Eis que chega mais uma fase difícil. E eu achando que a coisa ia ficar fácil, minha gente! "Ha-ha-ha" a maternidade rindo na minha cara. Semana passada foi bem difícil aqui em casa, que eu não sei nem por onde começar. Olhando de fora, eu diria que Maria e Isabella testaram meus limites, choraram quando foram contrariadas, se jogaram no chão, sapatearam, deram risada quando eu dizia "não", não pararam quietas um minuto e eu estava pronta para jogar a toalha. Por que está tão difícil assim? Pode desistir e colocar essas meninas na creche? Tamanho foi meu desespero que eu deixei as duas verem televisão. "Ha-ha-ha" maternidade rindo na minha cara de novo. Mas não durou nem cinco minutos, me senti péssima demais para ir adiante e apertei o off no controle remoto.
Sim, foi uma loucura. Mas, olhando de dentro, eu vejo que a causa de tudo isso, adivinha de quem é? De quem? De quem? Minha, off course. É sempre culpa da mãe. Era a primeira semana normal depois das férias do marido e eu precisava me acostumar com a nova rotina e elas também. Eu precisava me acostumar com nós três de novo e nossas tardes em casa sem ter uma atividade ou passeio todo dia. E sem a ajuda de mais uma pessoa. E aí eu comecei a ficar agoniada com alguma coisa que eu não sabia o que era, um aperto no peito, aquela vontade de fazer alguma coisa e não conseguir. Mesmo que fosse arrumar a bagunça do armário. Eu estava incomodada e com a cabeça cheia de pensamentos, sem cessar. E veio as mil e uma comparações com a situação de outras mães, com outros bebês e aquela velha coisa de "cuidar de um bebê só é fácil, dois é o caos", que nunca é bonito.
Solução? Desabafar com o marido, conversar com a mãe, filtrar os pensamentos e tentar entender o que estava acontecendo. Me acalmei e parei de desejar que esta fase acabasse logo. Depois resolvi focar na solução dessas birras e manhas e no aumento da minha paciência. Li alguns livros também para ajudar. Tinha um livro aqui em casa, "Infância: A Idade Sagrada", da Evânia Reichert, que ganhei ainda na época que era jornalista na área de saúde e resolvi abrir de vez. Descobri o óbvio e que já sabia: de que crianças nessa idade estão apenas querendo dizer ao mundo "ei, estou aqui e tenho minhas vontades!" Na verdade, elas sempre tiveram. Antes, se estavam com fome, choravam e recebiam o peito. Agora elas podem verbalizar e mostrar o que querem e o quanto ficam contrariada quando não querem. E nós colocamos limites. "Opa, antes era só chorar que eu recebia o que queria e agora tudo é não? Como assim?" Uma coisa que eu já fazia e ajudou muito foi deixar as meninas terem mais independência, o que nem sempre é fácil. Como me disse uma amiga citando outra amiga: "ser didático, cansa!"
Pois bem, resumindo que eu li no livro, essa é uma idade de reconhecimento de si e super importante para o desenvolvimento da pessoa que o seu filho vai ser no futuro. Ser desobediente nessa idade é saudável, porém a criança precisa saber o que é certo e o que errado. É importante colocar limites, mas poucos. Sim, isso mesmo, poucos. Não adianta passar o dia inteiro falando "não, não, não". O "não" é importante, mas também é legal deixar a criança ter suas experiências próprias e enteder seus limites também. Com essa idade, até uns dois anos, elas não assimilam tanto as ordens, por isso a gente tem que ficar repetindo como doida, mas entedem restrições. Exemplo: Maria e Isabella adoram brincar com a porta do quarto. Elas abrem e fecham, dão risada, quando a outra aparece e depois some de novo. Vou ficar eu como a louca: "não pode brincar com a porta, sai daí", se para elas é divertido e depois vai ter todo um chororô desnecessário? Se eu ficar ali supervisionando e segurando a porta também, não vejo problema. Agora é claro que se elas vão brincar com a tomada ou as gavetas da cômoda, eu corto, sem gritar ou brigar, dou outra opção e elas logo esquecem. Ainda que volta e meia tentem brincar com aquilo de novo.
Outra coisa que eu percebi é que eu estava travando um embate com elas na hora das birras, e o livro também fala sobre isso. Faz sentindo ficar discutindo com uma criança de 1 ano? Oi? Mas eu estava. "Não pode fazer isso porque blá, blá, blá. Chega e para de chorar e etc". Tudo no meio da crise. Alguém me escutou? Óbvio que não, elas não assimilam naquele momento. Explique o que é errado antes ou depois do chororô. Preferencialmente, antes. Na hora do chororô, não foque muito sua atenção naquilo, o que é diferente de ignorar, ok? Console, explique, e partimos para outra brincadeira.
Não sou especialista ou coisa do tipo, vamos combinar, estou apenas compartilhando o que tem dado certo por aqui e percebi como pequenas coisas fazem a diferença no nosso dia a dia. Apesar das dificuldades de ter duas meninas com oito molares nascendo no total (quatro cada), essa semana já foi bem diferente e mais tranquilo porque eu mudei. Dar atenção, amor, carinho é essencial. Esqueça os tapinhas, os gritos, os apertos. Aquela coisa de seja firme, sem perder a ternura. Eu nunca pensei que ia passar apertos com birras, mas isso faz parte de ser criança, de crescer. Todas as mães passam pelo mesmo, o que as diferencia é como tratamos o problema. No fundo, não existe criança "geniosa", "birrenta" ou "difícil", na minha opinão, são apenas crianças querendo mostrar pra que vieram ao mundo e o nosso papel está justamente em guiá-las rumo à vida, e sempre existe uma forma melhor de fazer isso.
Mudando completamente de assunto... Para quem é de Brasília, no domingo, 19 de maio, vou estar no Bazar PicNik com produtos lindos e descolados da Família Moderna. E tudo com desconto! Quem puder passa lá para dar um oi para gente e ver duas meninas se divertirem no jardim!