas homenagens carregadas com rosas e desenhos, existe um realidade mascarada que a gente esquece. A vida real da mãe que está ali na luta todos os dias, e essa é muito mais perto do meu coração agora do que um simples cartão com um "eu te amo, mamãe". Ser mãe é um constante aprendizado e teste de amor, todos os dias. É claro que tem aqueles abraços apertados que fazem a gente sentir um frio bom na barriga, mas também existe a escolha diária de se entregar para um ser, no meu caso, seres, cada vez que você levanta da cama e o seu caminho começa a fazer parte do deles também. A sua vida ganha um novo significado, guiar, educar e amar. Amar incondicionalmente com garra, com força, que muitas vezes exige que você supere tudo, até você mesma, para poder usufruir deste amor.

Ontem, em uma das piores noites da minha vida como mãe, enquanto eu fazia carinho na cabeça da Bella no escuro do quarto delas, fiquei pensando no significado todo desse Dia das mães, e em como eu não estava me sentindo iluminada, mas derrotada pela rotina, tentando buscar ar no meio de uma confusão que às vezes parece não ter fim. Tudo o que eu queria era que a paz e felicidade reinasse, como todas as mães, mas o caos parecia insistir. No meu primeiro Dia das mães como mãe de três, cartões, mensagens e homenagens piegas não vão significar nada, porque mais uma vez eu precisei me superar. Como toda mãe, eu estou tentando desesperadamente. E no fim, pensei em todas as mudanças que a minha família tá passando nesse último mês e poxa, eu podia falar: eu tenho uma família e sabe o quê? Como sempre é só uma fase, e tudo dá certo no final.


Nesse Dia das mães, eu desejo não só pra mim, mas para todas as outras mães, que a gente se cobre menos, sofra menos (pelo amor de Dios) e aproveite mais, não queira que tudo seja perfeito, não fique se comparando com os outros, abrace um pouco o caos, aprenda a ceder, respire fundo quantas vezes for necessário no dia e perceba, por fim, a sorte de fazer parte dessa loucura toda chamada maternidade. *Foto Quitandoca

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Síndrome do Segundo/Terceiro filho

Eu tenho pensando um pouco (não muito) sobre como esse bebê vai ser, como ele vai se encaixar na nossa família. Quando ele vier para os meus braços, eu não vou ser aquela mesma mulher, que com um misto de felicidade e medo, que pegou primeiro uma menina na UTI Neonatal, olhou, admirou, viu cada detalhe e tentou colocar no peito; depois pegou a outra, olhou, admirou, viu cada detalhe, ficou impressionada com a semelhança com a irmã e tentou colocar no peito. Eu vou ser outra, a situação vai ser outra, mas o amor vai ser o mesmo, disso eu não tenho dúvidas. A felicidade que já existe vai respirar ainda mais fundo e eu vou saber aproveitá-la. Ah, se vou. Mas ainda que o medo seja diferente, bem diferente, ele existe.

E eu não tenho medo de "não dar conta do recado" ou de "como eu vou fazer para cuidar de três crianças". Sei que tudo vai dar certo e a gente sempre dá um jeito. Mas tem uma coisa que eu tenho medo sim, tenho medo desse bebê cair na inércia. Ponto (não, pronto), falei. Eu tenho medo dele cair nesse ditado de que o terceiro filho "tem sorte ou sobrevive". É uma coisa que eu reparo que acontece com o segundo/terceiro filho, a gente deixa fluir porque sabe que ele vai crescer, vai comer eventualmente, um dia dorme a noite toda, e tudo isso é verdade. Tudo bem, realmente, a gente aprende muita coisa com o primeiro, no meu caso, as primeiras. Mas, eu tenho medo de não me esforçar tanto. De não ser mais a mãe insistente, que tenta, faz dá certo, que me fez chegar até aqui. E aí a coisa desandar mesmo. Faz sentido? Sou psica? Fico super me analisando, essa sou eu, e acho que toda mãe deveria ser assim também, não ficar pensando só no que os outros podem ou fazem errado, mas no que a gente faz ou pode fazer errado também. Por isso, não quero deixar de me esforçar por esse bebê.

PicFrame
É claro que as coisas vão ser diferentes, a gravidez já está sendo bem diferente. Como eu disse, não sou mais a mesma e tudo o que passei com a Maria e a Bella me fizeram o que eu sou hoje. Mas não quero me perder no caminho e preciso me lembrar disso. Quero continuar sendo a mãe prática que as meninas me ensinaram a ser, sem deixar de ser disciplinada, sem deixar de insistir. Portanto, venha bebêzinho que estamos te esperando, para passar por mais um desconhecido com gostinho familiar. Parar deixar a felicidade ainda mais completa, transbordando como tem que ser.

Eu também escrevi um post sobre que tipo de mãe eu queria ser quando estava grávida das meninas. Sabe que até que eu não me desviei tanto das minhas ideias originais? ;)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Desconhecido, mas nem tanto

Eram 10h30 da manhã e a consulta da segunda ecografia do bebê número 3 (a famosa morfológica) estava atrasada. Me bateu um enjoo, uma fome, mas resolvi ignorar e assistir a TV que insistia em continuar em um canal brega na sala da recepção. Chamaram meu nome e lá fui eu ver meu bebê. Ele aparece na tela grande, lindo, coração batendo forte, dois bracinhos, duas perninhas, perfil perfeito. A médica pergunta se eu fiz a sexagem fetal (exame de sangue que faz você descobrir o sexo do bebê a partir da 8° semana, que eu fiz, inclusive, na gravidez das meninas). Eu digo "não, eu não quero saber o sexo, hein doutora?". E ela me fala com cara de assusta: "então, me avisa sempre antes de gente começar, viu? Me avisa!". O-K. (Preciso fazer um post sobre essa escolha maluca que quase ninguém entende, aguardem e confiem).

Me bate uma calma quando faço aquele exame, sei que vai estar tudo bem. Eu me sentia assim com as meninas, mas sempre existia aquele medo que os médicos colocavam na gente de que uma poderia estar se alimentando mais do que a outra porque elas dividiam a placenta e a gravidez de risco, etc. Mas aquele sentimento, o mesmo que eu sinto agora, estava lá. Ao mesmo tempo, me sinto estranha por ver só um bebê dentro de mim naquela tela enorme. Ele lá sozinho, com tanto espaço. É bizarro, eu sei, mas é o que eu sinto. É totalmente diferente, mas a emoção é a mesma. Tudo 100% com o exame, vou esperar a impressão na recepção de novo.

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Olá, eu sou bebê número 3!

A grávida que estava depois de mim é atendida, sai do exame e nada do meu chegar. Vou reclamar, fico um pouco irritada com o atraso, fico pensando que está chegando a hora do almoço das meninas e pedi para o meu sogro e minha sogra ficarem com elas e sei que o horário deles é limitado também, então não consigo relaxar. Aparentemente, a médica esqueceu de colocar uma coisa no exame, mas "já já fica pronto".

A grávida do meu lado recebe o resultado dela com a foto em 4D do bebê e fica toda feliz. "Ai, é a cara do pai! Vou tirar foto e mandar pra todo mundo. Mãe é besta mesmo, né?". Olhei pra ela e sorri. Pensei: "primeiro filho, com certeza!". Sei o que ela está sentindo, mas não consigo me identificar com ela. Será que fiquei cínica demais? Prática demais? Primeiro, porque eu não gosto da ideia dessas ultras 3D, 4D, acho que não dá pra ver o bebê direito e não vejo graça em ver o bebê antes dele nascer, super entendo quem faz, mas não é a minha. Segundo, será que eu não estou curtindo o momento? Será que esse atraso e o fato da minha cabeça estar em casa com as meninas não me deixa curtir o momento como deveria? Terceiro, não consigo me identificar porque eu não criei expectativas ainda e também não quero me prender a elas.

Outro dia estávamos nós quarto brincando no chão, antes das meninas dormirem, e eu pensei: "eu conheço tanto minhas filhas, essa família, como é bom!". E aí me bateu uma coisa: "E o bebê? Como é que ele vai se encaixar nesse quadro perfeito?". Estou numa fase tão boa e tranquila com as meninas, que por alguns momentos não consegui pensar em qualquer coisa diferente daquilo. E esse bebê tão desejado, tão querido, como ele vai ficar entre nós? E aí percebi uma coisa: bateu o medo do desconhecido. De como será nossa vida como cinco. E sabe o quê? Tudo bem. Eu tenho direito de ter o frio na barriga e gosto dele.

Eu tenho não criar expectativas, mas elas existem, e às vezes, não há como evitá-las. Pode ser que elas venham quando os pais querem ver o rosto do bebê para ver com quem ele vai se parecer ou em pensar em como o novo bebê vai encaixar na família. Pois que venham outras possibilidades e, finalmente, a realidade, quando ela, lindamente, acontecer.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Mulher de fases

É fato que a vida do bebê e, consequentemente, dos pais, é feita de fases. A gente aprende muito e sofre com elas, e cada uma tem suas vantagens e desvantagens. Eu vejo que até os meus dias com as meninas têm suas fases. Em alguns momentos está tudo lindo, elas brincando quietinhas, de repente sai um abraço entre as duas, alguém faz um carinho em mim, elas "conversando" e eu sem entender nada. De vez em quando,eu choro um pouquinho de felicidade, de gratidão por estar vivendo aquilo. Ah, a vida é bela e doce. Melhor ainda, a vida é Bella e Maria. Mas, cinco minutos depois.... alguém rouba o brinquedo de alguém, alguém tentar tirar alguma coisa e não consegue, alguém fica frustrada por um motivo que você não consegue entender. E tem choro e é o caos. Uma verdadeira montanha-russa, assim é a maternidade (aliás, já disse isso aqui).

IMG_5274 Minha visão de hoje. Estava na cozinha fazendo almoço e percebo silêncio, ou seja, nunca um bom sinal. Mas quando entro na sala correndo, cada uma brincando no seu canto. Paz por alguns minutos. Às vezes, elas também precisam de um momento sozinhas

Nesses momentos de glória, no entanto, eu penso nas fases. Primeiro, em como a fase de bebê era fácil e eu não sabia. Mas, peraí, essa fase é fácil também. Mas, por que todas também são tão difíceis, gente? Viu? Não tem sentido. E o que me resta: aproveitar muito aqui e agora. Porque uma coisa é certa: a fase de bebê não volta mais e o que nos resta são as lembranças daqueles dias de loucura. Eu estava querendo que a próxima fase chegasse logo, que elas falassem, começassem a me entender melhor, tirar chupeta, vitamina (aka nosso leite) na hora de acordar e na hora de dormir, ir pra caminha, etc. E eu digo: pra que? Essas fases todas vão chegar e agora também é tão bom.

IMG_5278 Maria brincando de boneca. Cadê, minha bebê?

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O mundo é todo delas, e eu só assisto

Essa fase tá boa demais e daqui a pouco a gente vai mudar, então relaxei. Vou aproveitar que elas estão na fase de acordar e ficar de preguiça no berço, que é uma delícia. Acordam umas 8h, vou lá dou "bom dia", troco todo mundo, dou a vitamina de banana, coloco uns brinquedos no berço e elas ficam lá até umas 9h. Enquanto isso, eu vou no banheiro, adianto almoço e tomo meu café com calma. Soneca é sagrado pra elas e, por isso, a gente não consegue sair muito na hora do almoço, por exemplo, e se elas dormem fora de casa é todo um processo. Então, pra que ficar lutando contra isso? É só uma fase. À noite, dá 19h e parece que dispara um relógio. Elas começam a se aninhar, reclamam, às vezes deitam no chão, chega ao ponto da gente falar: "vamos dormir?" e corre todo mundo pro quarto. Pode? Fase boa, gente!

IMG_5299IMG_5300 Bella em dois atos, mesmo minuto 

Acho que é importante insistir nas coisas, cada fase tem suas funções, e é preciso colocar limites e métodos em prática, mas sentar e apreciar também vale a pena. Todos os dias eu acordo e penso: "que aventura me aguarda hoje com as meninas?". Todos os dias eu olho pras duas e penso: "como eu posso ser tão sortuda?" e um tanto de amor me invade que eu nem sei explicar. E que venham mais, os desafios e as delícias.

sábado, 11 de maio de 2013

Dia das mães para sempre

Eu não gosto dos mimimis dos Dias das Mães, foi mal, minha gente. Sempre quando esta data chega eu me lembro que agora eu posso ir no shopping comprar alguma coisa pra mim e não só a minha mãe e para sogra, então é basicamente isso o que significa. Eu confesso que tenho estado meio cansada (porque já fui muito mais no passado), confusa e até mau-humorada na últimos dias porque não tem sido fácil ser mãe, minha gente. E quando foi? Estamos na fase de birras, mini escândalos, "eu sou uma pessoa no mundo e preciso me auto-afirmar" e coisas do tipo, tudo em dose dupla, por isso não estou me mostrando muito empolgada com as mensagens que envolvem esse dia, ainda que sinta que todas são verdadeiras e que, sim, não há nada melhor no mundo que ser mãe. Fato.

Tenho pensando muito, muito e muito sobre a nossa rotina e confusão que vem acontecendo aqui, mas isso é papo para o próximo post. Hoje eu queria escrever sobre essa coisa louca de ser mãe. E como eu ainda estou no começo da jornada, inclusive das comemorações do Dia das Mães, eu não consigo parar de pensar na minha mãe, nas minhas avós, nas minhas bisavós e tataravós e tudo o que elas passaram, e o caminho que elas escolheram. Uma vida interia dedicada aos filhos e a família um caminho bem parecido do que eu escolhi e tão diferente do que eu sinto ao meu redor. Eu queria conversar com a minha bisavó, mãe do meu avó materno, que teve gêmeos e perdeu os dois no parto, sobre todos os filhos que ela teve e a vida que ela escolheu. Eu tenho o privilégio de ter a minha mãe como melhor amiga e perto de mim, e sei como sou sortuda por isso.

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Nós! O tempo passa rápido e tudo o que resta para as mães é aproveitar muito!

Ontem, a minha única avó que está por aqui, colocou a seguinte mensagem no Facebook (sim, são os tempos modernos): "Queria passar o Dia das Mães com todos meus filhos perto de mim , mas como isto não vai ser possível estarei com eles em meu coração". E lembrei que um dia meus filhos também vão crescer e não estarão sempre perto de mim. Que essas semanas difíceis são apenas uma fase e que vai passar. E que depois eu vou sentir falta de tudo, mas vou ter vivido. E por isso é tão bom estar perto da Maria e Isabella todos os dias, viver intensamente esta fase. Ver cada desenvolvimento, cada novo passo, os momentos de gargalhadas e os momentos de choro até eles partirem, mas continuarem sempre dentro de mim. 

Bom domingo e Dia das Mães pra todo mundo!


E, vamos para a vencedora do sorteio de aniversário: Ana Paula Pereira! Parabéns! Você vai receber um email da Grisino em breve!
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Obrigada a todos que participaram!

terça-feira, 9 de abril de 2013

A louca

Desde que eu fui lá e carimbei minha carteirinha no clube chamado maternidade, uma frase tem acompanhado meu nome constantemente: "Tatiana, você é louca!". É como se a Shakira aparecesse de vez em quando por aqui, no seu melhor biquíni dourado, cantando: "loca, loca, loca". Mas qual mãe é, de fato, normal? Se fosse completamente certa e dentro dos padrões (sejam lá quais eles são hoje em dia) algum problema teria. Eu não sigo o caminho comum dentro das dependências do complexo aquático maternal e algumas das minhas decisões como deixar as meninas aprenderem a subir livremente no sofá ou até mesmo o fato de eu não dar açúcar para as duas são consideradas doidas. Ter mais um filho, então... direto para o hospício!

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Não tem como não ficar louca por essas duas!

Eu digo ainda bem que temos a loucura. Cada vez mais vejo que somos todas parecidas tentando acertar desesperadamente e, às vezes, pegando os caminhos menos convencionais. Acho que a maternidade é cheia de altos e baixo e, em alguns momentos, você pode se sentir mal porque não fez a mesma coisa que sua amiga, não conseguiu amamentar, seu filho ainda não anda ou ainda não dorme a noite toda, mas pode ter certeza que do outro lado da parede o sentimento é o mesmo. Estamos todas loucas com a nossa própria razão.

O melhor a fazer nessa doidera toda que é a maternidade é ter convicção das suas escolhas, abraçar a ideia de que ter filho é uma trabalheira sem fim mesmo, insistir no que você acredita, pesquisar, aprender, melhorar e, sim, loucas amigas, ter segurança no caminho que você escolheu.

Acho que um dos grandes problemas das mães modernas é a insegurança, são tantas informações, tanta gente falando no seu ouvido, tantas opiniões, que é preciso saber escutar você. Sem deixar de perceber que é possível voltar atrás e saber quando a gente errou. Eu tenho confiança nas minhas loucuras, mas já mudei de ideia também. Exemplo: o pediatra passou Mucilon para engrossar o leite das meninas e eu obsessiva com aumentar o peso delas, dei. Não sabia da quantidade de açúcar e acho que ingorei também o fato. Até que decidi que não era certo e cortei há alguns meses.

Hoje na sala de espera do pediatra, uma mãe de primeira viagem com uma bebê de pouco mais de um mês falava sobre como a filha não dormia sozinha no berço e chorava por tudo (ou seja, fome, mas ela ainda vai aprender isso). Uma outra mãe dizia feliz que o único filho sempre dormiu no berço e era tranquilo. Eu, por outro lado, disse pra ela ninar muito a filha dela, deixar o quanto ela quisesse e pedisse pelo colo, e depois ela colocaria no berço, eventualmente, que era bom aproveitar essa fase.  "A minha irmã fala isso também", ela disse. Não sei o que ela vai fazer com toda aquela informação, mas espero que ela escute a voz dela e que pense menos em "coisas normais", faça o que o instinto pede, seja um pouco mais louca.

Também estou louca para postar as fotos da nossa viagem ao Rio, mas estou voltando aos poucos à rotina! Aguardem e confiem!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Diferentes e iguais

Outro dia (leia-se há muito tempo atrás) eu li que as nossas primeiras lembranças da infância definem quais posições vamos tomar para o resto da vida, inclusive se você ia ter tendências depressivas se suas recordações primárias não fossem boas. E tinha lá um especialista que dizia: " faça o teste, pense na sua primeira lembrança da infância". Então, eu fechei os olhos e lembrei. A minha primeira lembrança da infância veio com um filme e ela estava lá. Linda, morena, cabelos ondulados e pronta para me guiar, como deveria ser o papel dela na minha história.

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Eu, Mami e Thiago

Eu devia ter uns quatro anos, estudava no maternal em um colégio super tradicional de Botafogo, no Rio. Eu lembro que a professora estava montando a peça de teatro do fim do ano e eu, é claro, queria o papel principal, eu queria ser a Branca de Neve. Mas, eis que escuto: "Tati, você vai ser a bruxa, tá meu amor?". Nãooooooooo. Eu não queria ser a bruxa, quem quer ser a bruxa, gente? Ninguém, querida professora! Eu lembro que protestei, mas participei do ensaio e aí já era.

No fim da aula, contei pra minha mãe, super arrasada, acho que chorei, perguntei por que eu não podia ser a Branca de Neve, etc. E está aí a frase que eu acho que mudou minha vida: "Você vai ser a bruxa? Não tem problema, você vai ser a melhor bruxa do mundo. Eu vou fazer um chapéu maravilhoso pra você e você vai aparecer mais que a Branca de Neve, não se preocupa não, Tatiana. Você vai arrasar". Eu acho que continuei triste. Mas me lembro da minha roupa de bruxa, lembro da minha mãe fazendo aquele chapéu, lembro de todo mundo elogiando aquele chapéu, e me senti bem de bruxa, fiquei feliz quando terminou a peça. Está aí a minha primeira lembrança da infância, uma das melhores lições que a minha mãe poderia ter me dado: você pode ser diferente, você pode fazer do seu jeito, você pode se destacar mesmo estando em segundo plano. Ninguém precisa ser protagonista, basta dar seu melhor, fazer diferente, que tudo dá certo no final.

A minha infância toda foi marcada pelas invenções da minha mãe. Desenhar, cortar, colorir, montar, costurar, ela fazia de tudo. Nossos trabalhos de escola eram todos feitos em casa, cheio de ideias milaborante, numa época em que não existia internet para copiar a ideia de algum lugar legal e tudo no esquema "DIY ou faça você mesmo", antes mesmo desse termo existir por aí. Eu tenho nas minhas melhores memórias da infância os projetos feitos pela Dona Vera. Ela sempre estava ali quando a gente saía e voltava da escola, sempre com um ateliê improvisado, uma boa ideia, podia reclamar do trabalho, mas fazia. Ela despertou em mim e no meu irmão a vontade de seguir outros caminhos, ser diferente, ser criativo, ainda que ela não estivesse fazendo aquilo deliberadamente. Ela simplesmente educava instintivamente.

eufestajunina
Eu no melhor estilo "minha mãe me arrumou"

thieeunocolegio Reparem que a roupa é a mesma da foto anterior, mas ela deu uma "repaginada" com lacinhos"

forro
Ela fez todos esses cículos de "ABC" pra minha sala inteira!!!

Por isso, apesar de Maria e Isabella serem idênticas geneticamente, deixo que elas sejam diferentes, como elas de fato são. Pra começar, não visto as duas iguais não só para preservar a individualidade, mas para que as outras pessoas diferenciem uma da outra, mesmo que seja só pela roupa. Eu gosto de ser diferente, seguir o caminho alternativo, sair do lugar comum e minha mãe me ensinou isso, sem ter intenção, e pretendo passar adiante a mesma sabedoria.

Eu quero ensinar para as minhas filhas, assim como a minha mãe fez comigo, que é possível ver a situação por outro ângulo, que com esforço e um pouco de criatividade a personagem má pode ser um pouco mais boazinha, e que dá pra enxergar o lado bom até das bruxas. Tudo o que eu quero é ser a mãe que a minha mãe foi pra mim e tudo o que eu mais desejo no mundo é que ela seja feliz. Só isso.

Este post é uma homenagem para uma das razões do meu viver, já que amanhã é aniversário dela. Parabéns, Mãe!

PS: Obrigada a todas pelos comentários do post anterior, bom saber que não estou nessa sozinha. E foi bom me lembrar que seguir o caminho diferente é desafiante, mas sempre mais compensador. Aguardem mais palpites e jeito de viver da família moderna.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Ser ou não ser, escolher e tantas questões

Nos últimos dias eu tenho pensado muito sobre o universo da maternidade e, de novo, sobre aquela coisa de competição constante que parece existir entre as mães. Por que todo mundo não se dá bem, gente? Mais importante tenho pensado no meu comportamento social neste novo meio que eu convivo. Eu me sinto uma estranha no ninho, uma excluída entre os mais populares do colégio, para falar a verdade, e por isso e por minha culpa também tem sido difícil achar afinidades. Vamos começar: eu tenho duas bebês idênticas (motivo suficiente para não me identificarem como do grupo), eu fico em casa e cuido das meninas, eu não tenho babá ou que lidar com a creche, eu não deixo minhas filhas assistirem televisão (o que inclui um certo pavor de Galinha Pintadinha), eu quero ter um terceiro filho e uma última que eu descobri recentemente, minhas bebês dormem a noite toda, por isso, minha vida é mais fácil.

Eu confesso que tenho ficado incomodada com encontros com mães desconhecidas num shopping ou parquinho, por exemplo, que querem bater um papo casual com outra pessoa que está passando o mesmo que ela. Eu não consigo mais ter aquela vontade de conversar para dividir uma coisa com outra pessoa, eu já vejo aquela mãe como uma inimiga, que não vai ter nada para me acrescentar, que vai pensar de uma forma totalmente diferente da minha. E, claro, o problema não está com os outros, está comigo. Eu me transformei em uma inimiga. Eu julgo o comportamento de outros pais, dou sugestão e conselhos achando que eu sou a pessoa mais certa do mundo, a dona da verdade e isso é muito errado. Pronto, culpada!

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Mas eu não quero mais ser assim. Passei os últimos dias tentando mudar isso e descobri que sim, nem todo mundo vai agir como eu, mas todas querem o mesmo que eu, querem apenas ser felizes ao lado da família. A maternidade é uma questão de escolha, cada uma segue o caminho que achar melhor. Acho que não é uma questão de "o que dá certo pro meu filho, pode não dá certo pro seu", mas uma questão de qual batalha lutar, qual decisão tomar e no que você vai insistir. E no meio disso tudo, de todas essas diferenças, a gente encontra outras pessoas que estão indo na mesma direção. Mas isso também não quer dizer que a gente não pode ser ajudar, se apoiar. Eu me questiono muito também sobre o que eu escrevo no blog, se as minhas experiências "valem" alguma coisa ou não. Se o que eu compartilho aqui vai fazer diferença ou não. E eu também já tenho resposta pra isso: não importa. O que importa são as pessoas que eu acabo conhecendo aqui e que me fazem não sentir tão diferente, tão sozinha. Pronto, coloquei pra fora, desabafei (sim pra isso também serve esse blog) Agora podem todas por favor se mudar pro meu prédio e serem minhas vizinhas, de preferência.

PS: Eu juro que eu queria que esse blog fosse mais inspirador, como tantos outros são pra mim, mais alegre, mais "cool" e sem tantos dilemas. Porém, esta é a vida moderna, no entanto, vou tentar deixar as coisas mais leves, como geralmente são nos dias normais, por aqui.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Dois bebês de um ano e uma mãe confusa

Eu juro que hoje eu ia escrever um post lindo sobre como eu estou ensinando as meninas o prazer de ter livros por perto (porque ler agora é pura ilusão obviamente), para participar da blogagem coletiva da querida Carol do Varal de Passarinhos, mas devido a acontecimentos além do meu controle, hoje eu vou escrever sobre outra coisa. Estou triste e deprimida e espero que só por hoje. Minha conjuntivite piorou, em vez de melhorar. Então, tive que ir no médico e arrumar todo um esquema para alguém ficar com as meninas e eis que surge uma pergunta no ar: "como vai ser a festa?". Pensei em cancelar, mas tem gente vindo de fora para comemorar com a gente e todo um esquema armado que adiar está fora de cogitação. Vou resolver, mas o fato é que fiquei triste.

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Para falar a verdade, há alguns dias, o desânimo bateu em mim e parece que não quer sair, ainda que existem dois lindos motivos para celebrar todos os dias. Preciso dizer que me bateu uma leve depressão no dia seguinte do aniversário das meninas, acho que pelo fato da gente ter que ficar trancado em casa por causa da chuva e da conjuntivite, acho que pelas mudanças notáveis que estavam diante de mim, não sei, uma agonia inexplicável, a coisa de começar todo um novo ciclo, uma nova rotina, todo uma nova configuração aqui em casa e isso me deixou confusa. Alia-se tudo ao cansaço de estar cuidando de duas bebês com dedicação total e completa há um ano e aí que essa receita de bolo desandou.

Maria e Isabella estão cada vez mais espertas, aos poucos deixando de ser bebês e se tornando crianças. Estão cheias de vontades, super vocais e aí começam as birras, a luta pra dormir de novo (apesar delas ainda dormirem a noite toda), os gritos etc. E elas eram tão calminhas que eu estranho um pouco esse comportamento. Elas também mudaram com a comida. Eu era feliz e não sabia, minha gente! Pense em duas meninas que aceitavam tudo e agora o jogo da paciência voltou. Fecham a boca, dizem "não" com a cabeça, comem bem menos. Está tudo diferente e estou sentindo muito isso. É claro que em compensação existe novidades maravilhosas como os carinhos, a fala, os chamegos  a nova forma de se expressar e a formação de uma pequena pessoa ali na sua frente.

Sem título Adultas comendo biscoito polvilho

Estou tentando digerir tudo isso e tentando mandar embora essa onda "down" que baixou em mim. Confesso (sentiram que o blog é meu confessionário, né?) que outro dia um pensamento ruim passou pela minha cabeça, uma coisa que fiquei me sentindo ainda mais mal só de ter pensado: "será que elas não vão aprender melhor a comer, a se desenvolver na creche? Será que eu estou fazendo mal pras duas?". Lá estava eu querendo colocar a minha responsabilidade que eu peguei com unhas e dentes pra mim em outro meio. E isso não foi nunca o que eu quis. Eu fiz uma escolha e me orgulho dela. O que estava acontecendo então? É claro que o cansaço está falando mais alto comigo esses dias. Acho que todas as mães passam por isso, as resolveram ficar em casa e as que saem pra trabalhar, uma hora ou outra o caminho escolhido é colocado em questão. Por isso é preciso ter força para continuar a dar o mesmo passo e continuar a ir em frente. Basta olhar pro lado e ver esses dois sorrisos olhando pra mim e me chamando de "mama" pra ver que o resultado é impagável e vale cada segundo. Sim, teremos festa. Meus convidados vão receber um e-mail explicativo sobre a situação. O oftamologista me disse que é uma conjuntivite de contato, então terei que ficar afastada das crianças e dos convidados. E, o que me deixa mais triste, das meninas também, nada de beijos nessas pequenas, por enquanto. Mas tudo bem, ainda temos a vida inteira pela frente.

Sem título Minhas companheiras

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Mãe moderna?

Às vezes, eu fico me perguntando se eu sou mesmo uma mãe moderna. Pra começar, eu fui contra a maré e, ao contrário da maioria das mães do século XXI, eu eliminei o dilema carreira versus família e resolvi ficar em casa cuidando das meninas. Eu entendo o que muitas mães devem sofrer com essa divisão, mas não senti isso completamente. Mas, com algumas exceções, eu vejo que a maternidade moderna está sempre ligada à uma certa ansiedade, difícil de explicar. Não é raro eu escutar alguém comentando sobre a maternidade como um problema, uma luta constante e sem fim contra um não sei o quê, o quanto a vida muda para melhor ou para pior (qualquer um vale nessas situações e muitas vezes os dois ao mesmo tempo), o quanto os problemas entre os casais aparecem e etc. E neste fim de semana, uma avó fez um comentário perto de mim que não saiu da minha cabeça: "a minha filha está enloquecendo com a menina dela, tem um ano e meio. Ela não sabe mais o que fazer, a criança dá um trabalho, apronta todas, pense num problema, ela até disse que se soubesse que era assim não teria tido."


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Uma coisa que eu aprendi nos 10 meses que estou nessa aventura é que ser mãe é um ato de entrega. Ninguém é mãe simplesmente porque pariu. Como eu já disse antes aqui, ser mãe é um processo. Ser mãe é se entregar, deixar de ser um pouco você por outra pessoa, ou duas, como no meu caso. Acho que por isso sofri tanto nos primeiros meses de vida das meninas, porque precisava entender que eu não era mais "eu" e precisava estar ali para elas. Às vezes, a entrega é mais dura, mais sofrida, como foi comigo. Eu confesso que às vezes vejo a minha cunhada com meu sobrinho de dois meses tão tranquila, saindo, levando ele à restaurantes e etc, e eu lembro dessa minha fase e penso: "ô Deus, que diferença!" Mas, no meu caso eram duas, e eu ainda estava passando por esse processo de aceitação. E aprendi também que cada um tem seu caminho, seu processo. E depois que eu me libertei do "eu", foi e continua sendo maravilhoso, sem dilemas, sem tanto sofrimento. É claro que tenho meus altos e baixos, no começo me questionei muito sobre a minha vida, as mudanças, mas depois que eu me coloquei disponível para as meninas, nada mais de culpa ou de luta.

Às vezes, a entrega não precisa ser total como eu fiz, mas ainda sim é difícil aceitar que ela existe. É difícil aceitar que você não vai conseguir ir e vir com a mesma facilidade de antes, que a liberdade de se fazer o que quer, e na hora que se quer, não é mesma, que a vida social fica nula, que cuidar de você mesma é luxo. E acho que as mães modernas lutam muito contra isso, contra essas mudanças. E não precisa ser assim. Talvez se a mãe daquela menina que eu citei no início deste post aceitasse sua "nova condição" e tirasse proveito da situação de ver uma nova pessoa ser formada e crescer, não teria sido tão sofrido assim, não batesse arrependimento.

A gente está acostumada com uma vida agitada, trabalho que toma conta de tudo, aquisições e consumos momentâneos e de repente, pá! Peraí, dá uma desacelerada que o bebê chegou. Por isso, tem que pensar bem antes de entrar nessa, minha gente, porque tudo muda mesmo. Existem mães que conseguem pular a parte da entrega (confesso que não sei como), deixam o controle de lado, delegam suas tarefas e vivem bem. Acho que talvez, elas sejam as verdadeiras mães modernas. Talvez vivam com a culpa, talvez não. Eu escolhi um caminho diferente e não me arrependo.

Não sou a mãe perfeita, muito menos moderna. Sou apenas e somente mãe. E eu posso dizer que aqui não tem culpa nenhuma. Não esqueci de mim, mas prefiro pensar em nós, sempre. Eu, ele e elas. E deixa eu contar um segredo: quando a gente se entrega, quando a gente deixa de lado o "eu", vê o quanto vale a pena e enxerga o que realmente importa na vida, o que é felicidade. Afinal, o que você veio fazer aqui neste mundo moderno? IMG_9801 *Encontrei essas fotos no meu computador. Elas tinham 5 ou 6 meses... como cresceram, meu Deus!!! Pode surtar agora MODE ON!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Exausta e feliz, pode?

Eu preciso falar um coisa: esse negócio de ser mãe não é fácil não, minha gente! Mas acho que já estabelecemos isso faz tempo, não é mesmo? A verdade é que preciso jogar palavras ao vento aqui e desabafar sozinha no mundo: estou cansada, muito cansada. Estou cansada de ser parada na rua por pessoas incovenientes e ouvir a mesma pergunta sempre: "são gêmeos?". De ir pra qualquer lugar e ter alguém apontando ou olhando na minha direção. Estou cansada do trabalho infinito da casa que não termina nunca. Estou cansada de trocar fralda (no mínimo 16 por dia, oito pra cada uma, nos dias bons), de pensar no que eu vou fazer de almoço, jantar, papinha; de colocar e tirar as duas do carrinho; de tentar colocar as duas para dormir no berço quando estava perfeitamente funcionando a coisa toda delas dormirem no chão da sala. Estou cansada de tentar fazer uma coisa pra mim ou pra loja e não conseguir, de não poder ir na esquina sem ninguém, se eu quiser. Estou cansada de pensar em quanto cuidar de um bebê só é fácil e o quanto cuidar de dois é tão difícil. Estou cansada das minhas próprias ladinhas, dos meus pensamentos.

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Bella na janela

Estou cansada, mas ao mesmo tempo eu olho ao meu redor e não mudaria nada, e isso por si só já deixa qualquer um louco da cabeça. Apesar das dores nos braços, da bagunça na casa, de ficar correndo do tempo inteiro atrás de duas pequenas que não se cansam de brincar e querer conhecer o mundo, de não ter tempo pra nada, de não ser mais "eu", das olheiras, de todo o caos, eu olho pras duas e me sinto tão feliz, tão sortuda. E quando elas se olham e caem na gargalhada, então? Maria e Isabella fazem valer a pena. Mas que eu estou cansada, ah.... como estou.

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PS: Estou tão cansada que ainda nem fiz o post de 9 meses! De amanhã não passa! Quero ver como vou conseguir deixar as duas paradas na sessão de fotos!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Aventuras, calor e a nossa vida pelas lentes do iPhone

Sabe o bom de cuidar de duas bebês? Nunca, nunquinha mesmo, um momento chato, sem graça, morno. Tipo olha o que aconteceu nas últimas 24 horas: muita bagunça na hora de dar uma papinha de beterraba, caos na hora do banho das duas, eu tonta, eu no hospital, eu desidratada, tomando soro e morrendo de saudade das meninas que ficaram em casa com meus pais. Acordamos no dia seguinte recuperadas, eu na cozinha preparando um suco de melão com salsinha para nós três, eu espio pela porta e Isabella conseguiu derrubar meu sapato da cadeira e colocar na boca, chego rápido para tirar e cadê Maria? Maria está com uma tesourinha na boca! Eu surto (tudo o que não deve se fazer nessa hora) e tiro logo da mão dela. Respira e me explica como ela conseguiu puxar a toalha que estava em cima da mesa com todo o meu material de costura e cair justo, e somente, a tal da tesourinha super afiada? Morri. Depois disso, voltamos a programação normal, com muito ar-condicionado que o calor de Brasília não tá fácil não. E não dá tempo de ficar se lamentando, toda mãe passa por um descuido desse, minha gente, certo? Quero acreditar que sim e como Deus nos proteje nada de mais aconteceu. Hoje fiz uma papinha deliciosa e light pras duas (amanhã posto a receita). Agora elas estão dormindo e eu aqui. Mais tarde: piscina no meio da sala para espantar o calor e, talvez, um brownie pra mim.

Aí estão nossas fotos do celular dos últimos dias:

Sequência da Maria mudando de lugar sozinha
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Papinha e domingo

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Brincadeira com a prima e a arte de levar um bolo com um bebê no colo

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Nossa manhã e passeio matinal

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Tecidos novos da Loja da Família Moderna e encontro com a comadre

Maria acordou enquanto eu fazia esse post. Então, vamos lá. Nada de soneca hoje. E o que é pior: somente para uma delas! Já disse, né? Pior pesadelo de uma mãe de gêmeos é quando um dorme e o outro fica acordado.

Quem quiser seguir minhas aventuras/loucuras pelo instagram é só procurar @tatisabadini Estou cheia de post no rascunho, há séculos escrevendo o post sobre a nossa primeira viagem, mas aguentem firme comigo que vem mais coisa essa semana

domingo, 30 de setembro de 2012

Eu, elas, nós apenas

Amanhã começa uma nova fase na nossa vida, muitas mudanças devem acontecer. Quando eu fiquei grávida, comecei a pensar no futuro e a decisão de ficar em casa foi tomando forma, eu tinha a "ilusão" de que iria tomar conta das meninas sozinha. Eu me imaginava carregando as duas para ir fazer uma visita pra minha mãe ou passeando com o carrinho duplo pelos becos da Asa Sul. Só nós três. Muita gente me falava que eu ia precisar de ajuda, era um tal de "você vai não vai conseguir sair com elas sozinha não", "como assim você não vai ter babá?", "você precisa contratar alguém para te ajudar durante a noite ou você não vai dar conta". Eu não ligava muito. Olhando para atrás, eu realmente acho que não me preparei para o que viria depois e fui um pouco ingênua sim, mas tudo fez parte do aprendizado. Porém, agora, minha ideia ilusória de maternidade vai se tornar realidade.

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Depois que as meninas nasceram, meus ideais foram embora rapidamente. Sim, eu precisava de muita ajuda, e pra mim foi muito difícil admitir isso. Eu lutei contra a minha falta de controle da situação, a minha falta de braços, a minha falta de energia, a minha vontade de fazer tudo do meu jeito, eu precisei me livrar de todo um conceito e sonho de vida para encarar a realidade e foi muito difícil. No início, a minha ideia era contratar uma empregada e contar com a ajuda da família, especialmente da minha mãe, para cuidar das duas. Mas a empregada pediu demissão antes mesmo de começar e a substituta só durou duas semanas. Depois de dois meses, a minha mãe começou a ficar cansada e eu percebi que era hora de contratar uma babá. Nas noites e nos fins de semana, eu e o Marco estávamos no comando, e no começo foi bem difícil, (de vez em quando, rolava uma ligação desesperada nos domingos pros meus pais do tipo "vocês conseguem vir aqui e ficar um pouquinho com elas pra gente comer alguma coisa?), mas sobrevivemos.

A experiência com a primeira babá não foi muito boa. De novo, ainda estava no processo de admitir que precisava de ajuda para cuidar das minhas filhas. Ainda era muito difícil. Eu não deixava a babá fazer nada. Eu era tão louca que não deixava ela dar banho nas meninas. Ela ficava com uma enquanto eu dava banho na outra, depois eu repetia o processo enquanto ela olhava quem já tinha tomado banho. Isso tudo para no final, eu sentar no sofá e amamentar uma de cada vez. Louca, louca, louca, como diria Shakira. O trabalho dela era mais colocar uma das meninas para dormir. Depois de dois meses, ela pediu pra sair e contratei uma nova babá. Com ela, deu tudo muito certo. Até que as meninas foram crescendo e eu acho que aquela vontade de cuidar mais das meninas foi chegando de novo. Eu vi que sim, eu conseguia sair com as duas sozinha, eu tinha braços para carregar duas bebês quando se fazia necessário. Eu propus que ela cuidasse mais da casa e eu ficasse mais com as duas, e aí, coincidentemente, as coisas não fluíram mais.

Bem, então, o negócio agora é o seguinte: não temos mais babá. E a partir de amanhã vai ser assim, só eu e elas. Louca, louca, louca. Quando me tornei mãe, tinha dois caminhos a seguir. Número um: trabalhar e deixar as meninas na creche ou com duas babás em casa, como acontece com várias mães modernas que se dividem em muitas para dar conta do recado. Pensei muito sobre essa possibilidade e ela sempre parecia muito distante. Com duas bebês, financeiramente, eu estaria trabalhando para outras pessoas ficarem com as minhas filhas e receber um trocado no fim do mês.

Número dois: ficar em casa e acompanhar de perto o crescimento das minhas filhas, abrir mão do meu lado profissional, meus desejos, para cuidar das duas. Também escutei muita coisa (e ainda escuto) quando tomei essa decisão "você não vai dar conta, não vai aguentar ficar em casa". E realmente não é fácil. Mas como filha de uma mãe que escolheu a segunda opção como modo de vida, me pareceu, e ainda parece, natural. Portanto, está na hora de colocar esse caminho em prática, como eu imaginava e no melhor dos graus de ilusão. Além disso, como eu resolvi parar de trabalhar, o orçamento familiar também está apertado e ter uma babá ficou muito custoso e sacrificante, tinha que valer muito a pena. Está aí mais uma razão para assumir minha decisão.

Eu sei que vai ser muito difícil. Sei que em alguns momentos vou ficar frustada, cansada e querer arrancar os cabelos. Mas estou aqui para tentar, fiz minha escolha. Se eu não tinha tempo para fazer nada antes, agora eu nem sei como vai ser. Colocar duas bebês no colo e sair por aí parece ser missão impossível, e muitas vezes é, não é a mesma coisa do que ter um bebê só, um carrinho pequeno e etc. Mas, eu consigo e consegui apagar aquelas temidas sentenças que recebi no começo. Cada mês que passava, era mais fácil e mais divertido cuidar das duas. E acho que eu vou dar conta. É claro que não sou tão louca e vou ter uma faxineira aqui em casa para me ajudar nas tarefas domésticas, ufa!

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Passei a semana passada inteira com um frio na barriga, aflita, até que finalmente fiz as pazes com a minha vontade de ser a cuidadora das minhas filhas, de ir contra a maré, de tentar o que parecia o impossível. Somente nós três. Agora vamos ter que nos readaptar um pouco, vou aprender a dar comida para as duas ao mesmo tempo, descobrir como dar a mamadeira para as duas ao mesmo tempo, como fazer tudo ao mesmo tempo. Toda uma nova rotina. Estou com medinho, é claro, mas feliz com a chance de começar tudo novo de novo e viver novas aventuras como mãe. Ser mãe é uma loucura e eu estou aproveitando para me descobrir, me superar, porque assim é a vida. 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mompetition - parte 2

Estão sentindo que o clima de sequência tá pegando nessa blog, né? Mas, como a gente faz se os assuntos são inacabáveis? Então, vamos mais uma vez para o tal da "mompetition", ou a famosa competição entre as mães.

Eu queria entender por que existe tanta divergência e discussão entre as mães, afinal, estamos todas no mesmo barco, no mesmo time, mesma categoria. Mas, existe. Eu tenho pensando muito sobre criação, escolhas e sobre as frases prontas que envolvem esse assunto como "cada um sabe o que é melhor para o seu filho". Leio muito os posts da Anne no Super Duper e tenho me identificado com muita coisa e ela me faz pensar muito sobre essa loucura que é ter que ser mãe. Acho que sim, cada mãe tem seu método, tem suas escolhas. Eu, por exemplo, deixo Maria e Isabella lamberem o chão, talvez alguém ache isso um absurdo, nojento, etc, mas eu acho que faz bem para imunidade delas. Então, não existe certo e errado na maternidade? Existe sim. Dar um hambúrguer pra um bebê é certo? Não, mas tem mãe que dá "pra experimentar, tadinho". Mas, se ela acha que é certo não tem problema? Tem problema sim. Existem milhões de exemplos como esse de dar fast food para um bebê, e eu posso citar vários que eu faço e que outras mães achem errado. "Mas, minha gente, tô confusa, o que é certo e o que é errado?" Rá, só você? Olá, bem-vinda ao mundo moderno.


Sem título Caminhos


Existe o certo e existe o errado, e olha que coisa, eles dependem do ponto de vista. Chega uma mãe orgulhosa com uma pequisa feita na Espanha que natação é péssimo para bebês porque aumenta o risco de bronquite e outra apresenta uma pesquisa de Harvard dizendo completamente o oposto. E agora, quem está certo? Acho que o que está errado é o foco. Maternidade é uma questão de decisão. Se eu quiser colocar minhas filhas na natação e alguém vier falar que faz mal, eu vou escutar e usar a minha melhor expressão do "é mesmo?" e depois ir lá fazer minha matrícula. Eu acho que o que está faltando no mundo moderno é assumir escolhas. E, principalmente, saber voltar atrás quando a sua decisão estiver no caminho errado. Esse sempre foi um dos meus grandes medos antes de ser mãe, ficar cega e achar que eu estou sempre certa. E ainda bem, que eu consigo enxergar quando eu fiz uma merda daquelas e reformular tudo.

Ontem, me mostraram uma discussão afoita sobre amamentação. Li os argumentos, concordei com alguns e a coisa estava ficando acalorosa. Uma amiga que não conseguiu amamentar exclusivamente, que como eu deu o peito e complementou na mamadeira, participava também da troca de opiniões sobre o desafio de amamentar. Cada uma ali tomou uma decisão e estava defendendo seu ponto de vista. Quem estava certo ou errado? Nem ideia, minha gente! Sinceramente? Eu nunca gostei de debate, pra quê ficar discutindo, com raiva do argumento do outro? E outra coisa? Em vez de gastar a energia debatendo, por que não ajudando o outro? Não sei porque a gente insiste em ficar contra o outro. Sim, a gente julga a decisão do outro, mas precisa tentar compreender, e amparar quando for "requisitado". Ou seja, quando outra amiga vier conversar com você. Porque esses conselhos de graça do tipo "você tem que fazer isso", "com meu filho só dá certo assim", a gente dispensa.

Ah, o mundo moderno! Acho que hoje em dia a gente analisa muuuuitoooo tudo. Informação é bom, mas quando é demais atrapalha. Minha mãe me deu um conselho quando as meninas nasceram e acho que é isso: "viva o dia de hoje". Tudo o que eu quero agora é aproveitar o máximo essa fase ótima com Maria e Bella e deixar de lado todas essas neuras, dilemas, polêmicas. As decisões são importantes, mas elas não são definitivas. Por aqui, a culpa não passa mais. E eu não quero ver as outras mães como concorrentes, mas como amigas, que podem me fazer enxergar outros ângulos, recorrer a outros caminhos. Concordo com tudo, não? Julgo? Sim. Mas, como eu, está todo mundo aprendendo e seguindo em frente.

terça-feira, 17 de abril de 2012

A descoberta de uma mãe

Muita gente acha que é só a gente receber aquele ser pequeno (no meu caso, dois) nos braços para automaticamente um botão ser acionado para se tornar mãe. O parto é um momento único, mágico, incrível, surreal, mas ele é apenas o início de tudo. Ser mãe não é tão simples assim. Ser mãe é um processo. Doce ilusão a minha achar que naquele momento tudo ia ficar cor de rosa, eu ia saber o que fazer, eu ia cuidar de tudo e assim viveríamos felizes para sempre. Eu descobri que ser mãe é uma escolha diária, um aprendizado sem fim.

Foram três meses para tentar entender isso. Primeiro, a gente fica encantada, com frio na barriga, mas vai ganhando confiança aos poucos. Sim, tem aquela coisa da magia, de olhar o bebê e sentir um amor imenso. Mas, vamos ser sinceras, naquele primeiro mês a gente ainda está conhecendo aquele ser. Nós dois (no meu caso, nós três) ainda estávamos nos acostumando uns com os outros. Eu, muitas vezes, me senti perdida, sem conexão, achando que aquela fase confusa não ia acabar nunca. A verdade é que eu não consegui entender tudo aquilo. Sim, a minha vida mudou completamente e eu precisa aceitar aquilo. Parecia óbvio, mas não era. E por mais que a gente se prepare nove meses para isso (no meu caso, oito) por mais que a gente ache que sabe tudo, não está e não sabe.

Quando as meninas estavam com dois meses, um dia eu caí em um choro compulsivo. Estava cansada de quebrar a cara. Todas as expectativas que eu criei para este momento único na minha vida tinham ido por água abaixo. Eu queria um parto normal, queria amamentar as duas facilmente e a qualquer custo, queria dar conta de cuidar delas sozinhas e não consegui nada do que eu esperava. Nada. Eu tive que me livrar de tudo isso. Receber ajuda era uma coisa muito difícil para mim. Ter uma babá era impensável. E aqui estamos nós com uma ajudante e uma faxineira.

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Eu escutava todo mundo falando "essa fase vai passar, você vai ver, vai passar". E eu achava que ia passar mesmo, literalmente, que aquilo não era permanente, que as meninas não iam ficar do meu lado o tempo todo e por um bom tempo. Foi uma sensação esquisita, mas eu não sentia que era definitivo. Eu queria a ajuda da minha mãe, a única pessoa que eu confiava, o tempo inteiro. Estava sempre cansada, desesperada, exausta e a coisa parecia que não ia ter fim. Até que caiu a ficha. Elas vão ficar aqui para sempre! Duh! Parece óbvio, mas, às vezes, eu sentia que elas estavam "emprestadas" e que era só uma fase mesmo. Até que eu descobri que não. Eu me vi com elas para todo sempre, crescendo juntas. Eu era a cuidadora e me descobri assim. Eu me coloquei disponível para as minhas filhas. Em uma noite difícil com as duas, eu pensei "estou aqui, não tenho pressa, não vou a lugar nenhum, vou ficar o tempo que for com vocês". E toda a coisa mudou de figura, elas foram ficando mais calmas, eu fui ficando mais confiante e logo já estávamos bem, nos entendo. E tem sido assim desde então.

Naquele início eu sentia que estava lutando contra o mundo. Sabe aquele filme de sessão da tarde "Tudo pela minha filha", que a menina é sequestrada e a mãe corre atrás igual uma louca? Eu me sentia assim todos os dias. Todos os dias era uma decisão, toda hora eu tinha que tomar uma atitude firme para provar para mim e para os outros que eu sabia o que estava fazendo. Até que um belo dia eu descobri que sabia mesmo. Eu sei quando é fome, quando é desconforto, quando é sono. Às vezes, ainda bate aquela dúvida, mas não me sinto mais mal. Sei que, em breve, eu e elas vamos nos entendendo no nosso tempo.

Ser mãe é uma tranformação muito grande e constante, por isso é tão difícil. Ela traz à tona uma série de sentimentos e todas as facetas de você mesma. Algumas pessoas se fecham para isso, preferem fugir da responsabilidade, esquecer aquele turbilhão de emoção todo e eu entendo isso, mas resolvi me jogar de cabeça. Talvez por isso, bato com ela (a cabeça) tanto assim. Mas não poderia ser de outra forma. Nunca cresci tanto, aprendi tanto, rezei tanto. Sou eu e não sou mais eu, ao mesmo tempo. Pois vamos parar de filosofar que a vida tá acontecendo aqui do meu lado. É isso, virei mãe.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Baby fever

Eu vou ser muito sincera: cansei um pouco deste capítulo da história. As palavras e as linhas do livro da minha vida atualmente parecem não sair muito do lugar. É gravidez, meninas, nomes, enxoval, quartinho, bebê, fralda, enjoo, barriga e uma tal de "aproveita agora que depois..." ou "e aí o que você vai fazer em relação a isso? e aquilo", que eu nem sei mais quem sou eu, quem é o Marco no meio de tudo isso. Sim, estamos muito felizes, é um momento especial e etc. Blá blá blá. Mas é cansativo, às vezes. E como a ideia é contar tudo nesse blog, não posso deixar essa parte de fora e fingir que eu não estou cansada desse papo de bebê 24 horas por dia, 7 dias por semana. Pronto, falei.

isabel allende

É uma coisa natural se envolver demais com a gravidez, eu sei. Acho que todas nós passamos por isso. Nós dois falamos o tempo inteiro sobre isso, sou lembrada constantemente sobre isso, faço post sobre isso, mas é hora de respirar um pouco, né? Portanto, cheguei a conclusão:

Quero ler um livro que não seja sobre gravidez, ver um filme indie pelo amor de Dios, descobrir uma banda nova, ler a Vogue americana ou coisa equivalente, viajar para algum lugar que não envolva compras de enxoval e pronto. Acho que depois disso começo a me sentir normal.

E sim, voltaremos com a baby fever nos próximos dias. Eu só quero dar um tempo (não do blog, minha gente!), respirar um pouco do lado de fora, para mergulhar com tudo de vez.

E vocês, mães modernas? Também se sentiram assim em algum momento? Ficaram procurando uma individualidade desesperadamente?