A vida com três é bem corrida, como vocês devem imaginar, e por isso, tá tão difícil escrever. Muita gente tem me perguntado como está o nosso dia a dia e o nosso novo esquema, por isso vou tentar resumir aqui, ainda que quase sempre tem sido uma caixinha de surpresa e a mudança chegou com força e ainda permanece na nossa vida. Francisco está perto de completar dois meses e continuamos no processo de adaptação, tentando criar uma nova rotina. Antes de contar o agora, preciso voltar para o antes, ou melhor, o depois, depois do nascimento dele, a volta pra casa.
Confesso que quando voltei pra casa do hospital, dei uma surtada básica. Estava tão cansada, me sentindo fraca (normal no pós-parto) que pensei: "meu Deus, como vou cuidar de três?". Não tinha energia nenhuma para ficar com as meninas ou brincar com elas e isso foi bem chato, além disso bateu uma culpa terrível. Era muita mudança pra mim e pra elas. O Marco ficou mais por conta delas e meus pais também ajudaram muito nesse processo. Eu surtava, mas sabia que era uma fase e que o cansaço absurdo ia passar. Mas foi nessa hora que decidimos, de supetão, mesmo porque não estava nos nossos planos, e isso é assunto para um outro post, colocar as meninas na escola. O Marco ficou em casa e juntou a licença com mais 15 dias de férias. Quando ele voltou a trabalhar fomos entrando em um novo ritmo aos poucos e com o caos básico que uma família em fase de transição comporta. Em dois meses e meio aconteceu muita coisa, mas no momento a nossa rotina está assim:
Manhã
Eu acordo primeiro com o Francisco, obviamente. Até semana passada ele tinha o seguinte esquema, acordava para mamar 4 ou 5 da matina e ia acordando de uma em uma hora e lá pelas 7 ou 8 justamente quando as meninas acordam ele ficava acordado de vez. Um pouco antes disso eu acordava o Marco e passava ele pra ele e ia tomar café da manhã com certa tranquilidade. Agora ele está acordando 6/6h30 e depois dorme de novo. Uhu! O que me deixa livre para fazer o que eu tiver que fazer até a hora das meninas acordarem que tem sido por volta das 7h, sendo elas dormiam até 9h há duas semanas atrás. Viram como tudo muda por aqui? Então a gente vai se adaptando.
Preguiça matinal
Quando as meninas acordam é hora de ir pra sala tomar café com elas enquanto eu o Marco nos dividimos em quem faz café e quem fica com elas e no meio tempo ainda vamos no banheiro, cada hora um. Aí troca de roupa, come, brinca e no meio disso tudo Francisco mama de novo. Tenho faxineira duas vezes por semana, quando ela está em casa a gente fica mais livre porque ela faz o almoço, então tenta descer com elas, passear, fazer alguma coisa. Quando ela não vem eu tento fazer o almoço, varrer a casa, colocar roupa pra lavar e isso é meio caótico, eu e o Marco vamos revezando, mas nem sempre funciona e quase sempre a casa fica bagunçada. Às vezes minha mãe me socorre e vem fazer almoço ou manda alguma coisa, o que é ótimo!
Brincadeira no corredor, sempre um sucesso
Lavando a louça
11h30. É hora do almoço. O Marco tem que sair pra trabalhar meio-dia. Eles almoçam juntos e eu tb se o Francisco não estiver mamando, o que é raro. De manhã ele tem sonecas muito curtas, acho que em grande parte por culpa da bagunça e gritaria. Mas, ultimamente, as meninas não têm curtido almoçar esse horário, então elas acabam almoçando comigo depois de meio-dia e quando eu fico com elas sozinha, minha gente, preciso admitir que rola uma televisão básica, mickey que elas adoram, de preferência. E é nessa hora que eu tento dar atenção pra todo mundo ao mesmo tempo. Cada dia é diferente. Tem dia que uma das duas faz cocô e tenho que dar banho porque sujou tudo, ou as duas, ou alguém que tentou fazer cocô no penico e errou o alvo, ou Francisco que fez cocô e vazou pras costas. (Ultimamente minha vida tem se resumido a cocô, xixi e algumas vomitadas de leites, sim ter filhos é nojento. Aí dou banho e coloco roupa nas duas enquanto Francisco chora no moisés ou dorme no sling (já aconteceu as duas situações). Se tá muito caótico tento colocar um DVD no meu quarto e dar de mamar pro Francisco deitada junto com elas, ainda que elas fujam e mexem no que não pode, como no dia que elas pegaram um saco de pão de forma e comeram um pedaço de cada fatia, e eu finjo que não estou vendo. Eu olho constantemente pro relógio e espero dar 13h30 que é a hora que meu pai leva as duas pra escola. Quando elas estavam na adaptação e até alguma semanas depois, eu ia junto com o Francisco, levar e buscar, mas pra ele era super estressante e ele chorava horrores no bebê conforto, então meu pai assumiu a tarefa grandiosamente e elas amam andar no carro do vovô e outro dia eu fui buscar as duas e nada de abraço na mãe, elas foram correndo atrás do vovô (as mãe pira).
Tarde
Quando as meninas saem de casa, em 90% das vezes Francisco está mamando, e aí ele mama pra valer. Uma, duas horas de peito sem parar, acho que ele aproveita o silêncio e a minha exclusividade. Depois ele dorme bem, mas aí depende do dia também. Hoje, por exemplo, mamou uma hora, dormiu uma hora e meia, mamou de novo e agora está aqui na minha frente na cadeirinha de balanço, brincando e conversando com ele mesmo enquanto eu escrevo. Às vezes eu sinto que não consigo fazer nada de tarde, só dar de mamar e no meio consigo arrumar alguma coisa da casa, responder um email, fazer um lanche caprichado. E quando eu vejo já são 18h e tá quase na hora delas chegarem com meu pai. Nessa loucura toda devo ter saído só umas três vezes sozinha com o Francisco, mas pretendo começar a andar por aí com ele.
Noite
As meninas chegam 18h30 super cansadas e com sono. Aí entra o modo dar banho, algo pra comer (odeio admitir, mas nem sempre é jantar, quase sempre é um vitamina de banana com leite de arroz), um pouco de TV deitadas na cama da mamãe e dormir umas 20h. Meu pai me ajuda a fazer grande parte dessa rotina noturna até o Marco chegar umas 19h. Enquanto elas estão deitadas na minha cama, a gente dá banho no Francisco.
Momento pós-banho na minha cama
Dependendo do humor/fome dele, eu coloco as duas pra dormir, se não vai o Marco. Sento entre as duas camas, canto uma música e elas dormem rápido. Depois, o Francisco mama, mama, mama e apaga. Demos sorte nesse quesito porque ele sempre dormiu bem essa hora da noite. E ele vai direto até meia noite e, essa semana chegou até às 3h da manhã! Viva! Então é essa hora da noite que eu e o Marco conversamos, jantamos, tomamos banho mas, basicamente, ficamos parados no sofá vendo TV e mexendo no celular, mortos de cansados.
Francisco e Bella na cama da mamãe
Madrugada
O Francisco no primeiro mês, como um bom bebê, acordava de três/duas horas para mamar. Agora, como eu disse, acorda uma vez só, por volta das 3h, e acho lindo. Mas aí passamos por outra fase: as meninas começaram a acordar de novo. Rá, rá, rá. Juntou com resfriado, febre, crise de ciúme e uma menina que jogou a chupeta no lixo, e passamos por uma semana difícil com elas por aqui. Era muito choro e a gente tentava consolar, levava pra nossa cama e fomos tentando desesperadamente fazer dar certo e acho que encontramos um certo equilíbrio nesses últimos dias. Ufa!
Cozinhar e arrumar a casa
Basicamente, faço essas duas coisas quando dá. Com uns dez dias depois do parto, eu já estava cozinhando e passando uma vassoura na sala, nada de limpeza pesada, mas foi uma forma de me sentir útil também, cuidar da minha casa. Agora, se tenho que fazer o almoço faço uma coisa rápida tipo macarrão uma carne com legumes e arroz. O Marco entra em ação nessa hora e fica com as crianças enquanto estou na cozinha, nem sempre a comida sai maravilhosa, mas dá certo. Como eu sou a louca obsessiva por bolos, eu prefiro ir pra cozinha do que dormir de tarde, por exemplo. E assim a gente vai levando. Também compramos uma máquina de lavar louça que tem ajudado muito na organização da cozinha. Mas acho que cada vez mais as coisas vão se ajeitando e vai ficando mais fácil de fazer tudo.
A nossa rotina está em constante mudança agora, mas sei que em breve a coisa fica estável. Para ser pai/mãe, é preciso saber que tudo é fase. Muita gente me pergunta: "como você dá conta?". Eu simplesmente faço, gente, me viro, sobrevivo. Ser mãe também é saber "dar um jeito", escolher batalhas, encarar o trabalho porque dá trabalho mesmo e viver o simples viver.